14 de julho de 2018

Lição 03


OS MINISTROS DO CULTO LEVÍTICO
Texto áureo: Nm. 3.45 – Leitura Bíblica: Lv. 8.1-13

INTRODUÇÃO
Na lição de hoje, estudaremos a respeito do ministério sacerdotal levítico, ressaltaremos seu chamado para o serviço. Ao mesmo tempo, não poderemos deixar de destacar que o sacerdócio levítico era uma sombra do sacerdócio eterno de Cristo. E ao final, mostraremos que Jesus quando ressuscitou deu dons aos homens, favorecendo o ministério cristão, tanto em sentido amplo quanto específico, com vistas à edificação do corpo de Cristo.

1. OS MINISTROS DO CULTO LEVÍTICO
O culto israelita era ministrado pelos sacerdotes levitas, esses eram responsáveis por estar diante do Senhor, intermediando pelo povo. Levi foi um dos filhos de Lia, uma das esposas de Jacó, e seu próprio nome ter a ver com “estar ligado”. Por isso, se reconhece que essa era a tarefa dos levitas, deveriam estar sempre “ligado no Senhor”, zelando pelo serviço divino. Por ocasião da divisão das terras entre as tribos de Israel, aos levíticas não coube território, eles deveriam depender da providência divina, por isso Arão e seus descendentes deveriam ser separados para um trabalho específico (Ex. 6.14-27; Nm. 3.45). Por esse motivo, o sumo sacerdote de Israel deveria ser descendente de Arão (Ex. 6.15-23), constituído como mediador entre os homens e Deus (Lv. 10.10,11), assumindo essa função de forma vitalícia (20.23-28), não se esquecendo que eram servos de Deus, não dos homens (Ex. 28.43). Por esse motivo, deveriam viver do altar, dedicando-se exclusivamente ao ministério (Lv. 7.35), e viverem de maneira santificada, a fim de agradar ao Senhor que os chamou para cumprir uma missão (Ex. 28.36), caso profanasse o ofício do Senhor, seriam punidos severamente (Lv. 10.1-3). Esperava-se que os sacerdotes levíticos fossem um exemplo de espiritualidade para o povo, tendo em vista que deveria zelar pela Lei do Senhor, e serem puros aos olhos de Deus, ainda que não fossem perfeitos. Vários sacerdotes tiveram problemas, inclusive para que seus descendentes dessem sequência ao trabalho para o qual foram comissionados. Os filhos de Eli é um exemplo de sacerdotes que não levaram a sério o serviço divino, como consequência disso foram punidos com rigor (I Sm. 2.25).

2. O MINISTÉRIO ETERNO DE JESUS
O autor da Epístola aos Hebreus apresenta algumas especificidades em relação ao sacerdócio de Cristo, em comparação com o sacerdócio levítico. Para que o sacerdócio levítico fosse aprovado por Deus, bem como o próprio sacerdócio de Cristo, fazia-se necessário que algumas qualificações fossem consideradas. A esse respeito, é preciso destacar que a “ordem” do sacerdócio de Cristo se difere daquele dos sacerdotes levíticos. Em ambos os casos, um homem foi escolhido, para representar o povo, na presença de Deus. Por isso, como sacerdote, Jesus foi “tomado dentre os homens” (Hb. 5.1). E seguindo a prática sacerdotal judaica, “para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados” (Hb. 5.1). Como Sumo Sacerdote, Jesus “pode compadecer-se”, isso mostra que Ele não desconsidera nossa condição humana, e mais que isso, que ele tem simpatia, no sentido etimológico do termo”, sofre conosco. Ele conhece nossa natureza, e sabe que somos pó, e que dependemos de Deus, inclusive para vencer as tentações/provações. Uma das qualificações de Cristo, em comparação ao sacerdócio levítico, é que o sacerdote levítico deveria oferecer sacrifícios “tanto pelo povo como também por si mesmo” (Hb. 5.3). Por oposição, o sacerdócio de Cristo tinha procedência divina, para tanto o autor recorre a Sl. 2.7 e ao 110.4, a fim de mostrar que Jesus, diferentemente do sacerdócio aaronico, seguia a ordem de Melquisedeque. Este foi um sacerdote-rei da cidade estado de Salém – antiga Jerusalém – nos tempos em que Abraão resgatou Ló do cativeiro. E seguindo essa ordem, Jesus mostrou ser superior, pois Ele não apenas morreu pelos pecados da humanidade, também ressuscitou vindo a ser “a causa de eterna salvação para todos os que lhe obedecem” (Hb. 5.9). A obediência é importante no contexto da Epístola aos Hebreus, pois o próprio Cristo “aprendeu a obediência”, e todos aqueles que O seguem também devem aprendê-la.

3. O MINISTÉRIO E OS DONS CRISTÃOS
Na Nova Aliança fomos feitos sacerdotes (I Pe. 2.9), de modo que não dependemos mais de um sacerdote humano. Temos Jesus Cristo que é o Supremo Sacerdote (Hb. 7.13-17). Mesmo assim, sabemos que Jesus deu dons aos homens, e ministros para a edificação da Sua igreja. Ele é o doador, que concede, aos homens, para o serviço cristão no Corpo de Cristo. Esses dons, descritos em Ef. 4.11-12, são funcionais, ou melhor, têm serventia para cumprir um proposito, mais especificamente a edificação da igreja (Ef. 4.12-16). Há também o equívoco de pensar que os dons espirituais são dispensados por méritos pessoais. Ninguém é usado por Deus, através dos dons espirituais ou ministeriais, por que é digno (Rm. 12.6; I Pe. 4.10), não podemos esquecer que fomos salvos pela graça de Deus (Ef. 4.9,10). Os dons procedem de Deus, Ele é a fonte dos dons, tanto os espirituais (charismata/penumatikon) quanto os ministeriais (diakonia). A distribuição dos dons é um trabalho da Trindade, o Pai enviou Cristo, e depois o Espírito Santo (Jo. 14.6; 20.21). A concessão dos dons espirituais e ministeriais vem de Deus, sendo que existem os dons do Espírito (I Co. 12.4-7), e os dons de Cristo (Ef.4.11). É importante destacar que há mais de nove dons espirituais, não apenas aqueles listados por Paulo em I Co. 12.8-11. Em Rm. 12.3-8 encontramos uma lista, diferente da de I Co., no tocante aos dons: profecia, ministério, ministração, ensino, exortação, partilha, presidência e misericórdia. Esses dons, de acordo com o texto, são todos provenientes de Deus. Os dons, grosso modo, partem de Deus para a igreja, a fim de constituir uma unidade na diversidade (Rm. 12.5). A dispensação dos dons, tanto os espirituais quanto ministeriais, é de Deus, mas há também participação humana. No texto de Rm. 12.3-8, Paulo instrui os crentes a desenvolverem os dons. Diferentemente dos dons de I Co. 12.8-11, que têm caráter mais instantâneo, e aspecto notadamente sobrenatural.

CONCLUSÃO
Os dons espirituais e ministeriais foram destinados aos homens e mulheres da igreja, com vistas ao serviço (diakonia), e mais especificamente, à edificação do Corpo de Cristo. Os dons espirituais e ministeriais não devem ser ignorados, é necessário que os membros da igreja se interessem por eles, mas é preciso usá-los com equilíbrio (I Co. 12.1). Os homens e mulheres de Deus, quando usados pelo Espírito, através dos dons, devem exercitá-los com responsabilidade, sobretudo com zelo e amor (I Pe. 5.2,3).

BIBLIOGRAFIA
TIDBALL, D. The message of Leviticus. Leicester: Interversity-Press, 2005.
WIERSBE, W. Be holy: Leviticus. Colorado Springs: David Cook, 2010.