11 de janeiro de 2017

Lição 03

O PERIGO DAS OBRAS DA CARNE
Leitura Bíblica: Lc. 6.39-49 – Texto Áureo: Mt. 26.41



 Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD


INTRODUÇÃO
Uma vida direcionada pelas obras da carne está em grave perigo, considerando que aquilo que o homem plantar isso também ceifará. Por isso, a fim de alertar àqueles que se encontram nessa situação de risco, destacaremos, na aula de hoje, a importância de investir no espírito, tendo em vista que a fraqueza da carne pode favorecer a manifestação das obras más. Mostraremos ainda que aqueles que se deixam conduzir pelos desejos desenfreados acabam trazendo sobre eles penalidades drásticas. Ao final, apontaremos as consequências para aqueles que plantam na carne, ao invés de semearem no espírito.

1. A CARNE É FRACA
Nunca é demais ressaltar que não é bíblica, muito menos judaico-cristã a dicotomia espírito-corpo, comumente defendida nos púlpitos de algumas igrejas, sob a influência helenista inserida no cristianismo por meio de Agostinho, entre outros. A interpretação de Mt. 26.41, bem como de Gl. 5.17-22, deve ser feita a partir de uma cosmovisão escriturística, desconsiderando a perspectiva platônica. Quando Jesus destaca que o espírito está pronto, mas que a carne é fraca, está enfatizando as limitações da própria condição física. Essa declaração foi feita antes dEle ser levado a julgamento, e por conseguinte, ao calvário, quando se encontrava no Getsêmane (Mt. 26.41). No contexto da passagem, aprendemos que a oração é uma necessidade que nem sempre é valorizada pelos cristãos. De vez em quando precisamos nos colocar em vigilância, e para que isso seja feito, faz-se necessário que nos coloquemos em jejum e oração. Os momentos cruciais pelos quais Jesus teria que passar o levaram a orar com intensidade. Os discípulos, por não compreenderem a situação, e por não suportarem o peso do sono, dormiram. Para vencer os dias difíceis que podem sobrevir sobre nós, precisamos ser fortes, e sempre que necessário, abrir mão da comodidade, para se dedicar a horas silenciosas na presença de Deus. É dessa maneira que seremos capazes de enfrentar as tribulações da vida presente. O corpo não é necessariamente mal, mas pode ser usado para dar vasão à natureza pecaminosa. No contexto de uma sociedade hedonista, é provável que algumas pessoas prefiram a comodidade, a uma vida de sacrifício pelo próximo. Os seguidores de Jesus demonstraram insensibilidade em relação à condição do seu Mestre. Eles foram fracos diante da necessidade do Senhor de ter alguém ao Seu lado naquele momento angustiante.

2. A VIDA CONDUZIDA PELAS OBRAS DA CARNE
É preciso ter cuidado para não se deixar conduzir pela natureza pecaminosa, e se orientar pelo comodismo tão comum na contemporaneidade. Nada há de errado em ter conforto, e mesmo em desfrutar do quinhão que o Senhor proveu. Por outro lado, os bens materiais não podem ser usados apenas para o bem-estar das pessoas, a fim de alimentar os desejos egoístas. O fundamento das obras da carne é a concupiscência – makrothumia em grego – que diz respeito aos desejos desenfreados do homem caído (Rm. 7.8). As pessoas centradas nelas mesmas são incapazes de perceberem as carências dos outros. Por essa razão, destacamos que em Gl. 5.17, as obras da carne se manifestam prioritariamente no campo dos relacionamentos interpessoais. A busca por uma vida regalada, a supervalorização do eu, o desejo pelas posses, podem levar as pessoas a se distanciarem de Deus (II Tm. 3.1-3). A natureza pecaminosa precisa ser mortificada (Cl. 3.5), bem como nossa indisposição para o  sacrifício. Deus amou o mundo de tal maneira que entregou Seu Filho Unigênito (Jo. 3.16), nós devemos também dar nossas vidas pelos irmãos (I Jo. 3.16). Quando predominam as obras da carne, em detrimento do fruto do Espírito, as pessoas se entregam devassamente à prostituição, impureza e lascívia, destruindo seus próprios corpos (I Co. 6.18); transformam a elas mesmas em deuses, se voltando à idolatria da qual devemos fugir (I Co. 10.14); e adentram ao mundo do ocultismo, que tem a ver com a feitiçaria, a fim de justificarem suas opções carnais (Ap. 21.8). A natureza que se opõe a Deus é invejosa, nunca encontra satisfação, está sempre em busca no que é do outro (I Co. 3.3). O resultado da ambição invejosa são as contendas, as pelejas que fomentam as discórdias, inclusive dentro das igrejas (II Co. 12.20). Não por acaso, algumas congregações estão tomadas pelas inimizades, partidarismos e facções. Há crentes que estão matando a fé uns dos outros, sem dar lugar ao perdão que vem de Deus (Cl. 3.12,13). Ao cristão não convém ser conduzido pelas obras da carne, e coisas semelhantes a essas, dentre as quais também podem ser incluídas bebedices e orgias, práticas comuns nos tempos de Paulo, bem como nos dias atuais.

3. O QUE O HOMEM PLANTAR ISSO TAMBÉM CEIFARÁ
Aqueles que semeiam na carne pagam um preço elevando, isso porque o salário do pecado é a morte (Rm. 6.23). Mas é necessário atentar para a orientação bíblica de que Deus não é um estraga-prazeres, que se opõe aos nossos desejos. Na verdade, fomos criados por Deus para ter prazer, contanto que esses sejam desfrutados conforme sua orientação moderadora. A queda acabou por lançar o ser humano para a dispersão, a se portar de maneira desequilibrada. Os extremos se tornaram opções mais viáveis para os descendentes de Adão e Eva. A vontade de Deus é sempre boa, agradável e perfeita (Rm. 12.1,2) e para que não sejamos destruídos com o mundo (I Co. 11.32). A entrega dissoluta ao pecado destrói o objetivo de Deus em nossas vidas para o qual fomos criados. J. R. R. Tolkien e C. S. Lewis, em suas alegorias fantásticas, demonstraram o que acontece com o ser humano quando esse pauta sua vida pelo pecado. Paulo é enfático ao declarar aos Gálatas: “pois o que o homem semear isso também ceifará” (Gl. 6.7). Há pessoas que estão destruindo seus corpos por causa dos vícios aos quais se devotaram. Alguns que querem ter cada vez mais dinheiro, e estão adoecendo e morrendo mais cedo do que deveriam (I Tm. 6.6-10). A prosperidade material se tornou o deus deste século, e o consumismo em uma espécie de religião. Os shopping centers são verdadeiros templos, nos quais as pessoas se dobram diante do deus-mamom (Mt. 6.24). A morte física iminente pode conduzir as pessoas à morte eterna, que se concretiza na condição de morte espiritual (Rm. 3.23; Hb. 9.27). Cristo é a Vida, somente nEle encontramos plena satisfação, e amando-O somos libertos do poder destruidor das obras da carne (Jo. 8.36). O convite dEle é para que abracemos seu jugo suave, e aprendamos que somente Ele pode nos trazer alivio real (Mt. 11.28).

CONCLUSÃO
Semear na carne é uma opção natural para o ser humano caído, tendo em vista que a propensão adâmica é para a desobediência. A menos que aconteça uma intervenção espiritual, estamos todos fadados a ir após nós mesmos. E quando nos entregamos aos desejos desenfreados, o resultado será a morte física, espiritual e eterna. Antes que seja tarde é preciso dar o brado de Paulo: “Miserável homem que sou” (Rm. 7.24), para receber o livramento de Deus, e reconhecer que “somos mais do que vencedores”, pelo Espírito Santo (Rm. 8.37-39).

BIBLIOGRAFIA
BARKLAY, W. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo: Vida Nova, 1988.
OLIVEIRA, F. T. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo: Reflexão, 2016

4 de janeiro de 2017

Lição 02

O PROPÓSITO DO FRUTO DO ESPÍRITO
Leitura Bíblica: Mt. 7.13-20 – Texto Áureo: Mt. 3.8


 Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD


INTRODUÇÃO
O fruto do Espírito é composto por várias virtudes, que na totalidade comandam as ações daquele que creem e seguem a Cristo. Na aula de hoje estudaremos a respeito do propósito desse fruto, ressaltando que seu objetivo precípuo é levar o crente à santidade. Inicialmente faremos a distinção entre caráter e reputação, em seguida, destacaremos, o propósito do fruto. Ao final, refletiremos sobre as mudanças na vida do crente que são resultantes da produção do fruto do Espírito.

1. DEFERENÇA ENTRE CARÁTER E REPUTAÇÃO
O caráter, de acordo com alguns psicólogos, é uma qualidade inerente ao indivíduo, resultante tanto dos aspectos naturais quanto culturais. A constituição do caráter pessoal depende de uma gama de fatores, alguns deles são determinantes para a tomada de decisões. As pessoas herdam dos seus pais o temperamento, as informações que são repassadas através da cadeia genética. Ao mesmo tempo, a convivência com outras pessoas, principalmente àquelas mais próximas, influenciam suas ações. No contexto da modernidade, os meios de comunicação podem formatar os posicionamentos dos indivíduos, a fim de que esses tomem suas decisões, com base nos interesses de outros. Nesse contexto, assumimos que o caráter de um indivíduo é formado ao longo do tempo, de modo que esse passa a ser constitutivo, mantendo tanto a unidade quanto a diversidade. É importante ressaltar, a esse respeito, que os indivíduos mantém certa unidade, a partir da qual é possível, nas devidas proporções, assumir como caráter. Esses se revelam nos princípios que as pessoas assumem, especialmente no tocante aos valores que defendem, sejam eles sociais, políticos ou religiosos. A reputação, por sua vez, é uma expressão do caráter, que se manifesta no contato com os outros. Essa tem muito mais a ver com as maneiras como as pessoas se revelam na sociedade, principalmente no intuito de serem aceitas. Há pessoas que se preocupam demasiadamente com a reputação, por causa disso têm dificuldade de desenvolver o caráter. Na verdade, algumas pessoas vivem em função da sua imagem, preocupadas com o que os outros irão pensar a respeito delas, isso se torna um problema quando os comportamentos são determinados pelas opiniões dos outros, e não pelos princípios assumidos, sobretudos para os cristãos que professam a Palavra de Deus.

2. O CARATER CRISTÃO E O FRUTO DO ESPÍRITO
O objetivo fundamental do Espírito Santo é produzir no crente o caráter de Cristo. Para isso, Ele trabalha em nós, e conosco, com vistas ao desenvolvimento de uma espiritualidade genuína, que resulte em santidade autêntica. Jesus ressaltou que sem Ele nada poderíamos fazer, isso porque Ele é a Videira Verdadeira, Aquele que produz frutos em nós (Jo. 14.17). A formação desse fruto para o desenvolvimento do caráter cristão depende dessa condição de dependência de Deus. O Espírito produz seu fruto naqueles que se rendem aos pés de Cristo, e a Ele se submetem pela Sua palavra (Jo. 15.3). Esses se tornam novas criaturas, as coisas velhas ficaram para trás, tudo se fez novo (II Co. 5.17), pois se dobram à vontade de Deus, que é agradável, boa e perfeita (Rm. 12.1,2). Esse nível de maturidade espiritual é alcançado com, no e pelo Espírito Santo, é Ele quem produz em nós, o desejo de agradar a Deus (Fp. 2.13). Quando estamos em Cristo, as amarras do pecado perdem suas forças, ainda que permaneçam incrustadas na natureza humana. O velho homem é colocado debaixo do comando espiritual do novo homem, que foi revestido de Deus para fazer o que é de cima (Cl. 3.1). Esse processo é iniciado no novo nascimento (Jo. 3.3), e segue-se ao longo da vida cristã, durante o processo da santificação, até ser consumado na glorificação, quando o que é corruptível será revestido da incorruptibilidade, e a morte será tragada na vitória (I Co. 15.54,55). O caráter do cristão está em formação continua, e quanto mais caminha no Espírito, mais se parece com Cristo, e como Paulo, pode declarar: “não vivo eu, Cristo vive em mim” (Gl. 2.20).

3. O FRUTO DO ESPÍRITO E A SANTIFICAÇÃO
O propósito do fruto do Espírito é conduzir o cristão à santificação, ou seja, fazer com que cumpramos os desígnios de Deus em nossas vidas. Essa tarefa não é uma imposição humana, muito menos religiosa, trata-se de uma revolução espiritual. A esse respeito muito bem declarou Agostinho: “ame a Deus e faça o quem bem quiser”. Evidentemente, quanto mais agradamos a Deus, e desejamos fazer sua vontade, menos nos tornamos suscetível ao poder do pecado. Aqueles que estão andando no Espírito não ficam satisfeitos em fazer as obras da carne, por isso João afirma que os nascidos de Deus não vivem mais em pecado (I Jo. 3.19). A vontade do crente passa a ser comandada (não controlada) pela inclinação do Espírito, de tal modo que não mais depende de leis humanas (e religiosas). Isso não quer dizer que o crente perde a capacidade de decidir, muito menos a capacidade para discernir o certo e o errado. A natureza pecaminosa continua dentro dele, caso deixe de vigiar essa poderá tomar as rédeas das suas vontades. Para que isso não venha a acontecer, faz-se necessário que o crente cultive o Fruto, desenvolvendo algumas disciplinas espirituais (que não são meras regras humanas). Essas disciplinas espirituais é o exercício da piedade (I Tm. 4.7,8), que favorecem o desenvolvimento de uma santificação autêntica, que não se trata de imposições legalistas, mas de uma mudança que parte do interior. As disciplinas que cultivam o fruto do Espírito são, entre outras, a vida em comunhão, a prática do jejum e oração, e a meditação nas Escrituras. Como se faz com uma árvore, também é preciso se distanciar de práticas que nos afastam de Deus, as ervas daninhas que afetam o crescimento cristão (Mt. 13.7,22).

CONCLUSÃO
O propósito do Fruto do Espírito na vida do cristão é a produção de um caráter que se assemelhe as atitudes de Cristo. Se quisermos andar no Espírito, devemos estar atentos ao modo como Jesus viveu, bem como ao que ensinou. Somente seremos capazes de ser semelhante a Ele se cultivarmos o fruto, de maneira que o Espírito trabalhe em nós, e conosco, para agradar a Deus. E essa e a vontade de Deus, não apenas para satisfazê-LO, mas também porque é o MELHOR para nós mesmos.

BIBLIOGRAFIA
BARKLAY, W. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo: Vida Nova, 1988.
OLIVEIRA, A. G. O fruto do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2004. 

28 de dezembro de 2016

Lição 01

AS OBRAS DA CARNE E O FRUTO DO ESPÍRITO
Texto Áureo: Gl. 5.16 – Leitura Bíblica: Gl. 5.16-26



Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Neste trimestre estudaremos a respeito das obras da carne e o fruto do Espírito. Como cristãos, devemos andar no Espírito, e não satisfazer as obras da carne. Na aula de hoje, contextualizaremos essa passagem bíblica, destacando que foi escrita para os crentes da Galácia, a fim de que esses trilhassem o caminho da verdadeira santidade. A princípio, enfatizaremos o objetivo da escrita dessa Epístola por Paulo, em seguida, sua defesa contra as obras da carne, e a favor do fruto do Espírito.

1. AOS CRENTES DA GALÁCIA
A Epístola aos Gálatas foi escrita por Paulo, aproximadamente no ano 49 d.C., em Antioquia, antes do Concílio de Jerusalém, no ano 50. d. C. O objetivo central dessa é refutar os judaizantes, que ensinavam os crentes gentios a obedecerem a lei judaica, a fim de obterem a salvação. O Apóstolo destaca que os crentes foram libertos por Cristo, por isso, deveriam permanecer firmes nessa liberdade, e não deviam se colocar debaixo do jugo da servidão (Gl. 5.1). A controvérsia judaizante precisava ser refutada, considerando que o retorno ao legalismo judaico poderia comprometer os princípios do evangelho. Paulo é enfático, caso os crentes substituíssem o evangelho por normas legalistas, estariam retornando a rudimentos antigos. Por isso chama a atenção deles: “maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho” (Gl. 1.6). E acrescenta: “ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema” (Gl. 1.8). Como alternativa a um padrão de vida anomistas (sem considerar normas) ou legalista (com normas humanas), o Apóstolo aponta como alternativa a vida no Espírito. Ele explica: “vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis, então, da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pela caridade” (Gl. 5.13). Isso acontece porque há um antagonismo dentro de cada pessoa, pois “a carne cobiça contra o Espírito, o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis” (Gl. 5.17). Segundo Paulo, andar em Espírito, e não cumprir os desejos desenfreados da carne, é a alternativa revolucionária. Isso porque, diz ele, “se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei” (Gl. 5.18).

2. CONTRA AS OBRAS DA CARNE
Antes de destacar as obras da carne, faz-se necessário explicitar biblicamente, com base no texto original em grego, o significado do termo “carne”. A palavra sarx é utilizada com bastante diversidade no Novo Testamento, pode significar, por exemplo, a parte material, que envolve ossos e carne, como a expressão “espinho na carne”, em II Co. 12.7. Nesse sentido, está relacionada ao corpo de alguém, em Ef. 5.29, Paulo diz que o esposo deve cuidar da esposa, como da sua própria carne. Nesse contexto, o sentido do termo não é negativo, considerando que o próprio Deus se fez carne (Jo. 1.14). Mas é preciso considerar que existe um uso negativo dessa palavra no Novo Testamento. Na teologia paulina, a sarx pode também se referir à natureza humana caída, que se pauta pelos interesses deste mundo (I Co. 1.26), por isso há uma oposição direta entre a vida no Espírito, e aquela fundamentada na carne (Rm. 8.4). As obras da carne são elecandas por Paulo em Gl. 5.17, pois essa se opõe ao que é espiritual, tornando seus adeptos escravos do pecado. Jesus destacou que aqueles que pecam se tornam servos do pecado (Jo. 8.34). Por isso, se o Filho, que é o próprio Cristo, nos libertar, verdadeiramente seremos livres (Jo. 8.36). E essa liberdade acontece por meio de uma vida comandada pelo Espírito, não se trata de mera religiosidade. Conta-se a história de uma senhora que tinha um cãozinho, que costumava morder a vizinhança. Deram-lhe a ideia de fazer uma focinheira, para que o animal não mais causasse problemas. De fato, ele deixou de correr morder os vizinhos, mas não perdeu o hábito de correr atrás. Assim acontece com aqueles que andam na carne, cada vez mais se tornam dependentes dos seus desejos desenfreados. A religiosidade humana é incapaz de fazê-lo, a mudança de comportamento se dá através da produção do fruto do Espírito.

3. A FAVOR DO FRUTO DO ESPÍRITO
A palavra espirito – pneuma em grego – também apresenta vários significados, dependendo do contexto. Pode significar vento, sopro, bem como espírito e Espírito, podendo se referir a um fenômeno da natureza, ao espírito que está no homem, criado por Deus, ou ao próprio Espírito Santo, que é Deus. Em Gl. 5.22 Paulo introduz o fruto do Espírito – ho de karpos tou pneumatos - não é no plural, como se costuma afirmar equivocadamente: “os frutos do espírito”. Trata-se de um fruto, e dos seus vários gomos, ou para ser mais específico, suas várias virtudes. As obras da carne são: adultério (moikeia), fornicação (porneia), impureza (akatarsia), lascívia (aselgeia), idolatria (eidolatreia), feitiçaria (farmakeia), hostilidade (okthra), contenda (eris), ciúme (zelos), ira (thumos), intriga (eritheia), desunião (dikostasia), sectarismo (haireses), inveja (phthonos), homicídios (phonos), intoxicação (methe), orgias (komos), e “coisas semelhantes a essas” (Gl. 5.21). Mas o fruto do Espírito é: amor-sacrificial (ágape), alegria divina (chara), paz interior (eirene), paciência nas tribulações (makrothumia), gentileza (chrestotes), bondade (agathosine), fidelidade (pistis), humildade (praotes), autocontrole (agkrateia), “contra essas coisas não há lei” (Gl. 5.23). Quando o Espírito produz em nós o Seu fruto, somos conduzidos à santidade, sem que isso se torne um fardo. Certo jovem questionou seu pastor que estava lutando contra forças antagônicas dentro dele mesmo. E estava com receio de que viesse a perder essa luta, e gostaria de saber o que fazer. De pronto, o orientou para que alimentasse o espírito, pois na luta entre esse e a carne, venceria aquele que estivesse mais preparado. Andar no Espírito é uma disposição espiritual, diz respeito à condição de se colocar debaixo da direção de Deus.

CONCLUSÃO
Aqueles que estão na carne, destaca Paulo na Epístola aos Romanos, não podem agradar a Deus (Rm. 8.7,8). Portanto, como seguidores de Cristo, somos chamados a desenvolver o caráter dEle, e isso somente é possível quando deixamos que o Espírito Santo produza Seu fruto em nós. Essa tarefa é continua, e não acontece repentinamente, tem a ver com disciplina espiritual – piedade (eusebeia) – investimento em um relacionamento duradouro com Deus, através da oração e meditação na Sua Palavra.

BIBLIOGRAFIA
BARKLAY, W. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo: Vida Nova, 1988.
OLIVEIRA, F. H. T. de. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo: Reflexão, 2016.