22 de abril de 2017

Lição 04

ISAQUE, UM CARÁTER PACÍFICO
                               Texto Áureo  Gn. 17.19  – Leitura Bíblica  Gn. 26.12-25


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje nos voltaremos para a narrativa bíblica a respeito de Isaque, e seu relacionamento com Deus. Inicialmente destacaremos que esse foi prometido a Abraão, quando já em idade avançada. Em seguida, atentaremos para o relacionamento do patriarca com seu filho, especialmente por ocasião do pedido de sacrifício. Ao final, ressaltaremos a benção de Deus sobre a vida de Isaque, para as orientações do Senhor a esse patriarca.

1. ISAQUE, O FILHO PROMETIDO
Abraão e Sara, como muitos outros casais ao longo da Bíblia, tiveram que lidar com a esterilidade. Ainda que o patriarca tivesse recebido a promessa que se tornaria “pai de uma multidão”, o cumprimento da palavra não se deu imediatamente. Apesar de ter passado por momentos adversos, decorrentes de atitudes precipitadas, o patriarca aprendeu a esperar em Deus. Isso porque muito antes, quando Deus chamou Abraão, prometeu fazer dele uma grande nação (Gn. 12.1,2), que daria a terra de Canaã aos seus descendentes (Gn. 17.7), e que os multiplicaria (Gn. 13.15-17). A promessa do nascimento de Isaque, por causa da esterilidade de Sara, tornou-se algo engraçado, provocando riso ao ouvirem a mensagem divina. O nome Isaque, em hebraico, significa “riso”, esse foi o sentimento experimentado por Abraão e Sara. O patriarca estava com 99 anos de idade, e sara se aproximava dos 90. A Palavra de Deus pode parecer absurda, e às vezes, ir além da racionalidade humana, mas sabemos, pela fé, que podemos confiar nas promessas de Deus (Hb. 6.12). Sabemos disso porque Deus honrou a fé de Abraão, cumprimento no tempo certo sua promessa (Hb. 11.8-11). A Palavra de Deus sempre se cumpre, mas não no tempo dos homens, por isso faz-se necessário cultivar a paciência (Tg. 1.1-8). Nesse particular Abraão precisou amadurecer espiritualmente, por causa da precipitação dele e da sua esposa, decidiram que o patriarca teria um filho com a serva. Em termos aplicativos, o nascimento de Ismael, o filho de Abraão com a escrava, representa o nascimento carnal do ser humano. O nascimento de Isaque, por sua vez, representa o nascimento espiritual do crente. Essa alegoria, umas poucas na Bíblia, é construída por Paulo, em sua Epístola aos Gálatas (Gl. 4.28,29), a fim de admoestar os crentes à santificação espiritual (Gl. 5.22).

2. ISAQUE, UM FILHO A SER SACRIFICADO
Mas o filho prometido a Abraão foi pedido em sacrifício, para que Deus desse ao patriarca a oportunidade de amadurecer na fé. A prova é algo normal na vida dos crentes, e tem propósitos diversos: purificar nossa fé (I Pe. 1.6-9), aperfeiçoar nosso caráter (Tg. 1.1-4), ou proteger do pecado (II Co. 12.7-10). A prova de Abraão seria uma demonstração, para ele mesmo, da sua capacidade para confiar em Deus. O Senhor pediu ao patriarca que oferecesse seu filho em sacrifício, e esse obedeceu, crendo que Deus haveria de ressuscitá-lo (Gn. 22.5; Hb. 11.17-19). Abraão caminhou vários dias até chegar ao Monte Moriá, durante essa jornada teve a oportunidade de se aproximar de Deus. O Senhor permitiu que o patriarca cumprisse o ritual, amarrasse o filho e o preparasse para o sacrifício. Mas não que o sacrifício fosse consumado, pois Deus já havia provido um cordeiro para o holocausto (Gn. 22.14). É possível extrair algumas lições espirituais dessa relação entre o pai (Abraão) e o filho (Isaque), “ambos caminharam juntos” (Gn. 22.6), fazia-se necessário que o pai se desprendesse do filho (Gn. 22.16). Esse texto tem relação com Cristo, o filho de Deus, que foi sacrificado pelos nossos pecados. Jesus é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo. 1.29), Ele levou o fardo do pecado por nós (I Pe. 2.24). No que tange à prova de Isaque, há sempre um depois (Hb. 12.11; I Pe. 5.10), pois dela resulta o amadurecimento. De igual modo, precisamos estar cientes da realidade das aflições na terra, o próprio Jesus advertiu Sua igreja a esse respeito (Jo. 16.33). O sofrimento tem um caráter pedagógico, dependendo da maneira que for abordado, poderá oportunizar amadurecimento espiritual (II Co. 4.17).

3. ISAQUE, UM FILHO PACIFICADOR
Isaque demonstrou ter aprendido com seu pai Abraão a viver em pais, principalmente em relação ao episódio da contenda entre os pastores desse patriarca e os de Ló (Gn. 13.5-18). O filho de Abraão foi um homem esforçado nos trabalhos, mas isso encodou os filisteus, que o perseguiam (Gn. 25.15,16). Quando mais era perseguido pelos invejosos, mais se dedicava a fazer aquilo que Deus havia projetado para sua vida. Às vezes, fugiu para outras localidades, direcionadas por Deus, para evitar conflitos (Gn. 26.17). Abrir poços era uma necessidade para aquele patriarca, considerando que a seca era uma realidade. Seus inimigos sabotaram os poços que ele mesmo cavou, a fim de preservar sua família e rebanho. Mas ele continuou abrindo novos poços, alargando o projeto de Deus para ele (Gn. 26.22-29). Aprendemos, com o caráter de Isaque, a desenvolver o fruto do Espírito, especialmente a virtude da pacificação. Eirene, em Gl. 5.22, é uma paz que se produz com Deus, através do Espírito Santo. Essa paz não é compreendida pelo mundo, pois as pessoas esperam o enfrentamento, principalmente diante das perdas materiais. Com Cristo aprendemos que a paz não depende das circunstâncias, antes está firmada nas promessas de Deus (Jo. 14.27). Devemos, portanto, fazer nosso trabalho, cumprir nossas obrigações, respeitar nossos empregadores, e esperar o resultado do trabalho (Ef. 6.5-8). Faz-se necessário esclarecer, no entanto, que os empregados agem em conformidade com as leis trabalhistas, e essas devem ser respeitadas tanto por empregadores quanto empregados. É nesse contexto que podemos ter a convicção de que se formos trabalhadores fieis, o Senhor, como fez com Isaque, nos dará o suficiente para viver, e com isso devemos ficar contentes (I Tm. 6.6-10).

CONCLUSÃO
A narrativa bíblica sobre a vida de Isaque é relevante não apenas para os judeus. Através desses capítulos de Gênesis, compreendemos os propósitos de Deus para a humanidade. Ele sempre cumpre suas promessas, seus planos jamais serão frustrados. E mais, sabemos que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus, e que são chamados segundo o Seu desígnio (Rm. 8.28). Faz-se necessário, portanto, crer contra toda descrença (Rm. 4.18-21), e se fundamentar na Palavra de Deus (Hb. 4.12), convictos da sua fidelidade, com esperança na mensagem profética (II Pe. 1.21).

BIBLIOGRAFIA
KIDNER, D. Gênesis: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1981.
WEIRSBE, W. W. Be Basic: Genesis. Colorado Springs: David C. Cook, 2010. 

12 de abril de 2017

Lição 03

MELQUISEDEQUE: REI DE JUSTIÇA
                      Texto Áureo  Hb. 7.17  – Leitura Bíblica  Gn. 14.18-19; Hb. 7.1-7


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos o caráter de Melquisedeque, um homem que fui usado por Deus para abençoar Abraão, depois de uma das suas mais importantes batalhas. Ainda que o patriarca tenha sido um exemplo de fé, passou por tempos de adversidades. Destacaremos, na segunda parte da aula, a figura de Melquisedeque, o sacerdote de justiça, e rei de Salém. Ao final, ressaltaremos que esse sacerdote prefigura Cristo, aquele que viria a oferecer um sacrifício perfeito, pelos pecados da humanidade.

1. A BATALHA DE ABRÃAO
Abraão não entrou na batalha por interesse particular, nem mesmo a fim de obter ganhos materiais (Gn. 14.22,23). O motivo da sua disputa foi a proteção do seu sobrinho Ló, que havia sido capturado, depois que este decidiu habitar em Sodoma (Gn. 13.10-13). Isso mostra que o patriarca não estava indiferente a realidade social na qual estava inserido. Ele sabia que as decisões humanas podiam afetar diretamente a realidade individual. De igual modo, devemos saber que as decisões políticas trazem implicações para a sociedade. Precisamos estar atentos ao que está acontecendo em nosso país, e cuidar para não ser conduzido pelos engodos da mídia. Abraão entrou em uma aliança com alguns príncipes da região, a fim de alcançar um propósito comum. Não estamos impedidos de fazer alianças, contanto que sejam éticas, e tragam benefícios para a coletividade (Lc. 10.25-37; Gl. 6.10). Abraão era um homem pacífico, mesmo assim se preparou para guerra, quando essa se fez necessária. A maior guerra do cristão é espiritual (II Co. 10.3-5), precisamos vencer o mundo através da fé (I Jo. 5.4), e nos revestir de toda armadura de Deus (Ef. 6.10-18). A principal arma do cristão é a Palavra de Deus, precisamos buscar a revelação do Senhor, a fim de destruir os sofismas humanos (II Tm. 3.16,17). Como soldados de Cristo, não podemos nos envolver com negócios deste mundo, nosso objetivo deve ser satisfazer àquele que nos arregimentou (II Tm. 2.4). Ao retornar da batalha, Abraão encontrou dois reis: Bera, rei de Sodoma, que ofereceu espólios da guerra, e Melquisedeque, o rei de Salém, que ofereceu pão e vinho. O patriarca rejeitou a oferta do primeiro, porque não queria ser influenciado pelos subornos do mundo.

2. SEU ENCONTRO COM MELQUISEDEQUE
O encontro de Abraão com Mesquisedeque está repleto de significados, para os quais devemos atentar. O nome desse sacerdote-rei significa “rei de justiça”, e Salem, ao que tudo indica, era a antiga Jerusalém, que quer dizer paz. Em Hb. 7 e no Sl. 110 Melquisedeque prefigura Jesus Cristo, o Rei e Sacerdote Celestial (Hb. 12.11). O oferecimento de pão e vinho a Abraão remete à celebração da Ceia do Senhor, em memória do Seu sacrifício na cruz (Mt. 26.26-30). O rei de Salém não era um ser angelical, muito menos Cristo encarnado, mas um homem justo, que desfrutava de intimidade com Deus. Ele se encontrou com Abraão para fortalecê-lo, depois de uma batalha. O patriarca, em gratidão aos cuidados sacerdotais, entregou o dízimo a Melquisedeque (Gn. 14.20). Essa é a primeira menção a essa contribuição nas Escrituras, procedimento que se tornou comum entre os judeus (Lv. 27.30-33). A entrega do dízimo continua sendo uma prática observada pela igreja cristã. Ninguém deverá ser coagido a fazê-lo, pois a gratidão deve ser a maior motivação, em reconhecimento pela providência divina (I Co. 16.1,2). O desprendimento de bens em prol do rei de Deus é também uma demonstração de que não estamos debaixo do reino de Mamom (Mt. 6.24). Essa é uma manifestação de que o dinheiro não é nosso deus, mas que confiamos no Senhor, e em sua providência. Através da sua fé Abraão se tornou um exemplo para todos aqueles que creem. Paulo destaca que o patriarca creu em Deus, e isso lhe foi imputado por justiça (Rm. 4.1-8). A fé é o firme fundamenta das coisas que se esperam, mas que não são vistas (Hb. 11.1), somos salvos pela graça, por meio da fé, não pelas obras da Lei (Ef. 2.8,9).

3. UM TIPO DO SACERDÓCIO DE CRISTO
Jesus é Sacerdote Eterno e Perfeito, da linhagem de Melquisedeque, isso porque os adeptos da religiosidade judaica eram incapazes de realizar plenamente o sacrifício (Hb. 7.19). O sangue derramado pelos animais não tornavam qualquer pessoa perfeita aos olhos de Deus (Hb. 10.1-3). Uma das restrições desse sacerdócio era que não poderia ser exercido por alguém da tribo de Judá (Hb. 7.14). Além disso, o sacerdote aarônico dependia apenas de um ritual religioso, que cumprisse os requisitos físicos e cerimoniais (Lv. 21.16-24). O sistema sacrifical judaico somente se tornou possível por causa de Cristo, o Sumo Sacerdote da tribo de Judá (Cl. 2.13,14; Hb. 7.18).  Ele é Sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque (Hb. 7.21). Através dEle a questão do pecado foi resolvida definitivamente, não carecendo mais de derramamento de sague de animais (Hb. 7.22). Jesus é um Sumo Sacerdote, que diferentemente dos levíticos, não é imperfeito, e muito menos temporário. E porque Ele é também imutável (Hb. 7.24) e inculpável (Hb. 7.26) podemos confiar que ele intercede para sempre por nós (Hb. 7.25). Por causa dEle os cristãos podem se achegar a Deus em oração (Hb. 4.14-16). Ele nos oferece graça e misericórdia, de modo que se viermos a pecar, temos da parte de Deus, um Advogado (I Jo. 2.1,2). Quando confessamos nossos pecados Ele é fiel e justo para nos perdoar, e nos restaurar a comunhão com o Pai (I Jo. 1.9). Jesus, nosso Sumo Sacerdote, é perfeito para sempre (Hb. 7.28), e nEle podemos confiar que nossos pecados são perdoados, e temos livre acesso ao trono da graça.

CONCLUSÃO
Abraão teve um encontro profundo e pessoal com Deus, ao ser recebido por Melquisedeque. Esse sacerdote-rei de justiça prefigura Cristo, Aquele que se manifestou para trazer reconciliação do homem com Deus. Cada um de nós precisa ter um encontro com Deus, e se dispor a adorá-LO em espírito e em verdade (Jo. 4.24,25). Como Abraão, precisamos reconhecer que Deus é nossa maior riqueza, e nEle encontramos satisfação plena para as nossas vidas (Gn. 15.1), e as riquezas celestiais em Cristo Jesus (Ef. 1.7,18).

BIBLIOGRAFIA
VOS, H. Genesis: Chicago: Moody Publishers, 1999.
WEIRSBE, W. W. Be Basic: Genesis. Colorado Springs: David C. Cook, 2010. 

8 de abril de 2017

Lição 02

ABEL, EXEMPLO DE CARÁTER QUE AGRADA A DEUS
Texto Áureo: Hb. 11.4 – Leitura Bíblica em Classe: Gn. 4.8-16



INTRODUÇÃO
Na lição de hoje estudaremos a respeito do exemplo de Abel, um homem que decidiu adorar a Deus, e entregar a Ele suas o melhor da sua oferta. Aprenderemos que esse foi um verdadeiro adorador. Contudo, seu relacionamento com Deus provocou a inveja do seu irmão Caim, que o matou. Ao final, destacaremos que Abel é um modelo de todo para todo aquele que deseja agradar a Deus, e adorá-Lo em espírito e em verdade.

1. ABEL, UM ADORADOR
Abel era filho de Adão e Eva, sendo o segundo filho desse casal, cujo irmão mais velho era Caim. O significado do seu nome em hebraico havel é ‘fôlego’, ‘vapor’ ou ‘nada’. O autor da Epístola aos hebreus dá testemunho que ainda jovem Abel foi chamado de justo (Hb. 11.4), e mais que isso, por causa da sua morte, o seu sangue ainda fala. É digno de destaque que, com base em Gn. 4.2, atestamos que Abel foi o primeiro homem a morrer fisicamente. Nesse capítulo está escrito que Caim, seu irmão mais velho, ofereceu a Deus os frutos da terra, eqnaunto Abel teria oferecido uma ovelha. Deus se agradou do sacrifício de Abel, não apenas por se tratar da oferta de um animal, mas porque esse o entregou com dedicação ao Senhor. Mas o Senhor rejeitou o sacrifício de Caim, pois esse não a entregou com um coração sincero. Por causa da rejeição do seu sacrifício por Deus, Caim cometeu um crime, assassinando seu irmão Abel. A oferta de Caim eram frutos da terra, mas a rejeição de Deus da sua oferta modificou o seu semblante. Ele ficou tomado pela inveja de seu irmão, totalmente possuído por ciúme.  Abel e um exemplo de verdadeiro adorador, alguém que se desapaga dos seus bens, em favor do reino de Deus. Sua adoração é desinteressada, ele não desejava apenas obter benefícios do Senhor. Os crentes da geração atual precisam aprender com a adoração de Abel, e se entregarem com devoção ao Senhor, colocando aos seus pés suas próprias vidas, como sacrifício santo e agradável.

3. ABEL, UM INJUSTIÇADO
Abel foi injustiçado ao ser morto por seu irmão Caim, Deus permitiu que isso viesse a acontecer, mas não aprovou o ato do criminoso. Existem muitas mazelas que acontecem na sociedade, inclusive crimes que não são da vontade diretiva de Deus, Ele apenas os permite. A violência está se dissipando na contemporaneidade, o ser humano está cada vez mais embrutecido. Pior ainda, por causa da banalização da vida, estamos perdendo o senso de justiça, e nos acostumando com as atrocidades. Existem muitas pessoas de bem que cujas vidas estão sendo ceifadas prematuramente. Por causa da ganância, muitas pessoas estão sendo vítimas de assassinatos, a busca por bens materiais está pondo em risco o que há de mais valioso na terra: a vida humana. A injustiça da qual Abel foi vítima clama como exemplo para que venhamos a nos indignar com o descaso em relação à vida. As autoridades devem ser mais energéticas quando se trata da criminalidade, sobretudo quando esses são realizados de modo hediondo. Existe uma cultura da mortandade, os filmes e os jogos eletrônicos incitam essa prática, a começar pelos jovens que se acostumaram com essa prática. A impunidade faz com que as pessoas achem normal tirar a vida de quem quer que seja, pelos motivos mais banais e torpes. O sangue de Abel clama por justiça, a morte de muitos outros também, vida que são ceifadas na calada da noite, pais que trabalham para levar o pão para seus filhos.

3. ABEL, UM HOMEM QUE AGRADA A DEUS
Abel é o exemplo de um homem que agrada a Deus, pois sua oferta foi oferecida de todo coração. O problema não estava na oferta de Caim, no material que foi posto no altar, mas na atitude com a qual a depositou. O autor da Epístola aos Hebreus afirma que “pela fé, Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim” (Hb. 11.4). O próprio Jesus deu testemunho da fé de Abel (Mt. 23.35), considerando-o “justo”. É digno de destaque que a oferta desse adorador também tinha uma dimensão profética, pois apontava para o sacrifício do “Cordeito de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo. 1.29). A adoração de Abel nos deixa um exemplo a respeito de como devemos nos aproximar de Deus. Devemos fazê-lo com humildade, reconhecendo a grandeza do Senhor, e que Ele é digno do melhor. Paulo, ao escrever aos romanos, destaca que devemos apresentar nossos corpos, como sacrifício vivo, santo e agradável ao Senhor (Rm. 12.1,2). Existem muitos cristãos que não aprenderam o caminho para a verdadeira adoração, não devemos oferecer ao Senhor apenas os nossos pertences, precisamos dedicar-lhe nossas vidas. Ao fazer assim, estaremos demonstrando que nossas posses são apenas coisas que estão fora de nós mesmos, e que expressam o que há de mais valioso: a vida que o Senhor nos deu. Por isso, devemos, como ensinou Jesus a samaritana, adorar a Deus em espírito e em verdade, reconhecendo que Ele é nosso Provedor, e nada que venhamos a oferecer partiu de nós mesmos, mas dEle que antes decidiu nos dar (Jo. 4.24).

CONCLUSÃO 
Se quisermos agradar a Deus, assim como fez Abel, precisamos ser os adoradores verdadeiros, em conformidade com o ensinamento de Jesus (Jo. 4.24). Não podemos fazer restrições em relação ao que ofereceremos ao Senhor, Ele espera que nos entreguemos totalmente: corpo, alma e espírito (I Ts. 5.23), a entrega de nossos bens: dízimos e ofertas, é apenas uma demonstração de algo maior que aconteceu conosco, o reconhecimento da graça, o favor imerecido de Deus.

BIBLIOGRAFIA 
LIMA, E. R. de. O caráter do cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
WILLIAMS, R.  Adoração: um tesouro a ser explorado. Venda Nova: Betânia, 2013.

30 de março de 2017

Lição 01

A FORMAÇÃO DO CARÁTER CRISTÃO
Texto Áureo: Gl. 5.20 – Leitura Bíblica em Classe: Ef. 4.17-24



INTRODUÇÃO
No trimestre passado, estudamos a respeito das obras da carne e do Fruto do Espírito, ressaltando a necessidade do cristão andar no Espírito. Os desafios que nos são postos - e algumas vezes, impostos – requerem que os cristãos sejam, verdadeiramente, íntegros, com todo o cuidado para não serem levados pela onda do secularismo. Ao longo desse próximo trimestre, nos voltaremos para o caráter cristão, com vistas ao reconhecimento de nossa identidade como cristão. Para tanto, levaremos em conta o testemunho de alguns célebres servos e servas de Deus. 

1. DEFINIÇÃO DE CARÁTER CRISTÃO 
A palavra “caráter” vem do grego e significa, literalmente, marca, sinal gravado, traço distintivo. Em relação ao cristão, diz respeito ao progresso espiritual do crente, na busca constante de transformação, tendo Cristo como maior exemplo a ser imitado (I Co. 4.16; 11.1; Ef. 5.1; Fp. 3.17; I Ts. 2.14; Hb. 6.12). Devemos lembrar que, nos tempos antigos, quando Deus se revelou a Abraão, exigiu, não menos que Ele andasse em Sua presença e que fosse perfeito (Gn. 17.1). Portanto, o alvo do crente não é outro, senão a perfeição absoluta, a qual somente se encontra em Deus. É claro que Deus responderá com graça ao longo da caminhada (II Co. 12.9), mas não admitirá que desistamos de buscar o padrão perfeito que exige de cada um de nós, para que venhamos, ao final, nos identificar com sua natureza em santidade (II Pe. 1.4). A meta do cristão, em todo o momento, é obter a “aprovação divina”, que é, em sua totalidade, a definição do caráter cristão. É possível que, para tanto, tenhamos que passar por muitas tribulações (Rm. 5.3), até que, ao final, recebamos, da boca do Senhor, a mesma aprovação, por Ele, atribuída a Jesus: “Este é o meu Filho, em quem me comprazo (Mt. 3.17). O maior modelo para o caráter cristão, é, sem sombra de dúvida, Cristo, cujos passos devem ser seguidos (I Pe. 2.21). A queda do homem o colocou numa condição de desaprovação diante de Deus. A esta condição humana, a Bíblia denomina de pecado (Rm 3.23). Em virtude disto, o homem, distanciado de Deus, encontra-se espiritualmente morto (Rm. 6.23), carecendo da vivificação do Espírito Santo (Rm. 8.12,13), pelo nascimento que vem de cima (Jo. 3.3). 

3. O DESENVOLVIMENTO DO CARÁTER CRISTÃO 
O caráter cristão, portanto, tem sua origem no ato da conversão, no momento em que o pecador se volta para Deus, despojando-se do velho homem e se revestindo de Cristo (Ef. 4.17-24). A fonte do caráter cristão, é, nesse sentido, Espírito Santo, o qual, produz, em nós e conosco, o Seu fruto (Gl. 5.22), fora dEle, ficaremos restritos às obras da carne (Gl. 5.19-21). Sendo assim, para que tenhamos um caráter genuinamente cristão, precisamos, a princípio, passar pela experiência do nascimento que vem de Deus, conforme explicitado por Jesus a Nicodemos (Jo. 3), e, depois disto, continuar “andando no Espírito”, não se deixando levar pelas concupiscências da carne (Gl. 5.16). O aprimoramento do caráter cristão é uma verdade fundamental do cristianismo (II Co. 3.18). Conforme ressaltamos no tópico anterior, isso não acontece por meio da força humana (Zc. 4.6), mas pelo Espírito de Deus (Gl. 5.16). Por isso, a Escritura nos instrui para que sigamos “a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb. 12.14) como também: “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (II Co. 3.18). Como depreendemos dos textos em evidência, o desenvolvimento do caráter cristão não se dá de modo repentino, demanda tempo e, principalmente, contato permanente com Cristo (Jo. 15), a videira verdadeira, pois é enxertados nEle que podemos dar muitos frutos (v. 5). É assim que seremos perfeitos como o é Nosso Pai Celestial (Mt. 5.48), e Nosso Mestre (Lc. 6.40). Essa é a meta de todo cristão genuíno (Ef. 4.13; Fp. 3.12) que somente poderá ser alcançada, enquanto aqui estivermos, em amor (I Jo. 4.12). Em sua plenitude, a perfeição moral, ainda que deva ser nossa meta enquanto aqui estivermos, somente será alcançada no arrebatamento (ou ressurreição do corpo) quando o que é corruptível se revestirá da incorruptibilidade, então, seremos como Ele é (I Jo. 3.2). O mundo jaz no maligno (I Jo. 5.19) e, enquanto estivermos na terra - no mundo físico -, precisamos crescer espiritualmente a fim de que não venhamos a entrar em sua fôrma – mundo espiritual regido por Satanás (Rm. 12.1,2), experimentando a sempre boa, agradável e perfeita vontade de Deus. As aflições do tempo presente (Jo. 16.33; Rm. 8.18) podem afetar o desenvolvimento, e, em alguns casos, desconstruir o caráter do cristão. Aqueles que têm uma caráter frágil, em meio às tribulações, são levados por todo vento de doutrina (Ef. 4.14), pelas forças das trevas (II Pe. 2.17), diferentemente daquele que ouve a voz do Espírito por meio da Palavra do Bom Pastor (Jo. 3.8; 10.16). Aquele que tem o seu caráter cristão desconstruído, que não ouve e não pratica a Palavra é comparado, por Tiago, “ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural; porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era” (Tg. 1.23,24). 

3. O CULTIVO DO CARÁTER CRISTÃO 
Todo cristão deva cuidar para não se voltar à apostasia (I Tm. 4.1; I Co. 10.12), pois, todo aquele que se distancia do Senhor, relutantemente, expõe Cristo novamente ao vitupério (Hb. 6.6). Fica aqui o alerta do profeta Jeremias para que não cavemos cisternas rotas que não retêm água (Jr. 2.13), pois todo aquele que se esquece do Senhor terá seu nome escrito no chão (Jr. 17.3), pois abandonou a fonte das águas vivas.O caráter cristão é produzido em contato com o Espírito Santo, para tanto, precisa ser cultivado ao longo do “andar com Ele” (Gl. 5.16). Eis aqui alguns dos princípios fundamentais para o cultivo do caráter cristão (do fruto do Espírito): 1) Leitura constante das Escrituras e de boa literatura cristã que nos confira o desejo de nos achegar, a cada dia mais, a Cristo, o padrão maior de perfeição; 2) Prática contínua da oração, não apenas com vista ao suprimento das necessidades materiais, mas, principalmente, para ter comunhão com o Senhor, relacionando-se com Ele; 3) Meditação, sintonizando o nosso espírito com o Espírito de Deus, acostumando à presença de Deus, para que, por meio da iluminação espiritual, cresçamos na fé; 4) Disciplina a fim de não perder de foco o alvo supremo da santificação no Espírito; 5) Vivência em amor, sabendo que nisto redunda a essência da espiritualidade (I Jo. 4.7,8). A título de ilustração, podemos apelar para a prática dos músicos que, mesmo dominado os instrumentos musicais com os quais trabalham, não se apartam deles, ensaiando, continuamente, a fim de que a execução se realize à contento. Caso um músico venha a negligenciar seu instrumento, cedo ou tarde, as pessoas perceberão que ele já não é mais o mesmo. Charles Spurgeon, o príncipe dos pregadores, dizia que não passava mais do que quinze minutos diários sem pensar em Deus. Portanto, para o pleno desenvolvimento do caráter cristão, devemos, como um músico, ou um atleta, exercitar, com disciplina (e amor), a experiência com Deus. Paulo chama a atenção de todos os cristãos para o exercício da piedade (I Tm. 4.8; 6.5,6,11), pois, através deste, a caminhada espiritual se tornará cada vez mais produtiva, sem que se constitua num fardo (Mt. 11.30). 

CONCLUSÃO 
Conta-se que um certo homem tinha um cão o qual, constantemente, costumava morder os vizinhos. Certo dia, o proprietário do cão fez uma mordaça e colocou naquele animal para que isso não mais viesse a acontecer. Felizmente, a fera deixou de morder a vizinhança, mas, para tristeza do dono, não deixou de correr atrás. A mordaça posta no focinho do cão não mudou sua natureza. Portanto, não podemos esquecer que o desenvolvimento do caráter cristão diz respeito, sobretudo, a uma transformação não apenas no exterior do indivíduo, mas, primordialmente, uma mudança interior, por meio da qual a natureza pecaminosa é subjugada pelo Espírito do Senhor (Rm. 6.6; Cl. 3.9). 

BIBLIOGRAFIA 
FRANGIPANE, F. O desafio da santidade. São Paulo: Vida, 2002 
LIMA, E. R. de. O caráter do cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.