30 de novembro de 2016

Lição 10

ADORANDO A DEUS EM MEIO A CALAMIDADE
Texto Áureo Sl. 136.1 – Leitura Bíblica II Cr. 20.1-12


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a respeito do reinado de Josafá, o quarto rei de Judá que foi entronizado aos 35 anos de idade, sendo co-regente com seu pai, Asa, por três anos (I Rs. 22.41-50). A partir da crise política que se estabeleceu nesse reinado, podemos extrair orientações a respeito de como a política dos homens interfere na vida das pessoas, favorecendo seu bem-estar, ou resultando em dificuldades. Ao final, destacaremos a importância de buscar o Reino de Deus, diante das limitações dos governos humanos.

1. A POLÍTICA DE JOSAFÁ
Quando estudamos a respeito da política de Josafá, constatamos que não se diferencia muito do que temos visto na política mundial. Mas é preciso, antes de qualquer comparação, destacar que Israel e Judá, no contexto das Escrituras, estavam diante de uma teocracia. Por esse motivo, não podemos fazer aplicações indevidas para qualquer país, tendo em vista que Deus, nos dias atuais, não tem preferência por uma nação específica. O tratamento do Senhor, na conjuntura atual, é com Sua Igreja, a qual foi comprada e remida pelo precioso sangue de Cristo. Mas naqueles tempos, é dito que Deus era com Josafá, pois “andou nos primeiros caminhos de Davi, seu pai” (II Cr. 17.3). Como um rei que estava a serviço do Senhor, Josafá ordenou aos levitas e sacerdotes que fossem às cidades de Judá, e ensinassem o livro da Lei do Senhor. Constatamos, assim, que seu reinado possibilitou um avivamento nacional, na medida em que as pessoas se voltavam para Deus, e abandonavam seus ídolos (II Cr. 17.8,9). A política de qualquer governante deve possibilitar a liberdade de culto. É isso que se espera de uma país laico, que todas as confissões de fé sejam respeitadas, contanto que essas não desrespeitem a dignidade humana. Não devemos ter a menor pretensão de ter uma nação evangélica, se assim fizermos, estaremos, em tese, apoiando as nações que se dizem islâmicas. Os países que fizeram opção por uma religião, findaram por perseguir os grupos religiosos minoritários. O estado laico, e a liberdade de culto, inclusive de evangelismo, deve ser o marco legal no qual nos fundamos.

2. O CONTURBADO GOVERNO DOS HOMENS
A política dos homens, desde os tempos bíblicos, é bastante conturbada. Josafá tornou-se rico e próspero, e posteriormente, deixou de confiar em Deus, e passou a depender das suas capacidades. No contexto da teocracia judaica, essa seria uma opção desastrosa, pois traria sérias consequências sobre a nação. Josafá findou por fazer alianças indevidas, com governantes como Acabe, que juntamente com sua esposa, Jezabel, estabeleceu o culto a Baal no Norte. A política dos homens não costuma buscar o bem-estar comum das pessoas, a maioria dos governantes está interessada apenas em se beneficiar dos recursos públicos. As alianças entre os partidos são feitas, não para a suposta governabilidade, mas como balcão de desvio de verbas. É isso que temos testemunhado na política brasileira nesses últimos anos. Independentemente dos partidos políticos, e das tendências mais à esquerda ou direita, predomina os interesses privados, e a pressão das grandes corporações e da mídia que são por elas patrocinadas. Se meditarmos na história de Israel, registrada nos livros de Reis e Crônicas, veremos que a ciclo se repete. Os reis foram conduzidos pelo desejo desenfreado pelo poder, e para se manter em seus postos, fizeram conchavos com os sacerdotes, que apoiavam suas causas. Mas Deus sempre levantou seus profetas, a fim de denunciar os males morais, espirituais e sociais dos monarcas. Nos tempos de Josafá Deus usou Jeú para repreendê-lo, e para mostrar os riscos da aliança feita com Acabe (II Cr. 19.2).

3. A ESPERANÇA NO REINO DE DEUS
Nos dias atuais, não devemos pactuar com qualquer governo, a Igreja não deve ser confundida com um partido político. O partidarismo político dentro da igreja pode dar vazão à carne, e promover divisões. Como cristãos, temos o direito de votar individualmente em qualquer candidato. Ninguém deve ser constrangido dentro da igreja por causa da sua opção política. Há crentes que rotulam os irmãos entre aqueles que são de direita e os que são de esquerda. Nesses últimos dias surgiu até uma forma pejorativa de se referir a alguns crentes: “esquerdopatas”. Esses sequer têm direito de se posicionarem nos contextos eclesiásticos, sem que sejam repreendidos. Há quem os considerem “desviados” da fé cristã nas postagens das redes sociais. Existem “sacerdotes” que estão incitando esse tipo de ódio, talvez porque estejam recebendo algum benefício dos “monarcas”.  É preciso ressaltar que os cristãos não devem ser de direita, muito menos de esquerda, antes de cima, não devemos nos comprometer com ideologias humanas, somente assim seremos “profetas”. Como cristãos, devemos continuar orando em prol do Reino de Deus, e vivendo a partir dele. Enquanto isso não acontece, vamos investindo em práticas que descontruam o império injusto e ganancioso das trevas. Como cidadãos, devemos usar do direito de votar, e de ser votado, dependendo sempre da sabedoria do alto, e não deixando que os interesses particulares se sobreponham aos públicos. E o principal, que as necessidades fundamentais do ser humano, sobretudo saúde, educação e segurança, sejam garantidas.

CONCLUSÃO
Josafá, no contexto de um governo teocrático, se dispôs a andar nos caminhos do Senhor, até que resolveu fazer alianças indevidas, a fim de se manter no poder, e buscar uma falsa segurança. Essa continua sendo uma prática comum na política dos homens. Como cristãos, devemos nos opor às práticas governamentais que visam cercear o direito dos mais pobres. Ao mesmo tempo, faz-se necessário considerar o realismo bíblico, e saber que somente no Reino de Cristo, quando Ele vier em glória, a justiça correrá como um rio (Am. 5.24).

BIBLIOGRAFIA
CABRAL, E. O Deus de toda provisão. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
WIERSBE, W. Be disctinct: 2 Kings and 2 Chronicles. Colorado Springs: David Cook, 2008. 

26 de novembro de 2016

Lição 09

O MILAGRE ESTÁ EM SUA CASA
Texto Áureo Dt. 10.17,18 – Leitura Bíblica II Rs. 4.1-7



Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Qualquer família pode passar por período de privação, necessariamente isso não decorre de infidelidade, existem causas outras que podem acometer um lar. Na aula de hoje, estudaremos a respeito de uma mulher viúva, que aprendeu a depender de Deus, e a desfrutar da sua benção em meio às crises. O milagre de Deus, conforme estudaremos na aula de hoje, pode estar mais perto do que pensamos.

1. DIFICULDADES FAMILIARES
No capítulo 4 de II Reis nos deparamos com uma realidade bastante difícil para uma mulher viúva, com dois filhos. Em uma sociedade patriarcal, o provimento vinha do homem, que alimentava esposa e filhos. Por causa da viuvez, aquela mulher, e a sua família, estava passando por momentos de crise. A teologia da ganância tenta estabelecer uma relação de causa e efeito. Para esses, o motivo da privação é sempre infidelidade, mas essa posição não tem base bíblica. Essa posição, na verdade, serve para justificar a falta de responsabilidade com aqueles que se encontram em condição de vulnerabilidade. Mas Deus não esquece dos pobres, Ele “faz justiça ao órfão e à viúva” (Dt. 10.18; Sl. 68.5; 146.9). O Senhor usou Elizeu como instrumento de provimento para aquela viúva. De igual modo, devemos nos colocar na disposição de Deus para contribuir com aqueles que nada têm. A situação da viúva era deplorável, pois seus filhos ainda eram crianças, e esses, certamente, seriam destinados aos credores, caso as dívidas não fossem pagas. Em épocas de crises, há quem se aproveite das condições difíceis das pessoas para tirar proveito financeiro. O individualismo contemporâneo, associado à ganância, faz com que as pessoas não se sintam responsáveis pelos outros. O discurso da meritocracia é usado, às vezes, para justificar a indisposição para ajudar o próximo. Devemos estar cientes que existem casos diferentes, e cada um deles deve ser avaliado distintamente, a fim de evitar julgamentos precipitados.  

2. QUANDO DEUS REALIZA UM MILAGRE
A viuvez no Antigo Testamento era uma calamidade, por isso a preocupação de Deus com as mulheres que estavam em tais condições. A esperança daquela pobre mulher estava em Eliseu, o homem de Deus. A primeira pergunta que ele fez quando a encontrou foi: “que te hei de eu fazer? Declara-me o que tens em casa”. Será que estamos interessados em nos envolver com a situação do próximo? Há cristãos que apenas pensam em suas famílias, as dos outros não lhes interessa. No contexto evangélico, às vezes, o familiarismo pode causar mais males do que bem. As famílias devem se sentir responsáveis não apenas pelos seus membros, mas também por outras famílias em suas necessidades. Ao invés de julga aquela mulher, Eliseu decidiu prover-lhe o necessário, e mais que isso, para que ela e sua família fosse sustentada. A pergunta dele foi bastante: “o que você tem em casa?”. Ás vezes, o milagre está em nossa própria casa. Ela dispunha de uma “botija de azeite”, e foi a partir daquele conteúdo que Deus proveu o necessário para que ela se sustentasse. Essa é uma mensagem que pode ser aplicada àqueles que estão buscando uma saída diante da crise. Investir na formação profissional pode ser uma possibilidade para ultrapassar a crise. O empreendedorismo pode ser uma alternativa viável, contato que os riscos sejam calculados, e o capital seja suficiente. A criatividade e a pesquisa é melhor maneira de investir em negócios, não se pode agir apenas por meio da vontade, sem avaliar a plausibilidade do empreendimento. 

3. A PROVISÃO DE DEUS
Deus pode prover uma solução para a crise pelas vias naturais, e isso é geralmente o que acontece. Não podemos estar dependendo de milagres o tempo inteiro, dedicar-se ao trabalho e investir na formação, é o normal. Milagres, como se costuma dizer, não acontecem todos os dias. Mas assumimos que Deus é capaz de fazer muito mais do que pensamos, e pode agir a partir do pouco que temos. Não sei qual é sua “botija de azeite”, mas se você investir nela, poderá ver o que Deus pode fazer. Precisamos usar o bom senso, e buscar a sabedoria do alto, para tomar as decisões acertadas. Ela foi orientada a buscar muitas vasilhas, pois a provisão de Deus seria sem medida. A preparação espiritual também é necessária para adentrar novos investimentos. Há crentes que não sabem ter muito, diferentemente de Paulo (Fp. 4.13). José é um exemplo de alguém que confia em Deus em todas as circunstâncias. E mais que isso, sabe desfrutar da provisão do Senhor na abundância, e também passar por momentos de adversidades. Mas é preciso atentar para a doutrina bíblica a respeito do sustento financeiro. Deus não nos promete prosperidade, pelo menos do modo que as pessoas desejam, muito menos instrui para que as pessoas vivam em pobreza. A orientação bíblica é a moderação, é a doutrina da provisão, o Senhor quer nos dar “o pão nosso de cada dia” (Mt. 6.11). O contentamento é um ensinamento bíblico que precisa ser resgatado nessa geração, que não consegue se satisfazer com o que é necessário (Fp. 4.11-12; I Tm. 6.6-10).

CONCLUSÃO
Contentamento nada tem a ver com comodismo, as Escrituras ensinam a diligência, a fim de obter a provisão necessária. Mesmo assim, podemos ser atingidos por situações adversas, que estão fora do nosso controle, como o desemprego. Em todos os casos, devemos buscar saídas naquilo que Deus nos tem dado, e buscar dEle o milagre para viver em tempos de crise. O Deus de toda provisão não nos abandona, e através da Sua igreja, continua ajudando os mais necessitados.

BIBLIOGRAFIA
CABRAL, E. O Deus de toda provisão. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
WIERSBE, W. Be commited: Ruth and Esther. Colorado Springs: David Cook, 2008. 

17 de novembro de 2016

Lição 08

RUTE, DEUS TRABALHA PELA FAMÍLIA
Texto Áureo Rt. 4.14 – Leitura Bíblica Rt. 1.1-14



Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje nos voltaremos para a história de uma mulher, Rute. Essa, juntamente com sua nora Noemi, aprenderam a desfrutar da graça de Deus, mesmo diante das crises. Inicialmente, mostraremos como o Senhor protege a família, mesmo quando essa enfrenta adversidades. E ao final, apontaremos a direção bíblica para se enfrentar as situações difíceis, e o mais importante, a aprender a depender de Deus, mesmo que as circunstâncias não sejam favoráveis.

1. TENTANDO FUGIR DAS CRISES
As crises nos desafiam, e não poucas vezes, nos conduzem ao desânimo. Durante os tempos dos juízes, ficamos atordoados, e corremos o risco de agir como nos tempos dos juízes de Israel: “cada qual fazia o que achava mais correto” (Jz. 17.6). Rute viveu nesse período, marcado por escassez e injustiças. A família de Elimeleque deixou Belém, que seria a “casa de pão”, para habitar em Moabe, na tentativa de fugir da crise. Seus filhos se casaram com mulheres moabitas, Malon se casou com Rute, e Quiliom, com Orfa. É importante ressaltar que era proibido um israelita se casar com mulheres estrangeiras (Dt. 7.1.-11; Ne. 13.1-3; Ed. 9.1-4). A tentativa de encontrar dias melhores se mostrou frustrada, considerando que Elimeleque e seus filhos morreram naquela terra. Noemi, ao saber que a escassez de comida havia findado em Belém, decidiu retornar para casa. Diante daquela situação, decidiu racionalizar sua opção, solicitando as suas noras que não a seguisse (Rt. 1.8, 11,12). Orfa, convencida pelos argumentos de Noemi, resolveu retornar para sua terra, enquanto que Rute, em um ato de confiança em Deus, seguiu sua sogra (Rt. 2.12). A declaração de fé de Rute, que se encontra em Rt. 1.16,17, é uma das mais tocantes das Escrituras. Noemi se deixou abater pelas crises, quis até mesmo trocar o seu nome para amargura (Rt. 1.21). Quando racionalizamos nossas circunstâncias diante das crises, tendemos a agir do mesmo modo. Com Rute somos desafiados a crer no improvável, e às vezes, no impossível, e saber que Deus está no comando das situações.

2. APRENDENDO A DEPENDER DE DEUS
Deus está interessado no desenvolvimento do nosso caráter, muito mais do que na nossa prosperidade material. Não é fácil viver pela fé em um modo que se torna cada vez mais dependente do visível. Por outro lado, isso não quer dizer que devemos nos deixar vencer pelo marasmo. Rute confiava em Deus, mas foi diligente ao decidir ir a colheita. A iniciativa de Rute oportunizou seu encontro com Boaz, o parente remidor (Rt. 2.1,3). É importante saber que enquanto estamos trabalhando Deus está conosco (Mc. 16.20), em nós (Fp. 2.12) e por nós (Rm. 8.28). Rute aprendeu a desfrutar da graça de Deus, a começar pelo fato de ela ser estrangeira (Rt. 2.2). A graça de Deus foi manifestada em Boaz, como demonstração de que o Senhor usa pessoas para agraciar. Deus trabalhou naquelas circunstâncias para que tudo ocorresse conforme sua soberana vontade. Ele conduziu Rute aos campos de Boaz, e oportunizou aquele encontro. O cristão, diferentemente das pessoas do mundo, é chamado a ter esperança em Deus. A própria Noemi, que inicialmente se mostrou desanimada diante da situação, foi abençoada por meio da fé de Rute (Rt. 2.19,20). Boaz tornou-se uma benção para a vida daquela família, por ser um parente remidor, alguém que poderia salvá-la da pobreza (Lv. 25.25-34). Não podemos perder a esperança, ainda que tudo o mais se mostre fora de propósito, e que nada faça qualquer sentido (Rm. 15.13).

3. DEUS SEMPRE DÁ UMA SOLUÇÃO
A Bíblia revela um Deus de providência, que não nos abandona diante das crises. Na verdade, podemos descansar na certeza de que Jesus é nosso Parente Remidor (Jo. 8.36). Ele derramou seu precioso sangue para remissão dos nossos pecados, ainda que não sejamos merecedores de tamanha graça (Rm. 5.8). A vida de Rute foi transformada depois que ela teve um encontro com Boaz. De igual modo, nossas vidas são modificadas quando nos deixamos guiar pelo Espírito Santo, e ouvimos as palavras de Cristo. A descendência de Boaz e Rute teve implicações para a história da salvação. Eles se tornaram bisavôs de Davi, e por sua vez, compuseram a arvore genealógica do Messias. Deus trabalha nas situações, os seus propósitos podem não ser compreendidos, pois Ele sabe o que está fazendo. Os caminhos de Deus são misteriosos, nem sempre podem ser explicados pela razão. Mesmo o dogmatismo religioso é desconstruído pela graça maravilhosa de Deus. Rute, sendo uma estrangeira, entrou na genealogia de Cristo, que era judeu. Em relação à família, devemos aprender, com a narrativa do Livro de Rute, que essa deve permanecer alicerçada na graça. Nenhuma família na terra pode pensar que é perfeita, estamos todos caminhando rumo à glorificação. Até que esse dia chegue, nossas famílias devem estar fundamentadas no favor imerecido de Cristo. Esse deve ser a base dos relacionamentos familiares. Uma família onde a graça não é uma realidade, é uma família desgraçada.

CONCLUSÃO
Deus está trabalhando pelas famílias, também devemos fazer o mesmo. Cientes, no entanto, que nossas famílias não são perfeitas. Elas precisam ser conduzidas com graça e amor, dependendo sempre de Deus, e não das circunstâncias. Com Rute, devemos aprender que Deus está no comando das situações, e que tudo Ele fará para que estejamos no centro da Sua vontade. As crises não devem pautar nossas vidas, mas a provisão de Deus, que é sempre para o nosso bem, ainda que não O compreendamos.

BIBLIOGRAFIA
CABRAL, E. O Deus de toda provisão. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
WIERSBE, W. Be commited: Ruth and Esther. Colorado Springs: David Cook, 2008. 

9 de novembro de 2016

Lição 07

JOSÉ: FÉ EM MEIO ÀS INJUSTIÇAS
Texto Áureo Gn. 39.2 – Leitura Bíblica Gn. 37.1-11


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Prosseguindo os estudos sobre a provisão divina, na aula de hoje nos voltaremos para a história de José. A vida desse temente servo de Deus tem muito a nos ensinar a respeito da provisão divina diante das injustiças. Inicialmente destacaremos a vida de José, nos momentos que ainda habitava em Hebrom, com seus irmãos invejosos. Em seguida, veremos que Deus é Aquele que dá provisão, justamente porque esse é o significado do nome “José” em hebraico. Ao final, aprenderemos a não perder a confiança em Deus, em um mundo dominado pela injustiça.

1. JOSÉ, O FILHO PREDILETO
Não existem famílias perfeitas na Bíblia, sobretudo quando consideramos o Antigo Testamento. A família de Jacó, muito embora fosse abençoada por Deus, enfrentou vários problemas. Alguns desses também são comuns nas famílias cristãs, dentre eles destacamos a inveja, o ódio e a predileção. Ao que tudo indica, José era um filho exemplar, e dedicado aos interesses do seu pai (Gn. 37.1-4). Por causa disso seu pai demonstrava certa predileção, em relação aos demais filhos, principalmente porque José era filho da velhice, com sua amada esposa Raquel. O favoritismo sempre traz problemas para as famílias, o próprio Jacó conviveu com essa experiência (Gn. 25.28; 29.30). Uma demonstração dessa preferência de Jacó por seu filho José é concretizada no presente de uma “túnica talar”, de várias cores (Gn. 37.3). Alguns estudiosos interpretam que talvez essa tivesse um significado em termos de herança. Esse teria sido o principal motivo da inveja dos irmãos de José. Acrescido a isso, Deus deu ao jovem vários sonhos, que revelavam sua atuação futura, diante da família. Os irmãos de José ficaram tomados pelo ódio, que é um sentimento destruidor, pois excita contendas (Pv. 10.12), e conduz as pessoas para as trevas (I Jo. 2.9). Talvez tenha faltado sabedoria a José, ao revelar os sonhos aos seus irmãos. Nem sempre devemos dizer aos outros tudo o que sonhamos, e nem todos os sonhos podem ser tomados por revelação. Há sonhos que são induzidos pela própria pessoa, produto de perturbações inconscientes, ou mesmo influenciados por Satanás (Jr 23.25-28). Aqueles sonhos incitaram o ódio dos irmãos de José, que associado a inveja, foi uma combinação mortal, que resultou, incialmente, na tentativa de matá-lo, e posteriormente, acabaram por venderem-no como escravo.

2. JOSÉ, E O DEUS QUE FAZ PROSPERAR
José foi comprado pelos mercadores, e levado para o Egito, sendo vendido a Potifar, um dos oficiais de Faraó. Aquele jovem era a manifestação da prosperidade divina, inclusive para aquele oficial. Está escrito que “o Senhor abençoou a casa do egípcio por amor de José (Gn. 39.5). Mas nem tudo seria fácil, a esposa de Potifar se interessou por José, pois esse, além de temente a Deus, também era formoso. Ela passou a tratar o jovem como um objeto do seu desejo, querendo abusar dele. Mas José fugiu da tentação, por algumas razões: a mulher era esposa do seu senhor, que confiava bastante nele, e o mais importante, aquela traição seria contra o próprio Deus (Gn. 39.9). José deixou o exemplo a respeito do qual Paulo instruiu a Timóteo, o jovem pastor de Éfeso: Foge das paixões da mocidade” (II Tm. 2.22). A temperança é uma das virtudes do fruto do Espírito (Gl. 5.22), e uma demonstração de caráter, pois “como cidade derribada, que não tem muros, assim é o homem que não tem domínio próprio”. José foi vítima de injustiça, ao ser caluniado pela esposa de Potifar, e por causa disso foi preso injustamente. Ele teria motivos para se desesperar, principalmente durante o período em foi esquecido na prisão. Não podemos esquecer que é por meio da fé e da paciência que herdamos as promessas de Deus (Hb. 6.12; 10.36). Durante o período em que esteve cativo, José estava sendo preparado por Deus para ter grandes revelações, que demonstrariam a provisão do Senhor, não apenas para ele e sua família, mas também para todo o Egito. Depois de interpretar os sonhos do padeiro e do copeiro, iria mostrar o significado do sonho de Faraó, sendo, por causa disso, chamado a ocupar o posto de governador do Egito.

3. JOSÉ, VENCENDO AS INJUSTIÇAS
Como José, também podemos ser injustiçados, mas precisamos aprender a confiar, e esperar em Deus. Até mesmo depois de se revelar a seus irmãos, e depois ao seu pai Jacó, José não demonstrou ressentimento, pois sabia que tudo havia acontecido para bem (Gn. 50.20). Um dos filhos de José se chamou Manassés que quer dizer “esquecimento”, isso mostra como esse homem de Deus decidiu reagir em relação as injustiças dos seus irmãos. Seu outro filho se chamou Efraim, que significa aquele que é duplamente próspero. É importante que aprendamos a passar pelas injustiças deixando as mágoas para trás. De vez em quando é preciso fazer uma avaliação de consciência, e nos despir da nossa arrogância, inclusive das prerrogativas humanas. Para tanto, devemos nos revestir de uma nova atitude de fé e de amor, mesmo diante das contrariedades (Ef. 4.20-32; Cl. 3.1-17). Somente assim as feridas dos relacionamentos podem ser saradas, as famílias que foram quebradas pelo ódio e inveja precisam fazer concessões e depender da orientação divina. José sabia o propósito do seu chamado, a função da preservação da sua vida. Ele não se envaideceu em nenhum momento, não utilizou sua função pública para se vingar, sabia que a prosperidade vinha de Deus, e com o propósito bem definido. Precisamos aprender a viver nesse mundo tão injusto, e marcado por relacionamentos interesseiros. A graça de Deus, demonstrada através do perdão, deve prevalecer na vida das pessoas. Se continuarmos plantando injustiças, e revidando na mesma moeda, terminaremos ainda mais feridos.

CONCLUSÃO
A vida de José é uma demonstração do que Deus pode fazer para as pessoas que confiam nele. Esse homem de Deus se tornou próspero, a fim de mostrar que tudo coopera para o bem daqueles que são chamados segundo os desígnios de Deus (Rm. 8.28). Até mesmo as injustiças humanas podem fazer parte de um plano maior, que haverá de ser revelado quando Deus descortinar suas verdades espirituais (Jó. 42.3).

BIBLIOGRAFIA
CABRAL, E. O Deus de toda provisão. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
WIERSBE, W. Be obedient: Genesis. Colorado Springs: David Cook, 2010. 




2 de novembro de 2016

Lição 06

DEUS: O NOSSO PROVEDOR
Texto Áureo Gn. 26.2 – Leitura Bíblica Gn. 26.2-6


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a respeito da provisão de Deus nas situações difíceis pelas quais Isaque passou. Inicialmente destacaremos que Isaque seguiu o exemplo de Abraão ao se refugiar diante da fome. Em seguida, ressaltaremos o desafio do filho do velho patriarca, diante dos vizinhos descrentes, que demonstraram inveja da sua prosperidade. Ao final, mostraremos que as crises também criam oportunidades, e como fez Isaque, precisamos aprender a “cavar poços”, mesmo que os tempos não sejam favoráveis.

1. ISAQUE, FUGINDO DA FOME
A história de vez em quando se repete, não necessariamente do mesmo modo. Em se tratando de provações, nenhuma pessoa está livre de passar por elas (Tg. 1.1-18). O próprio Jesus declarou que no mundo teríamos aflições (Jo. 16.33), mas que deveríamos ter ânimo, e depositar nossa confiança em Deus. Isaque, o filho do patriarca Abraão, seguiu os passos do seu progenitor. A palavra “pai” é repetida seis vezes ao longo desse texto. Isso nos ensina que, de certo modo, somos tentados a repetir os equívocos dos nossos ancestrais. Isaque, assim como aconteceu com Abraão (Gn. 12.10-13.4), também enfrentou o problema da fome. Aquele desceu para o Egito, Isaque, de igual modo, fugiu para Gerar, a capital dos filisteus, a fim de buscar o auxílio de Abimeleque. Ao que tudo indica, Isaque e Rebeca estavam habitando em Beer-Laai-Roi (Gn. 25.11), sendo assim, viajaram cerca de cento e dez quilômetros noroeste, a fim de encontrarem melhores condições de vida. A fuga das adversidades é uma tendência normal para os seres humanos, mas não há outra maneira de crescer na fé, a não ser por meio das adversidades. Conforme destacou Paulo, “a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência (Rm. 5.3,4). É bem verdade que durante o sofrimento desejamos, como o salmista Davi, “asas como da pomba”, para poder voar “e achar pouso” (Sl. 55.6). Mas se quisermos deixar de ser simples pombas, e nos tornar águias que voam mais alto, precisamos subir cada vez mais (Is. 40.31).

2. CONVIVENDO COM OS VIZINHOS
As pessoas são tentadas a se moldarem às circunstâncias, sobretudo nos momentos de aflições. A fim de nos ajustar às situações, somos tentados a nos acomodar ao ambiente no qual nos encontramos. Isaque, para sobreviver as pressões e riscos diante dos vizinhos, fez concessões em relação a verdade, optando pela mentira. Faltar com a verdade, na maioria das vezes, é um escape para fugir da realidade. Quando perguntaram a Isaque se Rebeca era sua esposa, imitando a seu pai Abraão, respondeu que era sua irmã. A situação se tornou embaraçosa para Isaque quando a verdade veio à tona. É constrangedor quando a mentira de um servo de Deus é desmascarada por um incrédulo. Devemos lembrar, como ensinou Jesus, que somos sal da terra e luz do mundo (Mt. 5.13-16). Isaque precisou aprender a conviver com a inveja dos seus vizinhos (Gn. 26.12), isso porque o Senhor o fez prosperar, mesmo em tempos difíceis. Aqueles que estão debaixo da providência divina têm a promessa de que serão preservados pelo Senhor, e que não lhes faltará o essencial para a sobrevivência (Hb. 13.5). Certamente isso causará inveja em muitas pessoas, e fará com que esses tenham um sentimento maldoso. Mas não devemos nos deixar abater com aqueles que não temem ao Senhor, e que estão dominados pelo sentimento tóxico da inveja, que é podridão para os ossos (Pv. 14.30).

3. CAVANDO POÇOS
Por causa da inveja, os vizinhos de Isaque queriam se apropriar dos poços do patriarca. Os filisteus, tomados pela maldade, taparam os poços que Isaque herdou de Abraão (Gn. 26.19). Os homens de Gerar, dominados pela inveja, não davam trégua a Isaque, e o perseguia constantemente. A inveja é um sentimento doentio, as pessoas que são dominadas por ele, às vezes, nem se apercebem. Isaque, diferentemente dos seus vizinhos invejosos, decidiu confiar em Deus, e continuar cavando outros poços. Aprendemos lições importantes com esse episódio: 1) Deus cumpre as suas promessas, e abençoa aqueles que trabalham (Gn. 26.3,5); 2) A benção de Deus não nos livra dos invejosos (Gn. 26.14-17); 3) a prosperidade tem seus benefícios, mas pode também trazer problemas, contenda e ódio (Gn. 26.18-22); 4) Berseba, lugar do “poço do juramento”, é onde encontramos segurança, descansemos na certeza de que Deus é conosco (Rm. 8.31-39); 5) precisamos aprender a lidar com os conflitos, e se demonstramos a sabedoria do alto, poderemos obter reconhecimento dos opositores (Gn. 26.26-33); e 6) o acordo com os vizinhos de Isaque foi uma conquista, que possibilitou a convivência pacífica entre eles. Isaque, cujo nome significa “riso”, passou por muitas aflições, mas sabia que a provisão de Deus estava sobre ele. Devemos seguir seu exemplo, firmes na convicção que o Senhor está no comando de todas as situações. 

CONCLUSÃO
As aflições são comuns, até mesmo entre aqueles que servem a Deus, mas essas podem ser oportunidades. Nas dificuldades encontramos “largueza”, desfrutamos da misericórdia do Senhor (Sl. 4.1). É na escola da adversidade que crescemos em confiança, aprendendo a depender cada vez mais de Deus (Sl. 25.17). A busca por espaço físico, e as adversidades dela decorrente, pode resultar em sofrimento, que nos levam para mais perto de Deus (Sl. 18.19).

BIBLIOGRAFIA
CABRAL, E. O Deus de toda provisão. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
WIERSBE, W. Be obedient: Genesis. Colorado Springs: David Cook, 2010. 

26 de outubro de 2016

Lição 05

AS CONSEQUÊNCIAS DAS ESCOLHAS PRECIPITADAS
Texto Áureo Pv. 14.29 – Leitura Bíblica Gn. 13.7-18


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD


INTRODUÇÃO
No mundo todas as pessoas passam por circunstâncias adversas, e a todo momento são pressionadas a fazerem escolhas. Mas é preciso ter cautela, sobretudo confiança em Deus, para não tomar decisões precipitadas. Na lição de hoje estudaremos a respeito desse assunto, tomaremos por base o relacionamento entre Abraão e seu sobrinho Ló, a fim de extrairmos lições para nossas vidas. Ao final da aula aprenderemos que as escolhas precipitadas podem trazer consequências drásticas, e em alguns casos, irreparáveis.

1. CIRCUNSTÂNCIAS ADVERSAS
Abraão respondeu ao chamado do Senhor, e partiu de uma terra estranha, do meio da sua parentela. Talvez para se sentir mais seguro, levou consigo seu sobrinho Ló, que viria a lhe trazer problemas. Somos tentados, a todo instante, a confiar em nós mesmos, ou a depender das pessoas mais próximas. Mas a caminhada do cristão, na maioria das vezes, é existencial, ele não pode transferi-la a quem quer que seja. As decepções da vida, seja com pessoas ou instituições, servem para nos mostrar que somente em Deus temos plena segurança. Abraão tomou a decisão de descer para o Egito em um momento de privação de alimento (Gn. 12.10). A expressão “descer para o Egito” tem a ver com dúvida diante das promessas de Deus (Nm. 11; 14; Is. 30.1,2; 31.1; Jr. 42.13). Não podemos colocar nossos olhos nas circunstâncias, se assim fizermos seremos reprovados pelo Senhor (Mt. 14.30). Somos lembrados pelo profeta Isaias que “aquele que crer não foge” (Is. 28.16). Durante o período em que esteve no Egito, Abraão aprendeu uma lição importante, nunca é tarde para voltar ao caminho correto (Gn. 13.1). Ainda bem que a fé do cristão é constituída de recomeços, ninguém deve permanecer prostrado depois do fracasso. Sabemos que temos um Advogado perante o Pai, Jesus Cristo que é a propiciação pelos nossos pecados (I Jo. 1.9). É sempre bom voltar a casa do Pai, pois a desobediência traz resultados desastrosos, a vontade de Deus não é para mal, muito pelo contrário, é para o bem daqueles que a seguem (Rm. 12.1,2). Arrependimento é uma palavra que não pode sair do dicionário do cristão, devemos estar sempre dispostos a reconhecer nossos erros, e buscar do Senhor o perdão para as decisões equivocadas, como fez o filho da parábola (Lc. 15.21).

2. OLHANDO PARA PESSOAS E COISAS
O ambiente familiar, ao contrário do que se costuma idealizar, está susceptível a conflitos. É preciso reconhecê-los, e o mais importante, aprender a lidar com eles, com amor e graça. As posses materiais parece ser uma das principais causas dos desentendimentos familiares. É digno de destaque que quanto mais prospero Abraão se tornou, mais problemas familiares ele passou a ter. A riqueza necessariamente não traz felicidade para a família, pode resultar em conforto, mas não é bem-estar. O dinheiro não pode comprar a paz tão almejada pela família, é possível viver bem com muito menos do que imaginamos. Os pastores de Ló, o sobrinho de Abraão, começaram a disputar território. A narrativa bíblica revela que Ló estava tomado pelas posses das coisas. Nesse particular Abraão demonstrou ter maior confiança em Deus, e não se deixou controlar pela pressão das circunstâncias. Deu liberdade a Ló para que esse escolhesse a porção que mais agradasse aos seus olhos. O sobrinho do patriarca, por falta de visão espiritual, fez opção pelas campinas para as bandas do Jordão. Abraão demonstrou ser um pacificador, ou melhor, um apaziguador, alguém que buscava conciliação. Ló, ao contrário, buscava a riqueza desse mundo, que continua sendo a raiz de todos os males, e tem conduzido muitos à ruina (I Tm. 6.10).

3. QUANDO CONFIAMOS EM DEUS
As escolhas equivocadas, e precipitadas, de Ló trouxeram consequências sobre a vida dele e da sua família. Por causa da sua opção, ao deixar se conduzir pelas aparências, situações adversas sobrevieram sobre o sobrinho do patriarca. Quatro reis decidiram atacar a região na qual Ló se encontrava, sendo esse levado como cativo e todos os seus bens (Gn. 14.8). A própria cidade de Sodoma por fim foi destruída por causa dos pecados que seus habitantes cometiam contra Deus (Gn. 19.24). A cobiça tem feito muitos estragos na vida de cristãos, inclusive de obreiros que trabalham na seara do Senhor. Por causa do dinheiro as pessoas mentem (Pv. 21.6), maltratam os outros (Pv. 22.16), se utilizam de meios desonestos (Pv. 28.8) e afligem a família (Pv. 15.27). Com Abraão precisamos aprender a colocar nossa confiança exclusivamente em Deus. Ao invés de tomar uma decisão pensando apenas em si mesmo, o patriarca se voltou para Deus, e deixou que Ló fizesse sua escolha. O mundo seria bem diferente se as pessoas percebessem mais pessoas e menos coisas, e olhassem mais para os outros, e menos para elas mesmas (Fp. 2.4). Aprendamos também a não colocar nossos olhos apenas no aparente, deixemos que Deus ocupe o primeiro lugar em nossas vidas (Mt. 6.33). Abraão tinha convicção de que não passava de um peregrino na terra, e que seu maior tesouro era o Senhor, que o havia chamado. Mas Ló resolveu se estabelecer na terra, primeiramente olhou para Sodoma (Gn. 13.10) depois partiu para aquela região (Gn. 13.11,12), e por fim, para ali se mudou (Gn. 14.12). 

CONCLUSÃO
O imediatismo contemporâneo, e sobretudo as pressões pelas quais passamos, demandam uma decisão urgente. Quando não confiarmos em Deus, e colocamos o foco em nós mesmo, podemos ser tentados pela cobiça, e tomarmos decisões precipitadas. Aprendamos com Abraão a buscar o Senhor em todas as circunstâncias, o colocar os olhos exclusivamente nEle (Gn. 13.14), somente assim poderemos percorrer a terra na qual Ele temporariamente nos colocou (Gn. 13.17).   

BIBLIOGRAFIA
SWINDOLL, C. Abraão. São Paulo: Mundo Cristão, 2016.
WIERSBE, W. Be obedient: Genesis. Colorado Springs: David Cook, 2010. 

19 de outubro de 2016

Lição 04

A PROVISÃO DE DEUS NO MONTE SACRIFÍCIO
Texto Áureo Gn. 22.8 – Leitura Bíblica Gn. 22.1-6


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Nenhum cristão está imune às provações, elas chegarão cedo ou tarde. Faz parte do amadurecimento passar por essa escola. Na aula de hoje estudaremos a respeito da prova de Abraão, quando Deus pediu que esse sacrificasse seu filho no monte. Inicialmente destacaremos que as provas virão, e quando isso acontecer, devemos aprender a concentrar-se nas promessas de Deus, e por fim, que se faz necessário depender a provisão divina.

1. AS PROVAS VIRÃO
Abraão passou por várias provas, a primeira foi familiar, quando precisou sair da parentela (Gn. 11). Em seguida, sobreveio a fome sobre Canaã, fazendo com que o patriarca se dirigisse para o Egito (Gn. 12). Outra prova foi a liberalidade, a disposição de aceitar a opção de Ló, quando esse decidiu ir para as produtivas campinas do Jordão (Gn. 13). Como se isso não fosse suficiente, ainda teve que enfrentar lutas, e não aceitar os despojos da guerra, aprendendo a depender exclusivamente de Deus, para seu suprimento (Gn.14). Mas as provas não tinham ainda se acabado, teve que lidar com a falta de paciência de Sara, decidindo ter um filho por meio da serva Agar (Gn. 16), depois teve que se despedir de Ismael, seu filho com a escrava (Gn. 21). As provas sobrevêm sobre aqueles que professam a fé em Deus, em alguns casos são resultantes das escolhas equivocadas que fazemos, em outros, decorrem das condições existenciais, ou mesmo de circunstâncias socioeconômicas, com as quais somos obrigados a sobreviver. É importante também fazer a distinção entre as tentações, que geralmente são resultantes dos desejos humanos (Tg. 1.12-16). As provações, porém, são permitidas, e em alguns casos, providenciadas, por Deus, a fim de nos conduzir à maturidade (Tg. 1.1-6). Há cristãos que se equivocam em relação ao objetivo primordial da vida, muitos mais interessado em nossa prosperidade financeira, Deus quer nos conduzir a uma vida plena, a semelhança do padrão em Cristo, perseguindo seu modelo de santidade (Gl. 5.22).

2. ONDE COLOCAR O FOCO
Diante das provações, devemos colocar nosso foco em Deus, que sempre providencia um escape. Ao mesmo tempo em que não somos tentados para além dos que podemos suportar (I Co. 10.3), podemos enfrentar também provas que parecem insuportáveis (II Co. 8.2). A menos que estejamos focados nas promessas de Deus, perderemos facilmente a rota da jornada espiritual. O pedido de Deus a Abraão pareceu absurdo, considerando que Isaque era o filho da promessa. Como o mesmo Deus que prometeu fazer do patriarca uma grande nação se atreveu a pedir o filho de Abraão em sacrifício? Há momentos em que não compreendemos a lógica de Deus. Na verdade, em casos semelhantes a esse constatamos que as vezes as exigências de Deus não têm lógica. Abraão e Sara aguardaram ansiosamente pelo cumprimento da promessa, pelo momento em que finalmente se tornariam pai e mãe. Então Deus resolve exigir que o velho patriarca sacrifique seu único filho no Monte. Mas Deus tem seus motivos soberanos, às vezes, para purificar nossa fé (I Pe. 1.6-9), para aperfeiçoar nosso caráter (Tg. 1.1-4), para nos proteger do pecado (II Co. 12.7-10). Há momentos que gostaríamos de ter uma explicação, mas a resposta de Deus, na maioria das vezes, é o silêncio. Voltamo-nos para a Palavra, e nela encontramos direções que nos dão paciência. Deus também sofreu na cruz do calvário, talvez essa seja a resposta mais contundente ao problema da provação. A fidelidade de Deus, que sacrificou Seu Filho, por amor aos pecadores, é o fundamenta da fé e esperança do crente (Jo. 3.16).

3. DEPENDENDO DE DEUS
Abraão sabia que poderia confiar nas promessas de Deus, Ele seria fiel para cumprir aquilo que havia revelado. Se Isaque seria a descendência do patriarca, então o Senhor haveria de providenciar o escape (Gn. 21.12). Abraão acreditava que mesmo que Deus permitisse que ele sacrificasse seu filho, poderia ressuscitá-lo e trazê-lo de entre os mortos (Hb. 11.17-19). Devemos estar cada vez mais convictos das promessas de Deus, não adianta querer alicerçar nossa fé em explicações, nem mesmo em fatos. Abraão precisou destronar o filho do seu coração, e deixar que apenas Deus tivesse o comando da sua vida. O Senhor não permitiu que o patriarca sacrificasse Isaque, porque já tinha o feito dentro do seu velho coração. Ele sabia que Deus proveria para si o cordeiro para o holocausto (Gn. 22.8), porque Ele, e somente Ele, é o Senhor da Providência, o Jeová-Jireh (Gn. 22.14). Há momentos que somente podemos depender de Deus, e ninguém mais. Sara havia ficado em casa, os dois servos que ficarem ao pé do monte, não estavam com Abraão. Há uma dimensão existencial na longa caminhada de Abraão até chegar ao Monte. Existem provações que temos que enfrentar sozinhos, sem a ajuda de quem quer que seja, nem mesmo dos membros da família. No caso de Abraão ainda havia o filho, que estava com ele, e “caminhavam ambos juntos” (Gn. 22.6,8), mas esse não compreendia o que estava acontecendo. Mas “depois”, quando tudo havia passado, Abraão recebeu a aprovação de Deus (Gn. 22.12), recebendo novas garantias do Senhor (Gn. 22.16-18), e a descoberta de que Deus é Jeová-Jireh (Gn. 22.14).

CONCLUSÃO
As provações não visam nos distanciar de Deus, muito pelo contrário. Elas fortalecem nossa fé, e nos ensinam a desenvolver um amor mais profundo pelo Senhor. Depois da provação, saímos mais fortalecidos, e principalmente, amadurecidos. A pedagogia de Deus costuma ser diferente da que conhecemos nas escolas regulares. Isso porque Deus dá a prova primeiro para que possamos extrair lições em seguida.

BIBLIOGRAFIA
SWINDOLL, C. Abraão. São Paulo: Mundo Cristão, 2016.
WIERSBE, W. Be obedient: Genesis. Colorado Springs: David Cook, 2010.