12 de maio de 2018

Lição 07


ÉTICA CRISTÃ E DOAÇÃO DE ÓRGÃOS
Texto Áureo: Jo. 10.10   – Texto Bíblico: I Sm. 31.1-6

INTRODUÇÃO
O transplante de órgãos e tecidos tornou-se uma realidade como consequência do avança da medicina moderna. Diante desse contexto, a igreja precisa se posicionar, e a partir de princípios bíblicos, estimular essa prática entre os cristãos. Por isso, na lição de hoje, estudaremos a respeito da ética cristã e a doação de órgãos, com intuito de orientar os crentes a se envolverem nesse gesto de solidariedade, e mais precisamente, de amor ao próximo.

1. O TRANSPLANTE DE ORGÃOS E TECIDOS
A doação de órgãos e tecido é uma realidade no contexto da modernidade, como resultado dos avanços da ciência. Esse recurso tem sido amplamente usado em todo mundo, com vistas a recuperação de pacientes que enfrentam doenças terminais. A Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) explica que podem ser transplantados órgãos como o coração, o fígado, o pâncreas, os rins, os pulmões, entre outros. Há também a possibilidade de transplante de células-tronco, inclusive com células-tronco embrionárias, sendo que este último procedimento não é apoiado pelos cristãos, considerando o descarte dos embriões. Por esse motivo, as igrejas cristãs apoiam a pesquisa e os tratamentos com células-tronco, desde que essas não sejam embrionárias, por interromper a vida do embrião. E conforme estudamos anteriormente, defendemos que a vida humana tem seu início da fecundação. Mas em geral, as igrejas evangélicas não são contrárias à doação de órgãos, reconhecemos inclusive que se trata de um gesto de amor e solidariedade, e que deve ser estimulado nas comunidades cristãs.

2. DOAÇÃO DE ÓRGÃOS: PRINCÍPIOS BÍBLICOS
Por se tratar de um procedimento recente no campo da medicina, é pouco provável que se encontre respaldo direto nas Escrituras para a doação de órgãos. O que podemos identificar em várias passagens são princípios que norteiam os cristãos em relação a essa possibilidade. Jesus é o maior exemplo de doação, pois Ele não apenas doou um órgão, mas o fez por inteiro a fim de salvar os pecadores (Jo. 10.18). O próprio Deus provou Seu amor gracioso por nós ao entregar Seu Filho Unigênito pelos nossos pecados (Rm. 5.8). A ética cristã, a respeito da doação de órgãos, parte do pressuposto cristão: “tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós” (Mt. 7.12). Portanto, devemos considerar que podemos em algum momento da vida precisar receber os órgãos de alguém, por esse mesmo motivo devemos estar dispostos a fazer o mesmo pelas pessoas. Em uma sociedade individualista, as pessoas tendem a achar que jamais precisarão receber um órgão doado, mas devemos nos colocar no lugar do outro, e estar disponível para colaborar com aqueles que se encontram em necessidade.

3. A IGREJA E A DOEÇÃO DE ÓRGÃOS
A igreja evangélica tem muito a contribuir nesse processo, e agir como os irmãos da Galácia, que se dispuseram a doar os próprios olhos a Paulo em razão da sua enfermidade (Gl. 4.14,15). Naqueles tempos, esse procedimento seria cientificamente improvável, mas nos dias atuais é possível doar um órgão, em vida ou depois da morte. Os cristãos devem ser esclarecidos a esse respeito, inicialmente da necessidade de manifestar interesse aos familiares, para que essa vontade se concretize, no momento necessário. É importante também que os mitos a respeito da venda de órgãos, bastante popularizada na sociedade, sejam desconstruídos. Existe uma fila única para o uso dos órgãos doados, e essa é rigorosamente respeitada, sem dar margem para desvio, ou uso indevido dos órgãos doados. A dúvida escatológica, em relação à ressurreição dos mortos não deve ser usada como impedimento para a doação de órgãos. Paulo deixa claro, ao escrever aos coríntios, que o corpo ressuscitado é espiritual, portanto, glorificado. Não há dependência dos órgãos para a ressurreição do corpo, se assim o fosse, as pessoas que perderam um membro, em virtude de algum acidente, teriam problemas na ressurreição. Ao invés de incitarmos as especulações teológicas a esse respeito, antes devemos motivar os cristãos a exercitarem o amor cristão, através da doação de órgãos.

CONCLUSÃO
A doação de órgãos é uma demonstração de genuíno amor cristão, por isso deve ser estimulado entre os cristãos. As igrejas devem promover campanhas de conscientização, a partir da doação de sangue. É preciso que os evangélicos se envolvem em práticas dessa natureza, a fim de também demonstrar a sociedade nosso compromisso com o bem-estar de todos. E assim seremos conhecidos pelo amor de cristão, por estar dispostos a nos entregar pelos irmãos, e por todos indistintamente (I Jo. 3.16).

BIBLIOGRAFIA
KAISER JR, W. C. O cristão e as questões éticas da atualidade. São Paulo: Vida Nova, 2015.
PLATT, D. Contracultura. São Paulo: Vida Nova, 2016.