22 de julho de 2015

Lição 04

PASTORES E DIÁCONOS
                             Texto Áureo  I Tm. 3.2  – Leitura Bíblica  I Tm. 3.1-13


 Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
A primeira parte do capítulo 3 da Primeira Epístola de Paulo a Timóteo apresenta orientações a respeito do pastorado e do diaconato. Na aula de hoje estudaremos a respeito desses ministérios, com vistas à edificação do corpo de Cristo. A princípio, destacaremos a função do pastorado, que a princípios era delegada aos presbíteros, enquanto supervisores da obra, e ministradores da palavra. Em seguida, atentaremos para o ministério dos diáconos, ressaltando, sobretudo, seu chamado para o serviço cristão.

1. O MINISTÉRIO PASTORAL-PRESBITERAL-EPISCOPAL
O dom ministerial de pastor é necessário por diversos motivos, dentre eles, a importância de manter a decência e ordem no culto, atentando para os elementos litúrgicos da celebração (I Co. 14.40). Além disso, existem falsas doutrinas que se proliferam, ameaçando a integridade do evangelho. O pastor tem responsabilidade apologética, de proteger o rebanho dos falsos mestres, os lobos que querem devorar as ovelhas (Tt. 1.11; II Pe. 2.1). Mas é no cuidado individual das ovelhas que o pastor exerce com maior propriedade o seu ministério, principalmente quando alguma delas se encontra enfermas (Tg. 5.14). É nesse particular que o ministério de pastor se diferencia dos demais de Ef. 4.11. Cabe ao pastor a tarefa de dar acompanhamento pessoal às suas ovelhas. Em Jo. 21.15-17 Jesus orienta Pedro em relação à adequação do ministério pastoral. Ele deveria apascentar primeiramente instruir as ovelhas no caminho, não deixando de prover alimento apropriado para o crescimento saudável. É triste testemunhar que nos dias atuais muitos procuram o título de pastor, sem qualquer interesse nesse importante ministério. A elitização do pastorado tem causado muitos males à igreja, principalmente depois que se criou a figura dos “pastores-presidentes”. Ninguém quer mais ser um simples pastor, como foi Jesus, que se sacrificou pelo rebanho. O dom ministerial de pastor é necessário por diversos motivos, dentre eles, a importância de manter a decência e ordem no culto, atentando para os elementos litúrgicos da celebração (I Co. 14.40). Além disso existem falsas doutrinas que se proliferam, ameaçando a integridade do evangelho. O pastor tem responsabilidade apologética, de proteger o rebanho dos falsos mestres, os lobos que querem devorar as ovelhas (Tt. 1.11; II Pe. 2.1). Mas é no cuidado individual das ovelhas que o pastor exerce com maior propriedade o seu ministério, principalmente quando alguma delas se encontra enferma (Tg. 5.14). É nesse particular que o ministério de pastor se diferencia dos demais de Ef. 4.11. Cabe ao pastor a tarefa de dar acompanhamento pessoal às suas ovelhas. Em Jo. 21.15-17 Jesus orienta Pedro em relação à adequação do ministério pastoral. Ele deveria apascentar primeiramente instruir as ovelhas no caminho, não deixando de prover alimento apropriado para o crescimento saudável. É triste testemunhar que nos dias atuais muitos procuram o título de pastor, sem qualquer interesse nesse importante ministério. Na verdade, a busca desenfreada por posição eclesiástica, tem causado muitos danos à igreja institucionalizada. É imprescindível que o pastor tenha conhecimento da Palavra, pois como irá doutrinar se não tiver fundamentação bíblica? Não podemos esquecer que toda Escritura é divinamente inspirada, e é a partir desta que o obreiro está preparado para toda boa obra (II Tm. 3.16,17). Se quisermos ser obreiros aprovados por Deus, inclusive no ministério pastoral, devemos manejar bem a palavra da verdade (II Tm. 2.15). Atualmente há muitas exigências para o ofício de pastor, mas que não têm respaldo bíblico, não se fundamentam nas recomendações paulinas (Tt. 1.7-11). Há igrejas que substituíram o modelo pastoral bíblico pela administração empresarial. Alguns pastores são reconhecidos não pela capacidade de apascentar, mas pela produtividade organizacional, pelos lucros que trazem às igrejas. Seguindo o exemplo de Jesus (Jo.13.1-17), o que mais se espera de um pastor é que esse seja amoroso, que apascente o rebanho com cuidado (I Pe. 5.1-3).

2. A ATUAÇÃO DOS DIÁCONOS NA IGREJA
Em sentido específico, o diácono é um ofício na igreja cristã, referido por Paulo em Fp. 1.1; I Tm. 3.8,12.  A esse respeito é preciso fazer a distinção entre o uso amplo do termo diácono, englobando as mulheres, como o caso de Febe (Rm. 16.1), e o restrito, relacionado ao oficío eclesiástico (I Tm. 3.8-13). A instituição do diaconato na igreja aconteceu em virtude do crescimento, demandando atitudes para sua administração. Os helenistas da igreja argumentavam que as viúvas gregas estavam sendo preteridas da assistência social (At. 6.1). Para resolver esse importante negócio os diáconos foram escolhidos, a fim de que os apóstolos pudessem se dedicar mais à Palavra. Isso quer dizer que eles acumulavam as atribuições, faziam mais do que podiam. Ministros centralizadores acabam por arcar com as consequências da liderança insegura. Há pastores que estão sobrecarregados com tantas responsabilidades, querem suprir todas as carências da igreja sozinhos, por causa disso comprometem a integridade física e espiritual. A opção dos apóstolos para a solução desse problema na igreja foi a escolha de sete homens, a maioria deles helenistas, para cumprir essa função social. Os apóstolos não tiveram receio de partilhar a organização da igreja com os cristãos gregos. Entre esses se encontrava Estevão, um diácono que não se restringiu apenas em servir às mesas. Ele era um diácono cheio do Espírito Santo e de sabedoria (At. 6.3,10), cheio de fé (At. 6.5) e de poder (At. 6.8). Os diáconos da igreja, seguindo o exemplo de Estevão, não precisam ficar restritos ao trabalho social. Eles podem, com ousadia e intrepidez do Espírito, testemunhar do evangelho de Jesus (At. 1.8). Na seleção dos diáconos para o serviço na igreja deveriam ser observadas as seguintes qualificações: 1) respeitável – seu caráter deveria ser digno de imitação, levando suas atribuições a sério, não podiam apenas ocupar um cargo; 2) de uma só palavra – não deveria ser dado às conversas fúteis, tratava-se de uma pessoa digna de confiança; 3) não inclinado ao vinho – naquela região era comum as pessoas se embriagarem, os diáconos deveriam fugir da bebedeira; 4) não cobiçoso – a ganância tem conduzido muitos líderes à ruina, os diáconos deveriam se distanciar dessa prática, tendo em vista que é também da sua responsabilidade arrecadar as ofertas na igreja; 5) íntegros na doutrina – precisam ser conhecedores da Palavra de Deus, atentarem para as Escrituras, e sua conduta em piedade; 6) testado e experimentado – a vida dos candidatos ao diaconato deve ser provada, quando alguém assume um cargo de liderança sem ser provado pode decepcionar toda a congregação; 7) exemplo no lar – a esposa do diácono é parte do seu ministério, sua família deve ser um exemplo de piedade, sua mulher deve contribuir com o serviço diaconal; e 8) disposição para o trabalho – o diaconato é mais do que um título eclesiástico, as pessoas que são separadas para esse trabalho devem exercê-lo na igreja, com disposição e humildade.

CONCLUSÃO
O princípio da liderança servidora, que tem fundamentação bíblica, precisa ser resgatado em nossas igrejas. O modelo empresarial de liderança está desgastando muitos obreiros, alguns deles, ao invés de perceberem o ministério como serviço, estão procurando apenas status. Nos dias atuais, como nos tempos de Jesus, precisamos continuar orando para que Deus envie verdadeiros ceifeiros para sua seara (Mt. 9.38), pessoas realmente comprometidas com o Reino de Deus, não apenas com sua posição eclesiástica.

BIBLIOGRAFIA
PLATT, D., AKIN, D., METIDA, T. Exalting Jesus in 1 & 2 Timothy and Titus. Nashiville: B &H Publishing Group, 2013.
STOTT, J. A mensagem de I Timóteo e Tito. São Paulo: ABU, 2004.

14 de julho de 2015

Lição 03

ORAÇÃO E RECOMENDAÇÃO ÀS MULHERES CRISTÃS
     Texto Áureo  I Tm. 2.1  – Leitura Bíblica  I Tm. 2.1-11


 Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje nos voltaremos para o capítulo 2 da  Primeira Epístola a Timóteo. Nessa parte Paulo orienta à comunidade, bem como o seu líder, que orem pelas autoridades. Em seguida, mostra seu desejo de Deus de que todos cheguem ao conhecimento da salvação, por meio de Jesus Cristo. E ao final, apresenta algumas recomendações às mulheres, a fim de manter a ordem no culto. É importante ressaltar, a princípio, que essa será uma oportunidade não apenas de restringir, mas também de incentivar o serviço das mulheres na Igreja.

1. ORAÇÃO PELAS AUTORIDADES
A oração é uma responsabilidade de todo cristão, principalmente pelas autoridades constituídas (I Tm. 2.2). Nos tempos do Apóstolo é provável que esse se referisse ao imperador romano, e aos seus súditos, que governavam as províncias. Todo cristão está debaixo das autoridades, e essas são dadas para domínio, e preservação do bem comum, inclusive quando recorrem ao julgamento (Rm. 13.1). Talvez o apóstolo já antecipasse os dias maus que viriam no futuro, sob o império de Nero, que perseguiria intensamente os cristãos. A oração pelas autoridades não é a mesma coisa que obediência irrestrita. O próprio Paulo, em At. 16.37-40, apelou para seu direito como cidadão romano, quando foi injustamente penalizado. Há momentos que os crentes podem desobedecer às autoridades, quando a palavra dos homens quiser se impor sobre a Palavra de Deus (At. 5.26-29). Orar pelas autoridades é excelente, a fim de que os bons melhorem, e para o que são ruins não prosperem. No contexto da sociedade brasileira, a maior autoridade é a Constituição, todas as autoridades, presidentes e parlamentares, estão debaixo do seu crivo. Assim, sempre que uma autoridade age de maneira contrária à Carta Magna, está debaixo do juízo da lei, tornando-se susceptível às penas cabíveis. Além disso, os eleitores têm o direito de, através do sufrágio do voto, escolher com sabedoria, aqueles governantes que representam os interesses da sociedade. Não há respaldo bíblico, principalmente no Novo Testamento, para uma teocracia eclesiástica. O tratamento de Deus é com a Igreja, e essa é universal e invisível, não está restrita às fronteiras de uma nação. Somente Israel foi escolhida por Deus, e essa aguarda o cumprimento escatológico, que acontecerá no futuro, quando Cristo vier reinar (Ap. 19.16).

2. A SALVAÇÃO PARA TODOS OS HOMENS
Enquanto o plano escatológico de Deus não se concretiza para Israel, a tarefa da igreja é missionária, ir até os confins da terra, propagando a boa nova de salvação, no poder do Espírito Santo (At. 1.8). É vontade de Deus que todos os homens sejam salvos, e venham ao reconhecimento da verdade (I Tm. 1.4). Para tanto, a Igreja precisa cumprir a Grande Comissão, fazendo discípulos em todas as nações, ensinando-os a guardar as coisas que Jesus ensinou (Mt. 28.19,20). Algumas igrejas evangélicas estão perdendo o foco, deixando de levar adiante a mensagem de salvação. A partir do que apregoam alguns pregadores televisivos, parece mais que o evangelho é uma má notícia. As pessoas precisam reconhecer o amor de Deus, e por causa dEle se arrependerem dos pecados, e se voltarem para Cristo (Jo. 3.16). Jesus é o Sumo Sacerdote, o Grande Mediador entre Deus e os homens (Hb. 8.6; 9.15; 12.24), Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo. 14.6), e em nenhum outro há salvação (At. 4.12). Estamos atualmente debaixo de uma nova aliança, na qual Cristo se põe no meio, a fim de nos livrar da maldição da lei (Gl. 3.13). Jesus se entregou em resgate por todos, não apenas um grupo previamente escolhido tem direito à salvação. A doutrina da predestinação calvinista, ainda que bem intencionada, com vistas a dar glória a Deus, não tem fundamento escriturístico. Trata-se de uma abordagem filosófica, alicerçada no determinismo, incompatível com a possibilidade bíblica de escolha. Deus amou o mundo, enviou Seu Filho, e dar vida eterna, mas espera que as pessoas creiam na Sua Palavra (Jo. 3.16). Ele depositou no coração de todas as pessoas, indistintamente, uma graça preveniente, para que todos tenham a possibilidade de aceitar ou rejeitar a salvação. O próprio Calvino se referiu a essa dádiva divina como “graça comum”, que é disponibilizada a todos os homens. 

3. RECOMENDAÇÃO ÀS MULHERES
No final desse capítulo identificamos algumas recomendações de Paulo em relação ao comportamento das mulheres no culto público. Inicialmente quanto às vestimentas, para que se adornem com decoro (I Tm. 2.9). A palavra modéstia, no grego neotestamentario, é aidos e significa “senso de pudor” e bom senso é sofronsine, “juízo perfeito”. Isso quer dizer que as mulheres devem escolher bem as roupas com as quais irão ao culto. Evidentemente essa orientação se aplica também à vida cotidiana. A repreensão do Apóstolo visa evitar os excessos, principalmente no que tange à ostentação, com traças e ouro ou pérolas ou roupas caras. O recato da roupa, para não incitar a concupiscência, também não pode ser desconsiderado. A mulher cristã pode se vestir bem, sem precisar gastar absurdos, também em respeito àqueles que nada têm.  Algumas mulheres dos tempos de Paulo usavam tranças com enfeites dourados, que demonstravam futilidade. Paulo não está incentivando o desleixo em relação à aparência, mas ressalta que o adorno deve ser o interior, demonstrado por meio de boas obras (I Tm. 2.10; 6.11,18; II Tm. 2.22; 3.17). Isso nos remete diretamente a I Pe. 3.3,4, a beleza da mulher cristã, em uma sociedade que supervaloriza padrões excludentes, está no interior, que é valiosa aos olhos de Deus. Em seguida, Paulo recomenda que as mulheres fiquem quietas na igreja, em silêncio. Ele destaca que é impróprio que uma mulher exerça autoridade sobre os demais membros. Essa orientação paulina se aplicava à realidade de Éfeso. Isso porque as mulheres, por não terem educação formal, e como aconteceu com Eva, eram influenciadas pelo engano dos falsos mestres, disseminando heresias na Igreja.  Em geral, as mulheres podem ensinar, tanto em casa quanto na congregação, contanto que se fundamentem na Palavra, como fez Priscíla (At. 18.24-26)

CONCLUSÃO
As mulheres sempre tiveram papel fundamental no ministério de Jesus (Lc. 8.1-3), o próprio Paulo destaca a atuação delas em suas epístolas. Várias mulheres estiveram a serviço do evangelho (Rm. 16.1-3; Fp. 4.3), com destaque para as viúvas idosas (I Tm. 5.9, 10), as diaconisas (I Tm. 3.11), e as mantenedoras da obra (I Tm. 5.16). É preciso ressaltar que em Cristo não há diferença entre homem e mulher (Gl. 3.28). É importante, no entanto, que as mulheres não se apartem do chamado para gerarem filhos, com a meta de conduzi-los à salvação em Cristo (I Tm. 2.15).

BIBLIOGRAFIA
HENDRIKSEN, W. 1 e 2 Timóteo e Tito. São Paulo: Cultura Cristã, 2011.
WEIRSBE, W. W. Be faithful: 1 & 2 Timothy, Titus and Philemon. Colorado Springs: David C. Cook, 2009.

8 de julho de 2015

Lição 02

O EVANGELHO DA GRAÇA
              Texto Áureo  At. 20.24  – Leitura Bíblica  I Tm. 1.3-20


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
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INTRODUÇÃO
A Primeira Epístola a Timóteo foi escrita por Paulo, a quem denomina o jovem pastor de “meu verdadeiro filho na fé” (I Tm. 1.2). Com essa declaração objetiva reconhecer e legitimar o ministério espiritual desse obreiro perante a congregação. Na aula de hoje, nos voltaremos para as orientações do Apóstolo à igreja, considerando a necessidade de refutar os falsos ensinamentos. Ao final, destacaremos a importância de não nos apartarmos do evangelho da graça, sob pena de comprometer o evangelho genuíno.

1. A DOUTRINA DOS APÓSTOLOS
Paulo está preocupado em manter a sã doutrina, e refutar os falsos ensinamentos que comprometiam o verdadeiro evangelho. ÉA onda de subjetivismo ainda hoje mina muitas igrejas evangélicas. Há pastores que criticam o liberalismo nas igrejas, mas não sabem que a experiência, distanciada da Palavra também é liberalismo. Os falsos mestres dos tempos de Paulo estavam se infiltrando nas igrejas, trazendo um ensino diferente (gr. heterodidaskaleo). Uma ala desse ensinamento não apostólico se respaldava em uma interpretação equivocada da lei (I Tm. 1.7). Existem movimentos estranhos ao evangelho, semelhantes aos judaizantes do passado, que querem resgatar a prática da lei como condição para a salvação. Paulo reconhece que a Lei é boa, tendo em vista que ela busca orientar o ser humano. Mas essa é incapaz de salvar, pois serve apenas  como um aio, um pedagogo que conduz o aluno à escola, mas não pode modificar seu comportamento (Gl. 3.24,25). O uso equivocado da Lei acaba por favorecer mitos e genealogias intermináveis, lendas que não edificam e contrariam o evangelho (I Tm. 4.7). Essas mitologias e genealogias também causam contendas nas igrejas, e uma espécie de especulação vazia de verdade. Mas a Torah aponta o caminho correto, para que o pecador reconheça suas limitações, e se volte para Deus. Até mesmo na sociedade, as leis servem tão somente para deter os instintos rebeldes do ser humano. Contudo, não podem modificar o caráter, ainda que sejam necessárias para evitar o caos (I Tm. 1.9-10). A mudança na natureza somente acontece a partir do interior (Cl. 3.5-11), quando o novo homem é construído, através do Espírito Santo, em Cristo (Gl. 5.22).

2. O ENSINAMENTO DOS FALSOS MESTRES
Os falsos mestres dos tempos de Paulo impunham proibições e penalidades, e ao mesmo tempo, as contradiziam, praticando imoralidades. A coerência deve ser buscada pelos servos de Deus, ainda que reconheçam que são incapazes de alcançar o padrão divino por conta própria. Faz-se necessário ter cuidado com o mero moralismo, às vezes, exige-se um padrão moral dos outros, atentando para algumas áreas, principalmente restrita à sexualidade. A hipocrisia é demonstrada quando pessoas exigem demais em uma área, mas transgridem em outras, naturalizando determinados pecados. Esse era o pecado de alguns fariseus dos tempos de Jesus, eles faziam de tudo para conseguir prosélitos, coavam um mosquito e engoliam um elefante (Mt. 23). A sã doutrina identifica a realidade do pecado, sobretudo sua universalidade (Rm. 3.23), ao mesmo tempo em que reconhece que ninguém é salvo pelas obras (Ef. 2.8,9), mas pela graça por meio da fé, gratuitamente (Rm. 6.23), como resultado do amor de Deus (Jo. 3.16; Rm. 5.8). Paulo sabe que foi um dos piores pecadores, um perseguidor da igreja de Jesus Cristo, tendo sido alcançado pela graça maravilhosa de Deus (I Tm. 1.16). Por isso destina a honra e a glória a Deus, não aos homens. Há líderes que pensam que a salvação depende deles, os méritos não são de Cristo, mas das obras que realizam. Esse é outro evangelho, nada tem a ver com o evangelho de Jesus (Gl. 1.7-9). Muitos estão se deixando enfeitiçar por essa falsa doutrina, que defende a salvação pelas conquistas humanas. Somos todos pródigos, é a graça de Deus que nos acolhe, a graça de Deus deve continuar nos causando espanto.

3. O EVANGELHO DA GRAÇA
Desfrutamos da graça e paz de Deus, que excede todo e qualquer entendimento, principalmente o religioso. A graça (gr. charis) é o favor imerecido de Deus, Ele nos dá muito além do que merecemos. Quando somos alcançados pela graça de Deus, podemos não apenar ter paz (gr. eirene) com Deus, mas também a paz de Deus (Fp. 4.7). Essa é uma paz que o mundo não conhece, mas que nos foi prometida por Cristo, antes de partir da terra (Jo. 14.27). Muitos cristãos estão perdendo a surpresa diante da graça de Deus. As responsabilidades eclesiásticas estão naturalizando os relacionamentos. Sem perceber alguns deles pensam que são merecedores das dádivas divinas. Como o fariseu da parábola de Jesus, estufam o peito diante de Deus, e apresentam suas prerrogativas, achando que são dignos (Lc. 18.9). Davi precisou ser advertido pelo profeta Natan, para que percebesse seu pecado, e se voltasse em arrependimento ao Senhor (Sl. 51.8). Com Paulo precisamos lembrar constantemente, que a graça do nosso Senhor transbordou sobre nós, com a fé o amor que estão em Cristo Jesus (I Tm. 1.14). A graça de Deus também nos motiva ao amor (gr. agape), a responder positivamente à providência do Senhor. Amamos a Deus, e uns aos outros, porque Ele nos amou primeiro (I Jo. 4.19), esse é o genuíno evangelho, uma palavra fiel e verdadeira, digna de toda aceitação (I Tm. 1.15). Por isso Timóteo deve pregá-la com ousadia naquela comunidade, para que os ouvintes possam reconhecê-la. Trata-se, na verdade, de um combate, a fim de, apologeticamente, manter a fé e a boa consciência que alguns estão rejeitando (I Tm. 1.18-20).

CONCLUSÃO
Diante da ameaça das falsas doutrinas na igreja, Paulo admoesta Timóteo para que combata contra os mestres do engano. Quando o evangelho está sendo ameaçado por ensinamentos falsos, devemos ser firmes e contundentes na defesa da verdade. Nossa principal arma é a espada do Espírito que é a Palavra de Deus (Ef. 6.17), com ela podemos destruir as fortalezas do erro, e mostrar a direção correta, a fim de defender a fé que uma vez foi entregue aos santos (Jd. 3).

BIBLIOGRAFIA
KELLY, J. N. D. I e II Timóteo e Tito. São Paulo: Vida Nova, 1983.
SWINDOLL, C. R. Insights on 1 & 2 Timothy and Titus. Illinois: Tyndale House Publishers, 2013.

30 de junho de 2015

Lição 01



UMA MENSAGEM À IGREJA LOCAL E À LIDERANÇA
Texto Áureo I Tm. 4.12  – Leitura Bíblica  I Tm. 1.1-4; Tt. 1.1-4



Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
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INTRODUÇÃO
As Epístolas de Paulo a Timóteo (I e II) e Tito são conhecidas como Epístolas Pastorais desde o século XVIII, por orientarem o pastoreio das igrejas. Ao longo deste trimestre estudaremos essas epístolas, extraindo princípios para o ministério cristão. Na aula de hoje apresentaremos uma panorâmica dessas epístolas, ressaltando o conteúdo, estrutura, conceitos-chave e ênfases teológicas.

1. I TIMÓTEO
A I Epístola de Paulo a Timóteo apresenta orientações para a vida eclesiástica, nesta o Apóstolo exorta em relação ao ensino correto, delega missões aos crentes, estabelece princípios para a organização da igreja, destacando critérios para a escolha dos presbíteros e diáconos. Em seguida, exorta quanto ao tratamento dos idosos e viúvas na igreja, além de admoestar quanto ao perigo das riquezas. Um dos versículos-chave dessa Epístola se encontra em I Tm. 1.15: “Fiel é a palavra e digna de toda aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal”. Paulo é bastante específico quanto a estrutura das reuniões e cultos, bem como a separação de novos líderes da igreja, com destaque para suas qualidades. Ele ressalta que os obreiros de Deus devem ser exemplo para os fiéis. Essa Epístola foi escrita por volta do ano 64 d. C., a Timóteo, um dos companheiros de Paulo nas viagens missionárias. O Apóstolo o enviou para Éfeso a fim de deter os falsos ensinamentos que eram propagados pelos adeptos do gnosticismo (I Tm. 1.3,4). Tratava-se de um obreiro jovem, por isso Paulo admoesta a igreja para que “ninguém despreze a tua mocidade”, por outro lado, ele “deveria ser exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, na caridade, no espírito, na fé, na pureza” (I Tm. 4.12). Alguns temas são predominantes nessa Epístola: 1) a preservação da sã doutrina, defendendo a fé dos falsos ensinamentos; 2) qualificações dos obreiros para que esses deem testemunho fiel de Cristo; 3) disciplina pessoal, a fim de cumprir os requisitos morais para o ministério; e 4) as responsabilidades da igreja, principalmente em relação aos mais pobres.

2. TITO
A Epístola de Paulo a Tito foi escrita no mesmo período de I Timóteo, após a libertação de Paulo da sua primeira prisão em Roma. Os temas eclesiásticos são basicamente os mesmos tratados naquela Epístola. Paulo trata a respeito dos pré-requisitos para a escolha dos diáconos e presbíteros, tendo em vista o combate aos falsos mestres. Em seguida o Apóstolo orienta quanto à organização das diferentes faixas etárias na igreja, e das camadas sociais distintas, bem como da lealdade a Cristo. Paulo também se preocupa com a relação do crente com o Estado, e destaca a relevância da lealdade a Cristo. Um dos versículos-chave dessa Epístola se encontra em Tt. 2.11: “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens”. O livro de Atos não apresenta informações a respeito de Tito, o que é possível saber a respeito desse cooperador de Paulo se encontra em Gl. 2.1-3. A partir desse texto sabemos que era um cristão-judeu, que recebeu várias atribuições do Apostolo, dentre elas a de ir a Corinto, para orientar a igreja (II Co. 1.12; 8.5-16; 8.1-6). A data foi provavelmente escrita em 64 d. C., depois que Paulo foi libertado da prisão em Roma. Tito recebeu essa Epístola quando se encontrava em Creta, tendo sido deixado ali pelo Apóstolo, “para que pusesse em boa ordem as coisas que ainda restam” (Tt. 1.5).  Alguns temas são mais importantes nessa Epístola, dentre eles destacamos: 1) a importância de uma vida íntegra, principalmente entre os obreiros; 2) a escolha de diáconos e presbíteros, considerando o caráter dos candidatos; 3) o relacionamento entre as pessoas de diferentes faixas etárias na igreja; e 4) a maneira dos cristãos se portarem na sociedade, obedecendo ao governo e trabalhando com honestidade.

3. II TIMÓTEO
Timóteo era um filho de um gentio e de uma cristã-judia de Listra (At. 16.1; II Tm. 1.5). Paulo o levou como colaborador do seu ministério durante a segunda viagem missionária, quando passou por aquela cidade (At. 16.3). O Apóstolo confiava nesse jovem obreiro, por isso delegou-lhe várias responsabilidades (I Ts. 3.2,6), principalmente no período em que se encontrava na prisão (Fp. 2.20). A II Epístola de Paulo a Timóteo foi escrita justamente durante o período em que estava preso em Roma, diante da grande perseguição empreendida por Nero, por volta do ano 67 d. C. Ciente da sua passagem iminente, Paulo instrui Timóteo para que pregue a palavra com ousadia; que esteja preparado para a perseguição, o cuidado com a ameaça dos falsos mestres; a necessidade da fidelidade ao ministério da palavra. Um dos versículos-chave dessa Epístola se encontra em II Tm. 3.16: “Toda Escritura é inspirada por Deus é útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”. Paulo estava preso, e é comovente saber que ele estava com frio, e tinha necessidade dos livros (II Tm. 4.13). Naqueles que provavelmente seriam seus últimos dias na terra, Paulo conclama Timóteo a apresentar-se como obreiro aprovado, que não tinha do que se envergonhar, que manejava bem a palavra da verdade (II Tm. 2.15). Alguns temas merecem destaque: 1) a coragem, considerando que a perseguição estava se intensificando; 2) fidelidade no ministério, mesmo em momentos de adversidade; e 3) importância do ensino e pregação, para se contrapor às falsas doutrinas que estavam se impregnando na igreja.

CONCLUSÃO
As Epístolas Pastorais de Paulo não servem apenas àqueles obreiros que as receberam no primeiro século: Timóteo e Tito. Na verdade, a intenção do Apóstolo era que esses textos fossem lidos nas igrejas, a fim de orientar os membros do Corpo de Cristo, em relação à sã doutrina. De igual modo, estudar essas Epístolas atualmente serve de orientação para a igreja contemporânea, para que essa se mantenha firme na Palavra, combatendo as heresias que ameaçam a doutrina verdadeiramente evangélica.

BIBLIOGRAFIA
CALVINO, J. Epístolas pastorais. São José dos Campos: Fiel, 2009.
ZEHR, P. 1 & 2 Timothy, Titus. Scottdale: Herold Press, 2010.