21 de setembro de 2018

Lição 13

A ORAÇÃO DOS SANTOS NO ALTAR DE OURO
Texto Áureo: Hb. 4.16  – Leitura Bíblica: Lv. 16.12,13; Ap. 5.6-10

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a respeito do altar do incenso, local no qual se ofertava ao Senhor, que tem simbologia com a oração dos santos. Inicialmente trataremos a respeito do Lugar Santíssimo, em seguida nos voltaremos para a importância do acesso ao Trono da Graça, por intermédio de Jesus Cristo, nosso Mediador. E ao final, descaremos a importância da oração na vida dos santos. E mais importante, orações que estejam respaldadas em Cristo, em conformidade com aquilo que Ele mesmo ensinou.

1. O LUGAR SANTÍSSIMO
No lugar santo era possível encontrar a mesa de pães da proposição, o castiçal e o altar de incenso. Quando o sacerdote entrava com a bacia de sangue no primeiro compartimento do santuário espargia o sangue sete vezes no altar de incenso, perto da segunda cortina. Os pecados individuais do povo eram transferidos para o santuário. Isso acontecia pelo menos duas vezes por dia durante todo o ano. Em seguida, o sangue era salpicado na cortina, que dividia o primeiro do segundo compartimento e não podia ser lavada. É importante destacar que o sacerdote não podia adentrar ao segundo compartimento, pois isso somente era feito uma vez por ano, ocasião do dia da Expiação.. No Lugar Santíssimo ficava um dos instrumentos mais importantes do Tabernáculo, a Arca da Aliança, dentro dela encontrava-se a tábua dos dez mandamentos, recebidos no Monte Sinai. Havia ainda uma luz irradiava sobre a arca, demonstrando a presença de Deus. O Sumo Sacerdote só entrava no Lugar Santíssimo uma vez por ano, quando se achegava à presença de Deus, diante da Arca da Aliança e aspergia o sangue do cordeiro por cima da tampa da arca, denominada de propiciatório. Nesse dia os pecados do ano inteiro eram expiados – era o Yon Kippur judaico – Dia da Expiação - e a cortina ensopada de sangue que dividia os compartimentos era retirada e colocada uma nova. Esse dia era considerado o dia do juízo divino sobre os pecados da nação, que passava a ser livre dos seus pecados. O Altar de Ouro, enquanto mobília do tarbernáculo, sempre esteve atrelada à oração, e deve servir de estímulo a prática da presença de Deus.

2. CRISTO NO SANTÍSSIMO LUGAR
De acordo com o autor da Epístola aos Hebreus, Cristo tem um sacerdócio superior ao levítico, considerando que “temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus” (Hb. 4.14). Ele não é um sacerdote comum, mas um “grande sumo sacerdote”, e essa é a razão pela qual devemos reter “firmemente a nossa confissão”. E mais, na perspectiva negativa, “não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas: porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb. 4.15). A identificação desse Grande Sumo Sacerdote é importante, pois Ele foi tentado em tudo: na concupiscência da carne, na concupiscência dos olhos, e na soberba da vida. E porque Ele foi tentado em tudo “mas sem pecado”, pode nos representar diante do Pai, pois como caímos todos em Adão, em Cristo igualmente somos vivificados. Ele se identifica com cada um de nós, sendo capaz de entrar não apenas no Santo dos Santos, mas no trono do próprio Deus, nos céus. Oportunizando que: “cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hb. 4.16). Como Sumo Sacerdote, Jesus “pode compadecer-se”, isso mostra que Ele não desconsidera nossa condição humana, e mais que isso, que ele tem simpatia, no sentido etimológico do termo”, sofre conosco. Ele conhece nossa natureza, e sabe que somos pó, e que dependemos de Deus, inclusive para vencer as tentações/provações. Uma das qualificações de Cristo, em comparação ao sacerdócio levítico, é que o sacerdote levítico deveria oferecer sacrifícios “tanto pelo povo como também por si mesmo” (Hb. 5.3).

3. ORANDO COMO JESUS ENSINOU
A oração do Senhor não deva ser estímulo para a mera repetição (Mt. 6.7), ela deve nos servir de padrão para que façamos as nossas próprias orações. Destacamos, a seguir, alguns princípios para a oração cristocêntrica: a princípio, a intimidade, pois somente em Cristo podemos chamar a Deus de “Pai”, expressão aramaica “Abba”, cujo significado aproximado é o de “papaizinho”. Segundo Paulo, recebemos o Espírito de adoção, pelo qual, clamamos “Abba”, Pai (Rm. 8.15; Gl. 4.6). Ele não é apenas o MEU Pai, mas o NOSSO Pai, ressaltando, assim, a união de todos aqueles que foram chamados, a Igreja (Mt. 16.18), a fim de reconhecer que o  Senhor é Santo e que todos são pecadores, necessitados de Sua graça (Rm. 3.23; 6.23), mas não apenas isso, que também o Seu reino é chegado entre nós (Lc. 10.9; 17.21), ainda que ansiamos pelo dia em que se concretizará em Sua plenitude (Ap. 20.2-6). Que a vontade de Deus, e não a nossa, prevaleça, que ela seja feita na terra como já é no céu. Somente a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável (Rm. 12.2). Para que o pão diário nos seja dado e não todas as riquezas do mundo, a fim de que tenhamos o suficiente para vivermos contentes (I Tm. 6.6; Hb. 13.5) e não nos inquietarmos com o dia de amanhã (Mt. 6.34). E não esqueçamos que a maior riqueza que o ser humano pode ter é o perdão divino, ainda que esse precise ser repartido com aqueles que nos ofendem (Mt. 5.7; 6.14,15; 18.21-23). Que Deus não nos deixe cair em tentação, cientes de que também devemos vigiar para não sermos tragados pelo Mal (Mt. 26.41; I Co. 10.13; I Pe. 5.8), e por fim, saibamos que somente a Deus, e não a quem quer que seja, pertence o reino, o poder e a glória para sempre (I Cr. 29.11; I Tm. 1.17; Ap. 19.1).

CONCLUSÃO
O Altar de Ouro no Tabernáculo antigo, e seu cheio suave de incenso, simbolizam as orações dos santos. Por causa do sacrifício de Jesus na cruz do calvário, e da Sua atuação sacerdotal, podemos ter acesso ao trono da graça. Devemos adentrar ao nosso quarto, e buscar constantemente a presença do Senhor, orando conforme nos intruiu o Mestre, ao ser solicitado pelos Seus discípulos, existem muitos tipos de orações, e muitas oração tipológicas, mas nenhuma delas se compara a de Jesus, que serve de modelo, bem como sua instruções em relação à oração, que se encontram registradas no Sermão do Monte (Mt. 6.9-13).

BIBLIOGRAFIA
TIDBALL, D. The message of Leviticus. Leicester: Interversity-Press, 2005.
WIERSBE, W. Be holy: Leviticus. Colorado Springs: David Cook, 2010. 

15 de setembro de 2018

Lição 12


OS PÃES DA PROPOSIÇÃO
Texto Áureo: Jo. 6.47,48  – Leitura Bíblica: Lv. 24.5-9

INTRODUÇÃO
Nesta aula estudaremos a respeito dos pães da proposição, que ficavam dispostos dentro do Tabernáculo, em um dos lugares especiais. Esses pães tinha uma simbologia, pois apontavam para Jesus, aquele que viria a ser o pão descido do céu. Mas veremos também nessa lição que esses pães também simbolizam a Palavra de Deus, que serve de alimento espiritual para as nossas vidas.

1. OS PÃES DA PROPOSIÇÃO
A mesa que tinha os pães da proposição era feita de madeira de acácia, e tinha dois côvados de cumprimento (90 centímetros), um côvado de largura (45 centímetros) e sua altura era de um côvado e meio (70 centímetros). Essas especificações foram dadas por Deus a Moisés, para que tudo fosse feito conforme a sua vontade (Ex. 25.23-30). Essa mesa também era revestida de ouro fino, com adorno da altura de quatro dedos, e tinha argolas que serviam para o transporte. Esses pães eram preparados todos os sábados pelos coatitas (I Cr. 9.32). Em sua composição, usava-se a flor da farinha de trigo (Lv. 24.5), e depois serem cozidos eram postos em fileiras sobre a mesa, ao total eram doze para simbolizar também as doze tribos de Israel. Deus estava presente no tabernáculo, esse era um dos símbolos dos dozes pães da proposição, bem como no meio do seu povo (Jr. 32.38). Como pão era um alimento bastante comum entre o povo hebreu, isso também os fazia lembrar de que Deus era aquele que dava a provisão, pois comer pão era equivalente a fazer uma refeição, e aquilo que vinha à mesa do povo hebreu era proveniente do Deus de Israel, que os havia retirado com braço forte do Egito, para habitar na terra que Ele mesmo havia prometido dar a Abraão.

2. JESUS, O PÃO QUE DESCEU DO CÉU
Jesus é o pão que desceu do céu, vindo da “casa de pão”, sendo o significado da palavra Belém em hebraico. Várias vezes Ele mesmo se identificou como a água e o pão da vida (Jo. 4.13,14; Ap. 7.17). Como o Pão da vida, Jesus é aquele que nos supre com a alimentação necessária para a vida eterna. Há um episódio bíblico bastante ilustrativo dessa verdade, Jesus alimentou uma multidão faminta, demonstrando assim o Seu poder, e sua provisão para os pecadores. Mesmo assim, os religiosos desacreditaram de Jesus, pois queriam que Ele fizesse o mesmo milagre de Moisés, que alimentou o povo ao longo da jornada pelo deserto. Mas o Senhor tem um alimento muito mais importante e essencial para a vida das pessoas, Ele mesmo é o pão eterno que necessitamos (Jo. 6.31-68). O sacrífico de Jesus na cruz do calvário nos dar vida eterna, o pão normal que comemos diariamente é necessário, mas somente satisfaz temporariamente. Deixar de se alimentar com esse pão é definhar espiritualmente, as pessoas que assim o fazem permanecem mortas em seus pecados (Jo. 8.24), mas é preciso ainda alertar em relação àqueles que seguem a Jesus apenas pela comida que perece (Jo. 6.27). Existem muitos que se aproximam da Igreja apenas para receber bênçãos materiais, mas é preciso buscar o essencial, o Pão da Vida, que nos conduz à vida.

3. O PÃO DA PALAVRA DE DEUS
Jesus é alimento para nossas vidas, Ele é a Palavra de Deus, o Verbo que se fez carne. Por esse motivo declarou ao ser tentado: “nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt. 4.4). Não podemos deixar de nos alimentar por meio da Palavra de Deus, é ela que nos dá a nutrição espiritual necessária, e nos conduz ao crescimento e maturidade. O autor da Epístola aos Hebreus destaca que a Palavra de Deus é fundamental para o crescimento na fé (Hb. 5.11-14). Deus espera que os crentes se desenvolvam espiritualmente, que se alimentem do genuíno leite espiritual (II Pe. 3.18; Ef. 4.15). Os crentes de Corinto se tornaram carnais porque desprezaram a Palavra de Deus (I Co. 3.1-2), de igual modo há muitos crentes que se alimentam apenas de sobremesas, se apartam do pão espiritual que realmente nutre. Por esse motivo são levados pelos ventos de doutrinas (Ef. 4.14), e não conseguem frutificar na igreja (Hb. 10.25). Os crentes que se alimentam da Palavra de Deus se tornam adultos (Hb. 5.14), e desenvolvem o vínculo da perfeição (Cl. 3.14), conseguem dar exemplo na vida prática, e se tornam bem-aventurados (Tg. 1.22-25).

CONCLUSÃO
No culto levítico, encontrava-se disposto no tabernáculo os pães da proposição, nos os crentes em Jesus dispomos dEle mesmo, que é o Pão que desceu dos céu. Por esse motivo, uma vez que nos alimentamos dEle, podemos ter a convicção de que caminhamos para a eternidade. Essa é uma das razões da celebração da Ceia, a fim de lembrar frequentemente, através do pão e do cálice, que Jesus é nossa provisão, e o alimento que nos conduz à vida em Deus.

BIBLIOGRAFIA
TIDBALL, D. The message of Leviticus. Leicester: Interversity-Press, 2005.
WIERSBE, W. Be holy: Leviticus. Colorado Springs: David Cook, 2010.


8 de setembro de 2018

Lição 11

A LÂMPADA ARDERÁ CONTINUAMENTE
Texto Áureo: Jo. 8.12  – Leitura Bíblica: Lv. 1.1-9

INTRODUÇÃO
Um dos componentes do interior do tabernáculo era o candelabro de ouro, cuja luz ardia continuamente sobre o altar. Nesta aula estudaremos a respeito desse utensílio, inicialmente sobre sua fabricação e localização no templo. Em seguida, destacaremos que Jesus é a luz que alumia o mundo, e que dissipa as trevas. E por fim, seguindo o exemplo de Cristo, a igreja deve ser sal da terra e luz do mundo, e mais precisamente, como disse Paulo, como astros no mundo.

1. O CANDELABRO DE OURO
O candelabro era uma peça do tabernáculo que foi construída de ouro puro e batido (Ex. 25.31), trabalhada por Bezaleel e Aoliabe, para o qual foi destinado quase 40 quilos de ouro (Ex. 25.39). Essa era uma peça simétrica, cujo fogo era alimentado por azeite puro, sendo colocado no lado esquerdo, ou na parte sul do tabernáculo (Ex. 26.35), a fim de apontar para a presença e a glória de Deus. Para que o brilho fosse constante, e também para que permanecesse aceso, os filhos de Arão deveriam limpa-lo continuamente, mantendo o provimento de azeite necessário para que não se apagasse. O fato de esse candelabro se encontrar aceso, iluminando todo aquele ambiente, era uma prova de que os sacerdotes estavam em trabalho contínua, assumindo todas as suas funções ritualistas. Dentre os trabalhos dos sacerdotes estavam: cortas os pavios queimados, limpar os castiçais e colocar neles o azeite, desde a tarde até a manhã. O próprio povo deveria fornecer o azeite para que a lâmpada fosse acesa, ou para ser mais preciso, as sete lâmpadas que constituíam o candelabro. Na verdade, há uma unidade na diversidade nessa composição, pois ao mesmo tempo em que era uma lâmpada, eram também sete lâmpadas. Esse aspecto aponta para a diversidade das tribos de Israel, ao mesmo tempo que deveriam manter a unidade, sob a orientação de Deus – o Único Senhor.

2. JESUS, A LUZ QUE ALUMIA O MUNDO
A palavra luz aparece 23 vezes no Evangelho segundo João. Dessas, 21 se referem a Jesus.  Em João, luz é uma metáfora acerca de Jesus, por isso, quando Ele diz ser a luz do mundo, quis dizer que é a solução para as trevas em que o mundo está. O mundo jaz em trevas, o diabo é o príncipe das trevas e viver no pecado é andar na escuridão. O diabo cegou o entendimento das pessoas, por isso, aqueles que são prisioneiros do pecado vivem em densas trevas. No princípio desse evangelho, está escrito: “Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram” (João 1.4,5). Em Jesus está a vida, a qual, como uma luz, pode tirar os homens das trevas em que vivem. Isso é algo muito poderoso, pois não há como as trevas resistirem à luz. Onde o evangelho é proclamado, a escuridão é vencida. Onde a verdade de Deus prevalece, a alma humana é iluminada. Onde Jesus é anunciado como Salvador, aqueles que vivem presos nas garras do pecado é liberto, isso porque Jesus é a luz que veio ao mundo para alumiar todos os homens. Aqueles que nele creem não andam em trevas. Aqueles que nele confiam sabem para onde vão.

3. A IGREJA: LUZ PARA O MUNDO
Conforme destacamos, Jesus era a luz própria no sentido que, em seu ser e na sua obra de redenção, ele é o fundamento e a fonte da verdade, salvação e iluminação. A luz de Jesus nos livra das trevas da morte espiritual (Ef 2.1). Ele nos salvou das trevas ou cegueira imposta sobre o homem caído pelo pecado (II Co. 4.4), e mais, nos redimiu das trevas da morte eterna e do inferno pelo seu dom de justificação (Ef 2.8-9; Fl 3.8-9). Ee também nos libertou da escravidão ao pecado e do andar nas trevas por seu dom da santificação definitiva. Por esse motivo, quando falamos dos cristãos sendo luz, essa é sempre um espelho que reflete a luz de Cristo já revelada e recebida. Somos luz porque cremos e possuímos a verdade e comunicamos essa verdade sobre Cristo a um mundo em trevas. Como o sal da terra os discípulos eram cruciais em purificar e preservar o mundo; como a luz do mundo eles devem iluminá-lo com a luz de Cristo. Sal é usado para deter a putrefação, enquanto luz é usada para iluminar e dissipar as trevas. Podemos ser luz, portanto, na medida em permanecemos em Cristo (I Jo. 2.20), demonstramos amor uns pelos outros (Ef. 4.3; Cl. 3.14), praticamos boas obras (Tt. 2.7).

CONCLUSÃO
Cada cristão é um astro no mundo (Fp. 2.15), a fim de expressar a luz que emana de Cristo, que é a Luz do Mundo. Por isso, devemos ser luz, que leva às trevas o esplendor da glória de Cristo. É através do fruto que somos conhecidos, e o principal deles é o genuíno amor cristão, que se manifesta através do sacrifício. Uma igreja que verdadeiramente faz a diferença está vinculada à verdade do evangelho, e prega o amor, a misericórdia e o perdão de Cristo.

BIBLIOGRAFIA
TIDBALL, D. The message of Leviticus. Leicester: Interversity-Press, 2005.
WIERSBE, W. Be holy: Leviticus. Colorado Springs: David Cook, 2010. 


1 de setembro de 2018

Lição 10


OFERTAS PACÍFICAS PARA UM DEUS DE PAZ
Texto Áureo: Hb. 10.10  – Leitura Bíblica: Lv. 1.1-9

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a respeito das ofertas pacíficas, essas que eram expressão de gratidão e reconhecimento da intimidade com Deus. Destacaremos que por meio das ofertas pacíficas, ainda na Antiga Aliança, o povo de Israel podia ter intimidade com Deus. No Nova Aliança, podemos desfrutas dessa mesma paz, não apenas de Deus, mas também com Deus, que nos propiciou a reconciliação através de Jesus Cristo, por isso podemos oferecer a nós mesmos em sacrifício agradável ao Senhor.

1. AS OFERTAS PACÍFICAS
As ofertas pacíficas era expressão da voluntariedade (Lv. 7.12), por meio dessas o povo de Israel demonstrava gratidão a Deus, e expressava louvor pelos feitos do Senhor (Sl. 106.1). Havia diferentes tipos de ofertas pacíficas, a mais conhecida era a de Ação de graças, pela qual se oferecia bolos e coscorões ázimos amassados com aceite (v. 7.12-15). Também se ofereciam votos, os israelitas entregavam ofertas pacíficas, como manifestação de gratidão pelas providências divinas (Lv. 7.15,16). E por fim, a Oferta movida, que era entregue ao sacerdote, que aspergia o sangue do sacrifício sobre o altar, queimando a gordura em seguida (Lv. 7.30). O principal objetivo das ofertas pacíficas era levar o ofertante a agradecer a Deus pelas grandes coisas que o Senhor havia feito. Além disso, era uma oportunidade para que o ofertante demonstrasse sua intimidade com Deus. Vários personagens da Antiga Aliança ofereceram ofertas pacíficas ao Senhor: Isaque – quando fugiu de Esaú, seu irmão, fazendo votos ao Senhor (Gn. 28.20,21); Ana – que se encontrava aflita por não ter filhos, por isso orou demonstrando disponibilidade de separar aquele que viesse a nascer, para o serviço do Senhor (I Sm. 1.11); e Davi – ao longo dos salmos, identificamos vários louvores de homem segundo o coração de Deus, que por meio dos seus cânticos expressa gratidão a Deus pelo que Ele é.

2. A PAZ DE DEUS E A PAZ COM DEUS
Podemos ter a paz DE Deus porque temos paz COM Deus, e essa foi uma iniciativa dEle que nos reconciliou por meio de Cristo (II Co. 5.18; Rm. 1.18; 5.9-11). Deus estava com Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões (II Co. 5.19). Em Rm. 4.8, tratando do mesmo tema, Paulo cita Sl. 32.2, dizendo: “bem-aventurado o homem a quem o Senhor não atribui iniquidade”. Esse “todos”, no versículo 19, é um recurso estilístico, pois Paulo, em outras passagens, deixa implícito que os pecados dos incrédulos lhes serão imputados (Rm. 1.18-32; 2.5-11; Ef. 5.3-6; Cl. 3.5-6). Agora, reconciliados com Deus em Cristo, somos embaixadores em nome de Cristo, isto é, emissários de Deus em prol da reconciliação dos pecadores. Por esse motivo, rogamos a esses que se reconciliem com Deus (II Co. 5.20). O fundamento da reconciliação é a Pessoa de Cristo, que não conheceu pecado, mas se fez pecado por nós (Jô. 8.46; I Co. 5.21; Hb. 4.15; I Pe. 1.19; 2.22). Nele fomos feitos justiça de Deus, pois Jesus morreu em nosso lugar, portanto, a nós não mais é imputado pecado (Rm. 3.21-26; Fp. 3.7-9). Jesus se tornou maldição por nós (Dt. 21.23; Gl. 3.13), pagando inteiramente o preço da redenção (Cl. 2.14).

3. SACRIFÍCIO AGRADÁVEL
Por causa do ministério da reconciliação em Cristo, agora podemos oferecer nossos corpos como sacrifício agradável a Deus, sabendo que não somos de nós mesmos, pois fomos comprados por alto preço (I Co. 6.19,20). Por esse motivo Paulo admoesta os crentes a se apresentarem ao senhor com base na grande misericórdia de Deus como oferta voluntária (Rm. 12.1,2).  De modo que podemos viver em total consagração a Ele, sendo esse o sacrifício que O agrada, não mais o sangue de animais, como no Antigo Pacto (Hb. 13.15-19). Nossa oferta pacífica a Deus, no contexto da Nova Aliança, são sacrifícios espirituais (I Pe. 2.5), o que Paulo denomina de culto racional (Rm. 12.1,2). Não podemos mais nos conformar, ou seja, “entrar na fôrma” desse mundo. O mundo, aqui, é perverso ou mal (Gl. 1.4) e dominado por Satanás, o seu príncipe, que cega a mente dos incrédulos (II Co. 4.4). Não podemos mais compactuar com esse sistema anti-Deus que prevalece no presente século, haja visto que “as coisas antigas se passaram e eis que tudo se fez novo” (II Co. 5.17). Somos instruídos, portanto, a sermos transformados, literalmente, transfigurados (ver Mt. 17.2; II Co. 3.18), pela renovação da nossa mente. Essa renovação somente pode acontecer na medida em que passamos a pensar com a mente de Cristo, e não com a nossa natureza pecaminosa (II Co. 11.3; Ef. 1.18; I Co. 2.16). Assim, experimentaremos qual boa, agradável e perfeita é a vontade de Deus, não apenas para Ele, mas também para nós, assim, reconheceremos que não vale a pena pecar.

CONCLUSÃO
Reconhecemos que Deus fez coisas grandiosas por nós, muito mais do que merecemos, por isso, como diz o salmista: tomaremos o cálice da salvação e invocaremos o nome do Senhor (Sl. 116.3). Essa é uma expressão de gratidão e reconhecimento pelos feitos de Deus, e o mais importante que nossa oferta pacífica seja sempre uma oportunidade para desfrutar da presença de Deus, e desfrutar de genuína intimidade com Ele.

BIBLIOGRAFIA
TIDBALL, D. The message of Leviticus. Leicester: Interversity-Press, 2005.
WIERSBE, W. Be holy: Leviticus. Colorado Springs: David Cook, 2010.

25 de agosto de 2018

Lição 09


JESUS, O HOLOCAUSTO PERFEITO
Texto Áureo: Hb. 10.10  – Leitura Bíblica: Lv. 1.1-9

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje, estudaremos a respeito de Jesus, o holocausto perfeito. Destacaremos, a princípio, as limitações do holocausto levítico, em seguida apontáramos o caráter do holocausto perfeito, que se deu em Cristo, o cordeiro de Deus.  Por causa desse sacrifício perfeito, identificaremos com base na Epístola aos Hebreus, as implicações éticas para o viver cristão, considerando que, assim como Ele se sacrificou por nós, devemos entregar-nos incondicionalmente a Ele.

1. AS LIMITAÇÕES DO HOLOCAUSTO LEVÍTICO
Os sacrifícios levíticos eram limitados, isso porque aqueles não passavam de “sombra dos bens futuros” (Hb. 10.1). Jesus é a realidade daquilo que era para os sacerdotes levitas apenas sombras, “não era a imagem exata das coisas”. A Antiga Aliança serviu para preparar os corações dos homens para a realidade. Os próprios rituais de sacrifício na Antiga Aliança não cumpriam com eficácia a condição da consciência do pecado. Por isso, precisavam ser repetidos continuamente, porque era “impossível que o sangue dos touros e os bodes tire pecados” (Hb. 10.4). Eles eram apenas temporários, e apontavam para um sacrifício perfeito, que seria realizado no futuro, pelo Senhor e Salvador Jesus Cristo. O autor da Epístola recorre ao Salmo 40, a fim de ressaltar a obediência do filho de Deus, como condição para tal salvação. Nesse contexto, confiar na Antiga Aliança seria perpetuar a condição de pecado, bem como uma consciência angustiada pela culpa. De modo que Cristo não apenas retira o pecado, mas também favorece o pecador, dando-lhe uma mente tranquila, por causa do perdão conferido.

2. A SUFICIÊNCIA DO HOLOCAUSTO DE JESUS
Não é mais necessária a repetição de sacrifícios, seguindo os moldes da Antiga Aliança, pois a oblação de Jesus foi “feita uma vez” (Hb. 10.10). Esse sacrifício, em virtude da sua perfeição, é capaz de justificar o pecador, e não precisa mais ser continuado “cada dia” (Hb. 10.11). Jesus ofereceu “um único sacrifício”, que é eternamente eficaz (Hb. 10.12), enquanto que o sumo-sacerdote levítico adentrava aos Santos dos santos, uma vez por ano, por ocasião da expiação. Cristo está agora “assentado para sempre à destra de Deus” (Hb. 10.12), e por esse motivo, chegará o dia em que Ele será adorado por todos, até que “seus inimigos sejam postos por escabelo dos seus pés” (Hb. 10.13). E por causa desse sacrifício, podemos ter segurança de que somos alcançados pela graça de Deus. E mais que isso, que “nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus” (Rm. 8.35). Isso nos coloca debaixo de outra condição, pois por meio do sacrifício de Cristo, desfrutamos de uma Nova Aliança, anteriormente profetizada por Jeremias, ao declarar que chegaria o dia no qual Deus faria uma nova aliança com o ser humano (Jr. 31.33). Como essa é uma nova realidade, os sacrifícios levíticos se tornaram obsoletos, e não faz sentido mais retornar a eles (Hb. 10.18).

3. IMPLICAÇÕES DO HOLOCAUSTO DE JESUS
Por causa da perfeição e suficiência do sacrifício de Jesus, o cristão pode agora ter “ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus” (Hb. 10.19). O termo ousadia nada tem a ver com irreverência, trata-se de uma concessão nos dada graciosamente por Deus, através do sangue de Jesus, para que possamos nos aproximar dEle. Essa aproximação é referida pelo autor da Epístola como um “novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne” (Hb. 10.20). Jesus é o próprio Caminho, bem como a Verdade e a Vida, ninguém vai ao Pai, a não ser por intermédio dEle (Jo. 14.6). Esse é um Caminho Vivo porque Ele não é um sacrifício morto, antes ressuscitou de entre os mortos, estando vivo para sempre. E por causa dele, podemos nos achegar com “verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo o coração purificado da má consciência” (Hb. 10.20). Isso tem a ver com o sacerdócio dos crentes, pois agora podemos adentrar ao Santos dos santos, nos aproximando de Deus (Hb. 10.21,22). E porque Deus é fiel, podemos também reter a “confiança da nossa esperança, porque fiel é o que nos prometeu” (Hb. 10.23).

CONCLUSÃO
Como resultado da condição que nos foi dada pela Nova Aliança, devemos considerar “uns aos outros, para nos estimularmos à caridade e às boas obras, não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros, e tanto mais quanto vedes que se vai aproximando aquele Dia” (Hb. 10.24,25). A igreja, ainda que seja imperfeita, é o contexto no qual cultivamos a koinonia, e exercitamos o genuíno amor cristão, demonstrado por meio do sacrifício.

BIBLIOGRAFIA
TIDBALL, D. The message of Leviticus. Leicester: Interversity-Press, 2005.
WIERSBE, W. Be holy: Leviticus. Colorado Springs: David Cook, 2010.

17 de agosto de 2018

Lição 08


A SOBRIEDADE NA OBRA DE DEUS
Texto Áureo: Ef. 5.18  – Leitura Bíblica: Lv. 10.8-11; I Tm. 3.1-3

INTRODUÇÃO
Na lição de hoje estudaremos a respeito da importância de manter a sobriedade na obra de Deus. Veremos, inicialmente, que o uso da bebida forte, pelo que se infere do contexto, foi a causa de Nadabe e Abiu terem oferecido “fogo estranho” no altar divino. Ao final da aula, destacaremos a necessidade de manter a sobriedade, especialmente aqueles que exercem a liderança, inclusive no contexto eclesiástico.

1. A BEBIDA FORTE NA BÍBLIA
Existem várias passagens bíblica a respeito da bebida forte, e na maioria dos casos se refere especificamente ao vinho, amplamente consumido ainda no Antigo Testamento. A palavra hebraica é shekar que pode ser traduzida como bebida alcoólica destilada, ainda que esse processo somente tenha sido desenvolvido por volta de 500 d. C. Em Lv. 10.9 esse é o termo usado para proibir o uso de bebida forte pelo sacerdote no exercício do ministério. A proibição também era extensiva aos nazireus (Nm. 6.2,3), e especificamente a mãe de Sansao, antes de seu filho nascer (Jz. 13.3,4). Os Israelitas, de maneira geral, deveriam evitar a bebida forte, pois Deus não havia dado essa bebida, durante a peregrinação pelo deserto (Dt. 29.5). Os profetas do Antigo Testamento foram contundentes na condenação da bebida forte – que em alguns casos pode ser traduzida por cerveja. Isaias menciona oito vezes, pronunciando ais sobre aqueles que a tomam (Is. 5.11), o profeta Miquéias observou que as pessoas desejavam precisamente esse tipo de líder, que apoiava o consumo desse tipo de bebida (Mq. 2.11). Nos livros poéticos, especialmente em Provérbios, ocorre o uso da palavra hebraica yayin, com uma conotação negativa, reprovando o uso indiscriminado do vinho. A reprovação ao consumo do vinho está fundamentada nos fins desastrosos: como na embriaguez de Noé (Gn. 9.21); Ló (Gn. 19.32-35), Nabal (I Sm. 25.36,37), Amnon (II Sm. 13.28), Belsazar (Dn. 5.1-3) e Assuero (Et. 1.1-10). Em todos esses casos, o consumo do vinho resultou em efeitos físicos imediatos, identificados em Pv. 23.29-35, por resultar em pobreza (Pv. 21.17) e violência (Pv. 4.17).

2. ADVERTÊNCIA À LIDERANÇA ECLESIÁSTICA
No Novo Testamento, Paulo adverte aos crentes de Éfeso para que não se entreguem aos bacanais daqueles tempos, resultantes da embriaguez do vinho (Ef. 5.18). Ele já havia orientado aos crentes de coríntios para que esses não se deixassem controlar por coisa alguma (I Co. 6.12). E de fato, devemos lembrar sempre que nosso corpo é templo e morada do Espírito Santo, por isso não deve ser usado para extravagâncias, sejam elas de qualquer natureza (II Pe. 2.19). A esse respeito é importante ressaltar que não apenas bebida forte – por causar a perda da sobriedade – não deve ser consumida, os refrigerantes ou alimentos inapropriados também dever ser evitados. É bem verdade que Jesus transformou algo em vinho (Jo. 2.1-11), é preciso ressaltar que naquele tempo a água não era bem tratada, por isso o consumo de vinho era recomendado em algumas situações, a fim de evitar algum tipo de infecção, talvez essa tenha sido a razão de Paulo ter instruído Timóteo a não beber somente água, também um pouco de vinho (I Tm. 5.23). Os líderes da igreja não devem ser “dado ao vinho” – a expressão hebraica vem do termo grego paroinos – usada pelos judeus para a bebida com teor alcoólico (I Tm. 3.3), e que significa literalmente “colocar-se ao lado do vinho”, aludindo a prática de uma vida controlada pela bebida. Espera-se do líder cristão que se porte com sobriedade, que não se deixar controlar pelo álcool, para não se tornar instrumento de escândalo.

3. MANTENDO A SOBRIEDADE
O consumo indiscriminado de bebida alcoólica tem acarretado sérios danos à sociedade, tendo se tornado um problema de saúde pública. As pesquisas comprovam que o Brasil perde mais de 7% do PIB ao ano por causa de problemas relacionados à ingestão de bebidas alcoólicas, prejuízos com acidentes de trânsito, é um exemplo desse problema. O alcoolismo atinge cerca de 15% da população brasileira, e é considerada por alguns especialistas uma doença incurável, que apenas pode ser controlada. Ainda que não haja uma passagem específica no Novo Testamento que proíba o consumo de vinho, está claro que aqueles que vivem no temor do Senhor, principalmente os que estão em posição de liderança, não devem “ser dado ao vinho” (I Pe. 4.3; I Tm. 3.3,8; Tt. 1.7; 2.3). É preciso considerar que um dos maiores danos da embriaguez é o comprometimento da espiritualidade (Ef. 5.18; Rm. 13.13), e que aqueles que se entregam dissolutamente à embriaguez serão excluídos do reino de Deus (Gl. 5.21; I Co. 5.11; 6.10). É preciso considerar, no entanto, que algumas pessoas precisam de tratamento, para não serem controladas pela bebida. A tarefa da igreja não é apenas julgar, mas também ajudar aqueles que se encontram em condição de dependência. É válido ressaltar que a filosofia dos Alcoólicos Anônimos (AA) está fundamentada no princípio cristão da graça. Cada pessoa que faz parte desse grupo deve “evitar o primeiro gole”, pois sabe da gravidade de uma recaída. Por outro lado, deve viver um dia de cada vez, e caso venha a “tropeçar”, deve iniciar de onde parou.

CONCLUSÃO
Os textos bíblicos, sobretudo os do Novo Testamento, deixam claro que os ministros da igreja não podem ser controlados pela bebida forte (I Tm. 3.3,8; Tt. 1.7). Para evitar descontrole, de modo geral, a igreja recomenda que os crentes se afastem da bebida alcoólica, pois essa pode comprometer a espiritualidade (Ef. 5.18). E tomando por base o exemplo dos recabitas, nos tempos do profeta Jeremias, e manter nossa tradição evangélica, fugindo da bebida embriagante (Jr. 35.6-10).

BIBLIOGRAFIA
TIDBALL, D. The message of Leviticus. Leicester: Interversity-Press, 2005.
WIERSBE, W. Be holy: Leviticus. Colorado Springs: David Cook, 2010.

10 de agosto de 2018

Lição 07


FOGO ESTRANHO DIANTE DE DEUS
Texto Áureo: Lv. 10.3  – Leitura Bíblica: Lv. 10.1-11

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a respeito do capítulo 10 de Levítico, com destaque para os sacerdotes Nadabe e Abiu, que mesmo sendo participantes de uma família tradicional, pecaram por oferecer fogo estranho diante do Senhor. Inicialmente destacaremos os perigos de cair nas mãos do Deus vivo, e ao final mostraremos a importância da decência e ordem no culto divino. Deixaremos também um alerta aos pastores, para que esses sejam criteriosos na indicação de seus filhos ao ministério, sob o risco de por precipitação e desejo de que esses se firmem no pastorado, lhes falte maturidade e venham a oferecer "fogo estranho" diante do altar de Deus. 

1. FOGO ESTRANHO NO ALTAR
Paulo adverto os crentes gálatas que Deus não se deixa escarnecer (Gl. 6.7), foi justamente o que acontece com Nadabe e Abiu, que mesmo sendo membros da família sacerdotal, desonraram a Deus através do seu ofício. Eles ignoraram a presença de Deus, não levaram a sério o ministério sacerdotal. De igual modo, muitos não cuidam do seu ministério pastoral, e por isso pagam um preço alto. Como aqueles sacerdotes, há líderes evangélicos que estão permitindo, e alguns deles até mesmo oferecendo, fogo estranho diante do altar divino. O culto levítico, conforme já estudamos em outras ocasiões, deveria ser realizado em conformidade com as especificações divinas (Ex. 30.9; Lv. 16.12). Nadabe e Abiu foram mortos porque não deram a devida importância ao ofício sacerdotal, e mais que isso, por não dar a Deus a glória que Lhe era devida (Lv. 10.2). Nos arraiais evangélicos existem muitos que se dizem levitas, mas que estão oferecendo “fogo estranho” ao Senhor. Há hinos evangélicos que se assemelham mais as músicas mundanas, não refletem o conteúdo escriturísticos, e não dão a Deus a glória que Ele merece. Alguns pregadores também estão fazendo o mesmo, são verdadeiros animadores de auditório, não expõem as Sagradas Escrituras, não ministram a genuína Palavra de Deus. Precisamos atentar para as bizarrices que estão sendo incluídas no meio evangélico, e considerar que o pragmatismo não pode substituir os fundamentos do culto a Deus.

2. O PERIGO DA DESERÇÃO DA FÉ
O autor da Epístola aos Hebreus adverte os crentes em relação aos riscos da apostasia, especialmente no capítulo 6.  Esse texto trata a respeito daqueles que “uma vez foram iluminados” (Hb. 6.4), por conseguinte, aqueles que tiveram uma experiência real de fé. Há elementos bíblicos suficientes para fazer essa afirmação, considerando que tais crentes: “provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra d Deus e as virtudes do século futuro” (Hb. 6.4,5). Esse é um texto cujo significado é disputado por calvinistas – aqueles que acreditam na segurança eterna dos salvos; e arminianos – que defendem a possibilidade da apostasia, mesmo para aqueles que foram salvos. A esse respeito, é preciso ter cuidado para evitar qualquer tipo de extremo. Por um lado, podemos ter convicção de que temos a segurança da salvação, e não podemos viver instáveis em relação à providência divina para a vida eterna. A salvação não depende de nós, é um ato divino do início até ao fim, de modo que temos firmeza que Aquele que iniciou a boa obra a concluirá (Fp. 1.6). De outro modo, não podemos negar a possibilidade da apostasia, inclusive para aqueles que uma vez professaram a fé cristã, esse é justamente o significado da apostasia - deserção. Esse, na verdade, é o pecado contra o Espírito Santo, resultando na impossibilidade do arrependimento, tendo em vista que é o Espírito que convence do pecado (Lc. 12.8-10; Mt. 12.31; Mc. 3.29; Jo. 16.8). Em relação ao pecado, não podemos naturaliza-lo, pois conforme afirma o autor da Epístola aos Hebreus, “horrenda coisa é cair nas mãos do Deus Vivo” (Hb. 10.31).

3. DECÊNCIA E ORDEM NO CULTO DIVINO
O culto cristão, diferentemente do levítico, está pautado na adoração em Espírito e em Verdade (Jo. 4.24). Além disso, esse deve ser realizado para a glória de Deus, tendo como base a doutrina dos apóstolos e a comunhão sincera (At. 2.42-47). A Igreja de Corinto também estava “oferecendo fogo estranho” nos cultos, até mesmo na celebração da Ceia do Senhor. Por esse motivo, Paulo orienta quanto à decência e ordem no culto, que deveria ser realizado no Espírito, mas sem os excessos que acontecem em alguns contextos eclesiásticos. O culto, por assim, dizer, não pode se restringir a um “festival” de línguas estranhas. O dom de línguas, que parecia ser um problema em Corinto, deveria ser motivado quando os crentes estiverem sozinhos em suas devoções particulares. O mais importante, no entanto, seria buscar amadurecimento espiritual, saber quando se deveria ou não falar línguas (I Co. 14.20). Quanto à profecia, Paulo orienta que falem dois ou três e outros julguem (I Co. 14.29-31-32), isso mostra que o dom profético não é canônico, como a escritura, infalível, por isso, deva ser julgado à luz da Escritura. Existe “fogo estranho” no uso inadequado que alguns indivíduos fazem dos dons espirituais, quando ao invés de serem usados pelos dons, passam a usar “os dons” para controlar a vida das pessoas. Existem cultos evangélicos que estão muito longe dos ensinamentos bíblicos, a concessão de algumas lideranças está comprometendo a liturgia bíblica, alicerçada na Palavra de Deus, por meio da qual o Espírito flui para a vidas dos crentes.

CONCLUSÃO
A guisa de conclusão, deixamos uma palavra aos pastores, para que orientem seus filhos no ministério, e casos sejam separados para o serviço no altar, não venham a “oferecer fogo estranho”. Há pastores que na ânsia de integrar seus filhos no ministério atribuem funções e cargos para que esses ministrem na casa de Deus. Mas é preciso ter cautela, e avaliar se esses estão alinhados à Palavra de Deus, somente assim poderão desenvolver o ministério divino a contento.  

BIBLIOGRAFIA
TIDBALL, D. The message of Leviticus. Leicester: Interversity-Press, 2005.
WIERSBE, W. Be holy: Leviticus. Colorado Springs: David Cook, 2010.