25 de agosto de 2014

Lição 09



A VERDADEIRA SABEDORIA SE MANIFESTA NA PRÁTICA
Texto Áureo Tg. 3.13 – Leitura Bíblica Tg. 3.13-18

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
É comum às pessoas desta geração buscarem informações, algumas delas ainda se interessam por conhecimento, mas poucas querem realmente sabedoria. Na aula de hoje atentaremos para a verdadeira sabedoria, como demonstração de temor a Deus, demonstrada em obediência. Mostraremos, a princípio, a partir das orientações de Tiago, o que é a verdadeira sabedoria, em seguida, destacaremos que essa se manifesta na prática, e por fim, que é evidência de uma vida cristã autêntica.

1. A VERDADEIRA SABEDORIA
A fonte da verdadeira sabedoria é o próprio Deus, considerando que os homens, pelas suas investigações, são incapazes de obtê-la. Por isso Tiago pergunta: Quem é sábio e tem entendimento? A concepção de sabedoria em Tiago é bastante parecida com aquela do autor dos Provérbios (Pv. 8.1-21). Para esses a sabedoria é muito mais que mero acúmulo de conhecimento, trata-se de uma compreensão da vontade de Deus, e de uma prática condizente com essa revelação. Os gregos antigos se vangloriavam de sua sophia – sabedoria, por isso faltava-lhes humildade. Como diz Paulo, ao escrever aos Romanos, os intelectuais, dizendo-se sábios, tornaram se loucos e trocaram a glória de Deus imortal por imagens (Rm. 1.22,23). Os sábios segundo o mundo precisam ser mais humildas, reconhecerem que necessitam de Deus, e que não sabem de tudo, admitirem que são ignorantes em relação a muitas coisas, principalmente no que tange às de Deus (Sl. 111.10). A prepotência do neoateismo tem distanciado muitas pessoas de Deus, a falta de humildade e senso de ignorância, conduz o ser humano a pensar que é maior que o Criador. Ser ateu significa fechar-se ao mistério, à possibilidade da revelação divina, a assumir-se dogmático em relação à existência de Deus, a acreditar na eternidade da matéria, mesmo sem ter fundamento científico. Há intelectuais que têm muito conhecimento, graduam-se, fazem seus mestrados e doutorados, por causa disso perdem a singeleza de coração. Isso resulta, no contexto da Epístola de Tiago, em soberba, e dificuldade para manter relacionamentos duradouros e saudáveis (Tg. 3.13,14). A razão dessa condição está na fonte dessa sabedoria, que é da terra, não do céu. A verdadeira sabedoria vem do alto, não é uma empreitada humana, tal como foi a torre de Babel (Gn. 11.9).

2. MANIFESTA-SE NA PRÁTICA
Essa sabedoria humana se caracteriza por: 1) ser terrena (Tg. 3.15), portanto é deste mundo (I Co. 1.20,21), proveniente da mera razão humana; 2) ser animal, ou mais propriamente, física (Tg. 3.15), ou natural ( Co. 2.14); e 3) ser demoníaca (Tg. 3.15), por se respaldar nas mentiras do diabo (Rm. 1.18-25), pois ele é o pai da mentira (Jo. 8.44). A verdadeira sabedoria, a que vem do alto, portanto de Deus, é fruto de oração (Tg. 1.15), é recebida quando alguém a busca, e se predispõe a se apropriar dela, é uma dádiva do Senhor (Tg. 1.17), A manifestação concreta dessa sabedoria é o próprio Cristo, nEle repousa a sophia tou theou – a sabedoria de Deus (I Co. 1.13), os tesouros da sabedoria são encontrados nEle (Cl. 2.3). A maneira de conhecermos essa sabedoria é através da Palavra de Deus, pois são as Escrituras que nos tornam sábios para a salvação (II Tm. 3.15). A sabedoria humana se manifesta: 1) por meio de inveja amargurada (Tg. 3.14,16), busca apenas a autopromoção, rouba a glória de Deus (I Co. 1.23-31); 2) um sentimento faccioso (Tg. 3.14,15), é o partidarismo, na busca pela satisfação dos interesses particulares (Fp. 2.3); 3) fundamentada na mentira (Tg. 3.14), se alimenta da vaidade, e não respeita limites para adquirir fama (I Co. 4.5). Mas a verdadeira sabedoria, que se manifesta na prática, é pura (Tg. 3.17), está livre da ambição e dos sentimentos de vangloria; é pacificadora (Tg. 3.17) não semeia contendas entre os irmãos, estimulando a competitividade (Tg. 4.1,2); é ponderada (Tg. 3.17), não se lança precipitadamente, principalmente para tirar vantagem dos mais fracos. A verdadeira sabedoria também é tratável, se deixa persuadir com facilidade, demonstra abertura para o aprendizado. Há pessoas nas igrejas que, assim como procedeu Nabal, não conseguem maturidade espiritual, pois são intratáveis (I Sm. 25.3,17). A sabedoria do alto também é cheia de misericórdia (Tg. 3.17), não lida com as pessoas demonstrando inclemência, muito pelo contrario, sabem que foram alcançados pela graça de Deus, por isso demonstram amor e compaixão. Essa é uma sabedoria que produz frutos dignos de arrependimento, está fundamentada nas virtudes do Espírito (Gl. 5.22), por isso não mostra parcialidade, principalmente em relação aos mais pobres (Tg. 3.17), e não se revela fingida, com hipocrisia, visando apenas benefícios particulares.

3. DA VIDA CRISTÃ AUTÊNTICA
A vida cristã dever ser marcada pela autenticidade, nela não há lugar para fingimentos, ou palavras frívolas. Os fariseus do tempo de Jesus eram pessoas que se pautavam em uma religiosidade aparente (Mt. 23). Eles foram denunciados por Jesus porque não levavam a sério sua crença em Deus, e mais que isso, se gloriavam das suas exterioridades, em detrimento dos valores interiores. Nestes dias, nos quais as igrejas evangélicas buscam apenas aumentar o número dos seus adeptos, carecemos de uma fé cristã autêntica, diferente do fermento dos fariseus e saduceus, que busca crescimento a qualquer custo (Mt. 6.6,7). A vida cristã autêntica é uma escolha, que se fez apesar de tudo e de todos, uma entrega incondicional, uma disposição a confiar na Palavra de Deus (Rm. 11.8-12). Por esse motivo, os cristãos, em todos os tempos, precisam decidir, se viverão a partir da sabedoria da terra ou do céu. As opções que o mundo oferece são as mais diversas, as obras da carne se apresentam como uma alternativa atraente (Gl. 5.17). Mas não estamos determinados a nos conduzir pela natureza pecaminosa, para isso é preciso investir na vida espiritual, na sabedoria praticada, concretizada na disciplina. O hedonismo tem influenciado muitos cristãos a entregarem-se aos desejos pecaminosos. Há aqueles que não fazem mais a diferença entre o que é certo e o que é errado, estão com as mentes cauterizadas (I Tm. 4.1,2). Um pensador disse, expressando a visão deste mundo, que a melhor maneira de vencer uma tentação é entregar-se a ela. Até mesmo os cristãos estão esquecendo a sabedoria do alto, e se voltando para os prazeres como um fim último. As consequências da falta de sabedoria do alto são desastrosas, de acordo com Tiago, resultam em desordem, e em todo tipo de prática vil. Por outro lado, a sabedoria do alto, traz colheita de justiça. Como bem lembrou Paulo aos Gálatas, e bastante apropriado aos cristãos de hoje, aquilo que o homem plantar, isso também ceifará (Gl. 6.7). Deus não se deixa escarnecer, portanto, sejamos cautelosos em relação às sementes que estamos colocando na terra (Pv. 22.8).

CONCLUSÃO
Há cristãos que desprezam a sabedoria de Deus, o autor de Provérbios nos lembra que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria (Pv. 1.7). Salomão, após ter passado pela juventude, e ao se encontrar em idade avançada, lembrou que o melhor é viver para o Criador. Esse é o dever de todo homem e mulher que deseja agradar ao Senhor, e viver autenticamente para Ele (Ec. 12.13). Essa sábia opção, além de satisfazer a Deus, nos faz bem, pois a vontade do Senhor, em Sua sabedoria, não é para o nosso mal, antes para bem (Rm. 12.1,2).

BIBLIOGRAFIA
SHEDD, R. P., BIZERRA, E. F. Uma exposição de Tiago. São Paulo: Shedd Publicações, 2010.
WIERSBE, W. W. Be mature: James. Colorado Springs: David C. Cook, 2008. 

18 de agosto de 2014

Lição 08


O CUIDADO COM A LÍNGUA
Texto Áureo Tg. 3.2 – Leitura Bíblica Tg. 3.1-12

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
O uso inadequado da língua pode resultar em prejuízos irreparáveis. Por isso, o cristão precisa ter cuidado para não se perder ao falar. Na aula de hoje, estudaremos a respeito desse importante assunto. Inicialmente mostraremos o poder da língua, principalmente para a destruição das vidas. Em seguida, nos voltaremos para o perigo de uma língua descontrolado, que leva à ruina. Ao final, apontaremos algumas direções com vistas ao uso correto da língua, com vistas à edificação.

1. O PODER DA LÍNGUA
As palavras têm o poder de ferir as pessoas, por isso todo cristão deveria medir bem as consequências do que vai dizer. Esse tema é recorrentemente abordado por Salomão nos Provérbios. Em Pv. 6.16-19 encontramos seis pecados que Deus aborrece, e um que Ele abomina, três deles ligados à língua: a língua mentirosa, a testemunha falsa e o que semeia contenda entre os irmãos. Para Tiago, o domínio da língua é uma das manifestações da verdadeira religiosidade. Ninguém pode se considerar autenticamente cristão a menos que seja capaz de dominar a sua língua. Aqueles que estão no magistério cristão, isto é, que foram vocacionados para o ensino, devem ter mais cuidado ainda (Tg. 3.1). Os líderes costumam ser observados nesse particular, e se não vigiarem poderão colocar o ministério a perder por causa de uma língua desenfreada. Há pastores que perdem o controle por qualquer motivo, e ao se exasperarem revelam quem seus sentimentos mais destruidores. Por esse motivo Tiago lembra que aquele que não tropeça na língua é varão perfeito (Tg. 3.2). Não podemos deixar de destacar que a língua tem o poder de dirigir, podemos orientar uma multidão pelo poder da língua (Tg. 3.3,4). Muitos líderes levaram as massas a tomar decisões pelo poder da palavra, como Martin Luther King Jr. E Adolf Hitler. O primeiro usou as palavras em prol dos direitos civis, para o bem da sociedade. O segundo também o usou a língua, conseguiu atingir as massas, mas para propagar ideias destruidoras. Isso mostra que a língua tanto tem o poder de construir quanto destruir, motivar as pessoas quanto menospreza-las. Ainda que essa seja pequena, comparada por Tiago a um freio e leme, é capaz de causar estragos de alta proporção. Como uma fagulha e uma porção de veneno, pode incendiar uma floresta inteira. Um boato na igreja pode destruir uma pessoa, e em alguns casos, toda uma família (Ef. 4.29). Os cristãos devem avaliar criteriosamente as declarações a respeito de um irmão ou irmã, antes de dirigir qualquer julgamento. A língua pode ser: perigosa (Tg. 3.6), indomável (Tg. 3.7). Por outro lado, esse pequeno instrumento também pode ser utilizado para glorificar a Deus, e para abençoar as pessoas.

2. O DESCONTROLE DA LÍNGUA
Tiago destacou, no início da sua Epístola, que se alguém se considera religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo. Sua religião não tem valor algum (Tg. 1.26). O descontrole da língua é um desastre, por isso os que ocupam posição de liderança devem estar atentos (Gl. 6.7). Isso porque, como advertiu o Senhor, a quem muito é dado, mais ainda será exigido (Lc. 12.48). Um líder com uma língua descontrolada é perigoso porque ele pode fazer tropeçar um dos pequeninos do Senhor (Mt. 18.6). Há pastores que utilizam o púlpito para desabafar, alguns deles para verbalizar seus descontroles emocionais. Esses estão ferindo muitos crentes com suas palavras impensadas, além de desviar as ovelhas do rebanho, ainda preparam a própria ruina (Mt. 7.1,2; Rm. 2.1-3). Jesus lembrou que a boca fala do que o coração está cheio (Mt. 12.34), há pessoas que estão cheias de ódio e ressentimento. Por isso, quando se dirigem aos outros, até mesmo dentro das igrejas, liberam apenas veneno. Lembremos que é do interior do coração que vêm os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, homicídios, adultérios, cobiças, engano, arrogância e insensatez (Mc. 7.21,22). Existem pessoas tóxicas, que não há quem suporte ficar perto delas, não desperdiçam as oportunidades para causar destruição através da língua. Como bem lembra o autor dos Provérbios, essas pessoas estão sendo conduzidas à destruição (Pv. 10.8), pois acomodam sentimentos de violência (Pv. 10.11), elas cavam a própria cova (Pv. 26.27,28), suas conversas é armadilha e desgraça (Pv. 18.7). O uso da língua no ambiente familiar precisa ser bem avaliado, muitos pais estão destruindo a vida dos filhos, dirigindo-lhes palavras de menosprezo. Há pais que adjetivam seus filhos com palavras de menosprezo, resultado em baixa estima, e complexo de inferioridade. Marido e mulher devem ponderar no uso das palavras, os julgamentos precipitados, expressões jocosas, podem destruir o relacionamento conjugal. Ao invés de usar as palavras para destruir, devemos elogiar sempre que possível, reconhecendo o potencial das pessoas.

3. O USO CORRETO DA LÍNGUA
O domínio da língua deve ser a meta de todo cristão que quer viver uma religiosidade madura. Como os homens aprenderam a domar os animais, devem fazer o mesmo com a língua. E isso somente poderá ser feito pelo poder do Espírito Santo, através da produção do Seu fruto no cristão (Gl. 5.22). Ao longo do tempo, em um processo de “adestramento” espiritual, o crente aprende a não se enredar por meio do falar (Pv. 12.13). Devemos aprender com Jesus, até mesmo quando somos insultados, a não abrir a boca, a entregar as palavras destruidoras àquele que julga com justiça (I Pe. 2.22,23). Como Davi, devemos orar ao Senhor pedindo que Ele coloque uma guarda à nossa boca (Sl. 141.3). Reconhecemos que há em nós uma natureza corrompida, que precisa ser controlada pelo Espírito (Mt. 7.15-18). Mas quando somos espirituais, dirigidos pelo Espírito, orientados pela Palavra, controlamos os lábios (Tg. 3.12). O cristão deve investir na coerência, na relação entre o que diz e o que faz, não pode haver dubiedade, muito menos contradição, entre o falar e o proceder do cristão (Tg. 5.12). Evidentemente não somos perfeitos, mas não podemos deixar de buscar a perfeição. Não devemos permitir que palavras imorais nos conduzam à impureza, tenhamos cuidado com aqueles que se assentam na roda dos escarnecedores, apenas para falarem impropérios (Mt. 15.18,19). No dia de Juízo daremos conta de toda palavra inútil que tivermos falado, seremos absolvidos ou condenados pelas nossas palavras (Mt. 12.36,37). A língua deve ser um instrumento para o cristão abençoar, não amaldiçoar as pessoas. O uso correto da língua mostra quem de fato somos, afinal somos conhecidos pelos nossos frutos, e um deles é a palavra (Mt. 7.16-20). Quando falamos revelamos quem somos, nossas crenças, posições e interesses. Se investimos em espiritualidade, mostraremos por meios das palavras, que somos de Deus (Ef. 4.29).

CONCLUSÃO
Com o autor de Provérbios, devemos lembrar sempre que a língua tem um poder terapêutico, portanto, devemos usar a língua para o bem do próximo, nunca para o mal (Pv. 12.18; 15.4). A sabedoria consiste justamente na capacidade de saber distinguir o momento de falar e o de ficar calado (Pv. 10.19). O descontrole deve dar lugar à paciência, para não sermos contados entre os tolos (Ec. 7.8,9). Ao invés de revidar, o melhor mesmo é aceitar a instrução do Senhor, somente assim seremos verdadeiramente sábios (Pv. 19.20).

BIBLIOGRAFIA
MOTYER, J. A. The message of James. Downers Grove, Inter Versity Press, 1985.
WIERSBE, W. W. Be mature: James. Colorado Springs: David C. Cook, 2008.



11 de agosto de 2014

Lição 07



A FÉ SE MANIFESTA EM OBRAS
Texto Áureo Mt. 5.16 – Leitura Bíblica Tg. 2.14-26

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
As obras dos cristãos não podem ser incompatíveis com sua fé, na verdade, diante dos homens, a fé somente pode ser demonstrada por meio das obras. Na aula de hoje atentaremos para essa relação necessária na vida cristã. Os teólogos costumam explicá-la utilizando duas palavras: ortodoxia (doutrina correta) e ortopraxia (prática correta). Além dessa relação, destacaremos, nesta lição, que somos sal da terra e luz do mundo, e nos voltaremos para alguns exemplos bíblicos de fé manifesta por meio das obras.

1. A RELAÇÃO ENTRE FÉ E OBRAS
Em sua Epístola Tiago destaca que há uma relação direta e necessária entre a fé (ortodoxia) e obras (ortopraxia). Existe uma tendência aos extremos no movimento evangélico, aqueles que defendem que devemos priorizar a fé, e outros, esse ao que me parece maioria, que defende meramente a prática. Mas uma não se sustenta sem a outra, não existe uma prática apropriada a menos que essa esteja alicerçada na sã doutrina (II Tm. 4.3). No texto de Tiago, a fé e as obras devem ser demonstradas em obediência, isso inclui compromisso com Cristo, esse ensinado coaduna-se a posição paulina (Rm. 1.5; Gl. 5.6). Essa posição precisa ser reafirmada constantemente no movimento evangélico, principalmente porque estamos testemunhando aquilo que Bonhoeffer denominou de graça barata. Para esse mártir alemão, a graça barata é um perigo para a igreja, pois “é um inimigo mortal (...) quer dizer a venda no mercado como qualquer produto (...) dos pecados, as consolações da religião são jogados a preço de queima (...) é a negação da Encarnação, da realidade do Espírito Santo, graça e fruto, figueira sem fruto”. O cristianismo autêntico está em declínio em alguns contextos evangélicos, na ânsia por aumentar seus adeptos, muitos líderes estão fazendo concessões que deveriam ser inegociáveis. A marca da fé cristã continua sendo o amor-agape, sem este não passamos de barulho (I Co. 13), isso pode ser constatado no fato de que muitos lembram Jo. 3.16, mas esquecem do que está escrito em I Jo. 3.16. Além disso, precisamos resgatar, em nossas igrejas, a doutrina do novo nascimento, ao invés de querer transformar nossos encontros em meros espetáculos (Jo. 3.3). Esse cristianismo barato é irrelevante, algumas “igrejas” locais não fazem a menor falta se forem fechadas. Simplesmente porque elas não representam Cristo na terra, na verdade há algumas que prestam desserviço a causa do Reino de Deus. A igreja de Jesus Cristo não pode esquecer que é o Corpo, e deve agir com tal, sendo as mãos do Senhor no auxílio aos necessitados, andando milhas para levar a agradável mensagem de vida eterna (Cl. 1.24).

2. LUZ DO MUNDO E SAL DA TERRA
A igreja de Jesus, para ser relevante, deve saber que é sal da terra e luz do mundo. Sem assumir essa característica, seremos apenas uma agremiação humana (Mt. 5.13). Como sal a igreja tem a missão de evitar que o mundo se torne insípido. Por esse motivo Jesus não nos tirou do mundo, orou ao Pai para que nos livrasse dos mal (Jo. 17.15). Alguns crentes querem se voltam para o isolacionismo, usam até a doutrina do arrebatamento para apregoarem um escapismo irresponsável. Mas como cristãos devemos assumir nossa responsabilidade, não apenas denunciando os pecados morais, também os sociais. O mundo não sabe, mas precisa da igreja, ela é a causa do império do mal não está ainda reinando em sua plenitude, pois o Espírito Santo nela habita (II Ts. 2.6,7). Mas há igrejas que se tornaram como o mundo, se venderam aos caprichos deste tempo presente. Como Demas, amam o presente século, e se afastar da missão para a qual foi chamada (II Tm. 4.10). Há igrejas que perderam o brilho, não podem mais dizer que são luz do mundo, tornando-se insípidas, para nada mais prestam, apenas para ser pisadas pelos homens. Uma igreja relevante é luzeiro no mundo, ela dispersa as trevas, e por causa da sua atitude profética, é temida, até mesmo pelas autoridades (Fp. 2.15). Mas uma igreja que se vendeu à corrupção não consegue mais denunciar o pecado, algumas delas estão em conchavo direto com os poderes mundanos. A igreja profética de Jesus Cristo deve se posicionar diante do pecado, não pode se omitir quando o direito dos mais pobres é vituperado, quando leis injustas são promulgadas para a opressão (Is. 10.1). A luz da igreja precisa brilhar, cada vez mais forte, refletindo a imagem dAquele que nos chama para Deus e o próximo (Mt. 22.37-40). Está na hora de abandonarmos a fé meramente intelectiva, isto é, que se baseia em axiomas, mas que não se materializa em obras, dignas de arrependimento (Mt. 3.8). O verbo crer – pisteuo em grego – revela ação, um compromisso com o objeto da crença. Existem cristãos que conhecem bem as doutrinas bíblicas, são verdadeiras enciclopédias ambulantes, mas que não vivem a partir dos princípios exarados nas Escrituras.

3. EXEMPLOS BÍBLICOS DE FÉ E OBRAS
Tiago destaca alguns exemplos bíblicos de personagens que demonstraram sua fé pelas obras, dentre eles Abraão e Raabe. A fé (gr. pistis) a respeito do qual aborda o apóstolo está em consonância com a galeria da fé de Hebreus 11, que pode muito bem ser traduzida como fidelidade. Existem exemplos bíblicos nesse capítulo que revelam o compromisso daqueles que creem, que se fundamentam não no visível, antes confiam na Palavra de Deus, são esses que agradam a Deus (Hb. 11.1,6). Mesmo diante da perseguição devemos permanecer firmes na Palavra de Deus, cientes que as promessas a nós feitas haverão de se cumprir, o Senhor prometeu e Ele é fiel, passará o céu e a terra, mas Suas palavras não haverão de passar (Mt. 24.35). Abraão foi justificado quando creu, é nesse sentido que o justo vive da fé, tendo ele saído da sua terra, do meio da sua parentela, e seguido em obediência, pelo caminho determinado por Deus (Gn. 12.1; Rm. 4.11-16). Tiago, no contexto da sua Epístola, aborda o aspecto prático da fé de Abraão, que se encontra em Gn. 22.9-12, quando se pôs a sacrificar seu filho Isaque, em obediência ao Senhor (Tg. 2.21-24). O patriarca acreditava que o mesmo Deus que havia lhe dado um filho não permitiria que esse fosse morte, e se isso viesse a acontecer, o Senhor o restauraria à vida (Gn. 22.5,6). Raabe também demonstrou fé através das suas obras, sendo lembrada inclusive na galeria da fé de Hb. 11.31. O reconhecimento da fé de Raabe revela que Deus não faz acepção de pessoas, pois por meio da fé essa prostituta, a fim de preservar a sua vida, protegeu os espias israelitas antes de aquele povo entrar na terra prometida (Js. 2.1-24). Mais interessante ainda é o fato de essa mulher fazer parte da genealogia de Jesus (Mt. 1.5). Não importa os pecados que as pessoas tenham cometido no passado, depois de terem se arrependido e se voltado para o evangelho, a diferença é feita na fidelidade, na disposição para viver e morrer pela causa de Cristo (Mt. 5.11,12).

CONCLUSÃO
A lógica humana é tendenciosa aos extremos, há aqueles que defendem uma fé meramente intelectiva, mas essa até os demônios têm (Tg. 2.19). Os cristãos autênticos demonstram sua fé em Deus através de ações, até mesmo diante das situações adversas, essa é a verdadeira fidelidade. Portanto,nós também, pois estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta” (Hb. 12.1).

BIBLIOGRAFIA
McGEE, V. Living by faith. Nassville: Thomas Nelson, 1982.
MOTYER, J. A. The message of James. Downers Grove, Inter Versity Press, 1985. 

3 de agosto de 2014

Lição 06



A VERDADEIRA FÉ NÃO FAZ ACEPÇÃO DE PESSOAS
Texto Áureo Tg. 2.8,9 – Leitura Bíblica Tg. 2.1-13

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Calvino dizia que a salvação é somente pela fé, mas essa não vem sozinha, vem acompanhada de boas obras. Na aula de hoje estudaremos a respeito da verdadeira fé, que justamente se manifesta pelas obras, que comprovam a salvação. Destacaremos também que as atitudes dos cristãos são respaldadas no amor, sendo este o grande mandamento. Ao final, veremos que uma das formas de demonstrar essa fé verdadeira é o fato de não fazermos acepções de pessoas, independentemente da sua condição socioeconômica.

1. A FÉ VERDADEIRA
A palavra fé, no grego do Novo Testamento, é pistis e tem significados diversos, dependendo do contexto. Pode significar o ato de crer em Deus (Mc. 11.22; I Ts. 1.8; I Pe. 1.21; Hb. 6.1). Nas Epístolas de Paulo aos Romanos e Gálatas, o tema central é a justificação por meio da fé, e não pelas obras (Rm. 3.28, 30; 4.5-16; 5.1,2; 9.30-32; Gl. 2.16; 3.13-24; 5.5). Paulo destaca a relação entre fé e obras na justificação. A justificação é recebida pela fé, mas a fé verdadeira resulta em obediência (Rm. 1.5; 16.26; Gl. 5.6; I Ts. 1.3; I Tm. 1.5; Tt. 1.1). As declarações paulinas estão em consonância com a mensagem de Tiago, ressaltando que a fé verdadeira é demonstrada por meio de boas obras (Tg. 2.14-20). A análise comparada dessas passagens de Tiago e Paulo mostrará que elas, ao invés de se contradizerem, se complementam. A fé, em algumas passagens bíblicas, se refere à doutrina cristã (Tg. 2.17; Fp. 1.27; I Tm. 1.13; Tt. 2.2; Jd. 3). É nesse sentido que existe apenas uma esperança, uma fé e um só batismo (Ef. 4.5). Além desses significados, a palavra fé carrega o sentido de convicção, certeza da fé em Jesus Cristo, ou mesmo da operação de um milagre, associada ao dom espiritual (I Co. 12.9). A palavra fé também pode ser traduzida por fidelidade, mais próxima do fruto do Espírito (Gl. 5.22). Essa é a fé de Hb. 11.1,6, que se manifesta através de uma entrega incondicional a Cristo, mesmo diante das situações adversas, e momentos de perseguição (Ap. 14.12). A fé destacada por Tiago em sua Epístola deve ser verdadeira, ou seja concretizada por meio de atitudes. E essas, por sua vez, estão fundamentadas no amor. O amor, conforme ensina Paulo, é o cumprimento dos mandamentos (Rm. 13.8-10), de modo que quem ama não precisa de lei (Gl. 5.23). O evangelho nos libertou da dimensão legal, os preceitos mundanos não têm mais controle sobre nós (Rm. 6.18), considerando que, em Cristo, a justiça do crente excede a dos fariseus (Mt. 5.20). Isso porque Deus já colocou a Sua lei em nossos corações, ela está agora em nosso íntimo, é por meio desta que nos conduzimos (Jr. 31.33).

2. MANIFESTADA PELAS OBRAS
A lei dos homens tem como objetivo determinar os limites e conduzir as ações, tendo em vista a propensão para a desobediência. Para alguns estudiosos essa é a lei real, que se fundamenta nos princípios morais (Tg. 2.8). A lei, a partir da qual os cristãos vivem, é proveniente de Deus, não dos homens. Essa é a lei da liberdade, por analogia é representada na saída do povo de Israel do Egito (Ex. 20.2). Os cristãos são livres para servirem a Deus, não dependem mais de imposições humanas. O amor de Cristo nos constrange para a obediência, de modo que, como declarava Agostinho, podemos fazer o que quisermos, ainda que não o faremos, tendo em vista que o amor nos limitará. A lei que impera sobre nós é a da obediência (At. 5.32), o pecado nos escravizava, mas a obediência nos liberta (Hb. 10.16,17). Isso não quer dizer que estamos isentos de pecar, se dissermos que não temos pecado fazemos Deus mentiroso (I Jo. 1.8). Mas podemos descansar na convicção de que temos um Advogado, Jesus Cristo, que nos purifica de todo pecado (I Jo. 2.1). Fato é que todos aqueles que são nascidos de Deus não vivem mais na prática do pecado (I Jo. 3.9). Aqueles que se acostumam com o pecado se tornarão alvo do julgamento divino. O autor da Epístola aos Hebreus dirige uma palavra de advertência àqueles que voltam na caminhada da fé (Hb. 6.1-10), esse estão na trilha da apostasia, que finda em perdição. O juízo de Deus se voltará contra todos aqueles que não levam a sério a mensagem do evangelho, esses serão culpados do vitupério de Cristo. Essa mensagem é oportuna nos dias atuais, marcados pelo desprezo e falta de seriedade em relação à fé cristã. Alguns crentes estão com a mente cauterizada, por não se espelharem na Palavra de Deus, não conseguem mais perceber suas transgressões (I Tm. 4.2). Sobre esses sobrevirá maior julgamento, pois depois de conhecerem a verdade, dela se distanciaram, como a porca lavada que retorna ao lamaçal (II Pe. 2.22).

3. NÃO FAZ ACEPÇÃO DE PESSOAS
Existem várias maneiras de demonstrar falta de fé verdadeira, uma delas é a parcialidade, demonstrada na acepção de pessoas. Essa é uma prática social bastante comum, advertida por Deus ainda no Antigo Pacto (Lv. 19.15). O Senhor Deus de Israel identificou-se com os pobres e as viúvas, geralmente esquecidas pela sociedade (Dt. 10.17,18). As glórias humanas podem nos distanciar do valor que as pessoas têm, mas não podemos nos esquecer da glória de Cristo, que se fez pobre, mesmo sendo o próprio Deus (II Co. 8.5). João viu a Sua glória, como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade (Jo. 1.14). Por isso não podemos discriminar os pobres por causa da sua condição socioeconômica. Os ricos comentem três pecados, de acordo com Tg. 2.6: 1) desprezam os pobres; 2) arrastam os pobres para os tribunais; e 3) blasfemam o nome de Cristo. A igreja cristã não pode demonstrar favoritismo, muito menos fazer discriminação entre ricos e pobres. Com Jesus aprendemos a não julgar as pessoas pelas aparências (Jo. 7.24), seja pelo veículo que possui ou roupas que vestes. Ter riqueza não é pecado em si mesmo, na Bíblia temos exemplos de homens piedosos, que foram ricos, tais como Abraão (Gn. 13.2) e Jó (1.3). Mas essa não é uma regra geral, como querem estabelecer os adeptos da famigerada Teologia da Ganância. O mais comum, nas igrejas cristãs, é a pobreza, pois Deus não escolheu os poderosos, antes os mais pobres (I Co. 1.26). Em Cristo todas as barreiras socioeconômicas foram desfeitas, de modo que não existe mais grego nem judeu (Cl. 3.11). Não podemos admitir a acepção de pessoas em nossas comunidades cristãs, as pessoas não devem ser valorizadas pela condição financeira (Tg. 2.2,3). Existem igrejas que segregam as pessoas por motivos diversos, e líderes eclesiásticos que demonstram favoritismo pelos mais ricos. Essa atitude desonra o Senhor, considerando que bem-aventurados são os pobres, porque deles é o reino de Deus (Lc. 6.20).

CONCLUSÃO
Deus não faz acepção de pessoas, não opta pelos pobres, muito menos pelos ricos. Os homens olham para o exterior das pessoas, mas Deus vê a intenção do coração (I Sm. 16.7). Precisamos ter cuidados para não incorrer no engano de olhar pelas pessoas através das lentes meramente humanas. Isso diferencia a fé verdadeira da falsa, que mostra favoritismo pelas pessoas. Não podemos esquecer que a salvação nos foi dada, por meio da fé em Cristo, para vivemos em novidade de vida, em conformidade com a Palavra de Deus, e não com as doutrinas e pensamentos humanos.

BIBLIOGRAFIA
McGEE, V. Living by faith. Nassville: Thomas Nelson, 1982.
MOTYER, J. A. The message of James. Downers Grove, Inter Versity Press, 1985.


28 de julho de 2014

Lição 05



O CUIDADO AO FALAR E A RELIGIÃO PURA
Texto Áureo Tg. 1.19 – Leitura Bíblica Tg. 1.19-27

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
O ser humano não é apenas homo sapiens, é também homo religiosus, além de ser capaz de conhecer, tem a necessidade de transcender. Existem muitas discussões a respeito do papel da religiosidade para a humanidade. Na aula de hoje, a partir de Tiago, veremos que a religião verdadeira diz respeito à prática do cotidiano, que se materializa de várias formas, especialmente no cuidado ao falar. Para tanto, faz-se necessário que consideremos a Palavra de Deus, não apenas como ouvintes, mas também como praticantes.

1. A VERDADEIRA RELIGIOSIDADE
Há um provérbio antigo a partir do qual se argumenta que “todos os caminhos levam a Roma”, e que geralmente é usado para defender a verdade em todas as religiões. O pensamento moderno, pautado no relativismo filosófico, assume que todos os posicionamentos, em relação a Deus, são corretos. Esse ponto de vista tende a agradar as pessoas, principalmente os intelectuais, que se negam a aceitar a exclusividade da fé cristã. Ainda que o caminho de Cristo seja considerado “politicamente incorreto”, não podemos deixar de defendê-lo, isso porque Ele é o único acesso ao Pai (Jo. 14.6). Ao contrário do que se costuma defender, esse caminho não é exclusivista, mas inclusivista, na medida em que todo aquele que nEle crê tem a vida eterna (Jo. 3.16). O fundamento dessa verdade se encontra na condição de perdição da humanidade, por causa do seu pecado, comumente denominada de Queda pelos teólogos (Rm. 3.23). A saída de Deus para tal condição se encontra em Cristo, o dom gratuito de Deus (Rm. 6.23), não na religião humana, que não passa de torre de Babel (Gn. 11). Jesus é o sim de Deus, por causa da revelação em Cristo a religião perde sua razão de ser para a salvação (II Co. 1.19-21). Por esse motivo, diante da multidão em Jerusalém, Pedro defendeu que há apenas um nome pelo qual importa que as pessoas sejam salvas,  e este é Jesus Cristo (At. 4.12). Paulo, ao escrever para Timóteo, reafirma essa doutrina, ao defender que há apenas um Mediador entre Deus e os homens (I Tm. 2.5). Essa é a confissão de fé do cristianismo bíblico, não podemos fazer concessões em relação ao evangelho de Cristo (Mt. 16.16). Mas o evangelho não é apenas isso, envolve uma atuação prática diante da vida. Tiago confirma essa premissa ao argumentar que mesmo entre aqueles que se dizem crentes há uma religiosidade falsa. Existem inclusive pessoas que pensam que estão salvas, mas que na realidade estão distantes de Deus (Mt. 7.22,23). Outras imaginam que são espirituais apenas por seguirem os procedimentos de uma igreja, mas isso não se sustenta à luz da Palavra de Deus (Ap. 3.17).

2. A RELIGIÃO PURA ALICERÇADA NA PALAVRA
A verdadeira religião não está fundamentada na mera subjetividade, não se trata de um mero “se sentir bem”. É chegada a hora de lembrar, no contexto evangélico, que enganoso é o coração do homem (Jr. 17.9). Existe uma ala nesse meio que condena o liberalismo teológico alicerçado no racionalismo. Tal crítica tem fundamento, pois não podemos deixar de acreditar no sobrenatural, conforme exposto nas Sagradas Escrituras. Mas precisamos atentar para outro tipo de liberalismo, fundamentado nas emoções. Os seres humanos foram criados por Deus tanto com capacidade de raciocínio quanto de sentir. Não podemos desconsiderar essa dádiva, devemos colocar nossos pensamentos e sentimentos diante de Deus. O movimento pentecostal clássico em seus primórdios estava fundamentado tanto no poder de Deus quanto na Palavra. Nesses últimos anos temos testemunhada uma derrocada nesse sentido, na medida em que os sentimentos, que podem resultar em subjetividade, são assumidos como determinantes na revelação de Deus. A religião cristã pura e verdadeira nasce na Palavra de Deus (Tg. 1.18), não apenas através do ouvir, mas de uma prática condizente com a mensagem revelada. A palavra de Deus deve ser recebida pelo crente (Tg. 1.21), sendo comparada a uma semente colocada no solo (Mt. 13.1-23). Uma característica destacada por Tiago é a mansidão (Tg. 1.19), sem essa o terreno do coração não pode acolher a Palavra de Deus. Há muitos que não se dobram diante da mensagem, parecem ter comichão nos ouvidos, buscam mestres para si, a fim de satisfazerem seus pecados (II Tm. 4.1-3). O movimento evangélico brasileiro se transformou em um restaurante self-service. As pessoas não querem ter compromisso com a Palavra, ao invés disso escolhem apenas o que lhes agradam. A religião de Jesus Cristo desagrada ao ser humano porque o confronta diante dos seus interesses. Sinceramente existem coisas que gostaríamos que Cristo não tivesse dito (Jo. 6.68). Mas não somos donos do evangelho, pois este é o poder de Deus para todo o que crer (Rm. 1.6), não temos motivos para nos envergonhar dele, mesmo que seja “politicamente incorreto”. Para agradar o pensamento moderno não podemos fazer concessões quanto ao teor do evangelho, sob pena de transformá-lo em outro evangelho, diferente daquele pregado por Cristo e Paulo (Gl. 1.9). A fé genuinamente evangélica impele à prática de vida obediente (Tg. 1.22-25), mais do que ler a Bíblia é preciso permitir que essa transforme as nossas vidas (Tg. 1.23,24), que nossos pecados sejam identificados por ela, e sejamos conduzidos ao arrependimento pelo Espírito Santo (Hb. 4.12). A sociedade não é o nosso espelho, por isso devemos nos pautar pela Palavra de Deus, é por meio dela que sabemos se estamos em conformidade com a vontade de Deus (Rm. 12.1,2).

3. A RELIGIÃO PURA E O CUIDADO AO FALAR.
A religião pura, no dizer de Tiago, é uma decisão de obedecer (Tg. 1.15), em consonância com a palavra de Cristo, que nos interpela à permanência na Palavra (Jo. 8.34). A ausência de sujeição tem causado transtornos à fé evangélica. O Senhor nos insta ao cuidado com a língua, há crentes que falam demais, além do necessário. Fazendo eco às palavras do autor dos Provérbios, devemos lembrar que a morte e a vida estão no poder da língua (Pv. 18.21). O salmista também sabia desse risco, por isso orava para que o Senhor pusesse uma guarda nos seus lábios (Sl. 141.3). Há pessoas que se apressam a falar, e isso geralmente traz danos à sua existência, sobretudo à vida espiritual. Quantos problemas poderiam ter sido evitados se não nos adiantássemos no falar? O livro de Provérbios traz lições preciosas a esse respeito, para isso devemos nos distanciar da perversidade dos lábios (Pv. 4.24), e demonstrar prudência, calando-nos quando necessário (Pv. 11.12). Quanto mais se semeia a contenda, mais a situação se complica, por isso devemos ouvir mais e falar menos (Pv.12.,18,25). Nunca é demais lembrar que Deus nos deu dois ouvidos e apenas uma boca. Muitas pessoas estão arruinadas porque falaram demais, quando deveriam ter calado (Pv. 13.2,3). Aprendamos, pois, a mansidão, tenhamos cuidado para não nos exceder, até mesmo quando provocados (Pv. 15.1-4). Ao invés de semear a contenda na igreja, devemos ser brandos e falar apenas o que resulta em edificação (Pv. 15.26,28; 16.21,24; 18.6,7). A moderação cristã é caracterizada pelo controle, o domínio próprio, que é um aspecto do fruto do espírito (Gl. 5.22), precisa ser cultivada (Pv. 16.32). Jesus advertiu que seremos julgados pelas palavras que pronunciamos, portanto tenhamos cuidado (Mt. 12.36,37), fujamos da maledicência (Pv. 6.19).

CONCLUSÃO
As pessoas falam demais e por não calcularem as consequências do que dizem estão sendo destruídas. Tiago nos adverte quanto ao perigo de uma falsa religiosidade, desvinculada de uma prática cristã revelada na Palavra. A religião pura e verdadeira é demonstrada através do controle da língua, mas não somente isso, também pelo interesse comunitário. A fé cristã é vã se não nos envolvermos em atitudes que diminuam o sofrimento daqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade (Tg. 1.27).

BIBLIOGRAFIA
MOTYER, J. A. The message of James. Downers Grove, Inter Versity Press, 1985.
WIERSBE, W. W. Be mature: James. Colorado Springs: David C. Cook, 2008.

20 de julho de 2014

Lição 04



GERADOS PELA PALAVRA DA VERDADE
Texto Áureo I Pe. 1.23 – Leitura Bíblica Tg. 1.9-18

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
A Teologia da Prosperidade, que prefiro denominar de Teologia da Ganância, faz opção pelos ricos, assumindo que os que não têm riquezas são amaldiçoados. A Teologia da Libertação, em outro extremo, defende que Deus fez opção pelos pobres, em detrimento dos ricos. Na lição de hoje estudaremos a respeito desse complexo assunto, e pouco compreendido no contexto evangélico. Mostraremos, inicialmente, a importância de ser gerado pela Palavra da verdade, para se posicionar a respeito do assunto, em seguida, mostraremos o que a Bíblia revela a respeito de ricos e pobres, ressaltando os ensinamentos de Tiago.

1. POBRES E RICOS NA PALAVRA DA VERDADE
Não podemos desconsiderar que a Bíblia diz muito sobre ricos e pobres. As palavras de Jesus, ao longo dos Evangelhos, ressalta a importância de considerar os necessitados (Mt. 25.40). Mas nem sempre a igreja evangélica atenta para essa relevante verdade, argumentando que nem só de pão vive o homem (Mt. 4.4). Essa também é uma verdade, mas isso não deve servir de justificativa para o descaso quanto aos que carecem de auxílio na igreja. Desde o Antigo Pacto Deus demonstrou interesse por aqueles que passavam fome (Lv. 19.9,10). A cultura do desperdício, incentivada pelo mercado, foi condenada por Jesus, que se preocupou em alimentar uma multidão faminta (M6t. 6.34-44). Existem pessoas que passam fome, e se encontram em condição de pobreza extrema, por causa da inveja e partidarismos, não porque não queiram trabalhar (I Co. 12.19-26). É importante fazer esse destaque porque há crentes que para não se envolverem com os pobres preferem culpá-los pela situação na qual se encontram. As generalizações precisam ser avaliadas, principalmente quando se trata daqueles que se encontram em condição de vulnerabilidade. Não podemos deixar de considerar que vivemos em uma sociedade desigual, que predomina a corrupção e que impera os interesses econômicos. O autor de Provérbios já antecipava as implicações de uma nação que não vive a partir de uma ética cristã (Pv. 17.23-26). Evidentemente a pobreza pode ser resultado de uma vida desregrada, controlada pelos vícios, como também mostra o escritor de Provérbios (Pv. 23.29-35). Mas nem sempre, pois o pagamento injusto dos salários pode ser uma das causas da pobreza, em virtude da ganância que se propaga na sociedade, percebemos que as pessoas trabalham cada vez mais, para ganharem cada vez menos (Lv. 19.13). O dinheiro se tornou um deus para o homem do presente século, verdade já revelada por Jesus ao relacioná-lo a Mamom (Mt. 6.24). Ao invés de entesourarem no céu, o ser humano moderno quer cada vez mais, sem se preocupar com aqueles que nada têm (Mt. 6.19-21). A política dos homens é estruturada para retirar os benefícios dos mais pobres, causando dependência e humilhação. Somente quando a cidade celestial vier, teremos um governo no qual o direito dos mais pobres será respeitado (Ap. 21.3-7). Aqueles que se aproveitam dos necessitados serão julgados pelo Senhor, principalmente os que controlam as leis injustamente para tirar vantagens pessoais (Is. 10.1,2).

2. POBRES E RICOS NA EPÍSTOLA DE TIAGO
A Epístola de Tiago, em consonância com a revelação geral das Escrituras, denuncia veementemente aqueles que enriquecem, aproveitando-se da situação de extrema pobreza. A pobreza, de acordo com esse apóstolo, acontece: 1) por causa de mecanismos legais, que suprime o direito daqueles que se endividaram (Tg. 2.1-12); 2) a cultura da ganância, que prima pela ostentação (Tg. 4.-13-17); e 3) mecanismos de opressão, através da retenção dos salários dos mais pobres (Tg. 5.4). Tiago reconhece que vivemos em um mundo caído, que faz com que as pessoas queiram oprimir umas as outras (Tg. 1.18,21; 4.6; 5.19,20). É um problema, como admoesta Paulo, colocar a confiança nas riquezas, principalmente porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (I Tm. 6.10). A Bíblia, especialmente no Antigo Testamento, não censura a riqueza, contanto que essa seja adquirida honestamente (Sl. 112; Pv. 10.4). Mas Tiago admoesta quanto ao ajuntamento de riqueza ilícita, que acarretará em juízo de Deus, além disso a ostentação trará ruína (Tg. 5.1). Isso acontece porque existem ricos que se entregam ao luxo retendo o salário dos trabalhadores, de forma corrupta e fraudulenta (Tg. 5.4). O autor dos Provérbios adverte àqueles que enriquecem roubando os pobres (Pv. 22.16,22), contrariando a ordenança de Deus dada através de Moisés  (Lv. 19.13; Dt. 24.14,15). O estilo de vida regalado dos ricos, bastante comum na sociedade contemporânea, incentivado pelo consumismo desenfreado, corrompe até mesmo as autoridades constituídas (Tg. 5.6). A política no Brasil reflete essa realidade, os eleitores escolhem seus candidatos, mas esses, ao se elegerem, governam para os ricos, sacrificando os pobres. No Antigo Pacto Amós denunciava aqueles que compravam as sentenças contra os pobres por dinheiro, condenando e matando os justos (Am. 2.6; 5.12,13). Deus advertiu aos juízes para não serem gananciosos (Ex. 18.21), nem parciais (Lv. 19.15), nem tolerarem o perjúrio (Dt. 19.16-19). A prática do suborno, às vezes normatizada pelo costume, foi condenada pelo Senhor (Is. 33.15; Mq. 3.11; 7.3). Existem pessoas que morrem nos hospitais por falta de assistência básica, enquanto isso o dinheiro que deveria ser aplicado na saúde escoa para os cofres dos ricos, para satisfazerem sua luxúria (Tg. 5.5).

3. POBRES E RICOS GERADOS PELA PALAVRA
Não é pecado em si ser rico, Paulo reconhece que esses podem ser crentes, mas que não podem ser altivos, nem devem por sua esperança nas riquezas, antes em Deus, que nos concede abundantemente (I Tm. 6.17). Os ricos que são gerados pela palavra de Deus, não colocam o coração nas propriedades terrenas, sabem que nada trouxeram para este mundo, e que nada também levarão (I Tm. 6.7). Eles não fazem como o rico insensato da parábola contada por Jesus, que se ufanou de tudo o que havia adquirido na terra, sem atentar para seu fim iminente (Lc. 12.20). O salmista advertiu os ricos da sua época para que se suas riquezas aumentassem, não colocassem nelas o coração (Sl. 62.10). O maior capital de um cristão, independentemente da sua posição socioeconômica, é a piedade com contentamento, essa é grande fonte de lucro (I Tm. 6.6). Fazendo assim, o cristão cresce na Palavra de Deus, mais que isso, é gerado por ela (Tg. 1.18). O secularismo está solapando muitos cristãos, isso porque eles são incapazes de fazerem a distinção entre o certo e o errado (Is. 5.20). Deus está advertindo esta geração para que se volte para Sua palavra (Tg. 1.21). Precisamos de uma igreja saudável, fundamentada na Palavra, para evitar o superficialismo. Há igrejas que não têm mais tempo para a exposição do texto bíblico. Os cultos estão sendo transformados em “programas de auditório”, isso porque os “pastores” não querem perder os seus “fiéis”. É preciso também que os ouvintes sejam praticantes da Palavra (Tg. 1.22-25). A falta de compromisso de alguns evangélicos é preocupante, não são poucos os que frequentam a igreja, mas não vivem o que propõe o evangelho. Esses não se espelham na Palavra de Deus, ou seja, não fazem autoexame, findarão condenados com o mundo (I Co. 11.31,32). Bem-aventurados são aqueles que ouvem e praticam a Palavra de Deus, esses serão bem sucedidos em tudo que fizerem (Js. 1.6-8).

CONCLUSÃO
Careceremos de uma geração de cristãos que se fundamentem na Palavra de Deus. Esses não se deixarão conduzir pelos ditames deste mundo relativista, que transforma o errado em certo, o amargo em doce. Os valores desta sociedade estão deturpados, por isso a igreja precisa adotar um posicionamento profético, para denunciar o pecado, não apenas os morais, também os sociais. Não podemos fechar os olhos em relação à corrupção que resulta em pobreza extrema. Devemos ensinar que aqueles que roubam, inclusive os cofres públicos, devem abandonar essa prática, e trabalhar justamente, exercitando a generosidade (Ef. 4.28).

BIBLIOGRAFIA
SHEDD, R. P., BIZERRA, E. F. Uma exposição de Tiago. São Paulo: Shedd  Publicações, 2010.
WIERSBE, W. W. Be mature: James. Colorado Springs: David C. Cook, 2008.

14 de julho de 2014

Lição 03



A IMPORTÂNCIA DA SABEDORIA HUMILDE
Texto Áureo Pv. 4.6 – Leitura Bíblica Tg. 1.5; 3.13-18

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Os cristãos do primeiro século enfrentaram perseguições, por causa disso alguns deles abandonaram a fé, e retornaram às práticas judaicas. Tiago, em consonância com o autor da Epístola aos Hebreus, conclama seus leitores a permanecerem firmes. O primeiro apela à sabedoria do alto, que se materializa na disposição para enfrentar a provação, sem negar a fé. Na aula de hoje estudaremos a respeito dessa sabedoria, que deve ser demonstrada, sobretudo, em humildade, na confiança em Deus, que é o provedor dessa sabedoria, diferente da humana ou diabólica.

1. SABEDORIA DO ALTO NA PROVAÇÃO
A falta de maturidade é uma demonstração de ausência de sabedoria, aqueles que não sabem lidar com as adversidades revelam infantilidade. Jó é um exemplo bíblico de sabedoria na provação, ao invés de blasfemar contra Deus, prostrou-se em terra em adoração, e disse: “nu sai do ventre da minha mãe, e nu partirei, o Senhor o deu, o Senhor o levou, louvado seja o nome do Senhor” (Jó. 1.20). Esse tipo de cristão está em extinção nos dias atuais, isso porque a ênfase no hedonismo está favorecendo um tipo de fé superficial, que beira à mediocridade, que não admite passar por situações adversas. Para Tiago a verdadeira sabedoria, tal como aquela expressa nos Provérbios, é prática e tem a ver com a convicção de fé, mesmo quando as coisas não acontecem do jeito que desejamos. O insensato, em Provérbios, é aquele que deixa de reconhecer suas limitações, que se fundamenta na autossuficiência, que acha que pode descartar Deus (Pv. 26.12). Existem esses até mesmo entre os que se dizem cristão, tais precisam pedir sabedoria para enfrentar os momentos difíceis, ao invés de negá-los. A palavra pistis em grego, geralmente traduzida por fé, traz nessa Epístola, a conotação de fidelidade. Para Tiago ter fé é mais do que acreditar, trata-se de uma disposição para enfrentar a provação. A demonstração da fidelidade resulta em obediência (Tg. 2.14), que não se deixa mover pelas circunstâncias (Tg. 1.6). Como fez Salomão, devemos pedir a Deus a sabedoria necessária para fazer a diferença entre a verdade e o engano (II Rs. 3.7-9). A sabedoria que o monarca recebeu era de Deus, não dos homens.  De vez em quando os cristãos são rotulados de ignorantes, e isso tem um fundo de verdade. Deus destrói a sabedoria dos sábios segundo o mundo, que fundamentam seus argumentos em axiomas. Por isso, para aqueles que não confiam nas promessas de Deus, a mensagem da cruz é totalmente absurda (I Co. 1.24-26). A loucura da pregação nos convida a confiar no Senhor, de todo coração e a não nos apoiar em nosso próprio entendimento (Pv. 3.5,6).

2. O VALOR DA SABEDORIA DO ALTO
A importância da sabedoria para o cristão é o próprio Jesus Cristo, nEle estão escondidos todos os tesouros da sabedoria (Cl. 2.3; I Co. 1.24).  O autor de Provérbios encerra em poucas palavras seu valor: “Como é feliz o homem que acha a sabedoria, o homem que obtém entendimento, pois a sabedoria é mais proveitosa do que a prata e rende mais do que o ouro [...] a sabedoria é árvore que dá vida a quem a abraça; quem a ela se apega será abençoado (Pv. 3.13,14,18). Essa sabedoria não é terrena, ou melhor não é deste mundo (Tg. 3.15), que é pura tolice, ao ser comparada com a sabedoria de Deus. A construção da torre de Babel é um exemplo do que pode fazer a sabedoria humana (Gn. 11.9). O projetos humanos tem causado muita desilusão, principalmente quando destituídos da orientação divina. A ciência tem trazido muitas contribuições para a sociedade, mas infelizmente tem servido mais para o mal do que para o bem. As grandes invenções estão a serviço dos interesses da minoria, pouco investimento tem sido feito na solução dos problemas sociais. O avanço do conhecimento não é proporcional à sabedoria, somos capazes de fazer viagens espaciais, mas não sabemos como conviver com nossos vizinhos. O otimismo da ciência, influenciado pelo Positivismo de Comte, está em declínio. A pós-modernidade é justamente a desconstrução dos valores cientificizados, até mesmo a confiança na educação está abalada. A formação acadêmica não é garantia de uma ética pautada no respeito ao próximo, sobretudo do temor a Deus, que é o princípio da sabedoria (Pv. 1.7). Para Tiago a sabedoria de Deus é espiritual, não é física, do grego psykikos, ou natural. Se diferencia também por não ser demoníaca (Tg. 3.15), os conhecimentos humanos podem ser projetos para a mentira (Rm. 1.18-25), para semear o ódio e a discórdia. A verdadeira sabedoria provém do alto, ela não é resultante apenas de lógica, mas da oração, de momentos de intimidade com Deus (Tg. 1.5). A palavra de Deus é o fundamento dessa sabedoria, pois ela nos torna sábios para a salvação (II Tm. 3.15).

3. A DEMONSTRAÇÃO DA SABEDORIA DO ALTO
A sabedoria que não provém de Deus é falsa, e se manifesta através da inveja que causa amargura (Tg. 3.14,16). A sabedoria dos homens, pautada no egoísmo, busca apenas o interesse próprio. Existem até aqueles que se ufanam da religiosidade, como faziam os fariseus dos tempos de Jesus (Mt. 6.1-18). O conhecimento bíblico acumulado não garante que o detentor é uma pessoa sábia.  Existem casos de pessoas que tem muito conhecimento, mas não são amorosos, é justamente o amor que equilibra o conhecimento, e revela sabedoria (I Co. 8.1). A ética do amor é a base da verdadeira sabedoria, os cristãos que são sábios amam, tanto a Deus quanto ao próximo (Mt. 22.37,38; I Co. 13). O sentimento faccioso é uma característica da  sabedoria meramente humana (Tg. 3.14, 26).  A palavra eritheia dá ideia de partidarismo, um dos sentimentos predominantes na igreja de Corinto (I Co. 1.10-13). Os cristãos que amadureceram na fé não vivem em disputas, não estão preocupados em conseguir espaço, não perseguem os holofotes. Essa é uma sabedoria vã, no sentido bíblico de vaidade, que passa, é efêmera, temporária (Ec. 1.1,2). É uma pena que muitas pessoas estão se digladiando dentro das igrejas por causa de espaço. As disputas políticas no contexto eclesiástico é uma demonstração de falta de sabedoria. A sabedoria do alto, que vem de Deus, nos conduz à mansidão, não se exaspera, não perde o controle (Tg. 3.13). A sabedoria do alto, que vem de Deus, nos impulsiona para a pureza. A santidade é uma marca do cristão que busca agradar o Senhor, que não se envolve com o mundanismo, que não ama as coisas do presente século (Rm. 12.1,2). A sabedoria do alto faz sossegar a nossa alma (Tg. 3.17), e nos dá a paz que o mundo desconhece (Jo. 14.27). Essa é uma paz que excede todo entendimento (Fp. 4.6,7), sendo resultante do fruto do Espírito (Gl. 5.22).

CONCLUSÃO
Vivemos na era do conhecimento, as pessoas estão envoltas de informações, algumas deles extremamente desnecessárias. Os cristãos, em meio às adversidades da vida, devem buscar a sabedoria de Deus, que vem do alto. Essa sabedoria está fundamentada no amor, na paz de Deus que excede todo entendimento. Além disso, ela é tratável, aberta à revelação de Deus, cheia de misericórdia, se preocupa com os necessitados. Essa, portanto, é uma sabedoria prática, que produz frutos, dignos de arrependimento (Mt. 3.8), demonstrada em imparcialidade, não se deixa cooptar pelas conveniências, não é fingida. Busquemos, pois, a sabedoria de Deus, que diferentemente da sabedoria do mundo, não produz problemas e resulta em bênçãos espirituais (Tg. 3.16-18).

BIBLIOGRAFIA
MOTYER, J. A. The message of James. Interversity Press: Leicester, 1985.
SHEDD, R. P., BIZERRA, E. F. Uma exposição de Tiago. São Paulo: Shedd  Publicações, 2010.