17 de outubro de 2018

Lição 03


O CRESCIMENTO DO REINO DE DEUS
Texto Áureo: Mt. 13.23 – Leitura Bíblica: Mc. 4.3-20

INTRODUÇÃO
O Reino de Deus está em expansão, mas isso ocorre nas coisas pequenas, que pode ser comparado a uma semente de mostarda. Na lição de hoje estudaremos a respeito desse crescimento, destacando a princípio a importância de ter uma compreensão apropriada do Reino de Deus, em seguida, o compararemos, à luz das parábolas de Jesus, com uma semente de mostarda. E ao final, mostraremos as dimensões espirituais por meio das quais o Rei de Deus se expande.

1. O SIGNIFICADO DO REINO DE DEUS
Ao longo da história do pensamento bíblico-teológico é possível identificar percepções distintas do significado do Reino de Deus. Para alguns estudiosos, o Reino de Deus remete aos tempos da Antiga Aliança, na medida em que Deus direcionava os ditames de Israel, como a nação escolhida em um pacto teocrático. Esse governo teria se estendido à Igreja, quando Cristo a formou, chamando para fora aquele que fariam parte da sua assembleia. Na verdade, o reino de Deus se concretiza onde o Rei está, por isso Jesus afirmou que o reino de Deus estava no meio dos seus discípulos (Mt. 12.28; Mc. 1.15; Lc. 17.20,21). Ao longo da sua história, a cristandade cometeu o equívoco de conceber o reino de Deus com a instituição da sua relação com o Estado. Durante o império de Constantino, no Século IV da Era Cristã, Roma se tornou o centro religioso e governamental do mundo. Por causa da forte relação entre Igreja e Estado, alguns cristãos desse período acreditaram que o Milênio havia chegado, e que o Reino de Deus havia se instaurado na terra. Esse equívoco resultou na romanização da igreja e em decadência espiritual. Por esse motivo, é preciso ter cuidado para não confundir o reino de Deus com a política dos homens, e não deixar de considerar que esse “não é comida, nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm. 14.17). O reino de Deus é uma tensão entre o “já” e o “ainda não”, que somente terá plenitude no futuro, quando Jesus voltar para estabelecer Seu reino milenial (Ap. 19), por isso o Senhor orou para que esse chegasse, na terra como já é no céu (Mt. 6.10).

2. O REINO DE DEUS COMO UMA SEMENTE
Em várias parábolas Jesus comparou o Reino de Deus com algo de pouco destaque, como uma semente de mostarda (Mc. 4.30,31). Esse é um grão de origem egípcia, geralmente reconhecido como sinapsis nigra, cujo termo é mencionado nos Evangelhos Sinóticos (Mt. 13.31; 17.20; Mc. 4.31; Lc. 13.19; 17.6). Aparentemente, como uma semente de mostarda, o reino de Deus pode parecer insignificante, passando desapercebido pelas pessoas. Sabemos que no futuro esse reino se estenderá por todo o universo (Mc. 13.24-27; Ap. 5.9-13; 7.9), mas até que esse dia chegue, estaremos vivendo neste mundo como forasteiros, peregrinos em terra estranha. Às vezes, nos enganamos ao pensar que o reino de Deus tem a ver com o domínio dos homens. A política humana tem sido instrumento desse tipo de equívoco. Até mesmo algumas igrejas, através da sua imponência religiosa, demonstrada através de seus templos suntuosos, e até mesmo da influência política, pensam que estão contribuindo para a expansão do Reino de Deus. Mas esse se manifesta em lugares que, na maioria das vezes, não são vistos pela maioria das pessoas. Pregadores e pastores anônimos que levam a boa mensagem de Cristo Jesus, que semeiam a Palavra de Deus, e se envolvem em práticas de justiça, amor e perdão, às vezes, distante dos holofotes. 

3. A EXPANSÃO DO REINO DE DEUS
O reino de Deus está em expansão, mas nem sempre da maneira que as pessoas imaginam. C. S. Lewis, em uma das suas declarações apologéticas, descreveu os súditos desse reino como aqueles que chegam a esse mundo com o objetivo de sabotar o império do mal. Mas isso não se dá por meio da força, pois o reino de Deus não é por violência, mas através do amor e da graça de Cristo. O mundo jaz no maligno, os cristãos devem fazer uso das suas armas espirituais (II Co. 10.3-5; Ef. 6.12), e não se deixar influenciar pela filosofia do mundo, que pretende estabelecer seu governo por meio da coerção. Para a expansão do Reino de Deus, devemos levar a boa nova de Cristo, não com o objetivo de tornar as pessoas iguais a nós, antes conduzindo-as ao discipulado (Mt. 28.19,20), sendo imitadoras de Cristo, na medida em que nós mesmos somos imitadores dEle (I Co. 11.1). Os verdadeiros discípulos de Jesus carregam a cruz, sabem que devem ir sempre após Ele, nunca adiante dEle (Mt. 16.24). Os valores do reino, e mais precisamente, o código de ética do reino de Deus se encontra no Sermão do Monte (Mt. 5-7), nessa passagem nos deparamos com o padrão a partir do qual os súditos do reino de Deus devem viver. Na medida em que levamos essa mensagem adiante, expressando o amor de Deus, sabemos que elas encontrarão sobra, como aquela resultante da pequena semente de mostarda, que se tornou uma planta capaz de abrigar e trazer alívio aos que dela se aproximam.

CONCLUSÃO
A Igreja de Jesus Cristo tem o desafio de levar o evangelho até aos confins da terra (At. 1.8), essa é sua grande comissão. Mas precisa saber que o Reino é de Deus, e não de nós mesmos, precisamos estar alinhados à sua mensagem, e compreender que essa é uma obra do Espírito Santo, que transforma forasteiros em súditos de um reino de paz e amor, dominado pela graça maravilhosa, que nos atrai não pelo que somos ou fazemos, mas por quem Ele é, e porque nos amou, entregando Seu filho em nosso lugar (Jo. 3.16). 

BIBLIOGRAFIA
BARCLEY, W. The parables of Jesus. John Knox Press, Lousville, 1970.
BOICE, J. M. The parables of Jesus. LaSalle Boulevard: Moody Publishers, 1983.

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