12 de fevereiro de 2019

Lição 07


TENTAÇÃO – A BATALHA POR NOSSAS ESCOLHAS E ATITUDES
Texto Áureo: I Jo. 2.16  – Leitura Bíblica: Mt. 4.1-11

INTRODUÇÃO
Jesus foi tentado, partindo desse pressuposto, devemos considerar, por conseguinte, que ninguém está imune à tentação. Na aula de hoje, estudaremos a respeito da tentação de Jesus, com base no texto de Mt. 4.1-11, considerando, inicialmente, particularidades do texto grego, em seguida, interpretaremos o texto, e ao final, faremos as devidas aplicações, com o objetivo de sermos fortalecidos pelo Senhor, a fim de resistir no momento da tentação.

1. ANÁLISE TEXTUAL
Jesus foi conduzido – anago, se encontra na voz passiva – para o deserto – pelo Espírito – pneumatos – a fim de ser tentado – peirasthenai – mais uma vez na voz passiva – pelo diabo. No texto está escrito que isso aconteceu após o jejum – nesteusas, ter jejuado - de Jesus – por quarenta noites e quarentas dias, e que Ele estava faminto – epeinasen, teve fome. Então, veio até Ele o tentador – peirazon, aquele que tenta ou coloca a pessoa sob teste ou provação. E esse abordou o Senhor, e se aproximando – proselthon – disse: se – ei – partícula condicional – és o Filho de Deus – ordene – eipe, no imperativo – que essas pedras se transformem em pães. Jesus, porém, respondeu dizendo: está escrito – gegraptai – não só de pão viverá – zesetai – o homem, mas de toda (ou cada) palavra – rhema – que vem através – dia – boca de Deus. Em seguida, o diaboo conduziu – paralambanei auton – para a Cidade Santa – ten hagian polin – colocando-o sobre o pináculo – prerugion – do templo – tou ieron. E disse a Ele: Se é Filho de Deus, lança a te mesmo – bale seauton – daqui abaixo, porque (ou como) está escrito – gegraptai – pois aos seus anjos, mesnageiros – angelos – ordenará – enteleitai – a teu respeito, e tomar-te-ão nas mãos, para que nunca tropeces – proskopses – em pedra. Disse-lhe Jesus: está escrito – gegraptai – não colocarás em teste – ekpeiraseis – testarás, provarás, tentarás – o Senhor, teu Deus.  Novamente, o tomou – paralambanei – o diabo a um monte muito alto, e mostrou-lhe – deiknusin autô – todos os reinos da terra – pasas tas basileias tou kosmou, e a glória deles – then doxan auton. E disse-lhe: tudo isto te darei – dôsô – se – ean – te prostares – pesôn – e me adorares – proskuneô moi. Então, disse Jesus a ele, vai-te, saia daqui, parta agora – hupage – Satanás, pois está escrito – gar gegraptai – o Senhor teu Deus somente adorarás – proskuneseis – e a Ele somente servirás – latreuseis. Então, o diabo o deixou, e os anjos – angeloi, mensageiros – vieram e o serviram – diekonoun autô.

2. INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
Jesus foi conduzido pelo Espírito ao longo da sua vida, na verdade Seu ministério desenvolveu-se na direção do Espírito Santo. De igual modo, Seus seguidores devem viver na dependência desse mesmo Espírito (Gl. 5.16-18). No caso em foco, o Espírito o levou para ser tentado, que em grego é peirazo, palavra que tanto pode significar provar, quanto testar, ou mesmo tentar. É nesse contexto que Tiago afirma que Deus aninguém tenta (Tg. 1.13), ainda que use as circunstâncias para provar o caráter das pessoas (Hb. 11.17). A esse respeito, é importante considerar que a mesma palavra em grego é usado, por isso a dependência do contexto é necessária, para uma interpretação apropriada. Jesus foi tentado pelo diabo, que em grego é o acusador, com destaque para o artigo definido, portanto, não se trata de um tentador qualquer, mais de um diabo específico (v. 1). Jesus havia jejuado por quarenta dias e quarenta noite, uma experiência alusiva aos 40 anos que Israel esteve peregrinando, e sendo provado pelo deserto (Dr. 8.2-3), de igual modo, Moisés jejuou e orou por 40 dias e noites em duas ocasiões (Ex. 24.18; 34.28; Dr. 9.9-25; 10.10). O evangelista afirma que Jesus apenas teve fome, não diz que ele tenha tido sede, há quem diga, com base nessa declaração, que Jesus o jejum foi apenas de comida, mas não de água (v. 2). Jesus era e é o Filho de Deus, mas o objetivo do diabo é o de sempre questionar as verdades divinas, por isso questiona com um “se” (v. 3). Desde o princípio, Satanás pretende fazer com que as pessoas se distanciem dos parâmetros divinos, fazendo suas próprias vontades, ao invés da vontade de Deus (Gn. 3). A declaração “está escrito” aparece várias vezes nesse texto, demonstrando, assim, que a base para a vitória de Jesus sobre Satanás era as Escrituras (v. 4). Na verdade, o Senhor mais uma vez fazia referência a Israel, que foi provado ao longo do deserto, tendo tido fome, e recebendo a provisão divina, com o maná do céu (Dt. 8.2). Em seguida, o diabo o leva até o pináculo do templo, na cidade santa que é Jerusalém, esse era o Templo erigido por Herodes (v. 5). O Senhor declara outra vez: “está escrito”, quando o diabo tenta usar as Escrituras contra o próprio Deus. É preciso ter cuidado, pois Satanás conhece as Escrituras, e pode distorcê-las, a fim de realizar seus intentos (v. 6,7). Há pessoas que utilizam as Escrituras para satisfazer suas vontades, recorrendo a textos descontextualizados, sem atentar para as regras de interpretação. O objetivo do diabo era fazer com que Jesus se prostrasse aos seus pés e o adorasse, prometendo entregar a Cristo todos os reinos do mundo. Na verdade, o mundo jaz no maligno, o diabo é o príncipe deste século, fazer com que Jesus fugisse da cruz era o intento do inimigo, mas não existe glória antes de se passar pela cruz (v. 9,10). Por fim, depois de Jesus ter resistido, por meio da Palavra de Deus (Tg. 4.7; I Pe. 5.9), os anjos vieram para servi-lo.

3. APLICAÇÃO TEXTUAL
A tentação é algo real, e acontece por diversas razões, uma delas é por causa da natureza pecaminosa. Ser tentado não é pecado em si, apenas se através da tentação, o pecado for concretizado. Jesus nos ensinou a orar, pedindo para que o Pai não permitisse que caíssemos em tentação. A tentação vem através dos sentidos, Eva foi seduzida porque olhou para o fruto, e percebeu que esse era desejável para comer (Gn. 3.6). A concupiscência dos olhos e a soberba da vida tem conduzido muitas pessoas à ruína espiritual (I Jo. 2.16,17). A tentação e a vitória de Jesus servem de instrução para todos aqueles que querem vencer o pecado. Inicialmente, devemos atentar para a Palavra de Deus, essa deve ser nosso fundamento de fé e prática. Mas também é preciso ter cuidado, pois o próprio Satanás pode citar indevidamente as Escrituras. E mais, devemos permanecer atentos às suas investidas, sobretudo aos seus questionamentos, quando coloca dúvidas em nossas mentes, a respeito da nossa filiação divina, e do nosso relacionamento com Deus. Ele também deseja espetáculo, que usemos o evangelho a fim de chamar a atenção das pessoas, isso pode acontecer por meio de crenças triunfalistas, pessoas que querem antecipar o reino de Deus, e transformar os governos terrenos em celestiais. Há quem acredite em um evangelho sem sofrimento, apenas de prosperidade financeira, mas isso não tem qualquer respaldo bíblico. É paradoxal que tudo aquilo que Jesus rejeitou na sua tentação esteja seduzindo a igreja dos tempos modernos. A alternativa para o cristão sincero, que está fundamentado na Palavra de Deus, é resistir as propostas de Satanás, e mais que isso, ordenar para que esse se afaste de nós. A vitória sobre a tentação passa pelo caminho da renúncia, pela negação das nossas vontades, para que estejamos de acordo com a Palavra de Deus, sejamos verdadeiros discípulos de Cristo (Mt. 16.24).

CONCLUSÃO
Somos testados e provados continuamente, Deus permite que Satanás, que é o deus deste século nos prove (II Co. 4.4), mas a vitória sobre as tentações é uma oportunidade para crescermos na fé. Sejamos, pois, firmes na Palavra de Deus, e cientes que nenhuma provação é maior do que possamos suportar, mas isso porque Deus nos dá o escape, pelo Espírito Santo que nos dá vitória, para andarmos em Cristo, e sermos feitos conforme a Sua imagem.

BIBLIOGRAFIA
BORGMAN, B., VENTURA, R. Spiritual warfare. Grand Rapids: RHB, 2014.
STEDMAN, R. C. Batalha espiritual. São Paulo: Abba Press, 1995.

5 de fevereiro de 2019

Lição 06


QUEM DOMINA A SUA MENTE
Texto Áureo: Fp. 2.5  – Leitura Bíblica: Fp 4.4-9

INTRODUÇÃO
A mente é um campo de batalha, Satanás busca ter o controle das nossas emoções, a fim de nos levar a pensar em coisas negativas. Na aula de hoje, estudaremos Fp. 4.4-9, um texto bíblico no qual Paulo nos instrui não vivermos inquietos, antes a confiar em Deus. E mais importante, a necessidade de preencher nossas mentes com tudo o que agrada a Deus, sobretudo o que é verdadeiro, honesto, justo, puro, amável, de boa fama, e também, meditando no que aprendemos a respeito de Cristo.

1. ANÁLISE TEXTUAL
A Epístola aos Filipenses foi escrita por Paulo por volta do ano 62 d. C, com o objetivo de instruir os irmãos daquela cidade a viverem em alegria – a palavra grega chara ocorre várias vezes nessa carta. No texto em foco, o Apóstolo inicia conclamando os irmãos a se alegrarem – chairete, um imperativo ativo. Essa charis deve ser no Senhor – en kuriô, e mais ainda deve, deve ser sempre – pantote, em todo tempo. E isso é tão importante que Paulo repete: chairete (v. 4). Ele deseja que a equidade – epiekes, razoabilidade – seja notória, essa palavra tem a ver com o bom senso, a capacidade de discernir entre o que é certo e o errado. E essa não apenas entre os membros da igreja de Cristo, mas também entre todos os homens, partindo da premissa que he kurios engus – perto está o Senhor (v. 5). A consciência da presença de Cristo deve nos motivar a agir em conformidade com a fé que defendemos. Por isso, não deveriam estar inquietos – merimnate – cuidadosos, preocupados – com coisa alguma. Paulo apresenta uma alternativa à ansiedade, a oração: apresentar vossas petições – aitema – que essas sejam conhecidas diante de Deus, com oração – proseuche – e súplicas – dêesei, sem esquecer das ações de graça – eucharistias (v.6). Fazendo assim, Paulo diz que a paz – eirene – que excede todo entendimento – guardará os vossos corações – kardias, o centro das emoções para o mundo greco-romano, e para ser mais específico, também vossos sentimentos – noemata, mente e pensamentos – em Cristo Jesus (v. 7). E quanto ao mais, o que deve está na mente dos irmãos é o que é verdadeiro – alethe, real, tudo o que é honesto – semna – digno de honra e respeito, tudo o que é justo – dikaia, correto, tudo o que é  puro – hagna, inocente, tudo o que é amável – prosphile, que possa ser amado, e tudo o que é de boa fama – euphema, digno de louvor, e se há alguma virtude – arete, coisa excelente, diz o Apóstolo, nisto pensai – logizesthe, imperativo, com ideia de raciocinar, refletir a respeito. A base dessa reflexão é o que aprendestes – emathete, estudastes, recebestes – parelabete, tomastes, e o ouvistes – ekousate, com atenção e compreensão, e isso fazei – prassete, cumprir, se comportar, assim o Deus de paz – eirenes – será convosco.

2. INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
A fé cristã não tem uma relação direta com a felicidade, o maior anseio da sociedade contemporânea, propalando pelos vendedores de sucesso. A promessa de Cristo é alegria – chara – a qual é produzida em nós pelo Espírito Santo (Gl. 5.22). Ao mesmo tempo, precisamos também nos alegrar, ou buscar a alegria da salvação. Essa alegria precisa nos acompanhar em todas circunstâncias, ainda que estejamos em momentos de adversidade. A vida em comunidade deve ser pautada pela equidade, ou mais precisamente, pelo bom senso, a fim de que as pessoas não busquem apenas o que é melhor para elas mesmas, mas também para os outros. A volta do Senhor está muito próxima, e esse deve ser um dos motivos para uma vida em unidade, fundamentada na genuína comunhão cristã. Não podemos esquecer que o Senhor retornará como Juiz, e que haverá de avaliar as nossas obras (Tg. 5.9), ainda que não saibamos quando isso irá acontecer (II Pe. 3.1-13). As palavras de Paulo, em relação a uma vida moderada, que não se deixa conduzir pela ansiedade, encontra eco nos ensinamentos de Jesus, quanto às solicitudes da vida (Mt. 6.25-34). A confiança em Deus é aprendida, como resultado de uma comunhão contínua, dependendo dEle em todas as circunstâncias. O melhor a fazer, como demonstração dessa confiança, é ser grato a Deus, e aprender a desfrutar de tudo aquilo que Ele nos provê. O contentamento é um excelente antídoto contra a ansiedade, é um estilo de vida alternativo contra tudo aquilo que tira nossa atenção das coisas de Deus. Precisamos reconhecer que existe uma batalha espiritual na mente, e que essa precisa ser vencida, para tanto devemos pensar em coisas que edificam, tudo aquilo que é nobre e agradável. Mas somente pensar não é suficiente, devemos também colocar em prática o que aprendemos, desde que as fontes sejam confiáveis, e o mais importante, estejam fundamentadas na Palavra de Deus.

3. APLICAÇÃO TEXTUAL
Os pastores mais antigos costumavam dizer que “mente desocupada é oficina de Satanás”. Somos pessoas que podem ser afetadas pela cultura na qual estamos inseridos. Como esponjas, podemos absorver tudo aquilo que se encontra ao nosso redor. É preciso ter cuidado para não se deixar levar por coisas que nos afastem de Deus, e que roubem nossa verdadeiro eu, cuja identidade se encontra em Deus. Somente Ele sabe o que é melhor para cada um de nós, por isso devemos ter cuidado para nos preocupar demasiadamente. Ao invés de nós pre-ocupar com as coisas que nos distraem do que é de cima, devemos nos ocupar com o Deus que está no comando de todas as circunstâncias (Cl. 3.1). Existem muitos cristãos que estão com a mente afetada por pensamentos negativos porque se interessam apenas por práticas que não edificam. A internet e a televisão têm afastado muitos crentes do seu foco, principalmente quando se trata de sensacionalismo, ou mesmo de informações equivocadas. Há uma indústria de fake news – notícias falsas – nos dias atuais, causando terrorismo psicológico, sendo também uma ferramenta para manipular as pessoas. Ao invés de ficar pensando nessas coisas, e de ficar preocupado com as ameaças que nos chegam, sejam elas reais ou fictícias, devemos alimentar nossa mente com a Palavra de Deus. A leitura diária da Bíblia, e dos bons livros cristãos, associados a uma vida de oração, é fundamental para ter saúde espiritual. Isso porque nossa espiritualidade pode ser atingida pela mente, se ficarmos muito tempo pensando negativamente, isso irá afetar diretamente nosso pensamento. Ao acordar, bem cedo pela manhã, devemos ler a Bíblia, fazer uma oração, a mesma atitude deve ser observada a noite, antes de dormir. Assistir televisão ou ficar na internet pode causar danos, não apenas ao corpo e a mente, mas também à vida espiritual. Ouvir músicas edificantes, ou mesmo textos bíblicos gravados, é uma alternativa viável, para que mantenhamos nossa mente nos Senhor.

CONCLUSÃO
O cristão, para ser identificado como tal, precisa ter a mente de Cristo (I Co. 2.16), e isso acontece através da meditação na Sua Palavra. Cristo em nós deve ser o alvo de todo crente sincero, e isso acontece na medida que O imitamos. Jesus estava sempre centrado no Pai, e quando se sentia ameaçado pela multidão, ia para o deserto, a fim de orar e meditar. Não podemos fugir do real, muito menos das responsabilidades, mas precisamos, sempre que possível, buscar refrigério na presença de Deus.

BIBLIOGRAFIA
BORGMAN, B., VENTURA, R. Spiritual warfare. Grand Rapids: RHB, 2014.
STEDMAN, R. C. Batalha espiritual. São Paulo: Abba Press, 1995.

29 de janeiro de 2019

Lição 05


UM INIMIGO QUE PRECISA SER RESISTIDO
Texto Áureo: Tg. 4.7 – Leitura Bíblica: Tg. 4.1-10

INTRODUÇÃO
A Epístola de Tiago foi escrita por volta do ano 45 d. C., sendo um dos primeiros textos apostólicos. Essa carta foi destinada aos primeiros cristãos dispersos, de origem judaica no contexto do império romano (Tg. 1.1). Esses crentes faziam parte do “movimento de Jesus”, e ainda se reuniam nas sinagogas, seu principal objetivo era integrar fé e obras, enquanto sabedoria prática, que provém do alto (Tg. 3.14,15).

1. ANÁLISE TEXTUAL
No texto em foco, a ênfase é posta na causa das guerras – pólemos -  e pelejas – machai, que também pode ser traduzido por disputas. Tiago diz que elas provém dos vossos deleites – hedonon, ou prazeres ou paixões, que guerreiam – strateomai – que entram em confronto – em vossos membros? (v. 1). Ao invés de pedir a Deus, e buscar o que edifica, muitos preferem cobiçar – epithumeite – desejar ardentemente, e isso leva a um tipo de frustação, por não ser capaz de alcançar – epithuchein. Ao invés de orar com sabedoria, e pedir as coisas que são do alto, as pessoas pedem mal, para gastar – depanesete – esse verbo expressa o desejo de consumir (v. 3). O grande problema é que as pessoas se deixam controlar pela filosofia deste mundo – kosmu – aqui se referindo aos padrões anti-Deus, que regem a esfera humana. O que tem neste kosmos é adultério – moichalides – não apenas no sentido sexual, mas também de se deixar contaminar com os valores desta era. Aqueles que se tornam amigos do mundo, acabam por se tornarem inimigos de Deus (v. 4). A Escritura é bastante clara, ao afirmar que o Espírito que habita no crente tem ciúmes - phthonos – tanto pode ter um sentido negativo, como ciúme e inveja, quanto positivo, que é o caso nessa passagem, com o sentido de zelo (v. 5). Há um paradoxo no texto, pois Deus dá graça – charin – aos humildes – tapeinos – no contexto de Tiago, aquelas pessoas que são marginalizadas, mas aos soberbos – huperefanois – arrogantes e orgulhosos, com base no que possuem (v. 6). A opção apresentada pelo apóstolo é sujeitar-se – hupotagete – colocar-se sob o controle – de Deus, e resistir – antistete – também se opor – ao Diabo, então esse fugirá de vós (v. 7). É preciso se chegar mais a Deus, e ele se chegar a vós, diz Tiago. E mais, limpai as mãos, e purificai o coração – kardia, sobretudo aqueles de ânino dobre – dipsuchoi – que ficam entre dois pensamentos, não se definem a quem agradar, se a Deus ou ao mundo (v. 8). Para tanto, devem sentir as vossas misérias – telaporeisate – lamentar e chorar – converter o riso em pranto; e o gozo, em tristeza. E mais: humilhar-se – tapenoithete perante o Senhor, somente ele pode exaltar – hupsosei – no futuro, de maneira oportuna.

2. INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
O pecado da dissenção, naquela comunidade eclesiástica, era resultante da falta de sabedoria do alto (Tg. 3.13-18), que tinha relação com a mundanidade, ou seja, aos valores daquela época que estavam adentrando à igreja. Muitas disputas que acontecem no seio da igreja são provenientes dos desejos (gr. hedone – paixões), que fazem com que as pessoas entrem em conflito umas com as outras (v.1). É muita cobiça envolvida, sobretudo nos tempos atuais, marcado pelo consumismo, as pessoas estão deixando de valorizar o que é espiritual, e se tornando extremamente mundanas, se apegando ao que é da terra, em detrimento do que é do céu. Essa condição se reflete na própria oração, pois as pessoas expressam em suas palavras aquilo que desejam. Uma demonstração prática disso é a famigerada teologia da ganância, que incita os crentes a buscarem enriquecimento terreno, trazendo sobre elas mesmas sofrimento e frustração (v. 2). Por causa disso, as orações são equivocadas, pessoas que pedem apenas para satisfazerem seus deleites, não que o prazer seja pecado em si, mas esse não pode controlar as pessoas (v. 3). Quando isso acontece, nos tornamos adúlteros e adúlteras, no sentido espiritual, pois desejamos o mundo, como se esse fosse a razão da existência (v. 4). Ninguém que ama este mundo pode dizer que é amigo de Deus, pois são incompatíveis (I Jo. 2.15,16; 5.19). O mundo, nesse contexto, não se refere ao mundo físico, muito menos às pessoas, mas ao sistema anti-Deus, que se opõe aos valores do Reino de Deus (Mt. 6.24). O Espírito que habita em nós é um real, e tem sentimentos e vontades, por isso sente zelo por aqueles que se entregam aos prazeres do mundo (v. 5). A graça de Deus é para aqueles que se humilham, ou seja, que se submetem à vontade de Deus (I Pe. 5.5), se opõem à arrogância e ao orgulho, e se fiam na providência divina, dependem daquilo que Deus dá, o pão nosso de cada dia (v. 6). É preciso resistir ao diabo, e uma das melhores maneiras de fazê-lo é se aproximando de Deus (I Co. 10.13), pois somente assim Satanás fugirá de nós, como aconteceu com Cristo, ao ser tentado (Lc. 4.13). Se quisermos nos aproximar de Deus, devemos purificar nossas vidas, chorar nossa condição de pecado, reconhecer a misericórdia divina (v. 8,9), como orientaram os profetas do Antigo Testamento (Is. 15.2; Jr. 6.26). E para concluir, de maneira resumida, Tiago reforça que devemos ser humildes – viver um estio de vida simples – se quisermos ser exaltados por Deus (Mt. 23.12), ter cuidado para não se deixar levar por um modelo de religiosidade que apenas valoriza o que se tem, diferente daquele ensinado por Jesus, sobretudo no sermão do monte (Mt. 5-7).

3. APLICAÇÃO TEXTUAL
O mundo é movido pela ganância, essa é a causa das guerras e conflitos, não apenas entre os não-cristãos, mas também entre os cristãos. O mundo jaz no maligno (I Jo. 5.19), e esse é inimigo de Deus, por se opor à sua vontade (Rm. 8.6-8; 12.1,2). Uma das formas de Satanás, que é o deus deste século, manipular as pessoas (II Co. 4.4), é através do desejo desenfreado, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba dos olhos (I Jo. 2.16-17). O pecado dos nossos primeiros pais no Jardim do Éden se deu através do olhar, e o desejo de ser igual a Deus, se apropriando daquilo que Ele havia proibido (Gn. 3.6). O desejo de enriquecer, inspirado na inveja do outro, está levando muitas pessoas à ruina, afinal o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (I Tm. 6.10-12). Mamom é o deus que governa o mundo dos negócios, e sacrifica muitas vidas, a fim de ser adorado, por isso Jesus advertiu quando a essa divindade, e foi categórico ao afirmar que ninguém pode servir a dois senhores (Mt. 6.24). A alternativa cristã contra a idolatria do dinheiro é um estilo de vida simples, pautado no contentamento, pois é assim que Deus deseja que vivamos (Lc. 3.14; Fp. 4.12; Hb. 13.5). Contentamento não significa comodismo, ninguém está proibido de buscar viver melhor, e até mesmo de prudentemente reservar um pouco para os dias difíceis, mas não se pode confiar nas riquezas. Jesus nos ensinou a viver sem o frenesi das preocupações, sobretudo em relação ao que teremos para viver no futuro (Mt. 6.24-33).  O problema é que as pessoas estão sendo seduzidas pelo consumismo, comprando coisas que não precisam, apenas para agradar as outras pessoas. Essas pessoas, ainda que não percebam, estão no ritmo de vida do mundo, e por essa razão, estão adulterando espiritualmente, pois amam mais o presente século do que a Deus. A cobiça e o hedonismo não é um estilo de vida compatível com o cristão, ainda que tenhamos sido criados para o prazer, não podemos deixar que os deleites da vida nos controlem (I Co. 6.12).

CONCLUSÃO
As advertências de Tiago são necessárias, caso queiramos resistir ao diabo. A melhor maneira de fazê-lo, conforme instrução do próprio apóstolo, é sujeitar-se e se achegar cada vez mais a Deus. A vitória sobre os poderes do mundo depende de Deus, mas nós também somos participantes, na medida em que buscamos viver no Espírito (Gl. 5.22), não satisfazendo os desejos desenfreados da carne (Gl. 5.16). É preciso se arrepender dos pecados, sentir as misérias, lamentar e chorar, a fim de receber a graça de Deus, pois o Senhor abate os orgulhosos, mas eleva os humildes (Tg. 4.6,10).

BIBLIOGRAFIA
BORGMAN, B., VENTURA, R. Spiritual warfare. Grand Rapids: RHB, 2014.
STEDMAN, R. C. Batalha espiritual. São Paulo: Abba Press, 1995.

22 de janeiro de 2019

Lição 04


POSSESSÃO DEMONÍACA E A AUTORIDADE DO NOME DE JESUS
Texto Áureo: Lc. 10.17 – Leitura Bíblica: Mc. 5.2-13

INTRODUÇÃO
Os demônios atuam na esfera humana, ainda que alguns tentem negar essa verdade. A ciência moderna, com o objetivo de reduzir tudo ao material, atribui a possessão demoníaca aos transtornos mentais. Essa, no entanto, é uma realidade no contexto bíblico, reforçada pela experiência. Na aula de hoje, estudaremos a respeito da realidade da possessão demoníaca, e o mais importante, a autoridade de Jesus sobre as potestades espirituais.

1. ANÁLISE TEXTUAL
Logo após Jesus sair do barco, pois estava ensinado às pessoas, saiu-lhe ao encontro um homem com um espirito imundo – pneumati akatharti – isto é, um espírito impuro. E esse, fazia com que aquele homem morasse nos sepulcros, e tinha uma força extraordinária, de modo que ninguém podia preder – o verbo grego é deô, indicando que nada podia atá-lo, ou mais precisamente, amarrá-lo (v.2). E isso é reforçado no versículo seguinte, pois muitas vezes foi preso com grilhões – pedais – correntes e cadeias – halusesin – prisões, mesmo assim, sua força era tão grande que fazia as correntes e cadeias não passarem de migalhas – synthretipetai – destruindo em pedações (v. 3). E mais, esse espírito imundo o impulsionava a andar de dia e de noite clamando pelos montes, fazendo com que o homem ferisse a ele mesmo com pedras. Paradoxalmente, quando esse homem vê Jesus, corre para o adorar – prosekynesen – se prostrando aos seus pés. E reconhece que Jesus é o Filho do Deus Altíssimo – huie tou Theos ho hupsistos. O demônio pede a Jesus que não o atormente – basanizo, que dá ideia de perturbar. Jesus, com autoridade divina, pergunta qual o nome daquele demônio, e esse responde: Legião – legion, e o próprio explica – porque somos muitos (v. 9). O demônio roga a Jesus para que não o enviasse para fora daquela província – chora – região, país ou área de atuação. Naquela ocasião, pastava no monte uma grande manada de porcos, e os demônios rogaram a Jesus para que os mandasse para entrar nos porcos. Jesus permitiu, os espíritos imundos entraram nos porcos, e a manada se precipitou por um despenhadeiro no mar, e ali se afogou (v. 13).

2. INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
Esse episódio ocorreu próximo a Gerasa, uma cidade pequena próxima ao mar, na narrativa de Mateus, é especificado que era na região de Gadara (Mt. 8.28). Havia ali . um demônio – espírito imundo – que se apoderava de um homem e que o tentava destruir. Essa realidade é coerente o que Jesus ensinou, o diabo veio para roubar, matar e destruir (Jo. 10.10). Aquele homem cortava a si mesmo, utilizando-se de pedras, tendo tendências autodestrutivas. Há quem defenda que toda tendência suicida é demoníaca, mas isso nem sempre é verdade. Existem pessoas que têm problemas mentais e que demandam tratamento especializado. Mesmo assim, não se pode negar que as potestades do mal se aproveitam da vulnerabilidade humana para inculcar tendências autodestrutivas (Mc. 5.5). Esse demônio se apropria da voz daquele homem, isso mostra que os espíritos imundos podem se utilizar das funções biológicas, inclusive dando-lhe maior capacidade, considerando que ninguém podia prender aquela pessoa. A partir desse texto, aprendemos também que os demônios agem de maneira orquestrada, em alguns casos, como um exército, já que se chamava Legião, que em Roma era composta por 6.000 soldados, não sabemos ao certo se esse era o total de demônio existentes naquele homem, mas certamente eram muitos (Mc. 5.9). Os porcos, no contexto da cultura judaica, eram considerados animais impuros, por isso, os demônios pediram para serem lançados neles (Mc. 5.13). Jesus permitiu que tais espíritos fossem para os porcos, e esses morreram ao caírem no despenhadeiro. É digno de destaque que as pessoas daquela região, ao invés de ficarem satisfeitas com a libertação do homem, preferiram lamentar o prejuízo, deixando de ver a importância da restauração da sua condição normal.

3. APLICAÇÃO TEXTUAL
Os demônios existem, e continuam atuando nos dias atuais, mas o poder deles está limitado, Jesus tem autoridade para expulsá-los, como fez nos tempos antigos. A presença do Senhor, em ambientes dominados pelas forças do maligno, pode fazer com que esses sejam modificados. O fato de Jesus ter perguntado o nome dos demônios não é fundamento para entrevistá-los, como fazem algumas igrejas neopentecostais em programas televisivos. Além disso, não podemos deixar de considerar que o diabo é o pai da mentira, portanto, não é digno de crédito. É preciso também ter cuidado, para não supervalorizar a atuação demoníaca, e não fazer propaganda demasiada da sua atuação. Existem pregadores que falam tanto a respeito do demônio em suas preleções que esquecem de enfatizar a cruz do nosso Senhor Jesus Cristo, que deve ser nossa mensagem central. Existem, nesses tempos difíceis, muitas pessoas que estão debaixo do controle das hostes infernais, precisamos continuar pregando a boa nova do Reino de Deus, e expulsando os demônios na autoridade de Jesus. Mas devemos saber, conforme nos é revelado nas Escrituras, que expulsar demônios não tem por objetivo espetacularizar o evangelho. Muito pelo contrário, o mais importante é o Reino de Deus, e o ato de expulsar os demônios é apenas um sinal, que antecipa o “já”, do “ainda não”, quando os poderes das trevas serão definitivamente destronados. Assim, com a autoridade do nome de Jesus, devermos expulsar os demônios, mas não podemos deixar de anunciar que o reino de Deus está no meio de nós.

CONCLUSÃO
Os demônios continuam atuando no planeta terra, e instrumentalizando pessoas para causar a destruição delas mesmas, bem como de outros. Na autoridade do nome de Jesus, podemos expulsá-los, a fim de que essas pessoas sejam libertas, e possam viver para a glória de Deus. É importante que estejamos cientes do poderio de Jesus sobre os poderes das trevas, e que ao expulsamos os demônios, estamos antecipando a realização do reino de Deus, que terá sua plenitude no futuro.

BIBLIOGRAFIA
BORGMAN, B., VENTURA, R. Spiritual warfare. Grand Rapids: RHB, 2014.
STEDMAN, R. C. Batalha espiritual. São Paulo: Abba Press, 1995.

16 de janeiro de 2019

Lição 03


A NATUREZA DOS DEMÔNIOS – AGENTES DA MALDADE NO MUNDO ESPIRITUAL
Texto Áureo: Ap. 22.9 – Leitura Bíblica: Ap. 12.7-10

INTRODUÇÃO
A batalha espiritual continua, desta feita nos voltaremos para a natureza dos demônios, ressaltando o agenciamento desses seres no mundo na maldade. Para tanto, partiremos do texto de Ap. 12.7-10, a fim de mostrar a atuação demoníaca no contexto escatológico. Ao final, enfocaremos o poder dos demônios, evitando supervaloriza-lo, a fim de mostrar que Jesus é o Grande Vencedor, e Aquele a quem devemos proclamar, como o Valente de Deus.

1. ANÁLISE TEXTUAL
O livro do Apocalipse foi escrito por João na Ilha de Patmos, quando ali esteve como prisioneiro, por causa do Evangelho do Senhor Jesus. Esse texto trata a respeito dos eventos que acontecerão por ocasião da Grande Tribulação, que antecede a volta de Cristo em glória, para estabelecer o reino no Milênio. João diz que houve uma batalha – polemos – e que Moisés e os seus anjos, e batalhavam – polemesai – o dragão e os seus anjos. Esse verbo polemesai, em consonância com o substantivo polemos, dão ideia não apenas de uma luta, mas também da manifestação de hostilidade (v. 7, 8). Há uma disputa e uma desconsideração dos poderes das trevas pelos mensageiros de Deus. Mas o grande dragão, a antiga serprente, chamado o diabo em grego e Satanás em hebraico, foi precipitado – eblethe – foi derrotado, tendo sido lançado na terra, esse mesmo que engana – plana – dando ideia de alguém que conduz as pessoas a se desviarem, e que as leva pelo caminho do engano (v.9). Satanás é finalmente derrotado, pois o próprio João escuta uma grande voz do céu, dizendo que a salvação era chegada, e a força e o reino do nosso Deus, e o poder – dunamis, um poder para realizar milagres  - do Seu Cristo. Isso porque o acusador – kategor – de nossos irmãos foi derrotado. A principal característica de Satanás é a de acusar- kategoron – e isso ele faz dia e noite (v. 10).

2. INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
Ao estudarmos o assunto da batalha espiritual, precisamos ter cuidado para não dar ideia que existem poderes iguais, como se fossem forças antagônicas em condições semelhantes, disputando território e poder. Qualquer perspectiva dessa natureza se assemelha a um dualismo grego, que não encontra respaldo nas Escrituras. As hostes satânicas não podem deter o poder de Deus, muito menos do Seu reino. No texto em foco, João viu sinais nos céus, uma mulher que dá à luz e um dragão que pretende destruir sua descendência. Há várias interpretações desse texto, a mais apropriada é a de que Jesus é o filho da mulher – Israel – que é perseguido pelo dragão, justamente no período da Grande Tribulação. Deus envia Miguel e suas hostes celestiais, a fim de pelejar contra Satanás. Miguel é um arcanjo e guardião do povo de Deus (Dn. 10.13; 12.1; Jd. 9). A vitória de Miguel e das suas hostes sobre o dragão é resultante do poder triunfante de Jesus na cruz do calvário (Cl. 2.15). A batalha de Satanás contra os anjos de Deus remete aos tempos antigos, e talvez, anterior a criação dos homens. Satanás é o príncipe dos demônios (Mt. 12.24; 25.41). Ele era um querubim ungido, perfeito em sabedoria e formosura, mas que se rebelou (Ez. 28.12-15; Is. 14.12-15), sendo destituído da sua condição, alguns anjos que o apoiaram nessa rebelião já estão presos (II Pe. 2.4; Jd. 6).

3. APLICAÇÃO TEXTUAL
Estamos diante de uma luta contra os poderes das trevas, e essa teve início na esfera humana no jardim do Eden (Gn. 3.1-15). Depois de ter sido expulso do céu, Satanás busca desviar o ser humano do objetivo para o qual foi criado: viver para a glória de Deus. Mas seus dias estão contados, e eles sabe muito bem disso, ademais, mesmo sendo um Acusador, não há mais condenação para aqueles que estão em Cristo (Rm. 5.1; 8.33), por causa da justificação. Jesus se fez pecado por nós, Seu sacrifício na cruz do calvário foi suficiente para que tenhamos a garantia da vida eterna. Por causa de Jesus, esses espíritos imundos (Lc. 4.33; 8.29; Ap. 18.2) e os espíritos malignos (Lc. 8.2) estão limitados, até o dia em que finalmente serão vencidos, por Aquele que é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. A vitória de Jesus contra Satanás está na esfera da implantação do reino de Deus, ao mesmo tempo que existe um “já”, há um “ainda não” que terá sua plenitude quando o reino de Deus for finalmente estabelecido. Por isso, devemos ter cuidado, e não devemos ignorar as astúcias do Inimigo, sendo capaz de colocar espinhos na carne (II Co. 12.7), e até mesmo impedir o avanço da obra de Deus, sobretudo da obra missionária (I Ts. 2.18). Não devemos desconsiderar seus ardís, muito menos sua astúcia (II Co. 2.11), sabendo que chegará o dia em que ele será esmagado (Rm. 16.20).

CONCLUSÃO
Satanás é o adversário daqueles que creem em Deus, devemos estar cientes de que uma batalha existe, e que essa é real no mundo espiritual. Mas devemos saber também que Jesus, o mais Valente que o inimigo, está do nosso lado, Ele é o Capitão da nossa salvação, e por causa dele, temos a certeza de que o Reino de Deus virá, e certamente teremos um governo de plena paz, e de justiça para todas as pessoas. Essa é nossa expectativa, e deve continuar sendo, a grande esperança da igreja.

BIBLIOGRAFIA
BORGMAN, B., VENTURA, R. Spiritual warfare. Grand Rapids: RHB, 2014.
STEDMAN, R. C. Batalha espiritual. São Paulo: Abba Press, 1995.

8 de janeiro de 2019

Lição 02


A NATUREZA DOS ANJOS – A BELEZA DO MUNDO ESPIRITUAL
Texto Áureo: Sl. 103.20 – Leitura Bíblica: Lc. 1.26-35

INTRODUÇÃO
A definição funcional dos anjos se encontra em Hb. 1.14, de acordo com o autor dessa Epístola, são espíritos ministradores a serviço daqueles que hão de herdar a salvação. Em geral, assumimos que existem poucas passagens bíblicas que nos permitam descrever com propriedade que são os anjos e sua atuação na obra de Deus. Por isso, na aula de hoje, estudaremos um caso específico, o do anúncio do nascimento de Jesus, em seguida, faremos uma incursão bíblica a respeito dos anjos.

1. ANÁLISE TEXTUAL
Lucas narra que no sexto mês, foi enviado um anjo – angelos – um mensageiro a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré. Gabriel, o nome desse mensageiro, deveria se dirigir à Maria, uma virgem – parthenon, uma donzela – que havia sido desposada – emineustemenen, ou melhor, prometida em casamento a José, sendo este da casa de Davi. Ao entrar, o anjo o anjo saldou-a, dizendo: o Senhor é contigo; bendito és tu entre as mulheres. Maria ficou perturbada – dietarachthe, agitada – a respeito do que seria a saudação do anjo. Por isso, disse: não temas, porque achaste graça – charin – foste agraciada. Isso porque no ventre dela iria conceber e dar a luz um filho, no qual poria o nome de Jesus – Iesoun – que quer dizer Jeová Salva. E mais, esse será grande e chamado Filho do Altíssimo – huios hupsistos; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai. Ele reinará – basieluo – estabelecerá o Seu reino, o qual jamais terá fim. Maria ficou surpresa com a mensagem, e questiona: como se fará isso, visto que não conheço – ginoskõ – não tive relação sexual – com homem algum. A maneiro como isso se daria é explicada pelo anjo: descerá sobre ti o Espírito Santo – pneuma hagion – e a virtude – dunamis – poder do Altíssimo para realizar milagres – te cobrirá com a Sua sombra; bem como o próprio Santo – Hagion – que há de ti nascer – será chamado Filho de Deus – huios theós.

2. INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
Esse episódio, segundo o relato de Lucas, aconteceu no sexto mês da gravidez de Isabel (v. 24), e especifica o lugar do ocorrido, detalhando que se deu na cidade da Galileia, isso sugere que seus leitores não eram da Palestina, portanto não estariam familiarizados com tal localização (v. 4.31). De acordo com o texto, maria foi virgem antes da concepção e durante a gravidez (Mt. 1.25), pois nela estava Aquele que foi gerado pelo Espírito Santo, tendo sido ela agraciada (Lc. 1.30), isso é digno de destaque porque mostra que foi recebedora e não doadora da graça, como propõe o credo romano. O Deus doador da graça é o Altíssimo (Gn. 14.18). A causa do espanto de Maria é que ela era ainda virgem – não tinha tido relação sexual. O anjo explica que isso seria resultante de um milagre do Espírito Santo. Isso fez com que ela reconhecesse que não passava de uma serva do Senhor, por isso não cabe qualquer posicionamento elevado, maior do que aquele revelado no texto bíblico, em relação ao papel de Maria na história da salvação. Reconhecemos que ela foi agraciada por Deus, e que foi uma mulher a serviço da salvação providenciada pelo Senhor, mas precisamos ter cuidados para não atribuir a ela uma condição que o texto bíblico não fundamenta. Mais importante, nesse texto lucano, é identificar o personagem principal da narrativa, e esse é Jesus – o Salvador.

3. APLICAÇÃO TEXTUAL
Os anjos – malak em hebraico e angelos em grego – são criaturas espirituais, que podem ou não se tornarem visíveis aos seres humanos – e que se encontram em grandes multidões nos céus (Hb. 12.22; Ap. 5.11), sendo criaturas divinas e dependentes do Senhor. Eles atuam em diversas esferas, tanto no céu quanto na terra, principalmente no louvor a Deus (Sl. 148.2; Ap. 7.11,12). Durante o ministério de Jesus, os anjos atuaram, quando Gabriel anunciou a Zacarias o nascimento de João Batista (Lc. 1.18, 19), e seis meses depois, o nascimento de Jesus a Maria (Lc. 1.26-31). Os anjos também assistiram a Jesus durante seu ministério terreno, especialmente na tentação do deserto na agonia do Getsêmani e em sua ressurreição e ascensão ao céu (Mc. 1.13; Oc. 22.43; Mt. 28.2-6; At. 1.10). Existem hostes angelicais, e pelo que inferimos de algumas passagens bíblicas, uma hierarquia angelical (Ef. 1.20,21), dentre essa os serafins, querubins e arcanjos (Is. 6.2; I Sm. 4.4). Em Jd. 9, encontramos o nome de um arcanjo que é Miguel, e a esse respeito, é preciso ter cuidado para não apresentar nomenclaturas, e categorias angelicais que não encontram respaldo no texto bíblico. Além disso, há igrejas que adoram anjos, como faziam os gnósticos do Sec. I da Era Cristã, a fim de coibir a angelolatria Paulo escreveu a Epístola aos Colossenses (Cl. 2.18), o próprio anjo que apareceu a João em Patmos, renunciou qualquer tipo de adoração (Ap. 22.8).

CONCLUSÃO
Algumas igrejas evangélicas, pela falta de ensinamento bíblico, estão se deixando conduzir por idolatrias a anjos. Esse tipo de adoração não encontra respaldo no texto bíblico, não podemos esquecer a funcionalidade deles, e de deixar de dar glória Aquele que é o Único: Jesus Cristo. Igrejas cristocêntricas, fundamentadas na Palavra de Deus, não se deixam levar por modismos travestidos de espiritualidade, que na verdade não passam de vaidade da carne (Cl. 2.21-23).

BIBLIOGRAFIA
BORGMAN, B., VENTURA, R. Spiritual warfare. Grand Rapids: RHB, 2014.
STEDMAN, R. C. Batalha espiritual. São Paulo: Abba Press, 1995.

2 de janeiro de 2019

Lição 01


BATALHA ESPIRITUAL – A REALIDADE NÃO PODE SER SUBESTIMADA
Texto Áureo: Mc. 26.41 – Leitura Bíblica: I Pe. 5.5-9

INTRODUÇÃO
Neste trimestre estudaremos a respeito do conceito bíblico de Batalha Espiritual. Esse é um tema que encontra respaldo escriturístico, mas que precisa ser avaliado à luz dos princípios hermenêuticos, a fim de evitar excessos bastante comuns ao tratar sobre o assunto. Na aula de hoje analisaremos o texto de I Pe. 5.5-9, ressaltando a realidade da luta diante da qual nos encontramos, que não poderá ser subestimada, sob o risco de perdemos nossa alma.

1. ANÁLISE TEXTUAL
Na passagem em foco, o autor admoesta aos anciãos da igreja, em relação aos dias difíceis que se aproximam, encorajando-os a serem humildes e vigilantes. Uma mensagem inicial é direcionada aos jovens – neoteroi – para que esses sejam sujeitos aos anciãos – presbyteroi. Nesse caso, os jovens necessariamente não têm a ver com idade, mas com a relação com os mais velhos, sobretudo àqueles que estão em liderança. E como se isso não fosse suficiente, é preciso que sejamos sujeitos – hupotagete – uns aos outros, considerando que na igreja, a liderança é primordialmente funcional, não tem a pretensão de ser hierárquica. Pedro orienta ao revestimento em humildade – tapeinophrosune – que dá ideia também de ascetismo, pois Deus resiste aos soberbos  - huperephanos – aqueles que são prepotentes, que querem se colocar acima dos outros, mas dá graça aos humildade – tapeinos – aqueles que estão em posição menos elevada.  O imperativo é para que devamos nos humilhar – tapeinothete, debaixo da potente mão de Deus, esperando que Ele, no tempo oportuno – kairo, e de acordo com Sua soberana vontade, exalte os humildes. O melhor é levar até Ele todas nossas ansiedades – merimnan, ciente de que Ele é Aquele que tem cuidados de nós. E mais, sejamos sóbrios – nepsate – uma virtude necessária, que deve permanecer atrelada a um outro imperativo: ser vigilante – gregoresate, tendo em vista que temos um adversário – antidikos, que também pode ser traduzido como acusador. Esse é o diabo – diabolos - que anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar – katapiein. Esse verbo também tem o sentido de devorar, o que implica em maior violência. Para vencê-lo, devemos, portanto, resistir firmes – steroi, sabendo que as mesmas aflições – pathematon – também sofrem outros irmãos no mundo.

2. INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
A I Epístola de Pedro foi escrita por volta do ano 64 d. C., possivelmente da cidade de Roma, com o objetivo de oferecer encorajamento aos cristãos que sofriam perseguição.  A orientação de Pedro é para que as pessoas mais jovens da congregação, que geralmente são mais resistentes à liderança, sejam sujeitas aos anciãos e para isso cita Pv. 3.34, a fim de lembra-los que Deus se opõe aos orgulhosos, mas direciona seu favor àqueles que são humildes (5.5). Na verdade, todos devem ser humildes, aprendendo a depender de Deus, mesmo nos momentos da adversidade. Devemos depender da potente mão de Deus que trouxe Israel do Egito (Ex. 3.19; 32.11; Dt. 4.34; 5.15; Dn. 9.15). Assim como aconteceu com Israel, o cativeiro não durará para sempre, portanto, sabemos que o período de sofrimento vai passar. Ainda que estejamos passando por momentos difíceis nos dias atuais, temos a convicção que no tempo oportuno de Deus, Seu povo será exaltado na eternidade (5.6). Por isso, devemos lançar sobre Ele toda nossa ansiedade, não temos motivos para viver preocupados, se confiamos na providência do Senhor (5.7). Antes, devemos nos manter sóbrios e vigilantes, alertas aos ataques do Adversário, pois o diabo – representado como um leão – fica à espreita buscando a quem devorar. A admoestação é de que o diabo deve ser resistido (5.8), esse não deve ser temido pelos cristãos, pois o Senhor tem dado poder espiritual para permanecer firme na fé (Ef. 6.12-18). Devemos, portanto, confiar nas promessas do Senhor, pois Deus tem a palavra final, quando exaltará aqueles que atualmente são perseguidos (Tg. 4.7). Além disso, é preciso saber que o sofrimento não é exclusividade de alguns, crentes no mundo inteiro padecem por causa do nome do Senhor. E mais que isso, o próprio Senhor sofre com aqueles que são perseguidos por causa do Seu evangelho (5.9).

3. APLICAÇÃO TEXTUAL
Os cristãos estão envolvidos em uma batalha espiritual, e essa não pode ser subestimada. É preciso, no entanto, evitar qualquer tipo de extremos, se por um lado alguns crentes descreem no poder das hostes celestiais do Adversário, por outro lado, outros exageram na supervalorização desse poder. Há evangélicos que veem o diabo em toda esquina, certos pregadores falam mais a respeito do Satanás do que de Jesus. Em alguns cultos, ao invés de se pregar a Palavra de Deus, fala-se apenas no poder do diabo, e quando há prática de exorcismo, entrevista-se o Inimigo sem atentar para a verdade bíblica de que é o pai da mentira (Jo. 8.44). Precisamos ter cautela com esse tipo de ensinamento, resultante de uma teologia deformada, que apregoa doutrinas como mapeamento espiritual, maldição hereditária e de crentes endemoninhados. Tais crenças vieram da Teologia da Prosperidade, da Confissão Positiva e do Domínio, e se espalharam pelos arraiais neopentecostais, ou melhor, pseudopentecostais. A doutrina do mapeamento espiritual não tem base bíblica, e geralmente está fundamentada em versículos descontextualizados ou em interpretações equivocadas da Bíblia. Em relação à maldição hereditária, costuma-se citar Ex. 20.5, mas esse texto se refere às gerações, principalmente às pessoas de uma família, que vivem debaixo de um jugo de pecado, mas não se aplica aos crentes, pois Cristo se fez maldição por nós (Gl. 3.13). Sobre crentes endemoninhados, devemos saber que o maligno não pode tocar naqueles que tiveram um encontro com Cristo (I Jo. 5.18), e mais, aquele que está em nós é maior do que aquele que está no mundo (I Jo. 4.4).

CONCLUSÃO
Esse é o momento de alertar aos evangélicos que se deixam controlar por uma crença equivocada em uma falsa doutrina da batalha espiritual. Na mesma medida em que reconhecemos que essa batalha é real, precisamos também considerar que Cristo é maior, e que não devemos nos deixar manipular por lideranças que se aproveitam dessas doutrinas falsas para causar insegurança espiritual nas pessoas. Consoante ao exposto, devemos saber que o diabo precisa ser resistido, mas que devemos depender da direção divina (Jd. 1.9).

BIBLIOGRAFIA
BORGMAN, B., VENTURA, R. Spiritual warfare. Grand Rapids: RHB, 2014.
STEDMAN, R. C. Batalha espiritual. São Paulo: Abba Press, 1995.