18 de maio de 2016

Lição 08

ISRAEL NO PLANO DA REDENÇÃO
Texto Áureo: Rm. 11.36 Leitura Bíblica: Rm. 9.1-5; 10.1-8; 11.1-5


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD
 
 
INTRODUÇÃO
Em Rm. 11.1 vemos uma pergunta crucial a respeito de Israel: “Teria Deus rejeitado o Seu povo”? O próprio Paulo nos dá a resposta: “De modo nenhum”. Nos capítulos 9, 10 e 11 o Apóstolo procura argumentar, e ao mesmo tempo refutar conceitos errados a respeito do futuro de Israel. Veremos, nesta lição, que Deus, em sua perfeita justiça e soberania, criou uma saída para o problema da rejeição de Israel. Ao mesmo tempo, fez um povo, a quem agraciou, denominando de Igreja, aquela que foi edificada por Cristo, composta de judeus e gentios (Mt. 16.18).

I – A ALIENAÇÃO DE ISRAEL

Israel, como nação insitucionalizada, se distanciou de Deus. Essa, porém, não foi a primeira vez. O apóstolo lembrou dos dias do profeta Elias em que através de uma apostasia nacional, o povo escolheu Baal, o deus da fertilidade fenícia, ao invés de Yahweh. Elias, cujo nome significa, “somente o Senhor é Deus”, exerceu o seu ministério profético em meio ao descaso do povo israelita. Ao longo do Antigo Testamento, Deus, com o seu amor infindável, busca ser correspondido pelo seu povo. A alienação de Israel aos desígnios de Deus é um tema recorrente na Bíblia. No livro de Juízes, por duas vezes, está escrito que o povo de Israel: “fazia o que parecia reto aos seus olhos” (Jz. 17.6; 21.25). Esse é o retrato da rebeldia desse povo, que, ao mesmo tempo, não deixa de ser amado por Deus. Em tom de tristeza, Ele diz: “O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende” (Is. 1.3). Na parábola viva do amor de Oséias por sua esposa, Gomer, testemunhamos do amor de Deus que não desiste do amor do seu povo (Os. 1.2).


II – A ELEIÇÃO DE ISRAEL

Nos versos de 17 a 24, no capítulo 11, Paulo, por meio de uma parábola, diz que Israel é a oliveira (Jr. 11.16, Os. 14.6), cuja raiz são os patriarcas e cujo tronco representa sua continuidade ao longo dos séculos. Agora, alguns ramos foram cortados – os judeus incrédulos que foram descartados, enquanto que, os gentios, sendo oliveira brava, foram enxertados no remanescente dos judeus. Por isso, os gentios não devem tratar os judeus com descaso, pois foi pela graça de Deus que ele foram enxertados no Seu povo e feitos “concidadãos dos santos” (Ef. 2.19). A vida nova que os capacita a produzir frutos para Deus é a vida do velho tronco de Israel, no qual foram enxertados. Assim, Israel nada deve aos gentios, mas nós, somos devedores por que, como está escrito, “Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus” (Jo. 4.22). Alguns ramos, de fato, foram cortados, mas o Apóstolo nos lembra de Elias e os profetas de Baal, que: Reservei para mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos a Baal. “Assim, pois, também agora neste tempo ficou um remanescente, segundo a eleição da graça” (Rm. 11.4,5). Não pensem, porém, que essa eleição se dá pelo simples fato daqueles judeus serem judeus. Esse remanescente, como o fez Abraão, não se fiou no poder da circuncisão, mas no da fé, e isso, também lhe foi imputado para justiça (Rm. 4.3,9).


II – DEUS NÃO REJEITOU SEU POVO

A cegueira de Israel não durará para sempre, é apenas por algum tempo a fim de que viesse a salvação dos judeus, a riqueza do mundo (Rm. 11.11,12). A restauração de Israel há muito foi profetizada, por Isaias: “E virá um Redentor a Sião e aos que em Jacó se converterem da transgressão, diz o Senhor” (Is. 59.20), por Jeremias: “Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo” (Jr. 31.33). Isso mostra que, apesar de seu distanciamento temporário, Israel continua sendo objeto do amor eletivo de Deus. Não podemos esquecer que as promessas de Deus, uma vez feita aos patriarcas, não podem ser revogadas, por isso, Ele estabeleceu um momento no qual levará a cabo tudo aquilo que está determinado para o Seu povo, será o momento em que o Senhor soprará sobre o vale de ossos secos e eles tornarão a viver (Ez. 37). Isso acontecerá depois dos dias da grande tribulação (Mt. 24.21; Ap. 7.14), no dia em que todas as nações se ajuntarão contra Israel (Zc. 12.3; 14.2), até que, nos céus, aparecerá o Senhor com poder e muita glória (Mt. 24.30; Zc. 14,4,5; Zp. 1.7; 19.11-16).


III – O FUTURO GLORIOSO DE ISRAEL
Atentemos para a pergunta profética de Is. 66.8: “Quem jamais ouviu tal coisa? Quem viu coisas semelhantes? Poder-se-ia fazer nascer uma terra num só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Mas Sião esteve de parto e já deu à luz seus filhos”. O futuro de Israel já começou, pois, o que seria improvável, uma nação nascer de um só vez, aconteceu em 1948, quando foi criado o Estado de Israel. Esse, porém, foi apenas o começo, pois o Israel escatológico de Deus virá, de fato, à tona, por ocasião do Milênio (Ap. 20.1-6). Naquele período Israel ocupará toda a terra que lhe pertence e será posta como cabeça entre as nações (Gn. 15.18; I Cr. 16.15-18; Is. 11.10). Então, se cumprirão as profecias a respeito do reino do Messias (Dn. 9.24; At. 3.20,21). O templo milenar será construído (Za. 6.12-13; Ez. 43.4-9, Jerusalém será estabelecida e ampliada (Sl. 102.16; Jr. 31.38-40). Israel, no Milênio, será uma benção para o mundo (Is. 27.6) e terá Jerusalém como a sede do governo mundial (Is. 2.3; 60.3; 66.20; Jr. 3.17; Zc. 8.3,22,23; 14.16), pois dali sairá tanto a lei como a palavra do Senhor (Is. 2.2; Mq. 4.2). No período milenar não mais haverá guerras (Mq. 4.3; Zc. 9.10; Is. 2.4), nem injustiça social (Is. 11.4). Israel desfrutará de um pleno derramamento do Espírito de Deus (Ez. 39.29; Zc. 12.10).
 
CONCLUSÃO
O povo de Israel rejeitou a Deus, mas como tem aconteceu ao longo do relato do Antigo Testamento, Deus não se esqueceu do seu povo. A rejeição de Israel, na verdade, serviu para benefício dos gentios, haja vista que, agora, fomos enxertados na oliveira. Deus reservou um futuro glorioso para Israel, no qual, o Rei, Jesus, estabelecerá seu trono, em Jerusalém, para reinar sobre todos os povos. Até lá, todos, independemente da nação, podem ser integrados ao Corpo de Cristo, a Sua Amada Igreja, comprada com Seu precioso sangue.

BIBLIOGRAFIA
BRUCE, F. F. Romanos: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2002
CABRAL, E. Comentário Bíblico Romanos. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.

11 de maio de 2016

Lição 07

A VIDA SEGUNDO O ESPÍRITO
Texto Áureo: Rm. 8.16  Leitura Bíblica: Rm. 8.1-17


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
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INTRODUÇÃO
Em Gl. 5.17 Paulo nos dá um vislumbre do tema da santificação, que é abordado nos capítulos 7 e 8 de sua carta aos Romanos. Diz ele: “Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis”. Na lição de hoje, trataremos a respeito da luta entre a carne e o Espírito, e mais especificamente, da santificação como resultado da atuação do Espírito na vida do crente.

 

I – A NATUREZA DA CARNE

1.1 Definição do termo

A palavra carne (sarx, em grego) apresenta diferentes significados dependendo dos contextos em que é utilizada. Nos escritos paulinos o termo carne se refere: 1) ao corpo físico/personalidade: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gl. 2.20); 2) a natureza humana pecaminosa: “Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne (Gl. 5.16). Equivocadamente, alguns cristãos confundem esses dois significados e pensam que, o corpo, por si mesmo, é mal. Essa é, na verdade, uma deturpação do doutrina cristã proveniente do platonismo. Nesse sentido é preciso considerar o que escreveu o apóstolo aos crentes de Corinto: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?”. Portanto, não se pode confundir “carne”, no sentido de corpo de “carne” no sentido de natureza pecaminosa.

 

1.2 Andar segundo a carne

Não é normal que o cristão continue andando segundo a carne. Em I Jo. 5.18, está escrito que “todo aquele que é nascido de Deus não peca” (I Jo.18). Uma tradução mais aproximada ao texto grego diria que “todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando”, ou, parafraseando: “não se alegra em continuar na prática do pecado”. As obras da carne, conforme vemos em Gl. 5.19-21, são: “adultério, prostituição, impureza, lascívia, Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias”. Os que estão na carne, diz Paulo em Rm. 8.8, “não podem agradar a Deus”.

 

1.3 Andar segundo o Espírito

Essa verdade está muito bem explicitada em Rm. 8.5: “Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito”. O homem carnal, distanciado de Deus, não consegue pensar em outra coisa, senão em satisfazer seus desejos carnais, sua propensão é para a carne, enquanto que o homem espiritual tende para as coisas espirituais, sua satisfação está em Deus, isto é, ele se alegra na produção do fruto do Espírito em sua vida (Gl. 5.22). Como filhos da luz, estamos decididos a fazer o que “é agradável ao Senhor” (Ef. 5.10). Essa é uma obra do Espírito, não do homem, pois é Ele, não nós, quem nos vivifica (Rm. 8.11).

 

II – A VERDADE SOBRE A SANTIFICAÇÃO

2.1 Definição de santificação
Santificação vem, literalmente, de ‘fazer santo’ ou ‘consagrar’, que, basicamente, vem de ‘separar’. Trata-se, assim, da separação daquilo que é profano e mundano. Por isso, o conceito bíblico de santificação implica em uma dedicação total a Deus a fim de cumprir os propósitos santos para os quais foi separado ao mesmo tempo em que reconhece o próprio Deus como o autor do processo de santificação. A meta para a santificação se encontra bem explicitada em I Ts. 5.23: “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”
 
2.2 Aspectos da santificação
A santificação, conforme depreendemos de diversas passagens bíblicas, tem dois aspectos: posicional e experimental. Isto quer dizer que ela é tanto uma posição que o crente ocupa em relação a Deus e é também uma experiência constante na sua vida. A santificação posicional é uma mudança de posição pela qual um pecador é imputado como santo diante de Deus. A esse respeito vejamos o que escreveu Paulo em I Co. 1.30: “Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção”. Em acréscimo a esse aspecto posicional da santificação podemos também ler I Co. 6.11: “E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus”. No que tange ao aspecto progressivo ou experimental, temos vários textos, um dos mais conhecidos é Hb. 12.14: “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” e Rm. 12.2: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”. No aspecto posicional somos chamados de ‘santos’ enquanto que no aspecto progressivo somos chamados a ‘sermos santos’.

2.3 O meio para a santificação
A santificação, como já estudamos em lições anteriores, não é algo que se obtêm a partir da observância de um conjunto de regras exteriores previamente estabelecidas. A santificação é uma obra do Espírito Santo, considerando que: “se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis” (Rm. 8.13). Isso acontece quando o Espírito produz em nós o Seu fruto: “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei”. (Gl. 5.22,23). O propósito da santificação é, nesse sentido, fazer com que o crente continue a crescer e a progredir, tornando-o, cada vez mais, semelhante a Cristo. Como diz Paulo em II Co. 3.18: “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor”.
 
CONCLUSÃO
O viver cristão é um andar contínuo no Espírito em total consagração (separação) para Deus. Essa é uma obra que não é por força nem por violência, mas pelo Espírito do Senhor (Zc. 4.6). A menos que nos deixemos guiar pelo Espírito, dificilmente seremos capazes de vencer a natureza adâmica. Uma motivação para viver essa santidade espiritual, diferente daquela proposta pelo legalismo, é o amor a Deus, primeiramente o amor de Deus, provado em Sua entrega a nós, mesmo que não mereçamos (Rm. 8.38,39).

BIBLIOGRAFIA
BRUCE, F. F. Romanos: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2002
STOTT, J. Romanos. São Paulo: ABU, 2001

4 de maio de 2016

Lição 06

A LEI, A CARNE E O ESPÍRITO
Texto Áureo: Rm. 7.25  Leitura Bíblica: Rm. 7.1-15


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
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INTRODUÇÃO
O capítulo 7 da Epístola aos Romanos é bastante complexo, por isso precisamos analisá-lo com cautela, atentado para os princípios hermenêuticos. Inicialmente, consideraremos a analogia de Paulo da Lei com o casamento, em seguida, ressaltaremos que a Lei é boa, santa e justa, que o problema está na natureza humana. Ao final, antecipando o tema a ser estudando na lição seguinte, destacaremos a necessidade de andar em Espírito, a fim de não cumprir as concupiscências da carne.

I – ESTAMOS LIVRES DA LEI

No início dessa seção Paulo trata com os legalistas a respeito do significado da Lei, fazendo uma alusão ao casamento. Em seguida, se volta para os antinomistas, ressaltando a necessidade de se considerar o valor da Lei. A alternativa ressaltada pelo Apóstolo é permitir que a vida seja guiada pelo Espírito Santo. Para mostrar essa verdade, Paulo apela para a analogia do casamento, destacando que não estamos mais debaixo do jugo da Lei. Faz-se necessário ressaltar que esse trecho da Epístola não deve ser usado para respaldar a doutrina do casamento e do divórcio, pois esse não é o tema principal dessa passagem das Escrituras. Paulo defende que quando da morte de um dos cônjuges, é possível que o cônjuge que ficou possa contrair novas núpcias, sem impedimento. De igual modo, os crentes não precisam mais depender da Lei, pois essa caducou, tornando possível que esses passem a ser conduzidos pela fé em Jesus. A Lei morreu para aqueles que seguem a Cristo, de modo que a partir do momento que esses têm um encontro pessoal com Ele, passam a condição de esposa do Noivo. Essa metáfora do relacionamento do crente com Cristo enquanto noivado e casamento é recorrente na Bíblia. Isso fundamenta a natureza desse enlace, não mais conduzir por regras religiosas, mas por amor Àquele que se sacrificou para nos atrair para Si. Enquanto estávamos na Lei, não conseguíamos agradar ao Esposo, porque estávamos fundamentados na regra. As exigências da Lei, ao invés de motivar para a obediência, causavam frustração, e esgotamento espiritual. Mas como novas criaturas em Cristo, podemos viver a partir de uma nova perspectiva, não mais pela carne, mas no Espírito, que nos inspira à obediência, pautada no amor. A frase de Agostinho é elucidativa a esse respeito: “ame a Deus e faça o que quiser”. Na verdade, todos aqueles que amam a Cristo, obedecem a Seus mandamentos, tem satisfação de fazer a Sua vontade (Jo. 14.21).

II – A LEI É SANTA, JUSTA E BOA

Por outro lado, Paulo mostra aos legalistas e antinomistas que a Lei não é má, muito pelo contrario, ela é santa, justa e boa (Rm. 7.12). Na verdade a Lei reflete o caráter de Deus, se corretamente compreendida, revela o caminho de Deus para a preservação da humanidade. O problema não está na Lei, mas nos próprios seres humanos, que não conseguem obedecê-la. Apelando à analogia do casamento, não falhamos porque o primeiro marido não prestava, mas por causa das nossas fraquezas. O pecado que habita no ser humano é o mal residente, a força que o impulsiona a fazer o contrário do que é correto. Essa latência tem sido amplamente estudada pela psicanálise de Freud, mas foi descrita com maestria por Paulo, pela inspiração do Espírito Santo. Mas a Lei não pode retirar o pecado, tem apenas o poder de torná-lo evidente (Rm. 7.8). É por meio da Lei que vem o pleno conhecimento do pecado, e por conseguinte, a morte (Rm. 6.23). Isso acontece porque a Lei não apenas mostra a realidade do pecado, ela também dá seu veredito, sentenciando o pecador à morte. O pecado, como dizia Chesterton, é a doutrina bíblica que pode ser mais facilmente comprovada. Em todos os lugares, nas mais distintas condições sócias, é possível identificar o pecado. Os jornais o declaram todos os dias, corrupção, egoísmo, a lista é imensa. A pena do pecado a morte, não apenas a física, mas, sobretudo, a espiritual. A humanidade segue de mal a pior, pois decidiu viver longe dos padrões divinos. Mas a igreja, mesmo com suas imperfeições, foi agraciada pelo Noivo Amado, que se entregou Sua vida por ela. Esse amor sacrificial desperta em Sua noiva a inspiração para obedecê-lo, e viver para Ele, até o dia do enlace conjugal.

III – SE ANDARMOS NO ESPÍRITO
A Lei, conforme destacamos reiteradas vezes, é limitada para conduzir o ser humano à santidade, e quando esse fica à mercê dos seus desejos desenfreados o resultado é a morte. Paulo exemplifica essa condição colocando-se como alguém que vive na tensão entre a vida e a morte. Isso acontece porque a pessoa sabe que a Lei é boa, e mais que isso, que está entregue ao pecado, mas não consegue se desvencilhar da força do pecado, que habita dentro dela (Rm. 7.14-25). Existe um conflito interno dentro das pessoas, forças que militam dentro dos indivíduos, contrariando seus interesses (Gl. 5.17). Certo jovem testemunhou ao seu pastor que não conseguia obedecer, e justificou que havia poderes antagônicos dentro dele. O pastor reconheceu que essa era uma realidade atestada nas Escrituras. Ele orientou o jovem  para alimentar o espírito para que esse tivesse vitória sobre os poderes da carne. Se andarmos em espírito, não teremos dificuldade para fazer a vontade boa, agradável e perfeita de Deus (Rm. 12.1,2). Mas se nos entregarmos às obras da carne, o resultado será a ruina, mas aquilo que o homem e a mulher plantarem também ceifarão. Se semearmos no Espírito, colheremos seu fruto, principalmente o amor, que nos conduz à obediência (Gl. 5.22). A religião não tem poder para levar a obediência, pois quanto mais o ser humano se esforça, menos consegue fazer o que deve ser feito (Rm. 7.19-21). Ela pode ser ilustrada através da narrativa da mulher que fez uma focinheira para impedir que seu cão mordesse a vizinhança, mas não impediu que esse continuasse perseguindo as pessoas. A alternativa evangélica, conforme estudaremos mais adiante, será viver no Espírito, e se deixar controlar pela vontade de Deus, não cumprindo as concupiscências da carne (Gl. 5.16).

CONCLUSÃO
A vontade de Deus, expressa inclusive em sua Lei (Torah), não é para destruição das pessoas, muito pelo contrário, ela é sempre boa, agradável e perfeita, pois é a vontade de Deus (Rm. 12.1,2). Mas como o ser humano é incapaz de obedecê-la, essa mesma Lei o coloca em posição de réu, sujeito à condenação. A saída é testemunhada nas palavras do hino 15 (Conversão) da Harpa Cristã: “Mas um dia senti, meu pecado e vi, sobre mim a espada da Lei, apressado fugi, em Jesus me escondi, e abrigo seguro nEle achei”.

BIBLIOGRAFIA
BRUCE, F. F. Romanos: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2002
LOPES, H. D. Romanos: o evangelho segundo Paulo. São Paulo: Hagnos, 2010.

27 de abril de 2016

Lição 05

MARAVILHOSA GRAÇA
Texto Áureo: Rm. 6.14  Leitura Bíblica: Rm. 6.1-12


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
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INTRODUÇÃO
Em Tt. 2.11 Paulo escreve que “a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens”. Diante de tudo que estudamos até agora, vemos que não há escapatória para a humanidade a não ser através do caminho que Deus mesmo preparou (Jo. 14.6; At. 4.12). Esse é um caminho de graça, isto é, não decorre do merecimento humano. A maravilhosa graça de Deus é um dos temas centrais do evangelho, cantada em hinos antológicos e rimada em poesias sublimes.

I – COMPREENDENDO A GRAÇA

A definição de graça, de acordo com o próprio apóstolo Paulo se encontra em Rm. 11.6: “Mas se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Se, porém, é pelas obras, já não é mais graça; de outra maneira a obra já não é obra”. A palavra graça, no sentido paulino, se refere a uma atitude da parte do próprio Deus que provem inteiramente dEle e que não está condicionada a qualquer objeto de Seu favor.  É o que constatamos ao ler Rm. 4.4 “Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida”. Se a salvação é dada com base no que o homem fez, então, a salvação dada por Deus seria o pagamento de uma dívida, mas quando a fé é computada para justiça não há qualquer mérito da parte do homem, pois ele obtém algo que não merece. É válido destacar aqui que a fé não pode ser categorizada como obra, pois o valor da fé não reside nela mesma, mas exclusivamente em seu objeto: Jesus Cristo. A fé, como bem explicita John Stott, é “o olho que o contempla, a mão que recebe a sua dádiva divina, a boca que bebe da água da vida” (p.134). Como bem conclui Hooker, “Deus justifica o que crê – não por causa do valor de sua crença, mas por causa do valor daquele em que ele creu”. Seguindo o argumento de Paulo, entendemos que ‘graça’, charis no grego, é antônima de ‘obras’ ou de ‘lei’ e tem relação especial com a culpa do pecado (Rm. 5.20; 6.1) e, de alguma forma, esta correlacionada com ‘misericórdia’. Em sua misericórdia Deus deixa de nos dar aquilo que merecemos, mas em sua graça Ele nos dá aquilo que não merecemos. Nos escritos não paulinos, essa definição é também adotada em textos como Jo. 1.17; At. 15.11 e Hb. 13.9. Contudo, existe uma possibilidade de perversão dessa definição em direção ao antinomianismo e que é objeto de discussão de Judas (v. 4).


II – A CONTESTAÇÃO DA GRAÇA DIVINA

A doutrina da graça foi fundamental para o desenvolvimento da teologia protestante, contudo, faz-se necessário ter uma noção equilibrada para evitar os extremos tanto do legalismo quanto do antinomianismo.

2.1 Legalismo - Um legalista, de acordo com a definição dicionarizada, é uma pessoa que pensa que pode obter a aprovação de Deus pela conformidade exterior a uma lista de regras e que minimiza a importância dos motivos, da obra de Cristo, da fé e do papel do Espírito Santo na vida cotidiana. Na epístola que Paulo escreveu aos Gálatas ele mostra que o legalismo é uma deturpação do evangelho de Cristo (Gl. 1.7; 3.1-3). A causa dessa deturpação é que, para o legalista, a salvação pode ser obtida através de méritos humanos e não através da graça, por meio da fé, conforme está escrito em Ef. 2.8,9. As práticas legalistas, na verdade, “alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne” (Cl. 2.23).

2.2 Antinomianismo - Por outro lado, o antinomianista, isto é, aquele que se opõe a qualquer tipo de regra, defende que, uma vez salvo, nada mais o homem tem a fazer. Essa também é  outra deturpação do evangelho, pois, no próprio versículo 10, de Ef. 2 diz o mesmo Paulo “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas”. Somos salvos pela graça, por meio da fé, mas para andarmos no Espírito, produzindo, por conseguinte, o Seu fruto, que é: “amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei” (Gl. 5.22,23).

III – OS RELACIONAMENTOS DA GRAÇA
Em Tt. 2.11-14 Paulo nos ensina que a graça de Deus, há muito oculta nos conselhos amorosos de Deus (Cl. 1.26; II Tm. 1.9,10), se há manifestada em Cristo, o Verbo que se fez carne (Jo. 1.1,14), por isso, a todos os homens deve ser pregado esse evangelho (Mc. 16.15), pois Deus não deseja que nenhum deles se perca, mas que todos venham ao conhecimento da verdade (I Tm. 2.4). A manifestação da graça de Deus, porém, não deve dar ocasião à carne (Gl. 5.13), por isso, somos instruídos a renunciar, pois o discipulado cristão pressupõe a renúncia (Lc. 9.23): 1) à impiedade, que, no grego, é asebeia e significa “falta de reverência a Deus”, cujo antídoto é o exercício da piedade (I Tm. 4.7,8) e 2) às concupiscências mundanas ou, mais explicitamente, aos desejos desenfreados pelas coisas do mundo (I Jo. 2.15-17; 5.19), alto que somente pode se realizar se andarmos em Espírito (Gl. 5.16). Assim, poderemos viver, neste presente século, sóbria, justa e piamente. Esse modo de viver cristão tem, portanto, uma perspectiva escatológica, “aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo” (v. 13). Essa é a graça maravilhosa de Deus, que liberta o pecador (Rm. 6.14), desfazendo os domínios do pecado, dando ao ser humano a verdadeira liberdade em Cristo. Uma liberdade que vai além das dimensões morais, mas que é concretizada pela ética genuinamente cristã, respaldada pelo amor-agape. É nesse contexto que a graça não é barata, como dizia Bonhoeffer, antes preciosa, pois coloca o ser humano em outra posição espiritual, que o transforma de dentro para fora. Somente assim é possível alcançar a santificação, o moralismo farisaico é incapaz de modificar a pessoa humana. É Cristo, pelo poder do Espírito Santo, que torna os santos santos. Isto é, tira-os da condição de meros santos posicionais, para serem transformados em santos aperfeiçoados, progressivamente.
 
CONCLUSÃO
A graça de Deus, em Jesus Cristo, nos alcançou dando-nos o que não merecíamos: a justificação através do derramamento do Seu sangue na cruz do calvário. Como resultado desse exclusivo de Deus, o qual respondemos por meio da fé, somos chamados não à prática legalista ou antinomianista, mas a vivemos a liberdade em amor que Cristo nos Deus. Essa liberdade não deve dar ocasião à carne, mas a uma vida sóbria, justa e piedosa, aguardando a volta gloriosa do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

BIBLIOGRAFIA
BRUCE, F. F. Romanos: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2002
STOTT, J. Romanos. São Paulo: ABU, 2001

20 de abril de 2016

Lição 04

 

OS BENEFÍCIOS DA JUSTIFICAÇÃO
Texto Áureo: Rm. 5.8  Leitura Bíblica: Rm. 5.1-12



Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
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INTRODUÇÃO
Conforme temos estudando nas lições anteriores, a justificação é uma providência divina, pela graça maravilhosa, por meio da fé. Na aula de hoje mostraremos os benefícios dessa justificação, que se inicia com a paz de Deus, que excede todo entendimento. Em seguida, nos voltaremos para a nova condição espiritual do crente que está em paz com Deus, diferente daquela na qual nos foi imposta por Adão. Ao final, destacaremos, com maior propriedade, os benefícios da justificação divina.

I – A PAZ DE/COM DEUS
As preposições têm espaço privilegiado nos estudos bíblicos, apenas para efeito de demonstração, ressaltamos que o crente, uma vez justificado, dispõe DA paz de Deus. Mas essa paz somente se tornou possível porque passou ter paz COM Deus, na medida em que a inimizade é desfeita, e acontece o processo de reconciliação (II Co. 5.18,19). Essa paz, que também é caracterizada como elemento do fruto do Espírito (Gl. 5.22), faz com que o crente não perca a esperança, mesmo diante das tribulações (Rm. 5.1,2; II Co. 8.19). A paz que é dada por Cristo é diferente daquela propagada pelo mundo, pois essa não depende das circunstâncias (Jo. 14.27). Isso é possível porque Jesus é Único Príncipe da Paz (Is. 9.2). Essa é uma paz diferenciada, e que o mundo não entende, por isso excede a compreensão humana (Fp. 4.7). Além disso, o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. Deus prova Seu amor para conosco pelo fato de ter nos amado sendo nós ainda pecadores (Rm. 5.8). Estávamos perdidos em nossos delitos e pecados (Ef. 2.1), o salário do pecado é a morte (Rm. 6.23), mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna. Ele amou o mundo de uma maneira tão inexplicável que entregou Seu Filho Unigênito (Jo. 3.16). Por causa desse amor sacrificial, podemos ter convicção de que nada nos separará de Cristo, por isso seremos salvos da ira. Pela morte de Jesus Cristo, fomos reconciliados com Deus. Ele age com sua graça, de modo que os crentes já desfrutam, no presente século, da reconciliação que se completará no futuro, na dimensão escatológica. Essa condição espiritual faz com que o crente tenha alegria, passa a exultar por causa da justificação e reconciliação divina. A alegria também é um aspecto do fruto do Espírito (Gl. 5.22). A alegria, enquanto elemento do fruto do Espírito, nada tem a ver com a felicidade, divulgada pela sociedade moderna. Esta depende das circunstâncias, mas a alegria que vem de Deus é espiritual. Por isso Paulo, mesmo preso em Roma, escreveu a Epistola aos Filipenses, a Carta da Alegria.

II – CRISTO E ADÃO
Os crentes existem por causa de Cristo, Ele é a razão da justificação, foi a justiça dEle que nos tornou justos. Paulo faz a distinção entre a obra de Cristo e a de Adão, o primeiro homem, por meio do qual entrou o pecado no mundo (Rm. 5.12). Nas palavras de Paulo o homem morre por causa do pecado, não apenas fisicamente, mas também espiritualmente. Por isso, para que o homem tivesse vida, fez-se necessário que um justo morresse em seu lugar. Esse é o significado da morte vicária de Cristo, ela teve um caráter substitutivo. De tal modo que a morte governou até Adão, até que um Novo Homem surgiu, trazendo sobre Si o pecado da humanidade. A declaração paulina explicita que “pela falta de um só os muitos morreram, mas muito mais a graça de Deus e o dom que veio pela graça de um só homem, Jesus Cristo, se derramaram sobre muitos” (Rm. 5.15). Essa afirmação não fundamenta a doutrina universalista, segundo a qual Deus salvará a todos no final. Muito pelo contrário, o apóstolo afirma que a graça de Cristo foi derramada sobre muitos. A expiação de Cristo não é limitada, ela tem a capacidade de alcançar a todos, mas faz-se necessário que as pessoas se arrependam dos seus pecados, e busquem a justificação que provém de Deus. Esse ensinamento é reforçado por Paulo ao declarar que pela obediência de Cristo muitos se tornarão justos (Rm. 5.19).  Essa justificação resulta também em nova conduta, um comportamento diferente daqueles que vivem em Deus, considerando que onde abundou o pecado, superabundou a graça de Deus (Rm. 6.1). O crente, por causa da justificação amorosa de Deus, é colocado diante de uma nova condição ética. Ele deixa de se pautar por uma moral, sua vida é pautada pela Palavra de Deus, e motivado pelo amor de Cristo, que o constrange a fazer o que é certo (II Co. 5.14).

III – JUSTIFICAÇÃO BENÉFICA
Assumimos, então, que por causa da justificação divina, podemos já no tempo presente, desfrutar da paz, não apenas COM, mas também a DE Deus (Rm. 5.1). Essa paz nos oportuniza esperança, de tal modo que não vivemos mais por vista, antes pela fé nAquele que se revelou em Cristo (Rm. 5.2). O amor de Deus faz com que, caso seja necessário, soframos por amor a Ele, enfrentemos as tribulações do tempo presente (Rm. 5.3,4), sabendo, porém, que essas aflições não se comparam à glória que em nós haverá de ser revelada (Rm. 8.18). Neste momento, descansamos na convicção do amor de Deus, que é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (Rm. 5.5). O Espírito está trabalhando em nós, a fim de nos moldar a imagem de Cristo. O propósito de Deus para as nossas vidas não é nos fazer felizes, muito menos financeiramente prósperos, antes é investir em nosso caráter, a fim de parecermos cada vez mais com Jesus. Se cairmos em Adão, podemos agora, em Cristo, nos tornar novos homens. Isso porque em Cristo somos feitos novas criaturas, as coisas velhas se passaram, tudo se fez novo (II Co. 5.17). A nova humanidade é, então, uma construção, não pautada pela força do pecado, herdada de Adão, mas pela graça de Cristo. Homens atingidos pela graça maravilhosa de Deus são dispostos diante da mesma condição, e não podem agir de forma diferente, são motivados pelo favor imerecido de Deus. Jesus contou uma parábola que ilustro muito bem essa condição, o credor incompassivo foi perdoado, mas não agiu da mesma maneira (Mt. 18.23-35). Os religiosos tendem a agir por meio da retribuição, eles entregam fundamentados naquilo que receberão em troca. Aqueles que foram alcançados pela graça se desprendem com facilidade, pois não encontram satisfação maior na vida, que agradar o Deus que o agraciou.

CONCLUSÃO
Há um hino clássico, escrito por John Milton, que outrora foi um traficante de escravos, mas foi alcançado por Cristo. O título desse hino é Amazing Grace (Maravilhosa Graça) e que inicia dizendo: “que maravilhosa graça, que salvou um pecador como eu, estava perdido, mas agora fui achado, era cego mas agora posso ver”. Há uma versão em português, gravada pelo Quarteto Gileade, que merece ser ouvida, e ficar maravilhados, com a graça de Deus, escute a música no link logo acima, abaixo do título da Lição.

BIBLIOGRAFIA
HENDRIKSEN, W. Romanos. São Paulo: Cultura Cristã, 2009.
PATE, C. M. Romanos. São Paulo: Vida Nova, 2015.

13 de abril de 2016

Lição 03

JUSTIFICAÇÃO, SOMENTE PELA FÉ EM JESUS CRISTO
Texto Áureo: Rm. 4.20  Leitura Bíblica: Rm. 4.17-22


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Na lição de hoje, estudaremos os princípios da justiça de Deus face às atitudes moralistas humanas na tentativa de buscar se justificar diante de Deus. No início da trataremos a respeito da questão do moralismo religioso, nos tempos de Jesus, de Paulo e nos dias atuais. Em seguida, abordaremos a justificação divina por meio da fé em Jesus Cristo. Ao final, mostraremos como a justificação, por meio da fé, é ilustrada através de Abraão.

I – OS MORALISTAS
Moralistas são pessoas, geralmente religiosas, que se utilizam de determinados princípios e regras como forma de determinar o que seja certo e/ou errado. No cristianismo, não são os preceitos morais que garantem à aceitação do homem perante Deus, mas o fato de sermos justificados por Cristo. Ao longo da história da humanidade, vemos que os seres humanos sempre quiseram ser aceitos pelos deuses através dos seus méritos próprios, na medida em que, também, impunham, sobre os outros, normas. Em Cl. 2.21-23, Paulo denomina tais atitudes como preceitos e doutrinas de homens que não passam de carnalidade.
Nos dias de Jesus - nos tempos de Jesus os maiores representantes do moralismo eram os fariseus. Os fariseus eram um grupo de leigos dedicados e empenhados na mais rigorosa interpretação e manutenção da lei mosaica e da tradição oral. Jesus os repreende por sua hipocrisia, pois eles, como disse o Mestre: “Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los” (Mt. 23.4). O Senhor se opôs aos fariseus porque eles vangloriavam-se em sua própria santidade, devoção a Deus e estudo da lei. Em Lc. 18.10, Jesus nos dá uma lição sobre à questão da justificação, dando, como exemplo, um fariseu e um publicano. Na conclusão, o Senhor acentua: “Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado” (v. 14).
Nos dias de Paulo - nos dias de Paulo a igreja teve de enfrentar o problema do moralismo, ou melhor dizendo, do legalismo. No capítulo 15 de Atos, Lucas narra o concílio eclesiástico com o objetivo de responder à seguinte pergunta: “Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?” (At. 15.10). Os judaizantes tentavam, a todo custo, ir de encontro à doutrina da justiça de Deus, defendendo que os cristãos deveriam seguir uma séries de princípios a fim de realmente ser salvos. Em sua carta aos Romanos e aos Gálatas Paulo se opõem veementemente à esse moralismo mostrando que “que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei” (Rm. 3.28), sabendo que “o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada” (Gl. 2.16).
Nos dias atuais - Nos dias atuais há um movimento moralista, porque não dizer legalista, nas igrejas locais tentando resgatar os princípios farisaicos judaizantes. Essas pessoas defendem que para sermos salvos precisamos guardar uma série de preceitos e de regras as quais nos farão ser aceitos diante de Deus. Essas regras nada têm de respaldo bíblico, ao contrário, invalidam, pela tradição dos homens, a doutrina de Deus (Mt. 15.6). Os defensores dessas tradições humanas são, na verdade, “inimigos da cruz de Cristo” (Fp. 3.18), haja visto que se arvoram na sua própria conduta, por considerarem ter atingindo um estágio de santidade superior aos outros. Deus, porém, se nega a dar crédito à esse moralismo legalista, pois, no Seu evangelho cristalino está escrito que “pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef. 2.8,9).

II – PRINCÍPIOS DA JUSTIÇA DE DEUS
Inicialmente destacamos que o juízo de Deus é inevitável - Em Rm. 2.1-4, Paulo mostra a fraqueza humana de tentar criticar todo mundo, à exceção de nós mesmos. Trata-se de uma atitude de autojustificação que visa ocultar nosso pecado e nossa autoestima. O problema é que, como ressalta a Palavra de Deus: “porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo” . É, nesse sentido, inútil tentar escapar do juízo inevitável, através de discursos moralistas, o melhor, como bem adverte o apóstolo, é nos fiar nas “riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade”. Por que é a bondade de Deus que nos leva ao arrependimento. Em seguida, que o juízo de Deus é justo - nós, porém, não podemos contar com a bondade e a paciência de Deus para dar vazão à permissividade e não ao arrependimento. Afinal, caso não nos voltemos para Deus, em contrição: “segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus”. A partir do versículo 7 vemos que o juízo de Deus será baseado naquilo que nós fizemos, ressaltando a existência de dois paralelos: 1) por um lado existem aqueles que buscam glória (a manifestação do próprio Deus), honra (a aprovação de Deus) e imortalidade (a infinita alegria de sua presença) e, além disso, buscam tais bênçãos, cujo foco central é o próprio Deus, persistindo em fazer o bem; 2) por outro lado, existem aqueles que têm orgulho de si mesmos, os egoístas, que rejeitam a verdade e seguem a injustiça e “suprimem a verdade pela injustiça”. Posteriormente, que o  juízo de Deus é imparcial - Judeus e gentios parecem diferir um do outro no fato de que os judeus ouvem a lei, possuindo-a e ouvindo a sua leitura na sinagoga, quanto que os gentios não têm lei. Contudo, vemos, no versículo 12, que tanto um quanto o outro são postos na mesma categoria de pecado e morte. O argumento do apóstolo é que todos os que pecaram perecerão ou serão julgados, isto é, quer tenham a lei mosaica quer não. Todos os que pecarão sem lei (os gentios), sem lei perecerão. Perecerão em virtude do seu pecado, não por ignorarem a lei. Do mesmo modo, todo aquele que pecar sob a lei (os judeus), pela lei será julgado. Deus será absolutamente justo em seu julgamento: se pecou conhecendo a lei, ou se pecou ignorando a lei, o julgamento será de acordo com o pecado de cada um. E por fim, que o juízo de Deus e a lei de Deus - a lei natural não salva pecadores, pois, por mais que tenhamos conhecimento de Deus através da criação ou de sua bondade através da consciência, nós o suprimimos a fim de seguirmos o caminho que nós mesmos escolhemos. Por isso, Deus revelou, nas Escrituras, que existe uma realidade antagônica entre a lei encontrada nas Escrituras e a lei da natureza humana. Paulo vai dizer mais adiante que “a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom” (Rm. 7.12). O problema é que, há, no homem, uma lei carnal que se opõe à lei: “Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo”.

III – A JUSTIÇA DE DEUS
Em Rm. 3.21, Paulo fala de uma justiça que provem de Deus que se dá a conhecer pelo evangelho (1.17) ou independente da lei (3.21). Uma verdade fundamental demonstrada pelo apóstolo é que a justiça de Deus vem mediante a fé em Jesus Cristo para todos haja visto que todos têm necessidade dela, pois todos pecaram. Essa justificação que provem de Deus é uma combinação de três elementos: o caráter justo de Deus, a sua iniciativa salvadora e a sua dádiva que consiste em conferir ao pecador a condição de justo perante ele. A fonte da justificação é Deus e sua graça, a base é Cristo e sua cruz e o meio da justificação é a fé. Paulo responde a alguns questionamentos, por meio do recurso da diatribe:  “Onde está então o motivo de vanglória”? (27-28) - a vanglória não é uma prerrogativa dos judeus, pois os gentios também eram “insolentes, arrogantes e presunçosos (v. 30). Para aqueles que foram justificados, a vanglória – que é presunção do egocentrismo caído – é completamente excluída e isso não se baseia no princípio da obediência à lei, mas no princípio da fé: “Onde está logo a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé”. “Deus é Deus apenas dos judeus? Ele não é também Deus dos gentios?”(29-30) - Deus não é apenas Deus dos judeus, Ele é também Deus dos gentios, visto que existe somente um Deus, que tem um só caminho de salvação (ver Jo. 14.6). Ele, pela fé, justificará, tanto os circuncisos quanto os incircuncisos. Como disse certo pensador, aos pés da cruz de Cristo, e pela fé nele, todos nós estamos no mesmo nível: somos irmãos e irmãs em Cristo.
“Anulamos então a lei pela fé”? (31) - Paulo nega essa questão, pois todo o Antigo Testamento já ensinava a verdade da justificação pela fé (ver Gn. 3.21; 15.6; Ex. 12.1-23). A lei, nesse sentido, confirma e não anula a lei. A fé confirma a lei ao conferir-lhe o devido lugar no propósito de Deus – no seu plano de salvação, a função da lei é expor e condenar o pecado, mantendo o pecador trancafiado em sua culpa até que Cristo venha liberta-lo através da fé. Por conseguinte, os crentes justiçados que vivem de acordo com o Espírito satisfazem as justas exigências da lei (ver Rm. 8.4; 13.8,10). Em seguida, ilustra por meio de Abraão, a justificação por meio da fé. Isso porque esse patriarca, de todos os justos do Antigo Testamento, é aquele que Deus o chama de amigo (Is. 41.8). O testemunho de Deus a respeito de Abraão se encontra em Gn. 26.5: “Porquanto Abraão obedeceu à minha voz, e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos, e as minhas leis”. De fato, Abraão obedeceu a Deus e guardou seus preceitos, mas a sua justificação se deu através da fé, conforme lemos em Gn. 15.6: “E creu ele no Senhor, e imputou-lhe isto por justiça”. Outro princípio da justificação pela fé no Antigo Testamento é o de Davi. Paulo cita as palavras iniciais do Salmo 32: “Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa maldade, e em cujo espírito não há engano”. Mas Abraão é o pai de todos os que creem em Deus e levam a sério Sua palavra. É o pai dos crentes incircuncisos, pois ele era incircunciso quando sua fé lhe foi imputada para justiça. É também o pai dos crentes circuncisos, não tanto com base na circuncisão deles, mas em sua fé. A justificação de Abraão e as bênçãos dela decorrente fundamentavam-se em sua fé em Deus. Não foram adquiridas por mérito ou esforço da parte dele, mas, sim, dadas pela graça de Deus. Esse continua sendo o princípio sobre o qual Deus trata os descendentes de Abraão. Nisso se cumpre a palavra de Deus: “porque por pai de muitas nações te tenho posto” (Gn. 17.5). A fé de Abraão teve uma qualidade especial, pois ele não fechou os olhos as circunstâncias desfavoráveis. Antes pôs sua visão no Deus capaz de cumprir Sua promessa. Esse princípio se aplica a todos os crentes, tendo em vista que o Deus que ressuscitou a Jesus dos mortos, o fez para proporcionar a justificação daqueles que nEle crêem.

CONCLUSÃO
O juízo de Deus é justo, inevitável e imparcial. A lei de Deus, revelada aos judeus, ou os gentios, que se fizeram lei para si, estão todos debaixo da condenação do pecado. Os moralistas tentam se justificar diante de Deus através dos seus próprios méritos achando que serão salvos por guardarem uma série de princípios religiosos. A saída dada por Deus é que: “Deus propôs para propiciação pela fé no seu [e Jesus] sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus (Rm.3.25,26).

BIBLIOGRAFIA
CABRAL, E. Comentário Bíblico Romanos. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.
STOTT, J. Romanos. São Paulo: ABU, 2001

6 de abril de 2016

Lição 02

A NECESSIDADE UNIVERSAL DA SALVAÇÃO EM CRISTO
Texto Áureo: Rm. 3.10  Leitura Bíblica: Rm. 1.18-27; 2.1-21


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
A doutrina do pecado pode ser facilmente comprovada, não apenas através das Escrituras, ao atestar que todos pecaram (Rm. 3.23), mas também pelos noticiários que confirmam a depravação humana. Na aula de hoje destacaremos essa verdade incontestável, mostrando que todos os homens se distanciaram de Deus. Por conseguinte, a salvação de Deus é uma providência universal, para todos aqueles que recebem Cristo como Salvador (Jo. 3.16). Na primeira parte da lição trataremos da ira de Deus contra o mal, e na segunda parte, abordaremos a questão da revelação divina.

I – A IRA DE DEUS CONTRA O MAL
A ira divina - a ira de Deus não é uma forma de emoção humana, ela fala de uma determinação justa e inevitável, de determinadas consequências, no que diz respeito ao pecado, face à santidade de Deus. Trata-se da reação da santidade de Deus contra o pecado. A ira de Deus é geralmente aludida em termos escatológicos, referindo ao julgamento futuro (I Ts. 1.10), contudo, Paulo fala desse julgamento já como algo presente, cuja aplicação já se percebe agora. Deus não se deixa escarnecer, pois tudo que  o homem plantar isto também ceifará (Gl. 6.7), não só no julgamento futuro, mas também agora através das obras da carne (Gl. 5.19-21).
Um Deus perfeito - assim, a ira divina é, na verdade, uma indignação justa e compatível com Sua natureza santa e perfeita. Em Is. 6.3, lemos que os anjos clamavam uns para os outros, dizendo: “Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória”. A santidade de Deus, é, portanto, um motivo para temê-lo. Assim indagam os anjos em Ap. 15.4: “Quem te não temerá, ó Senhor, e não magnificará o teu nome? Porque só tu és santo; por isso, todas as nações virão e se prostrarão diante de ti, porque os teus juízos são manifestos”
A revelação da ira divina na cruz - O pecado da humanidade nos torna alvos da ira divina, contudo, essa ira foi posta em Cristo, na cruz do calvário. Cristo foi morto como substituto por homens e mulheres. Nosso pecado fora transferido para Ele, assim, sua vida ou justiça nos é dada (Rm. 8.3; II Co. 5.21; Gl. 3.13). Paulo resume essa doutrina com a seguinte declaração aos crentes de Corinto: “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” (I Co. 15.3). Mas esse sacrifício precisa ser respondido pela fé no Seu sangue (Rm. 3.25), por isso, a célebre declaração de Romanos: “Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé” (Rm. 1.17).

II – A REVELAÇÃO DE DEUS
A palavra revelação significa “lançar luz sobre o que anteriormente se encontrava em oculto”. Há muito tempo atrás, Isaias clamou: “Verdadeiramente tu és o Deus que te ocultas, o Deus de Israel, o Salvador” (Is. 45.15). O ato de se fazer revelar, no que diz respeito a Deus, é uma atitude que parte dele, pois como bem expôs ao autor da epístola aos hebreus: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho”. Deus se revelou através da natureza, da consciência humana, das Escrituras e de Seu Filho Jesus Cristo.
Através da Natureza – A revelação de Deus, como criador e mantenedor do universo, é claramente percebida pela natureza. O Salmista canta: “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl. 19.1). Paulo reforça essa doutrina em Rm. 1.20: “Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis”.
Através da Consciência – A lei moral, no coração e na mente dos homens, revela Deus como um legislador. O homem é inescusável, haja vista “a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os”(Rm. 2.15). A consciência, porém, pode vir a se tornar cauterizada, caso os homens não se arrependam dos seus pecados (I Tm. 4.2).
Através das Escrituras – As Sagradas Escrituras trazem uma revelação sobrenatural de Deus para os homens, pois como atesta Paulo: “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (II Tm. 3.16). Isso porque: “a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (II Pe. 1.21).
Através de Cristo – Mas Deus quis ir mais além, e se revelou fazendo morada entre nós. João testifica que “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo. 1.14) e o autor da epístola aos hebreus confirma: “nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho” (Hb. 1.1).

III –  O HOMEM ESCRAVIZADO PELO PECADO    
Os homens, escravizados pelo pecado, conheceram a Deus, ainda que de modo limitado (At. 17.27), através da revelação da natureza e da consciência, mas resolveram viver como se ele não existisse. Muitos, atualmente, do mesmo modo, acreditam que Deus existe, mas não querem se submeter à autoridade de Sua palavra. Ao invés de se deixarem levar por esse conhecimento à adoração a Deus, eles “não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” (Rm. 1.21.22). Essa atitude resultou na idolatria, pela qual, “mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (Rm. 1.23). A consequência foi que “Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si” (Rm. 1.24). Nada mais trágico para a humidade do que ser entregue a si mesma, é o que atestamos por essa passagem das Escrituras. Paulo argumenta que a humidade, por preferir viver distanciada de Deus, tem que arcar com as consequências das suas opções. Quando assistimos aos noticiários, ou mesmo testemunhamos determinados acontecimentos, verificamos que essa é uma realidade perturbadora. Como nos tempos em que não havia juízes em Israel, cada um prefere fazer o que pensa, sem dar qualquer satisfação a Deus (Jz. 17.6). A ilusão do progresso tem alimentado a humanidade, a partir dos princípios iluministas, no entanto, nada que o homem faça poderá solucionar os problemas sociais. As mudanças também não virão por meio de uma política evangélica, pois essa também está alicerçada em um sistema caído, e em pessoas propensas à corrupção. Além disso, se Deus entregou a humanidade aos seus próprios desejos, a redenção não virá por meio de uma intervenção evangélica na política. Na verdade, não se pode esperar que o mundo se comporte com base em princípios que são específicos para os cristãos, não podemos esquecer que o mundo jaz no Maligno (I Jo. 5.18). A vontade de Deus é que todos se arrependam dos seus pecados, e através da conversão, passem a viver a partir dos princípios bíblicos (I Tm. 2.1-4). O julgamento não compete à igreja, pois Deus estabeleceu o dia no qual julgará as nações, e a cada um, de acordo com suas obras (Ap. 20.11-15).

CONCLUSÃO
O homem se encontra em posição inescusável diante de Deus, isso porque Ele não se manteve oculto nos céus, antes se deixou revelar, seja pela natureza ou pela consciência, seja pela Escritura ou pelo Seu próprio Filho. Mesmo assim, o homem tem optado por uma vida de desobediência em franca rebelião contra o Criador. Essa opção, porém, trará consequência, pois “Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça” (Rm. 1.18).

BIBLIOGRAFIA
CRANFIELD, C. E. B., Comentário de Romanos. São Paulo: Vida Nova, 2005.
POHL, A. Carta aos Romanos. Curitiba: Esperança, 1999.