19.7.09

Lição 04

JESUS, O REDENTOR E PERDOADOR
Texto Áureo: I Jo. 1.9 - Leitura Bíblica em Classe: I Jo. 2.1,2; Ef. 1.6,7; Ap. 5.8-10

Objetivo: Refletir a respeito de Cristo e do Seu sacrifício na cruz que tornou possível o perdão do pecado a todos os que nEle crêem.

INTRODUÇÃO
O pecado é uma dura realidade da qual o ser humano não pode escapar. O salário dele é altíssimo, de acordo com Rm. 6.23, é a morte. Mas Deus, em Seu amor, preparou uma saída, o sacrifício de Cristo, Seu Filho Unigênito (Jô. 3.16). Na lição de hoje, aprofundaremos esse tema. Veremos que o pecado, ainda que seja negado pelos modernistas, é uma realidade. Por isso, Jesus, através da cruz, tornou-se redentor e perdoador daqueles que nEle crêem. Ao final, aprenderemos que não devemos pecar, mas, se pecarmos, temos um Advogado, Jesus Cristo, o Justo, a propiciação pelos pecados.

1. PECADO, UMA REALIDADE
O pecado, de acordo com I Jo. 3.4 e Rm. 4.15, é uma transgressão à lei de Deus. Esse termo, harmartia em grego - tanto se refere ao estado da condição humana quanto às práticas dela decorrente. O pecado tanto pode ser por omissão quanto por omissão (Rm. 6.12-17; 7.5-24). Não se trata apenas de uma violação da lei constitucional ou de um sistema de regras, mas uma ofensa real contra Aquele que é o Legislador por excelência. A alma que peca é consciente que esse é algo mal e que destrói o ser humano e que, por conseguinte, alguma punição é exigida (Rm. 6.12-17; Gl. 5.17; Tg. 1.14,15). A entrada do pecado na humanidade foi uma tragédia que Deus permitiu que ocorresse. Quando Adão pecou, conforme Gn. 3.1-6, ele demonstrou descrença e falta de confiança na Palavra de Deus. Ao mesmo tempo, isso resultou na perda da comunhão com o Criador. Em Adão todos os homens foram feitos pecadores, pois ele representou, m sua queda, toda sua posteridade (Rm. 5.12-21; I Co. 15.22-45). Mas isso não quer dizer que o ser humano não tenha responsabilidade sobre suas atitudes. Ainda que tenhamos herdado a natureza pecaminosa de Adão, é possível se voltar para Deus, arrepender-se dos pecados e seguir o caminho preparado por Cristo. O principal pecado do ser humano é negar que não tem pecado. Se negarmos que temos pecado, mentimos, não praticamos a verdade (I Jô. 1.6).

2. JESUS, REDENTOR E PERDOADOR
Mas se andarmos na luz, está escrito em I Jo. 1.7, como Jesus está na luz, temos comunhão uns com outros, e o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado. O verbo no grego – katharizo - sugere que Deus faz muito mais que perdoar, Ele apaga as manchas do pecado. O tempo presente também aponta para um processo contínuo de perdão dos pecados, envolvendo inclusive os pecados cometidos inconscientemente, pois Ele limpa “todo pecado”. O meio para o perdão do pecado é o sangue de Jesus, pois o filho veio “como salvador do mundo” (I Jo. 4.14), como propiciação pelos nossos pecados (I Jo. 4.10). A propiciação – hilasmos – diz respeito ao ato misericordioso de Deus tornar o pecador propício perante Ele (Rm.3.25). Uma condição é necessária para a propiciação: que andemos em comunhão uns com os outros, andando na luz em sinceridade. Conforme já destacamos anteriormente, a condição do cristão, em relação ao pecado, não é a de nega-lo, mas admiti-lo a fim de receber o perdão de Deus. Se não assumirmos, fazemos Deus mentiroso, pois a Bíblia revela que o pecado é universal (I Rs. 8.46; Sl. 14.3; Ec. 7.20; Is. 53.6; 64.6) Assim, “se confessarmos os nossos pecados” (Sl. 32.1-5; Pv. 28.13) Deus nos perdoará e nos purificará de “toda injustiça” (I Jo. 1.9). Ele é fiel (II Tm. 2.13) e cumpre com as suas promessas (Hb. 10.23).

3. NÃO PEQUEIS, MAS SE PECARDES
João instrui os irmãos, seus “filhinhos”, para que “não pecassem”, mas, “se, todavia, alguém pecar”, receberia de Jesus o perdão. Cristo assim o fez na terra quando despediu muitos pecadores, dizendo que não mais pecassem (Jo. 5.14; 8.11). Na verdade, Jesus é o Advogado – parakletos - Cristo prometeu que intercederia por Pedro após ter negado o Seu nome (Lc. 22.32). Por isso Ele é a “propiciação pelos nossos pecados”. Isso porque Deus é gracioso e não deseja estar distanciado de nós por causa do pecado. Essa propiciação não deva servir de motivo para uma vida de pecado (Rm. 6.1). Muito pelo contrário, por causa do amor de Deus, devemos viver em santidade (I Jo. 2.1). O habito pecaminoso não mais pode fazer parte da prática cristã. Ainda que se reconheça a possibilidade do crente cometer algum pecado eventual. Quando isso vier a acontecer, devemos confessar o pecado. A contrição por causa do pecado cometido nos dirige a Cristo, o Justo que cobre, neutraliza, expia, aplaca e anula a culpa do pecado. Ele é o remédio que cura a contaminação e o mal que o pecado nos causa. Esse ensinamento bíblico expressa o sistema sacrifical do Antigo Testamento (Lv. 16.30; Hb. 9.22). Somente Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo. 1.29). Ele é o caminho, a verdade e a vida e ninguém pode ir ao Pai a menos que seja por Ele (Jo. 14.6), Ele é o único nome pelo qual importa que os seres humanos sejam salvos (At. 4.12).

CONCLUSÃO
Conta-se a história de um homem que andava com um pequeno livro no bolso. Dizia a todos que se tratava da biografia de sua vida. As pessoas perguntavam como alguém poderia ter toda sua vida contada num livrinho tão pequeno. A admiração era maior ainda ao perceber que não havia nada escrito e que continha apenas três páginas. As páginas tinham cores diferentes: a primeira era escura, a segunda vermelha e a terceira era alva. Aquele homem explicava que essas páginas tinham, cada uma delas, uma representatividade da sua vida antes e depois de Cristo. Antes – no pecado (a página escura), depois (a página alva), a página do meio (a vermelha) simbolizava o sangue de Cristo que o livrou de todo pecado.

BIBLIOGRAFIA
BOICE, J. M. As epistolas de João. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
STOTT, J. R. W. I, II e III João: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1982.

12.7.09

Lição 03

JESUS, A LUZ DO CRENTE
Texto Áureo: I Jo. 1.1 - Leitura Bíblica em Classe: Jo. 8.12

Objetivo: Mostrar que somente iluminados por Cristo poderemos refletir a sua glória e ser luz para o mundo.

INTRODUÇÃO
A relação entre luz e trevas é recorrente nos escritos de João. O que Deus nos revela, nas palavras desse Apóstolo? A esse respeito estudaremos na lição de hoje, mostrando que Jesus é a luz que dissipa as trevas. Ao final, veremos que os cristãos, como filhos da luz, devem resplandecer a luz de Cristo.

1. TREVAS E LUZ NOS ESCRITOS DE JOÃO
Nas Escrituras em geral, intelectualmente, luz é verdade, e trevas é ignorância e erro. Moralmente, luz é pureza e trevas é mal. A revelação de Deus através da mensagem profética é descrita na Bíblia como luz (Pv. 6.23; Sl. 119.105,130; II Pe. 1.19). Em Is. 42.6 e 49.6, Deus diz que faria Seu servo – Jesus - “luz para os gentios”. Paulo também escreveu aos crentes de Corinto sobre a “iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo” (II Co. 4.4,6). No Evangelho segundo João, existem várias passagens que tratam a respeito do simbolismo da luz. Três delas dão ênfase à luz como revelação da verdade (Jô. 9.4,5; 12.35, 36, 46; 11.9,10). Nesse evangelho, a luz tem um efeito moral, já que os homens são chamados a andar na luz. Em Jo. 3.19-21 há uma relação entre luz e pureza, trevas e mal. Por isso, os homens não apenas devem conhecer a verdade – intelectualmente – devem também praticá-la – moralmente. Não podem apenas ver a luz precisam também andar nela. Em I Jo. 2.8-11 encontramos uma alusão direta à luz em sua implicação moral. Qualquer pessoa que diz estar na luz (v. 9) precisa mostrar que está andando em amor (v. 10,11).

2. JESUS, A LUZ QUE ILUMINA AS TREVAS
Em Jo. 8.1-20, Jesus afirma ser a luz do mundo. Com essas palavras o Senhor declara que o mundo se encontra em trevas. Isso tem sido assim desde a queda do homem no pecado. Por andarem nas trevas os homens não compreendem a verdade de Deus. Mesmo com todo o avanço científico, as “trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos” (Is. 60.2). Jesus chama as pessoas a seguirem-NO para que deixem de andar em trevas e passe a ter a luz da vida. Esse ato deve ser integral, sem reservas, pois aqueles que seguem a Cristo precisam se entregar totalmente a Ele, seguindo o Cordeiro onde quer que Ele vá (Ap. 14.4). Deixar de seguir a Cristo é uma atitude de ignorância espiritual. Não existe outro modo de se aproximar de Deus, de sair das trevas, a não ser a aproximação do Pai através de Cristo (Jo. 14.6). A falta de conhecimento de Cristo é proporcional à ausência de conhecimento de Deus. Esse desconhecimento não é apenas de ordem intelectual, trata-se de uma falta de compromisso com o discipulado cristão. O Senhor disse que quem quiser ir após Ele deve negar a si mesmo, tomar a cruz e segui-lo (Mt. 16.24).

3. OS CRISTÃOS, FILHOS DA LUZ
No Sermão do Monte, em Mt. 5.14-17, Jesus afirma que os cristãos também são “a luz do mundo”, assim como Ele mesmo é a luz (Jo. 8.12; 9.5; 1.4,9; 3.19; 12.35,36). Os discípulos de Cristo devem resplandecer a Sua luz sobre o mundo, como luzeiros (Fp. 2.15), seguindo o exemplo também deixado por João Batista, a respeito do qual é dito que era uma lâmpada para os seus dias (Jo. 5.35). A luz deve ser colocada no velador – um sustentáculo de pedra fixado na parede no qual a lâmpada era posta – não debaixo de um alqueire – um recipiente utilizado para medir grãos. O objetivo da luz de Cristo sobre os crentes é para que os descrentes vejam “as boas obras” e glorifiquem ao Pai que está nos Céus.

CONCLUSÃO
Os crentes em Cristo devam andar na luz (I Jo. 1.7), isto é, ter uma vida santificada perante o Senhor e as pessoas crentes e descrentes (Ef. 5.8). Como diz o hino 96 da Harpa Crista: “Se na luz estamos, que divina luz! Se nos limpa sempre o sangue de Jesus, temos claridade em nosso coração, e vivemos nós na luz”.

BIBLIOGRAFIA
BOICE, J. M. As epistolas de João. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
STOTT, J. R. W. I, II e III João: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1982.

5.7.09

Lição 02

JESUS, O FILHO ETERNO DE DEUS
Texto Áureo: I Jo. 1.1 - Leitura Bíblica em Classe: I Jo. 1.1-17; Jo. 1.1-4; Cl. 1.16,17

Objetivo: Mostrar que a sustentação da fé cristã repousa não só no fato de que Cristo está vivo, mas de que Ele é eterno.

INTRODUÇÃO
Os opositores de João negavam veementemente a divindade de Jesus. Para respondê-los e esclarecer a igreja, o Apóstolo revela que Cristo é o Verbo Eterno de Deus que se fez Carne e habitou entre os homens. Na lição de hoje, estudaremos a respeito do significado da expressão “Filho de Deus” nos escritos joaninos. Em Seguida, meditaremos a respeito do testemunho apostólico da encarnação do Verbo. E por fim, refletiremos sobre a eternidade de Cristo, o Verbo de Deus.

1. A EXPRESSÃO “O FILHO DE DEUS” NOS ESCRITOS JOANINOS
A expressão “Filho de Deus” é comumente usada não apenas no Evangelho de João para se referir a Cristo (Mt. 4.3; 16.16; Mc. 3.11; Lc. 1.35; 15.11; At. 8.37; Rm. 1.4; II Co. 1.19; Gl. 2.20; Ef. 4.13; Hb. 4.14). Nos escritos de João, essa expressão também acontece com certa freqüência (Jo. 10.36; I Jo. 1.18; 5.22; Ap. 2.18). Em algumas passagens do Novo Testamento, cristo é mostrado tão somente como o Filho (Mt. 11.27; Mc. 1.1; Jô. 1.18; 5.22; I Co. 15.28; Hb. 1.8; I Jô. 2.22). Em Jo. 3.16 Cristo é destacado por João como o Filho Unigênito. Em Lc. 1.32 Ele é descrito como o Filho do Altíssimo. O próprio Deus se refere a Cristo como “meu Filho amado” em várias situações (Mt. 3.17; Mc. 1.11; 9.7; Lc. 3.22; II Pe. 1.17; At. 13.33). Especificamente Nos escritos de João, a filiação divina tem como propósito mostrar a glória do Pai (Jo. 1.14) e tornar o Pai conhecido dos homens (Jo. 1.18). Conforme dito anteriormente, a essência singular da filiação de Cristo é destacado mediante o uso da expressão grega monogenés, isto é, unigênito. Com essa declaração João destaca que Cristo é o verdadeiro Deus (Jo. 20.31), e, desde a Eternidade, Cristo estava frente a frente com o Pai (Jo. 1.1). Nas Epístolas, João relaciona a filiação divina ao caráter messiânico de Jesus, para a revelação da vida eterna (I Jo. 5.20).

2. O TESTEMUNHO DA ENCARNAÇÃO DO VERBO
João testifica, na abertura da I Epístola, a respeito do “que sempre – desde o princípio – foi verdade quanto à Palavra da vida”, se referindo aquilo que já havia sido anunciado no Evangelho. O autor mostra, nesse trecho, a historicidade do Verbo Eterno. Ele entrou no tempo e foi manifestado aos homens. O Verbo se fez carne e se apresentou de modo que se tornou possível ouvi-lo, vê-lo e toca-lo. Assim, o Apóstolo pode testemunhar a respeito dessa revelação já que ouviu, viu e tocou, ressaltando assim suas credenciais. O propósito desse testemunho é que haja comunhão, incluindo a reconciliação com Deus em Cristo, pois nisso repousa a vida eterna. A revelação testemunhada por João visa trazer alegria, a felicidade completa que o evangelho de Cristo nos oferece. A alegria do Evangelho de Cristo é um tema comum nos escritos joaninos (Jô. 3.29; 15.11; 17.13; II Jô. 12). Essa declaração ecoa com o Sl. 16.1 “Na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra delícias perpetuamente”. O evangelho de Jesus é uma notícia alegre, pois nunca homem algum falou como Ele (Jô. 7.46). Aqueles que O ouviram foram privilegiados, foram, nas palavras do Senhor, bem-aventurados (Mt. 13.16,17; Lc. 10.23,24), mas os que crêem sem O ver também o são (Jo. 20.29), contanto que recebam a mensagem que Jesus ordenou que Suas testemunhas levassem adiante (Mt. 28.19-21; Mc. 16.15; At. 1.8).

3. A ETERNIDADE DO VERBO DE DEUS
O termo “verbo”, em Jo. 1.1, é às vezes traduzido por “palavra” em grego é “logos”. Há, na verdade, uma dificuldade para verter esse termo para uma outra língua. Alguns especialistas defendem que a expressão seria mais bem traduzida como “palavra em ação”. Isso porque o fundamento desse termo não seria a filosofia grega, mas o pensamento hebraico, que trata a respeito da palavra de Deus agindo sobre o mundo (Gn. 1; Sl. 33.6; Is. 7.3; 38.4; Sl. 104.20). O Verbo de Deus é Cristo cujas ações e palavras manifestam a revelação de Deus (Hb. 1.2) o que encontra eco nas palavras de Paulo em Cl. 1.16 afirmando que nEle – em Cristo – todas as coisas foram criadas e tudo subsiste. O Verbo é eterno, haja vista que Ele mesmo se apresenta como o Amém, o princípio da criação de Deus (Ap. 3.14). Em Jo. 1.15, João Batista declara a eternidade do Verbo ao reconhecer que Esse já existia antes dele. O profeta Isaias apresenta Cristo como o Deus Conosco e um dos seus atributos é o de ser Pai da Eternidade (Is. 9.6). Ao revelar-se como Filho de Deus e dizer que antes que Abraão existisse Ele já existia, Jesus incomodou os religiosos da Sua época, que quiseram apedrejá-lo por identificarem em suas declaração, uma identificação com a Deidade e um atributo da Sua existência eterna (Jo. 8.58).

CONCLUSÃO
Jesus é o Filho Eterno de Deus, não por criação – como os anjos, ou por adoção – como os crentes. Ele é, eternamente, o Filho de Deus, o unigênito do Pai. Quando se fez carne, Ele entrou na história da humanidade e revelou a glória de Deus. Por isso, podemos conhecer melhor o Pai, não apenas intelectivamente, mas afetivamente. Podemos ter um relacionamento mais íntimo com Ele porque Cristo, a Palavra Eterna, revelou um amor que até então era desconhecido. Por isso, como Tomé, podemos nos prostrar aos seus pés e declarar reverentemente “Senhor meu, e Deus meu!” (Jo. 20.28) e também declarar Aba (Rm. 8.15; Gl. 4.6), certos de que seremos ouvidos pelo Pai Nosso que está no Ceu (Mt. 6.9).

BIBLIOGRAFIA
BOICE, J. M. As epistolas de João. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
STOTT, J. R. W. I, II e III João: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1982.

29.6.09

Lição 01

A PRIMEIRA CARTA DE JOÃO
Texto Áureo: II Tm. 3.16 - Leitura Bíblica em Classe: I Jo. 1.1-4

Objetivo: Mostrar que essa carta, divinamente inspirada, é aplicável a todo leitor que deseja ter sua vida no centro da vontade de Deus.

INTRODUÇÃO
Ao longo deste trimestre estudaremos a I Carta de João. Essa é uma das cartas mais significativas do Novo Testamento. Caracteriza-se por uma estrutura bastante distinta em relação as demais. O conteúdo é contundente na argumentação contra os falsos mestres. Seu estilo e teologia se coadunam com o Evangelho do mesmo autor. Nas aulas dos próximos três meses teremos as seguintes lições: 1) a Primeira Carta de João; 2) Jesus, o Filho Eterno de Deus; 3) Jesus, a Luz do Crente; 4) Jesus, o Redentor e Perdoador; 5) A força do amor cristão; 6) o sistema de viver do mundo; 7) a chegada do Anticristo; 8) A nossa Eterna salvação; 9) O crente e as bênçãos da salvação; 10) os falsos profetas; 11) o amor a Deus e ao próximo; 12) O testemunho interior do crente; e 13) A segurança em Cristo. Na lição de hoje, trataremos a respeito da autoria dessa carta, do seu propósito e apresentaremos uma visão panorâmica de sua divisão.

1. A AUTORIA DA CARTA
O autor de I João não se identifica na Carta. Ao que tudo indica seus “filhinhos” os reconheceria sem problemas. Uma pista nos é dada em II e III João nas quais o autor se apresenta como o “ancião”. Mesmo o evangelho, do mesmo autor de I João, diz ser “o discípulo a quem Jesus amava” (Jo. 21.20; 13.23). Com base nessas passagens do evangelho e a semelhanças contundentes, atribui-se a autoria da Carta a João, o discípulo, filho de Zebedeu (Mt. 4.21), que a teria escrito entre os anos 85 a 95 d. C. Existem evidências externas da pena de Irineu e do Cânon Muratoriano que atribuem e assumem que I João e o evangelho são do mesmo autor. O João, apóstolo de Cristo e autor dessa epístola, era, como seu pai, pescador de Betsaida, na Galiléia, e trabalhava no lago de Genezaré (Mt. 4.18,19). Sua família parece ter vivido em condições favoráveis, já que seu pai tinha empregados (Mc. 1.20), a sua mãe era uma das mulheres piedosas que seguiam a Jesus e que desde a Galiléia servia ao Senhor com seus bens (Mt. 27.26). João, inicialmente, seguia João Batista, e depois, com seu irmão André, passou a seguir a Cristo (Jo. 1.35-40). A chamada de João e de seus irmãos está registrada em Mt. 4.21,22 e em Mc. 1.19,20. Tratava-se de um dos doze apóstolos (Mt. 10.2). Jesus deu a ele e ao seu irmão o nome de Boanerges (Mc. 3.17), talvez por causa do seu temperamento impulsivo (Mc. 9.38,39; Lc. 9.51-56) e pelas ambições pessoais (Mc. 10.35-40). Ao final, ele foi modificado pelo amor de Jesus e passou a ser denominado de “o discípulo a quem Jesus amava” (Jo. 21.20). Como os demais discípulos, João se distanciou do Mestre após a prisão, mas depois o seguiu até o palácio do sumo sacerdote (Jo. 18.15) e estava presente no Calvário (Jo. 19.26,27). Em companhia de Pedro visitou o túmulo vazio de Jesus (Jô. 202-8) e reconheceu o Senhor na pesca milagrosa (Jo. 21.7). Para a tradição eclesiástica, João teria ficado em Jerusalém até a morte de Maria, a mãe de Jesus, que teria acontecido por volta do ano 48 d. C. e que depois de ter deixado Paulo na Ásia Menor, passou a residir em Éfeso e criado diversas igrejas naquela região. Durante a perseguição de Domiciano, foi desterrado para a ilha de Patmos, no mar Egeu, onde teria escrito o Apocalipse. Anos depois teria sido libertado e retornado a Éfeso onde permaneceu até sua morte, que teria ocorrido por volta do ano 100 d. C. De acordo com Jerônimo, João pela sua idade avançada, não mais podia pregar, por isso, pedia que o levassem ao templo e então contentava-se em exortar a igreja dizendo “Filhinhos, amai-vos uns aos outros”.

2. O PROPÓSITO DA CARTA
O propósito da Carta é apresentado por João no capítulo 5 e versículo 13. Ele procurar reforçar e consolidar o Evangelho, assegurando aos crentes que eles têm vida eterna. A Carta é também uma apologia contra as falsas doutrinas que estavam adentrando a igreja. Os Gnósticos, um ensinamento esotérico dos tempos primitivos da igreja, questionavam a encarnação do Verbo. Eles negavam também que Jesus fosse o Filho de Deus. A esses João denomina de enganadores e anticristos (2.22; 4.15; 5.1). Eles também negavam a humanidade de Cristo, opondo-se, assim, à comunicação de Deus com os homens através do Logos que se fez carne. João combate com veemência essas falsas doutrinas ao longo de sua epístola universal (4.3), declara, logo no início, que ele pôde tocar o corpo de Jesus (1.1). Como se isso não fosse o bastante, defendiam ainda a liberdade para pecar, argumentando que o pecado não atingiria a alma, apenas o corpo. O Apóstolo refuta esse ensinamento imoral ao declarar que todo pecado é iniqüidade (3.4) e que é na comunhão com Deus que o cristão é purificado, sendo reconhecido como filho de Deus (2.5; 3.8-10; 4.13; 5.11). A Epístola destaca a natureza da comunhão com Deus (1.3), pois Ele é luz (1.5), portanto, o homem deve ser purificado e remido (1.7; 2.2) e também santo (2.3-7). Como Deus é amor, devemos também amar-nos uns aos outros (2.10). Como Deus é justo, os Seus filhos também devem ser (2.29-3.3) Cristo veio para tirar o pecado do mundo e nEle não há pecado, portanto, devemos ser santos (3.4-10). O amor sacrificial dEle deve ser o modelo do amor cristão em relação ao próximo (3.11-18). O amor é parte essencial da natureza de Deus (4.7,8).

3. PANORAMA GERAL DA CARTA
A Carta de I João é uma das mais difíceis de esboçar do Novo Testamento. Alguns estudiosos argumentam, com bastante sentido, que João, nessa Epístola, não tem qualquer intenção de seguir um planejamento lógico. Mesmo assim, tentaremos, nas próximas linhas, traçar um panorama geral da Carta: 1) A base da vida cristã (1.1-5); 2) O significado do andar na luz (1.5-2.2); 3) Resultados da comunhão com o Pai (2.3-3.28): obediência (2.3-5), semelhança com Cristo (2.6), amor (2.7-11), separação (2.12-17), ortodoxia (2.18-28); 3) Justiça sinal de filiação (2.39-3.24): a realidade da filiação (2.29-3.3), a possibilidade da pureza (3.4-10), a essência da justiça (3.11-18), os resultados da justiça (3.19-24); 4) A necessidade da prática da discriminação e do discernimento espiritual (4.1-6); 5) o amor, prova da filiação (4.7-21): origem (4.7,8), significado (4.9,10), inspiração (4.11-16), atividade (4.17-21); 6) grandes certezas do crente (5.1-20): a vitória sobre o mundo (5.1-4), o caráter final de Jesus Cristo (5.5-12), a realidade da salvação (5.13), da oração respondida (5.18-20); 7) Admoestação contra a idolatria (5.21).

CONCLUSÃO
Essa Primeira Carta de João foi escrita para uma comunidade cristã que enfrentava a ameaça Gnóstica do Século I da Era Cristã. Ao tratar a respeito desse tema, o Apóstolo defende o valor da vida coerente, e principalmente, em comunhão com Deus e em amor entre os irmãos. O propósito central da Carta pode ser resumido no seguinte versículo: “Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus” (I Jo. 5.13).

BIBLIOGRAFIA
BOILE, J. M. As epistolas de João. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
STOTT, J. R. W. I, II e III João: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1982.