3 de fevereiro de 2016

Lição 06

O TRIBUNAL DE CRISTO E OS GALARDÕES
                           Texto Áureo  II Co. 5.10 – Leitura Bíblica  I Co. 3.11-15


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Após a Igreja ser arrebatada para se encontrar com Cristo nos ares (I Ts. 4.13-18), será estabelecido o Tribunal de Cristo, a fim de julgar as obras dos crentes, bem como os galardões. Na aula de hoje estudaremos a respeito desses eventos escatológicos, considerando, sobretudo, sua importância para que não deixemos de trabalhar, e de fazer a obra de Deus, enquanto é dia, por virá a noite, em que não mais será possível (Jo. 9.4).

1. O TRIBUNA DE CRISTO
Quando a Igreja for arrebatada, todos os crentes comparecerão perante Cristo, para que as obras sejam julgadas (II Co. 5.10; I Co. 1.8). Faz-se necessário esclarecer que esse julgamento não será para a salvação. Os crentes já foram salvos em Cristo, através do Seu sacrifício vicário (Ef. 2.8,9). Esse julgamento também não deve ser confundido com o Juízo do Grande Trono Branco, que acontecerá depois do Milênio, com vista à condenação dos ímpios (Ap. 20.11-15). No Tribunal (gr. bema) de Cristo, os fieis se apresentarão a fim de receber o galardão, que está com o próprio Senhor, para entregar àqueles que permaneceram firmes até o fim (Ap. 22.12). Aqueles que se sacrificaram pela obra de Deus, a exemplo de Paulo, receberão naquele dia, a coroa da justiça, reservada a todos que padeceram por amor a Cristo (II Tm. 4.8). Muitos crentes são perseguidos em várias partes do mundo, principalmente nos países que são inóspitos ao evangelho. Esses receberão do Senhor, quando Ele vier para arrebatar Sua igreja, o galardão. Jesus é o Supremo Juiz que entregará o prêmio àqueles que permaneceram fiéis, e que não negaram o nome do Senhor, mesmo em condições adversas. Os crentes são responsáveis pelo que fazem e deixam de fazer, isso quer dizer que o julgamento das obras não atentará apenas para as obras feitas, mas também pelas obras que os crentes deixaram de fazer. A esse respeito Paulo esclarece que “todos devemos comparecer ante o Tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal” (II Co. 5.10).

2. O JULGAMENTO DAS OBRAS
Esse será um julgamento justo, pois o Supremo Juiz é Cristo, e Ele mesmo avaliará as obras de cada crente. De acordo com I Co. 3.11-15, as obras serão provadas pelo fogo, isso porque esse revelará não apenas a quantidade, mas a qualidade das obras realizadas. Existem muitas pessoas que trabalham bastante nas igrejas locais, mas o objetivo não é a expansão do Reino de Deus, antes a promoção pessoal. A motivação com a qual desempenham o trabalho passará pelo crivo do Senhor. Há aqueles que buscam apenas as riquezas materiais, o fim último do trabalho é o enriquecimento através do ministério. Outros buscam fama e poder, querem o reconhecimento dos seus pares, e se ufanam em seus cargos “ministeriais”. Esses já receberam seus galardões, alguns podem até ser salvos, mas não receberão qualquer recompensa do Senhor. A famigerada teologia da ganância, denominada por alguns de prosperidade, está ufanando muitos crentes, esses apenas se interessam pelas riquezas materiais. A obra desses não resistirá ao fogo divino, pois não são feitas em Deus (Jo. 3.21), são madeira, feno e palha (I Co. 3.15). Os pastores que estão trabalhando na seara de Cristo devem cuidar a esse respeito. A profissionalização do ministério está fazendo com que alguns obreiros  pecam o foco do serviço cristão, querem subir ao trono, sem antes passar pela toalha (Jo. 13). Como nos tempos do profeta Ezequiel, há pastores que apenas apascentam a si mesmos, em detrimento das ovelhas (Ez. 34.7-10). É preciso acautelar-se para não se perder no ministério, deixando de perseguir o modelo que é Jesus, o Supremo Pastor, que entregou Sua vida pelas ovelhas (Jo. 10.10).

3. OS GALARDÕES
As obras dos crentes podem ser categorizadas, de acordo com a explicação de Paulo, em madeira, feno e palha, bem como ouro, prata e pedras preciosas. A madeira nas Escrituras tem a ver com a produção humana. Isso porque há pessoas que trabalham apenas para ser vistas pelos homens. Não poucos crentes nas igrejas labutam, e às vezes, incansavelmente, para ser reconhecidos pelos pastores, e receberem deles algum cargo ou recompensa. O feno é uma erva seca, que perece com facilidade. Isso diz respeito àqueles que querem receber a glória terrestre, destaque no exercício ministerial. Esses, como antecipou o Senhor em Seu sermão, “já receberam o seu galardão” (Mt. 6.2-16). A glória terrestre é passageira, existem crentes, até mesmo obreiros, que já se esqueceram do chamado, desviaram-se da vocação. Esses profissionais do ministério, como a palha seca que é lançada ao vento, não subsistirão na congregação dos justos (Sl. 1.4; Os. 13.3). Mas nem tudo está perdido, não podemos julgar todos igualmente, pois certamente há obreiros, crentes que trabalham denodadamente, a fim de satisfazer ao Senhor da obra. O trabalho desses é comparado ao ouro e a prata, isso porque eles labutam não para si mesmos, ou para serem reconhecidos pelos outros, antes para a glória de Deus (I Co. 10.31; Mt. 5.16). Há vários obreiros que envergonham o ministério, e que sequer podem ser associados ao Reino de Cristo. Outro, porém, ainda que desconhecidos da mídia, e que não são destacados nas Convenções ministeriais, receberão do Senhor o devido reconhecimento (Mt. 25.21-13).

CONCLUSÃO
Os crentes em Jesus devem trabalhar para o Ele, dedicarem-se incansavelmente para a expansão do Reino de Deus, colocando-O sempre em primeiro lugar (Mt. 6.33). Depois de labutarem, com afinco e esmero, precisam reconhecer que fizeram apenas o que lhe era devido (Lc. 17.7-10). Tenhamos cuidado para não enterrar o talento que recebemos do Senhor, e que o desenvolvamos, não para ostentação humana, mas para a glória de Deus (Mt. 25.14-30).

BIBLIOGRAFIA
DEMY, T., ICE, T. A verdade sobre o arrebatamento. Porto Alegre: Actual Edições, 2001.
LAHAYE, T. Enciclopédia popular de profecia bíblica. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

26 de janeiro de 2016

Lição 05

O ARREBATAMENTO DA IGREJA    
                             Texto Áureo  I Ts. 4.17 – Leitura Bíblica  I Ts. 4.13-18


 Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
A I Epístola aos Tessalonicenses foi escrita por Paulo, quando a igreja daquela localidade tinha dificuldade para compreender a natureza do arrebatamento, e da ressurreição dos salvos. A passagem de I Ts. 4.13-18 é bastante esclarecedora, e nos ajuda a compreender a sequência e objetivo desse acontecimento. Na lição de hoje faremos uma análise desse texto, destacando seu significado e propósito, não apenas para a igreja daquela comunidade, mas também para os crentes atuais.

1. RESSURREIÇÃO DOS SALVOS
Existem alguns aspectos que envolvem o arrebatamento da igreja, o principal deles será a ressurreição dos salvos. Isso significa que os crentes que morreram em Cristo, na ocasião do arrebatamento, ressuscitarão primeiro. Essa verdade bíblica está em consonância com I Co. 15.23,24, na qual o Apóstolo discorre sobre esse evento escatológico. Essa doutrina revela que há uma unidade entre os crentes vivos e aqueles que partiram com Cristo. Esse esclarecimento se fez necessário porque os crentes de Tessalônica tinham dúvidas em relação a esse episódio. Ao que tudo indica, alguns deles estavam desesperados, pois não sabiam o que acontecia depois da morte. Paulo explica: “Nós, os vivos, os que ficarmos até à vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem” (I Ts. 4.15). A palavra “preceder” em grego é phthasõmen é acompanhada de um duplo negativo, a fim de demonstrar ênfase. Em relação ao futuro, o Apóstolo também é enfático: os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro (v. 16). Em relação à ressurreição, faz-se necessário esclarecer que Cristo é a primícias daqueles que haverão de ressuscitar; cujo acontecimento pleno se dará no arrebatamento da igreja. Mas existe ainda outra ressurreição, a do restante da humanidade, para juízo eterno (Dn. 12.2; Jo. 5.28,29; Ap. 20.5). Os santos que morreram em Cristo aguardam ainda a ressurreição, isso quer dizer, então, que eles esperam a glorificação do corpo, quando o que é corruptível se revestirá da incorruptibilidade (I Co. 15.51-55).

2. ARREBATAMENTO DA IGREJA
Por ocasião do arrebatamento (gr. harpazo) os crentes, tanto os vivos quanto aqueles que ressuscitarão, receberão um novo corpo glorificado. O objetivo, daqueles que vivem e dos que morreram, é será encontrar com o Senhor nos ares, e estar para sempre com Ele (I Ts. 4.17). Acontecerá, nessa oportunidade, uma transformação (allassõ), ou seja, os crentes assumirão uma nova posição. Em relação ao novo corpo, Paulo explica que terá uma mudança em conformidade com o de Cristo ressuscitado (Fp. 3.21; I Jo. 3.2). Nas limitações do corpo presente, gememos em nosso íntimo, aguardando a redenção (Rm. 8.23), o dia em que não mais passaremos por dores, as doenças e enfermidades não mais nos alcançarão. O arrebatamento tem um significado especial para os crentes, porque depois de celebrarmos nos ares as Bodas do Cordeiro, eles seguirão para a casa do Pai (Jo. 14.2,3; I Ts. 3.13). Essa também será um ato divino de livramento, considerando que os crentes arrebatados não passarão pela tribulação, serão livres da ira vindoura (I Ts. 1.9,10). Com Cristo assumiremos a cidadania do céu em Sua plenitude, por isso esperamos com ansiedade o dia no qual a trombeta soará. Com Paulo, aguardamos até que esse dia aconteça, e passemos a desfrutar das glórias que para nós foram reservadas (Tt. 2.13).

3. CONSOLO PARA OS CRENTES
A mensagem do arrebatamento não deve ter como objetivo central assustar os crentes, amedrontando-os. Antes, deve alimentar nossa esperança, na certeza de que quando a trombeta soar, estaremos voltando para casa. Jesus consolou os discípulos, justamente no momento em mais precisavam, quando o Senhor se despedia deles. Para que não se entristecessem, prometeu voltar para leva-los para junto deles, e a presença gratificante do Consolador (Jo. 14). O coração do crente não deve ficar perturbado diante das vicissitudes da vida, antes devemos descansar nos cuidados do Senhor. A presença dEle, e do Seu Espírito, nos traz consolo na situações adversas. Ao que tudo indica esse também era o problema dos crentes de Tessalônica, por causa da ignorância escatológica, ficaram angustiados, sobretudo diante da morte. Mas nós sabemos que a morte não é o fim, nem mesmo para aqueles que já partiram, pois temos a convicção, pela Palavra do Senhor, que os mortos em Cristo ressuscitarão, e os que estiverem vivos serão transformados (I Ts. 4.15,17). Diante dos momentos difíceis, não devemos ficar com o coração conturbado, pois estamos firmados em uma bendita esperança, que é o fundamento da nossa alegria (I Ts. 2.19). Paulo em enfático em sua admoestação aos crentes: “Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras” (I Ts. 4.18).

CONCLUSÃO
O arrebatamento, o translado dos crentes que pode acontecer a qualquer momento, é a bendita esperança da igreja. Diante de um mundo marcado pelo desespero, devemos consolar uns aos outros com as Palavra de Cristo, que ressoam no evangelho, e com a revelação dada a Paulo, a respeito desse evento escatológico. A igreja de Cristo não teme o arrebatamento, antes purifica a si mesma (I Jo. 3.3), assim como Ele é puro, e aprendeu a amar a vinda do Senhor para arrebatá-la (II Tm. 4.8), que lhe traz consolo (I Ts. 4.18).

BIBLIOGRAFIA
DEMY, T., ICE, T. A verdade sobre o arrebatamento. Porto Alegre: Actual Edições, 2001.
ICE, T., DEMY, T. (eds). Quando a trombeta soar. Porto Alegre: Actual Edições, 2015.

20 de janeiro de 2016

Lição 04

ESTEJA ALERTA E VIGILANTE, JESUS VOLTARÁ     
                             Texto Áureo  I Ts. 5.23 – Leitura Bíblica  Mt. 24.42-46



Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Jesus virá em breve, essa era a frase no painel de muitas igrejas evangélicas antigas. Nos dias atuais, algumas mantem “Jesus virá”, outras substituíram por “Jesus”. Talvez esse seja um indício da ausência de atenção que as igrejas estão dando a esse tema. Na aula de hoje enfatizaremos que o arrebatamento de Jesus acontecerá a qualquer momento, sendo, portanto, um acontecimento iminente. Por esse motivo devemos permanecer alertas, e vigilantes, cientes que Ele voltará para arrebatar Sua em igreja, em breve.

1. ELE VIRÁ
O Novo Testamento ensina que Jesus voltará (Jo. 14.3), e que aparecerá segunda vez (Hb. 9. 28). Isso quer dizer que o Senhor virá para arrebatar Sua igreja, Ele mesmo prometeu aos discípulos, antes de Sua partida (Jo. 14.1-3).  Em meio às tribulações da vida, temos o conforto espiritual, que Ele foi preparar um lugar, para que estejamos com Ele. Por esse motivo, Tiago orienta os primeiros cristãos a serem pacientes, enquanto aguardam a vinda do Senhor (Tg. 5.7-9). Paulo é o apóstolo que mais trata a respeito desse assunto, destacando que essa é nossa esperança (I Ts. 1.9,10), e que quando Ele voltar, nos livrará da ira vindoura (I Ts. 1.9). O arrebatamento é a bendita esperança daqueles que professam a fé no Senhor (Tt. 2.13). Mas enquanto aguardamos a vinda do Senhor, devemos nos manter alerta e vigilante (I Ts. 3.13). É possível, no entanto, que alguém seja pego de surpresa, se não estiver preparado (I Ts. 5.1-11). Por isso, devemos buscar uma santificação integral, e que ser irrepreensível, enquanto esperamos o arrebatamento (I Ts. 5.23). A vigilância é necessária a fim de que não sejamos envergonhados, caso venhamos a nos afastar dEle, quando vier para buscar Sua igreja (I Jo. 2.28). Por ocasião do arrebatamento, seremos semelhantes a Ele. E quem tem essa esperança, deve purificar a si mesmo, assim como Ele mesmo é puro (I Jo. 3.2,3). Esse também será um momento de júbilo para os obreiros, pois se alegrarão ao ver aqueles que conduziram a Cristo (I Ts. 2.17-19).

2. A QUALQUER MOMENTO
Em relação ao momento não sabemos quando ocorrerá, sendo inviável marcar qualquer data. Jesus disse aos Seus discípulos que não competia a eles conhecer tempos ou épocas que Deus reservou para Sua exclusiva autoridade (At. 1.7). A humanidade será pega de surpresa quando acontecer, pois virá como ladrão de noite (I Ts. 5.2,3). Como diz Paulo aos Coríntios, “num momento, num abrir e fechar de olhos... a trombeta soará e os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nos (crentes vivos) serão transformados” (I Co. 15.52). Esse é o significado da palavra iminente, isto é, a volta do Senhor, para arrebatar a igreja, está próxima (Ap. 1.3; 22.10). Por esse motivo, cada geração de crente deve permanecer alerta, e vigilante, para não está despercebida, quando Cristo voltar (Lc. 12.40). Os crentes são exortados a aguardarem ansiosamente pela volta do Senhor (Fp. 3.20; Hb. 9.28; Tt. 2.12; I Ts. 5.6). A doutrina da imanência é importante na interpretação escatológica porque ressalta que o arrebatamento acontecerá a qualquer momento. Essa premissa bíblica exige que os crentes estejam sempre preparados. É o que constatamos ao analisar os textos bíblicos que aludem ao arrebatamento, afirmando que “perto está o Senhor” (Fp. 4.5), que Ele “está às portas” (Tg. 5.9), de modo que se faz necessário que “vigiemos e sejamos sóbrios” (I Ts. 5.6).

3. ANTES DA TRIBULAÇÃO
A doutrina do arrebatamento iminente, ou seja, que pode acontecer a qualquer momento, respalda o pré-tribulacionismo. Os posicionamentos meso-tribulacionista e pós-tribulacionista precisam redefinir o conceito de iminência, para justificar seus argumentos. Isso porque caso os crentes passem pela tribulação, a expectativa de que o Senhor venha a qualquer momento perderá a razão de ser (Tt. 2.13). É por isso que os crentes devem permanecer atentos, aguardando a volta do Senhor Jesus. Os santos da tribulação, por sua vez, são exortados a atentaram para os sinais. Se os crentes tiverem que passar pela tribulação, não faz sentido a exortação bíblica para que nos consolemos pela volta do Senhor (Jo. 14.1; I Ts. 4.18). O termo maranatha, cujo significado é “vem, Senhor Jesus”, somente tem fundamento se a volta de Jesus for iminente. Uma análise acurada de várias passagens sobre a tribulação, tanto no Antigo (Dr. 4.29-30; Jr. 30.4-11; Dn. 8.24-27; 12.1,2), quanto no Novo Testamento (Mt. 13.30-50; 24.15-31; I Ts. 1.9,10; 5.4-9; II Ts. 2.1-11; Ap. 4-18) mostra que essa não se refere à igreja. A mensagem do Senhor é clara para Sua igreja: “porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra” (Ap. 3.10). Na verdade, o livro do Apocalipse, dos capítulos 4 a 19, silencia em relação à igreja, pois se trata do perído da “angústia para Jacó” (Jr. 30.7).

CONCLUSÃO
Jesus voltará para arrebatar Sua igreja, esse evento acontecerá a qualquer momento. Por esse motivo, devemos permanecer sóbrios e vigilantes, aguardando Sua vinda (Lc. 21.36). Isso acontecerá antes da Tribulação, pois chegará o tempo em que o Senhor levará Seus embaixadores da terra (II Co. 5.20). A partida da igreja antes da tribulação é tipificada no translado de João a subir ao céu (Ap. 4.1), sendo preservada do período da Tribulação (Ap. 4-19).

BIBLIOGRAFIA
ICE, T., DEMY, T. (eds). Quando a trombeta soar. Porto Alegre: Actual Edições, 2015.
PENTECOST, J .D. Manual de Escatologia. São Paulo: Vida, 2002. 

13 de janeiro de 2016

Lição 03

ESPERANDO A VOLTA DE JESUS     
                            Texto Áureo  I Ts. 5.23 – Leitura Bíblica  Mt. 24.42-46


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
A igreja aguarda seu arrebatamento pelo Senhor a qualquer momento, quando se encontrará com Ele nos ares. Na lição de hoje estudaremos a respeito desse evento, e destacaremos a necessidade de permanecer na expectativa dessa bendita esperança. Mostraremos que o arrebatamento é um evento iminente, que deve nos motivar à santificação, e a amar a vinda do Senhor. Destacaremos também que enquanto não acontece a igreja deve permanecer trabalhando em prol da expansão do Reino de Deus.

1. UM EVENTO IMINENTE
A igreja aguarda ser arrebatada para se encontra com o Senhor Jesus nos ares (I Ts. 4.13-18). Esse é um evento iminente, ou seja, que acontecerá a qualquer momento, sem sinais prévios. A esse respeito, é válido ressaltar que a doutrina do arrebatamento foi revelada com maior propriedade a Paulo (I Co. 15.51). Por esse motivo, encontramos várias passagens em suas epístolas que se referem a esse acontecimento. Para interpretar apropriadamente os textos que fazem referência ao arrebatamento é necessário distingui-lo da Segunda Vinda em glória, quando o Senhor virá para estabelecer seu reino milenial (Ap. 19). Nada impede que Jesus venha arrebatar Sua igreja a qualquer momento, nem mesmo que o evangelho seja pregado em todos os lugares, pois esse é o ensinamento paulino sobre o arrebatamento. Os crentes devem viver nessa expectativa, sabendo que a trombeta soará, e os mortos em Cristo ressuscitarem, e aqueles que estiverem vivos, serão transladados (I Ts. 4.13-18). Esse ensinamento era pregado com frequência nos anos que antecederam 2000, mas infelizmente algumas igrejas deixaram de acreditar no arrebatamento da igreja. Além disso, o materialismo, disseminado nas igrejas pela teologia da ganância, está fazendo com que os crentes percam o foco. A ênfase no temporal, em detrimento do eterno, está retirando dos púlpitos um assunto que é recorrente na teologia do Novo Testamento. Uma igreja compromissada com o Reino de Deus deve pregar e viver na expectativa escatológica, na convicção da vinda de Jesus para arrebatar Sua igreja, como Ele mesmo prometeu (Jo. 14.1).

2. QUE EXIGE SANTIFICAÇÃO DOS CRENTES
Enquanto Jesus não vem para buscar Sua igreja, essa deve viver em santificação, produzindo o fruto do Espírito (Gl. 5.22). Paulo, em sua Epístola aos Tessalonicenses, admoesta os crentes para que esses sejam integralmente santos (corpo, alma e espírito), enquanto aguardam a Vinda do Senhor (I Ts. 5.23). A santificação é uma condição para que se possa ver a Deus (Hb. 12.14), sendo necessário distinguir a santificação posicional e da progressiva. A primeira tem a ver com a condição dada por Deus a partir do momento que somos regenerados (I Co. 3.16). A segunda é um processo que inicia na conversão e segue até a glorificação, no momento do arrebatamento (II Co. 3.18). É preciso ter cuidado para não confundir santificação com perfeição, isso porque há crentes que pensam que somente serão arrebatados se estiverem perfeitos. A palavra traduzida por perfeito, no grego do Novo Testamento, é teleios, e tem a ver com maturidade, não com perfeição. As traduções para o português podem causar frustrações, e às vezes, pavor em alguns cristãos, por não se considerarem aptos para o arrebatamento. O fundamento para o arrebatamento da igreja é a santificação posicional, isto é, por causa do sacrifício de Cristo, podemos confiar que Ele nos arrebatará. Por outro lado, espera-se de um cristão que viva em santidade, sendo cada vez mais parecido com Cristo. Os cristãos carnais, porém, estão em situação de risco, não apenas de ficar após o arrebatamento, mas de apostatar da fé, e se deixar conduzir pelos padrões mundanos (I Jo. 2.16).

3. AMOR E ESPERANÇA
Por viverem em pecado, muitos crentes não conseguem amar a vinda de Jesus (II Tm. 4.8), e não têm a bendita esperança (Tt. 2.13). O arrebatamento para os crentes é tanto uma parousia (vinda) quanto uma epifaneia (manifestação). Essa revelação não deve ser motivo de medo, muito menos de pavor, mas de amor e esperança. Na medida em que o cristão trabalha em prol da expansão do Reino, sabe que a trombeta soará e que será levado para estar com Cristo. Esse viver na dimensão eterna traz gozo para o crente, pois esse sabe que a morte não é o fim, e mais que isso, que será transformado, recebendo um corpo glorioso (I Co. 15.54). O mundo vive sem essa esperança, e o resultado tem sido angústia e desespero, mas a igreja, que foi comprada pelo sangue de Cristo, aguarda a volta do seu Noivo (Ef. 5.26). A tribulação virá, dias trabalhosos sobrevirão sobre a terra, mas a igreja será preservada da ira vindoura (I Ts. 1.9,10). Uma igreja comprometida com a Palavra proclama que esse dia chegara, e que as pessoas precisam se arrepender dos seus pecados, e se voltar para Deus, para não ficarem na terra, sob o governo do Anticristo, e as calamidades do Apocalipse. Fazendo assim a igreja evitará o escapismo, tendência bastante comum em alguns círculos cristãos. Há evangélicos que celebram a volta de Cristo, mas fogem da realidade na qual estão inseridos. A vinda de Cristo para arrebatar a igreja deve ser um tema recorrente, mas não pode livrar o cristão da responsabilidade de difundir e viver a partir dos valores do Reino, enquanto permanecer na terra.

CONCLUSÃO
A igreja aguarda com expectativa, sobretudo com amor, a vinda de Cristo para arrebatar Sua igreja. Na verdade essa é a bendita esperança, a respeito da qual escreveu Paulo em suas epístolas. Enquanto Jesus não vem, devemos viver em santificação, buscando nos assemelhar ao caráter de Cristo, algo que acontecerá plenamente por ocasião da glorificação (I Jo. 3.2). Enquanto esse dia não chega, devemos continuar fazendo a obra de Deus, e trabalhando em prol da expansão do Seu reino.

BIBLIOGRAFIA
ICE, T., DEMY, T. (eds). Quando a trombeta soar. Porto Alegre: Actual Edições, 2015.
PENTECOST, J .D. Manual de Escatologia. São Paulo: Vida, 2002. 

6 de janeiro de 2016

Lição 02

SINAIS QUE ANTECEDEM A VOLTA DE CRISTO     
                                Texto Áureo  Mt. 24.3 – Leitura Bíblica  Mt. 24.3-14

 

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
A volta de Jesus é um ensinamento bíblico, e que tem relação direta com o estabelecimento do Reino Milenial do Messias, para Israel e toda humanidade. Na aula de hoje estudaremos a respeito dessa doutrina, destacando a diferença entre o Arrebatamento e a Volta de Cristo em glória. Em seguida, apontaremos os fundamentos bíblicos para essa volta gloriosa de Cristo para reinar durante o Milênio. Ao final, destacaremos alguns sinais, apontados pelo próprio Cristo, que antecederiam a Sua volta.

1. ARREBATAMENTO E SEGUNDA VINDA DE CRISTO
O Arrebatamento e a Segunda Vinda de Cristo são eventos escatológicos distintos. O primeiro diz respeito à Igreja, que encontrará o Senhor Jesus nos ares (I Ts. 4.13-18). O segundo, diz respeito a Israel, que aguarda a volta do Messias, para reinar (Mt. 23.3-14). É importante ressaltar que não existem sinais para o arrebatamento da Igreja, pois se trata de um episódio imanente, que poderá acontecer a qualquer momento (I Co. 15.51,52). O Arrebatamento da Igreja acontecerá antes da Tribulação (Ap. 3.10), enquanto que a Vinda de Cristo será depois da Tribulação. No Arrebatamento da Igreja, Jesus virá para os santos, enquanto que na Segunda Vinda Cristo virá com os santos (Zc. 14.4,5). Na interpretação desses dois eventos, faz-se necessário atentar para os textos bíblicos que fazem alusão ao Arrebatamento (I Ts. 4.13-18) e à volta de Cristo (Mt. 24; Lc. 21). Caso isso não seja feito, o interprete poderá confundir a sequência dos eventos escatológicos. No arrebatamento: todos os crentes serão transladados, os santos transformados irão para o céu, a terra não será julgada, será uma acontecimento iminente, sem sinais; não é mencionado no Antigo Testamento; envolve apenas crentes, acontecerá antes do Dia da Ira; não há referência a Satanás; Cristo virá para os Seus; Ele virá nos ares; tomará para Si a Sua noiva; somente os Seus o verão; e começará a tribulação. Na Volta de Cristo: não há qualquer translado; os santos transformados voltarão à terra; a terra será julgada e a justiça reestabelecida; seguem-se os sinais preditos e definidos; é mencionada várias vezes no Antigo Testamento; afetará toda a humanidade; concluirá o dia da ira; Satanás será acorrentado; Cristo virá com os Seus; Ele virá até a terra; Ele vem com a Sua noiva; todo olho O verá; e dará início o Milênio.

2. A VINDA GLORIOSA DE CRISTO PARA REINAR NO MILÊNIO
A Vinda gloriosa do Messias é aguardada ansiosamente pelos judeus, que acreditam que com a volta desse o governo perene será estabelecido, os discípulos de Jesus mostraram expectativa quanto ao cumprimento dessa promessa (At. 1.5-7). Em Mateus 24 e Lucas 21, Jesus revelou aos discípulos alguns aspectos sobre Sua vinda em glória para estabelecer o governo na terra. A palavra grega usada por Mateus foi parousia, que descreve a vinda de um rei ou dignitário a alguma localidade. A pergunta dos discípulos, e a resposta de Jesus, são iminentemente judaicas, nada tem a ver com a igreja. A exposição de Jesus em Mt. 24 e Lc. 21 coloca Seus discípulos como representantes daqueles judeus que não tomarão parte do arrebatamento, que passarão pela Tribulação, até a vinda gloriosa do Messias. Existem vários textos no Antigo Testamento que se referem a essa manifestação: Dn. 2.44,45; 7. 9-14; 12.1-3; Zc. 12.10; 14.1-15, bem como no Novo Testamento: Mt. 13.41; 24.15-31; 26.64; Mc. 13.14-27; 14.62; Lc. 21.25-28; At. 1.9-11; 3.19-21; I Ts. 3.13; II Ts. 1.6-10; 2.8; I Pe. 4.12,13; II Pe. 3.1-14; Jd. 14,15; Ap. 1.7; 19.11-20.6; 22.7,12,20. Com base em Mt. 24 e Lc. 21, inferimos que a Vinda de Cristo acontecerá imediatamente após a Tribulação daqueles dias (v. 29), os acontecimentos do período da Tribulação continuam até a Volta de Cristo em glória. Essa Vinda será precedida por um sinal (v. 30), que não nos é revelado, que, ao que parece, trata-se de um sinal específico, diferente dos demais, mencionados por Jesus. A vinda de Jesus será repentina (v. 27) e todos verão a Cristo (v. 30), quando Seu poder e Sua glória serão manifestos por toda a terra. A parábola das virgens, em Mt. 25.1-13, faz referência direta a Israel, não ao arrebatamento da Igreja. O uso da expressão “então”, em Mt. 25.1, não se refere à Era da Igreja, mas aos acontecimentos relacionados a Israel, após a Tribulação.

3. SINAIS ESCATOLÓGICOS DA SEGUNDA VINDA DE CRISTO
Antes da Vinda de Jesus em glória, alguns sinais evidenciarão a proximidade desse evento. O principal sinal para a volta de Cristo para estabelecer Seu reino será o arrebatamento da igreja (I Ts. 4.13-18). Contudo, no contexto da religiosidade judaica, Jesus elencou uma série de sinais em Mt. 24 e Lc. 21, em Seu sermão profético, quanto àqueles dias. Esse será um tempo de guerras e conflitos, nações se levantarão umas contra as outras, e reinos contra reinos (Lc. 21.10); haverá catástrofes naturais, muito mais intensas que o Tsunami asiático. No mundo religioso, se levantarão falsos cristos, pessoas que serão apresentadas como o Salvador, e que enganarão a muitos, inclusive os judeus (Mt. 24.5). O anticristo, juntamente com o falso profeta, farão conchavos, para perseguir aqueles que professarem o nome de Cristo (Ap. 13.1-10). Além de terremotos, fomes e pestilências em vários lugares (Lc. 21.11). A diminuição do amor, em razão da multiplicação do pecado (Mt. 24.12), tornando as pessoas cada vez mais insensíveis. O evangelho do Reino, não o da salvação em Cristo, será pregado no mundo inteiro (Mt. 24.14), isso quer dizer que pessoas serão convertidas durante a Tribulação. Durante esse período a Igreja não estará mais na terra, pois terá sido transladada, para se encontrar com o Senhor Jesus nos ares (I Ts. 4.13-18). Na terra predominará o caos, em todas as esferas humanas, tanto na política, quanto na econômica. A natureza será diretamente afetada, isso pode ser identificado ao longo do relato joanino, no livro do Apocalipse. Jesus se referiu a esse período como “o princípio de dores” (Mt. 24.7,8), destacando, assim, que não será ainda o final de todas as coisas.

CONCLUSÃO
A volta de Jesus acontecerá após o arrebatamento da igreja, e terá uma serie de sinais que mostram que o fim está perto. O Senhor destacou alguns desses, para que Israel, e aqueles que ficaram depois do translado, possam se preparar. Nos dias atuais já testemunhamos a construção de um cenário para a volta de Jesus, a fundação do Estado de Israel, em I948, é um deles. As guerras, epidemias, fomes e catástrofes atuais apontam para os sinais que se tornarão mais evidentes no período da Tribulação. Aqueles que não quiserem passar por esses dias, devem se voltar para Cristo, e aguardá-lo quando vier buscar o Seus.

BIBLIOGRAFIA
ICE, T., DEMY, T. A verdade sobre os sinais dos tempos. Porto Alegre: Actual Edições, 1999.
PENTECOST, J .D. Manual de Escatologia. São Paulo: Vida, 2002. 

29 de dezembro de 2015

Lição 01

ESCATOLOGIA, O ESTUDO DAS ÚLTIMAS COISAS
                         Texto Áureo  II Tm. 3.1 – Leitura Bíblica  Mt. 24.4,5; I Ts. 1.10


 Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Neste trimestre estudaremos um dos assuntos mais complexos, e às vezes, mais polêmicos, da teologia bíblica, a escatologia. Nesta aula apresentaremos os aspectos conceituais da área de estudo, destacando suas Escolas de intepretação, e o mais importante, os princípios fundamentais para a interpretação do texto profético. Destacamos, a princípio, a necessidade de uma avaliação criteriosa e contextualizada dos textos, a fim de evitar excessos e especulações, sem fundamentação bíblica.

1. ESCATOLOGIA, ESTUDO DAS ÚLTIMAS COISAS
A escatologia é uma área dos estudos teológicos que trata a respeito das últimas coisas, ou da realidade ulterior. Esse termo é derivado da combinação de duas palavras gregas: eschatos, que significa último, e logos, que significa estudo ou doutrina. No âmbito da Escatologia Pessoal, faz-se necessário ressaltar a dimensão material (corporal) e imaterial (espiritual) do ser humano. Após a morte o crente entra imediatamente na presença de Deus (II Co. 5.8), ainda que seu corpo físico permaneça na terra, aguardando a ressurreição e a glorificação (I Co. 15.54,55). Quando o descrente morre, segue para o Hades (Lc. 16.19-31), onde aguarda o julgamento do Trono Branco (Ap. 20.11-15). Depois do julgamento o Hades, e todos aqueles que ali habitam, será lançado no lago de fogo, esse período, que envolve tanto o período posterior à morte do justo quanto do ímpio, é dominado de Estado Intermediário. A Escatologia Geral trata, fundamentalmente, sobre a Volta de Cristo, doutrina repetidamente ensinada pelo Senhor (Mt. 24.27-31; 45-51; Mc. 13.32; At. 1.11). Além da volta de Cristo, os estudiosos da Escatologia Bíblica assumem que existe uma sequência de eventos: arrebatamento da igreja, tribunal de Cristo, Grande Tribulação, Milênio, Ressurreição, Julgamento e Estado Eterno. Existem divergências em relação a alguns aspectos da Escatologia Bíblica, especialmente quanto à ocasião do Arrebatamento da Igreja, se esse se dará antes da Tribulação (Pré-tribulacionismo), antes e durante a Tribulação (Parcial), no meio da tribulação (Midi-Tribulacionsimo), ou após a Tribulação (Pós-tribulacionismo). A diferença em relação a esse tema não compromete a ortodoxia, consideramos, no entanto, que a posição mais apropriada é a Pré-tribulacionista (I Ts. 1.10; Ap. 4.1,2).

2. ESCOLAS DE INTERPRETAÇÃO NO ESTUDO ESCATOLÓGICO
Existem diferentes escolas de interpretação dos estudos escatológicos, relacionadas à maneira de abordar o livro do Apocalipse. A Escola Preterista defende que o Apocalipse deve ser interpretado no contexto do seu autor original, relacionando-o às adversidades pelas quais passavam as igrejas do Sec. I. Por conseguinte, o objetivo desse livro era o fortalecimento da igreja diante das perseguições. A Escola Futurista argumenta que apenas os três primeiros capítulos do Apocalipse têm enfoque histórico. Para os estudiosos dessa perspectiva, a partir do capítulo 4 o livro aponta para eventos futuros, que acontecerão nos últimos dias. O objetivo do Apocalipse, de acordo com essa escola de interpretação, é descrever a consumação do propósito redentor de Deus, nos últimos tempos. A Escola Simbolista, ou Idealista, tende à alegoria, argumenta que o Apocalipse é um texto figurado, que discorre a respeito da batalha cósmica entre o bem e o mal. Para os adeptos dessa Escola, o texto apocalíptico não deve ser interpretado literalmente, antes aponta para significados espirituais, que somente podem ser compreendido na esfera cósmica. A Escola que mais condizente com a interpretação bíblica é a Futurista, ainda que reconheçamos que no Apocalipse existem passagens históricas (preteristas) e figuradas (simbólicas). O objetivo principal do Apocalipse, de acordo com essa abordagem, é direcionar o leitor para os eventos que deverão acontecer no futuro (Ap. 1.1). Para a Escola Futurista o texto bíblico, de modo geral, deve ser interpretado literalmente, sendo harmonizado em um todo coerente. Ela é importante para também porque justificar a posição Pré-tribulacionista do arrebatamento da Igreja.

3. PRINCÍPIOS PARA A INTERPRETAÇÃO DA ESCATOLOGIA
Existem muitas especulações escatológicas nas igrejas, para evitar os excessos faz-se necessário estimular uma abordagem apropriada no que tange à intepretação do texto profético. A esse respeito é válido ressaltar o que disse Jesus sobre o cumprimento das profecias: “quem lê entenda”, e não, quem lê invente (Mt. 24.15). As suposições infundadas, e sem qualquer respaldo escriturístico, alimentam a imaginação dos curiosos, mas não devem ser ensinadas na igreja. Uma interpretação apropriada da profecia bíblica parte de uma abordagem que considere o método gramatical (de acordo com as regras da gramática), histórico (coerente com o contexto histórico da passagem), e contextual (de acordo com o contexto no qual foi escrito). Evidentemente, conforme ressaltamos anteriormente, não podemos desconsiderar que existem passagens proféticas que recorrem às figuras de linguagem, e que não podem ser interpretadas literalmente. Além disso,  é necessário fazer as distinções devidas entre a profecia direcionada à igreja, e àquelas cujo cumprimento se dará com Israel. Existem equívocos na interpretação do texto escatológico que estão relacionados à confusão que alguns intérpretes fazem sobre o papel de Israel e da Igreja no desenrolar dos acontecimentos proféticos. Há profecias que são exclusivas para Israel, e que não podem ser interpretadas como se fossem alusivas à Igreja. O futuro determinado por Deus para Israel e a Igreja são distintos, um exemplo disso é o Arrebatamento, cujo alvo é a Igreja do Senhor Jesus Cristo (I Ts. 4.13-18), e o Milênio, que o Milênio terá como foco Israel, a nação escolhida por Deus (Ez. 36.33-36).

CONCLUSÃO
O estudo da doutrina das últimas coisas – Escatologia – deve ser estimulado entre os crentes, considerando que esse é um assunto recorrente nas Escrituras. Mas é preciso que esse seja realizado com cautela, respeitado os princípios hermenêuticos, que orientam a interpretação do texto profético. É importante também ressaltar que o objetivo da Escatologia não é provocar discussões infundadas, ou mesmo debates acalorados, mas que permaneçamos firmes na fé, na esperança da Palavra Profética, que brilha como luzeiro, em um mundo de trevas (II Pe. 1.19).

BIBLIOGRAFIA
LAHAYE, T. HINDSON, E. Enciclopédia popular de profecia bíblica. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
PENTECOST, J .D. Manual de Escatologia. Sáo Paulo: Vida, 2002.