19 de julho de 2017

Lição 04

O SENHOR E SALVADOR JESUS CRISTO
Texto Áureo: Jo. 14.6 – Texto Bíblico Básico: Jo. 1.1-14





INTRODUÇÃO
Na lição de hoje estudaremos a respeito da identidade do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Inicialmente destacaremos sua natureza, ressaltando Sua deidade, senhorio, pré-existência e humanidade. Em seguida, abordaremos os ofícios de Cristo, a partir do Antigo Testamento, como Profeta, Sacerdote e Rei. E ao final, a obra que o Senhor Jesus realizou, em Sua morte, ressurreição e ascensão.

1. A NATUREZA DE CRISTO
Deidade – Ele é o Filho de Deus em sentido único, a) Ele tinha consciência de sua deidade (Mt. 3.17; 4.3; 16.15-17; 26.63-65); b) fez reivindicações a respeito (Jo. 16.28; 20.21; Mt. 11.27; Jo. 17.25; 14.9-11; Mt. 18.20; Mc. 2.5-10; Jo. 6.39,40, 54; 11.25; 10.17,18; Jo. 5.22; Mt. 25.31-46); c) demonstrou autoridade divina nos seus ensinamentos (Mt. 7.24); d) impecabilidade de sua alma (Jo. 8.46); e) testemunho dos discípulos (Mt. 28.19; Jo. 1.1-3; 20.28; At. 2.33,36; 4.125.31; 10.42; Tt. 2.3; Cl. 2.9; 1.17; II Co. 13.14). Pre-existência – Ele é o Logos, a Palavra, que expressa o poder, a inteligência e a vontade Deus (Jo. 1.1,14; Hb. 1.3; Cl. 1.5); Senhorio – Ele é chamado de kurios, é exaltado na eternidade (Fp. 2.9; At. 2.36; 10.36; Rm. 14.9; Ap. 1.5), soberano (I Co. 6.20; II Co. 5.15). Humanidade – Ele é o Filho do homem, designado como participante da natureza e das qualidade humanas, e como sujeito às fraquezas humanas (Mc. 2.10; 2.28; Mt. 8.20; Lc. 19.10); por um ato milagroso, o Verbo se faz carne (Jo. 1.14), tendo nascido de uma virgem (Is. 7.14; At. 1.9; Rm. 8.34). Jesus é o Unigênito – monogenés no grego – o único de um tipo, por isso, como diz o Credo Niceno, cremos “em um só Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, o Unigênito do Pai, que é da substância do Pai, Deus de Deus, Luz de Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado, não feito, de uma só substância com o Pai”.

2. OS OFÍCIOS E A IDENTIDADE DE CRISTO
Na época do Antigo Testamento havia três classes de mediadores entre Deus e o povo: o profeta, o sacerdote e o rei. Como perfeito mediador (I Tm. 2.5), Cristo reúne esses três ofícios: 1) Profeta – revelando a vontade de Deus em relação ao presente e ao futuro (Mc. 6.15; Jo. 4.19; 6.14; 9.17; Mc. 6.4; 1.27): a) da salvação (Lc. 19.41-44; Mt. 26.52); b) do reino (Mt. 4.17; Mt. 13); do futuro (Mt. 24,25); 2) Sacerdote – consagrado para representar o homem diante de Deus e para oferecer dons e sacrifícios (Hb. 2.14-16; Ef. 1.6); 3) Rei – em Cristo repousa o governo perfeito, em uma perspectiva escatológica (Is. 11.1-9; Sl. 72; Mt. 25.31) e nos dias atuais (Jo. 18.36; Mt. 28.18; Ap. 3.21; Ef. 1.20-22). Quando afirmamos que “Jesus é o Senhor”, sendo esta uma das primeiras confissões de fé do cristianismo, reconhecemos que Ele tem domínio sobre nossas vidas. Existem muitas pessoas que querem um Cristo apenas Salvador, mas se negam a obedecer Sua palavra, e a se submeter ao Seu senhorio. Por ser Ele Senhor, devemos nos dobrar diante dEle, antecipando o que acontecerá no futuro, quando todo joelho se curvará perante Ele (Fp. 2.10). A obediência a Cristo é também uma demonstração de amor, pois todos aqueles que obedecem aos Seus mandamentos demonstram que O amam (Jo. 14.21). Na verdade, os mandamentos de Cristo não são pesarosos, pois Seu jugo é suave, e Seu fardo é leve (Mt. 11.28-30).

3. A OBRA SALVÍFICA DE CRISTO
Cristo realizou muitas obras, a suprema foi a de morrer pelos pecados do mundo (Mt. 1.21; Jo. 1.29), incluindo nela, a ressurreição e ascenção (Rm. 8.34; 4.25; 5.10). 1) Morte – é uma  doutrina de importância central do Novo Testamento (I Co. 15.3; Hb. 5.9); 2) Ressurreição – é um fato milagroso, cujo significado remete à sua deidade (Rm. 1.4), e à libertação dos pecados (Rm. 8.34; Hb. 7.25), nos dando a certeza da imortalidade (I Ts. 4.14; II Co. 4.14; Jo. 14.19; At. 17.31); 3) Ascensão – Ele é o Cristo que subiu ao céu (At. 1.9); para preparar o caminho (Jo. 12.26) para o fim da separação entre Cristo e sua Igreja na terra; mesmo que, em sentido espiritual, ela esteja sentada nos lugares celestiais com Cristo (Ef. 2.6), até o dia em que ocorrerá a ascensão literal da igreja (I Ts. 4.17; I Co. 15.52); Ele intercede por nós (Rm. 8.34; Hb. 7.25; I Jo. 2.1). A abra de Cristo foi concretizada através da encarnação do Verbo, pois através dela Ele assumiu a forma humana, esvaziando-se da Sua glória, não da sua divindade (Fp. 2.8,9). Cristo nunca deixou de ser Deus, mesmo sendo homem, nEle habitava corporalmente a plenitude da divindade (Cl. 2.9). O ato da encarnação se fez necessário porque Jesus precisava se tornar sujeito ao pecado, ainda que nunca tivesse pecado (Rm. 8.3). E por ser plenamente humano (I Tm. 2.5), Ele se identifica conosco, inclusive em nossas tentações, pois temos um Deus que foi tentado em tudo (Hb. 4.15). Por esse motivo, sabemos que Ele conhece nossa estrutura, e sabe que somos pó (Sl. 113.14).

CONCLUSÃO
O Senhor Jesus Cristo é o eterno Filho de Deus. As Escrituras declaram: a) seu nascimento virginal (Mt. 1.23; Lc. 1.31,35); b) Sua vida impecável (Hb. 7.26; I Pe. 2.22); c) Seus milagres (At. 2.22; 10.38); d) Sua obra vicária sobre a cruz (I Co. 15.2; II Co. 5.21); e) Sua ressurreição corporal dentre os mortos (Mt. 28.6; Lc. 24.39; I Co. 15.4); e f) Sua exaltação à mão direita de Deus (At. 1.9,11; 2.33; Fp. 2.9-11; Hb. 1.3).

BIBLIOGRAFIA
BARBOSA, J. R. A. O Cremos da Assembleia de Deus. São Paulo: Reflexão, 2017.
SOARES, E. A razão da nossa fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. 

12 de julho de 2017

Lição 03

A SANTÍSSIMA TRINDADE: UM SÓ DEUS EM TRÊS PESSOAS
Texto Áureo: Mt. 28.19 - Texto Bíblico Básico: I Co. 12.4-6; II Co. 13.13


INTRODUÇÃO
Na aula de hoje, dando continuidade ao estudo das doutrinas que exposamos, nos voltaremos para a Trindade, uma das verdades fundamentais da fé cristã. Inicialmente mostraremos os aspectos históricos dessa doutrina, em seguida, explicitaremos sua fundamentação bíblico-teológica. Ao final, depois de reconhecer que essa se trata de um mistério para a razão humana, ressaltaremos a atuação do Deus-Trino, que coexiste em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.

1. A DOUTRINA DA TRINDADE, ASPECTOS HISTÓRICOS
A trindade é definida, teologicamente, como o entendimento de Deus como trino e uno, significando que a natureza divina é uma unidade de três pessoas e que Deus se revela como três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. A base suprema da doutrina cristã da trindade está na manifestação divina em Jesus, que, com Filho, revelou o Pai e derramou o Espírito Santo. Não há, como se sabe, a palavra “trindade” na Bíblia, mas não que quer dizer que ela deixe de ser uma doutrina bíblica. Seria a mesma coisa de dizer que a água não é composta de H2O simplesmente porque não podemos ler essa fórmula na água. No período antes da Reforma Protestante, Tertuliano (160-220 d.C.), um dos pais da igreja, foi o primeiro a empregar o termo “trindade” e a formular a doutrina, seu ensinamento, porém, punha o Filho em subordinação ao Pai. Em sequência a esse ensinamento, Orígenes (185-254 d. C.) defendia que não só o Filho era, em essência, subordinado ao Pai, mas que o Espírito Santo era subordinado ao Filho. A igreja começou a formular a doutrina da trindade no quarto século, quando o Concílio de Nicéia (325 d. C.), declarou que o Filho é coessencial com o Pai. Após acirrada disputa, no Concílio de Constantinopla (381 d. C.), prevaleceu a concepção de Atanásio (193-373 d. C.), afirmando a divindade do Espírito Santo. A formula de Constantinopla dizia que a trindade era “uma ousia (substância) em três hipostases (pessoas)”, sendo, portanto, uma identidade de natureza nas três hipostases”. Um outro pai da igreja que se dedicou com intensidade e equilíbrio à doutrina da trindade foi Agostinho (354-430), o qual eliminou os elementos de subordinação ainda comuns na defesa de alguns pais da igreja.

2. A EXPLICITAÇÃO DA DOUTRINA TRINITÁRIA
Após a Reforma, os teólogos que se voltaram mais propriamente à trindade foram Brunner (1889-1966) e  Barth (1886-1968). Ele perceberam a importância de tal doutrina que havia sido relegada a segundo plano pelo liberalismo teológico. Barth deriva da Escritura o ensinamento da trindade, mostrando que “Deus fala”, portanto, Ele é revelador (Pai), Revelação (Filho) e Revelatura (Espírito Santo). Ele se revela, é a Revelação e é também o conteúdo da Revelação. Deus e sua revelação se identificam. Em sua revelação Ele continua sendo Deus, absolutamente livre e soberano. Barth não admite nenhuma subordinação, diz ele: “ao mesmo Deus, em unidade incólume, é Revelador, Revelação e Revelatura, também se atribui, em Sua variedade incólume, precisamente este modo tríplice de existência”. A doutrina da Trindade, conforme exposta nas Escrituras, assume uma Unidade na Trindade, ou seja, existe um Deus que coexiste em três pessoas. Em I Co. 12.4-6, Paulo declara que cada pessoa da Trindade é Deus, ainda que esses não possam ser contabilizado como três deuses. A benção apostólica, que se encontra em I Co. 13.13, revela que os cristãos do primeiro século estavam conscientes dessa importante doutrina bíblica, ainda que essa não tivesse sido sistematizada. A sistematização dessa doutrina aconteceu a fim de responder às ameaças das heresias, que começaram a se difundir ainda nos primeiros séculos da Era Cristã. O modalismo tentou negar a coexistência entre o Pai, Filho e Espírito Santo, argumentando que esses eram na verdade apenas uma pessoa, que se utilizou de três máscaras, essa proposição de certo modo também foi defendida pelo unicismo. Uma das principais ameaças a ortodoxia trinitária foi o arianismo, doutrina defendida por Aria, bispo de Alexandria, argumentou que Cristo era apenas uma criatura, uma classe divina inferior. O Concílio de Niceia e Constantinopla, que se realizou em 381, com base nos trabalhos de Atanásio, combateu o arianismo, enfatizando a doutrina bíblica da Trindade.

3. DEUS COMO TRINDADE EM UNIDADE
A Bíblia ensina a sobre a trindade, já no Antigo Testamento, Deus fala de si mesmo no plural (Gn. 1.26; 11.7). Há também menção ao Anjo de Javé, que, se por um lado é identificado com Ele, também é distinto dele (Gn. 16.7-13; 18.1-21; 19.1-28; Ml. 3.1). No Novo Testamento, há uma revelação mais nítida da trindade, pois vemos o Pai enviando Seu Filho ao mundo (Jo.3.16; Gl. 4.4; Hb. 1.6; I Jo. 4.9) e do Pai e o Filho enviando o Espírito (Jo. 14.26; 15.26; 16.7; Gl. 4.6). Vemos o Pai dirigindo-se ao Filho (Mc. 1.11; Lc. 3.22); o Filho comunicando-se com o Pai (Mt. 11.25,26; 26.29; Jo. 11.41; 12.27,28 e o Espírito Santo orando a Deus no interior do crente (Rm. 8.26). Temos, assim, uma demonstração da separação, nas nossas mentes, das pessoas da Trindade. No batismo do Filho o Pai fala, ouvindo-se do céu a Sua voz, e o Espírito descendo na forma de pomba (Mt. 3.16,17). Na grande comissão Jesus menciona as três pessoas (Mt. 28.19). Nas epístolas Paulo (I Co. 12.4-6; II Co. 13.13), Pedro (I Pe. 1.2) e João (I Jo. 5.7) fazem referência a trindade, essa última passagem, em específico, salienta a tri-unidade. Uma comparação de textos tomados de todas as partes das Escrituras mostra que: cada uma das três Pessoas é Criador, embora se declare que há um só Criador (Jo. 33.4; Is. 44.24); cada uma é chamada de Javé (Dt. 6.4; Jr. 23.6; Ez. 8.1); de Senhor (Rm. 10.12; Lc. 2.11; II Co. 3.18), de Deus de Israel (Mt. 15.31; Lc. 1.16,17; II Sm. 23.2; Legislador (Rm. 7.25; Gl. 6.2; Rm. 8.2; Tg. 4.12), onipresente (Jr. 23.24; Ef. 1.22; Sl. 139.4; a Fonte de Vida (Dt. 30.20; Cl. 3.4; Rm. 8.10). Ao mesmo tempo, foi Deus quem fez o homem (Sl. 103.3; Jo. 1.3; Jó. 33.4); vivifica os mortos (Jo. 5.21; 6.33); levantou Cristo (I Co. 6.14; Jo. 2.19; I Pe. 3.18), comissiona o ministério (II Co. 3.5; I Tm. 1.12; At. 20.28), santifica o povo de Deus (Jd. 1; Hb. 2.11; Rm. 15.16) e faz manifestações espirituais (I Co. 12.6; Cl. 3.11; I Co. 12.11).

CONCLUSÃO
As Escrituras ensinam que Deus é Um, e que, não existe outro Deus além dEle (Dt. 6.4), mas, ao mesmo tempo, essa unidade divida é composta por três pessoas distintas, cada uma delas é a Divindade. Não que se está dizendo que sejam três deuses, na verdade, os três cooperam unidos e num mesmo propósito, de maneira que no sentido pleno do termo, são UM. Assim, o Pai cria, o Filho redime e o Espírito Santo santifica, contudo, em cada uma dessas operações os três estão presentes. O Pai testificou do Filho (Mt. 3.17), o Filho testificou do Pai (Jo. 5.19) e o Filho do Espírito (Jo. 14.26), que, posteriormente, testificou do Filho (Jo. 15.26).

BIBLIOGRAFIA
BARBOSA, J. R. A. O Cremos da Assembleia de Deus. São Paulo: Reflexão, 2017.
SOARES, E. A razão da nossa fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. 

5 de julho de 2017

Lição 02

O ÚNICO DEUS VERDADEIRO E A CRIAÇÃO
Texto Áureo: Mt. 12.29 – Texto Bíblico Básico: Gn. 1.1; Dt. 6.4


INTRODUÇÃO
Na lição de hoje daremos continuidade ao estudo das doutrinas fundamentais da fé cristã, com destaque, nesta aula, para a doutrina de Deus, considerando que Ele é verdadeiramente o Criador e Sustentador de todas as coisas. Inicialmente trataremos a respeito da Sua existência, destacando algumas das principais teorias a esse respeito. Em seguida, mostraremos algumas crenças equivocadas a respeito de Deus. E ao final, alguns dos seus atributos e características.

1. A EXISTÊNCIA DE DEUS
É sabido que os autores bíblicos não se empenharam, em qualquer lugar das Escrituras, em provar a existência de Deus. Eles partem do pressuposto básico de que Deus existe e ocupam-se em descrever Suas ações e Seu caráter (Gn. 1.1; Hb. 11.3). Contudo, em virtude do racionalismo que minou a fé de muitas pessoas nesses últimos tempos, alguns pensadores se esforçaram para apresentar algumas provas da existência de Deus. A existência de Deus, na Bíblia, é declarada, é um fato auto evidente, por isso, aquele que não acredita em Sua existência é chamado de “néscio” (Sl. 14). Como muitas pessoas estão no terreno da razão, é preciso, em algumas situações, apelar para tal recurso a fim de mostrar-lhes que a existência de Deus é algo racional, vejamos, portanto, alguns argumentos: 1) Argumento antropológico (Tiele) – nunca existiram povos ateus, o ateísmo é um fenômeno individual; 2) Argumento ontológico (Anselmo) – o conceito de Deus implica sua existência necessária; 3) Argumento cosmológico (Aquino) – cada movimento tem uma causa motriz, Deus é a causa não-criada; o motor imóvel que tudo move; 4) Argumento da aposta (Pascal) – quando se compara perdas e ganho potenciais de acreditar ou não na existência de Deus, quem acredita sai ganhando; 5) Argumento teleológico (Paley) – o universo tem um propósito, isso demonstra a existência de Deus; 6) Argumento moral (Kant) – a necessidade da existência de Deus, como legislador e juiz, é o fundamento da ordem moral. Na Bíblia, há o testemunho da existência de Deus: 1) como o Criador (Sl. 19.1-4; At. 14.15-17); 2) na consciência (Rm. 1.20; 2.15); 3) na fé do crente (Hb. 11.1-6); na revelação em Cristo e nas Escrituras (Jo. 1.1,14; II Tm. 3.16); no viver diário do cristão (Rm. 12.1)

2. CRENÇAS EQUIVOCADAS A RESPEITO DE DEUS
2.1 Agnosticismo – nega a capacidade humana de conhecer a Deus, a Bíblia, porém, nos dia que Deus se fez conhecer, ainda que, em parte (Ex. 33.20; Jó.11.17; Rm. 11.33,34; I Co. 13.9-12); 2.2 Politeísmo – baseia-se na ideia de que o universo é governado, não por uma força só, mas por muitas, as Escrituras mostram que essa é uma consequência do paganismo (Rm. 1.25); 2.3 Panteísmo – é o sistema de pensamento que identifica Deus com o universo, mas em Rm. 1.20-23, Paulo nos ensina que não podemos confundir a criatura com o Criador; 3.4 Materialismo – nega que haja qualquer influência ou manifestação espiritual na matéria, mas Jesus justamente nos mostra que Deus é Espírito (Jo. 4.24); 3.5 Deismo – admite que a existência de Deus, mas não sua em sua intervenção, tudo estaria à mercê de leis naturais, esquecem que Deus é tanto transcendente (Is. 6.1) quando imanente (At. 17.28; Ef. 4.6). O Deus da Bíblia se interessa pela sua criação, na verdade, Ele intervém na história. Desde a revelação hebraica, Ele é Aquele que se revela como o SENHOR, o YHWH, Aquele que se tornou conhecido. Os nomes de Deus, ao longo das Escrituras, manifestam Seu poder, e mais que isso, Seus atributos. A partir do Shemá, de Dt. 6.4, compreendemos que Ele é ÚNICO, Ele é um SÓ, que se manifesta em três: Pai, Filho e Espírito Santo. A doutrina trinitária é bíblica, ainda que não encontremos o termo Trindade nas Escrituras. A esse respeito Paulo dá o seguinte testemunho, diante dos ouvintes atenienses: “Ele é o Deus que fez o mundo, e tudo que nele há... nele vivemos, nos movemos e existimos” (At. 17.24-28).

3. A NATUREZA E OS ATRIBUTOS DE DEUS
Em relação à natureza de Deus, isto é, aos seus atributos incomunicáveis ao ser humano, Deus é apresentado na Bíblia como infinitamente perfeito (Dt. 18.13; Mt. 5.48), Sua obra é, portanto, perfeita (Dt. 32.4) bem como os Seus caminhos (Sl. 18.30). Deus é Santo por natureza enquanto que o homem somente pode sê-lo por participação (Rm. 1.4; II Co. 7.1; I Ts. 3.13). Esse Deus, que tudo pode (Jó. 42.2), somente faz o que lhe apraz (Sl. 115.3). Existem apenas algumas coisas que o Onipotente não pode fazer: 1) mentir (Nm. 23.19; Tt. 1.2; Hb. 6.18); 2) negar-se a si mesmo (II Tm. 2.13); 3) fazer injustiça (Jó. 8.3; 34.12; Sl. 145.17); 4) fazer acepções de pessoas (II Cr. 19.7; Rm. 2.11). Os atributos naturais de Deus são: 1) Onipresença – Deus se relaciona com tudo e com todos ao mesmo tempo (Sl. 139.7-10); 2) Onisciência – conhece todas as coisas (Mt. 10.30; Is. 46.9,10); e 3) Onipotência – tudo pode fazer (Ap. 4.1,2; Gn. 17.1). Esses atributos revelam a grandeza de Deus, e nos direcionam a nos dobrar perante Ele, reconhecendo Sua supremacia e soberania não apenas sobre nossas vidas, mas também sobre terra, céus e mares. Contudo, não podemos deixar de ressaltar que Esse é também um Deus que se aproxima dos seres humanos, e que um dos mais importantes atributos é o AMOR, pois está escrito que “Deus é amor” (I Jo. 4.8). Esse atributo nos é comprovado na pessoa de Cristo, pois Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho Unigênito para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas que tenha vida eterna (Jo. 3.16). Deus prova seu amor para conosco pelo fato de ter nos amado, sendo nós ainda pecadores e de andarmos à revelia da Sua vontade (Rm. 5.8).

CONCLUSÃO
O Deus Único e Verdadeiro revelou-se como o eterno e autoexistente “Eu sou”, o Criador dos céus e da terra, e o Redentor da humanidade. Ele também se revelou como aquele que incorpora os princípios de relação e associação como Pai, Filho e Espírito Santo (Dt. 6.4; Is. 43.10,11; Mt. 28.19; Lc. 3.22). Segundo Paulo, Ele é “Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver, ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém” (I Ts. 6.16). E mais que isso, Ele é Aquele que nos ama (Ap. 1.5).

BIBLIOGRAFIA
BARBOSA, J. R. A. O Cremos da Assembleia de Deus. São Paulo: Reflexão, 2017.
SOARES, E. A razão da nossa fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. 

28 de junho de 2017

Lição 01

A INSPIRAÇÃO DIVINA E A AUTORIDADE DA BÍBLIA
Texto Áureo: II Pe. 1.21 Texto Bíblico:  II Tm. 3.14-17


INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a respeito da Bíblia, considerando que essa é a Palavra de Deus, e como tal deve ser abordada. Inicialmente apresentaremos sua constituição, tendo em vista que sua composição não se deu no mesmo período. Em seguida, destacaremos sua importância, pois ela é a revelação escrita de Deus, e que visa transformar nossas vidas, e nos conduzir à santificação. Ao final, destacaremos sua interpretação, pois dessa depende a apropriada aplicação na vida do crente.

1. A IMPORTÂNCIA DA BÍBLIA
A palavra Bíblia é uma tradução portuguesa do grego “bíblia” que significa “”livros”, nome que, a partir do Séc. V, se começou a chamar a coleção completa de livros sagrados. A Bíblia é constituída de sessenta e seis livros diferentes, compostos por vários autores, em três línguas diferentes, hebraico, aramaico e grego, sob as mais distintas circunstâncias, por autores de diferentes classes sociais ao longo de um período de 1600 anos. Em meio a todas essas distinções, a Bíblia chama a atenção por ser um livro com tema único: a redenção do ser humano. Ela está dividida em duas partes: Antigo e Novo Testamento, a primeira, contêm trinta e nove livros, e a segunda, vinte e sete. Na Bíblia, esses escritos são chamados de: 1) escrituras (Mt. 21.42), 2) escritura (II Pe. 1.20); 3) as santas escrituras (Rm. 1.2); 4) a Lei (Jo. 12.34); 5) a lei de Moisés, os profetas e os salmos (Lc. 24.44); 6) a lei e os profetas (Mt. 5.14); e 7) velho testamento (II Co. 3.14). Há um intervalo de 400 anos entre o Antigo e o Novo Testamento. Deus, em sua soberania, poderia não ter qualquer contato com suas criaturas, contudo, Ele nos criou para o relacionamento. Diante disso, Ele decidiu, livremente, em graça, falar aos seres humanos. Em Hb. 1.1, lemos que “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho”. Os autores da Bíblia testemunham desse falar de Deus ao longo da história, que se deu repetitivamente e de modos distintos a diferentes pessoas. Por fim, nos falou por seu Filho, Jesus Cristo, em quem repousa a plenitude histórica da revelação divina, sendo este o “verbo que se fez carne” (Jo. 1.1). Deus, de fato, se revela aos seres humanos: 1) pela natureza (Rm. 1.18-21; Sl. 19); 2) pela providência (Rm. 8.28; At. 14.18-17); 3) pelos milagres (Jo. 2.11); e 4) atreves de Cristo (Jo. 1.14), mas é na Bíblia que confiamos por sua sobrenaturalidade e testemunho da revelação especial de Deus (I Jo. 5.9-12).

2. A INSPIRAÇÃO E INFALIBILIDADE DA BÍBLIA
A respeito do conceito de inspiração e inerrância, faz-se necessário analisar os textos de II Tm. 3.16,17 e II Pe. 1.21. Em II Tm. 3.16, Paulo diz que “Toda Escritura é inspirada por Deus” e não que “Toda Escritura, inspirada por Deus, é”, como dizem as traduções baseadas na Vulgata. Um outro aspecto que merece destaque é o termo Escritura, graphê, em grego, que fala do material como um todo (pasa), dizendo ser toda ela, theopneustos, ou seja, soprada por Deus, que seria a tradução mais literal para inspirada. Em consonância a isso, em II Pe. 1.21, Pedro afirma que “homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo”. Entendemos, então, que “homens falaram”, assim, Deus não desconsiderou suas personalidades (Rm. 10.20; I Co. 2.13; 14.37), impelidos, que em grego é pheromene, uma metáfora marítima usada para se referir a um navio levado pelo vento. No que diz respeito ao Novo Testamento, Paulo tinha consciência de que as cartas que escrevia deviam ser lidas e obedecidas (Cl. 4.16; II Ts. 3.14). Além do mais, não podemos esquecer da promessa do Espírito Santo que lembraria, ensinaria e guiaria os apóstolos a toda a verdade (Jo. 14.26; 15.26; 16.13). João, no Apocalipse, declara que aquilo que escreve é a palavra de Deus, a qual não se pode acrescentar ou subtrair (Ap. 1.1,2,11; 22.18,19). Consoante ao exposto, concluímos que a Bíblia não é resultante da mera inspiração humana, mas é, de fato, a Palavra verdadeira de Deus (Jo. 17.17), cabe a nós, portanto, ler o livro e obedecê-lo. No mais, conforme nos adverte Pedro em II Pe. 3.14-18, o problema não se encontra nas Escrituras, mas nos falsos mestres e sua compreensão errônea da Bíblia.

3. A INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA
A Bíblia interpreta a si mesma, essa é uma regra áurea, portanto, devemos lembrar que não podemos torcer o sentido do texto a fim de confirmar pressupostos. Uma interpretação honesta leva em conta os pontos a seguir: 1) Enquanto for possível, é necessário tomar as palavras no seu sentido usual e ordinário; 2) É absolutamente necessário tomar as palavras no sentido que indica o conjunto da frase; 3) É necessário tomar as palavras no sentido que indica o contexto, isto é, os versos que precedem e seguem o texto que se estuda; 4) É preciso considerar em consideração o desígnio ou objetivo do livro ou passagem em que ocorrem as palavras ou expressões obscuras; 5) É indispensável consultar as passagens paralelas explicando as coisas espirituais pelas espirituais (I Cor 2:13). (I Cor 2:13); 6) Um texto não pode significar aquilo que nunca poderia ter significado para seu autor ou seus leitores; 7) Sempre quando compartilhamos de circunstâncias comparáveis (isto é, situações de vida específicas semelhantes) com o âmbito do período quando foi escrita, a Palavra de Deus para nós é a mesma que Sua Palavra para eles. Devemos ter o máximo cuidado na interpretação da Bíblia, ciente que dependemos não apenas da compreensão humana, ainda que essa não deve ser desprezada, considerando que o próprio Deus deu inteligência ao ser humano, e esse deve fazer uso apropriada desta, sobretudo para a glória de Deus. A Bíblia deve ser lida com apreço, e disposição para a obediência, pois ela é autoritativa, e através dela podemos ter acesso à boa, agradável e perfeita vontade de Deus, evitando se coadunar aos princípios deste mundo tenebroso (Rm. 12.1,2). A interpretação apropriada da Bíblia deve considerar a atuação do Espírito Santo, pois as coisas de Deus são discernidas espiritualmente (I Co. 12.15).

CONCLUSÃO
As Sagradas Escrituras, tanto o Antigo quanto o Novo Testamento, são inspiradas (sopradas) por Deus. Elas são a revelação de Deus à humanidade, e nossa infalível e autorizada regra de fé e conduta (I Ts. 2.13; II Tm. 3.15,16; II Pe. 1.21). Por isso, se quisermos viver de acordo com a vontade de Deus, não podemos desprezar o estudo da Sua Palavra, pois essa, pelo poder do Espírito Santo, é suficiente para nos conduzir à santidade.

BIBLIOGRAFIA
BARBOSA, J. R. A. O Cremos da Assembleia de Deus. São Paulo: Reflexão, 2017.
SOARES, E. A razão da nossa fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.